abril 06, 2005

Capítulo 17 - Os poderes do anão são revelados

A manhã daquele Jetag trazia consigo o início de um novo mês. Era o primeiro dia de Terraviva, o mês de Allihanna a deusa da natureza. Como de costume, os heróis começaram bem cedo a trabalhar nas escavações, garimpando ouro, prata e cobre para Teztal. Como de costume também, eles apenas fingiam trabalhar com afinco, poupando energias para serem usadas durante a noite, quando realizavam as missões para reunir os elementos necessários para concretizar o plano de fuga.
Durante todo o dia, perceberam que estavam sendo observados pelo anão Guitespin, que parecia querer lhes dizer alguma coisa. Entretanto, qualquer tentativa de comunicação era impedida pelos genasis de cobre que vigiavam o local.
Logo após o almoço, o mesmo pão mofado e sujo de sempre, após conversar com o anão, que gesticulava apontando para cima e para o grupo, um dos genasis se aproximou dos heróis com um sorriso sarcástico estampado no rosto.
_ Escravos, pequem suas ferramentas e venham comigo! Vocês irão trabalhar no andar superior da mina, num local carregado de salitre! Vocês chegaram a pouco aqui, por isso ainda estão fortes e agüentaram o serviço por mais tempo. O salitre irá envenená-los pouco a pouco até deixá-los como aquele moribundo ali.
Um sentimento de temor e revolta tomou conta de todos. O anão desejava envenená-los com o salitre, deixando-os doentes como o pobre Elesin. Temendo pelo pior, todos foram para o andar superior, onde a morte lenta os aguardava.
O andar era constantemente vigiado por quatro genasis de cobre. Como nos outros dois pisos, grande quantidade de ouro, prata e cobre brotava de suas paredes a cada golpe de picareta. Um elevador, ainda em construção, deixava clara a intenção de Teztal de construir um novo anda acima daquele para conseguir mais minérios.
Quando a noite chegou, as ferramentas foram recolhidas e levadas para o andar principal da mina. Os escravos foram acomodados em camas de palha que se espalhavam num dos cantos da caverna. O anão foi trazido para cima e acorrentado na parede, próximo dos outros escravos, em grossos grilhões de aço. Somente um soldado permaneceu tomando conta do local, próximo ao elevador de descida. Quando a movimentação cessou, a maioria dos escravos dormiu e o guarda já parecia sonolento, os heróis foram conversar com Guiltespin.
O anão era um poderoso ilusionista que tentara, em vão, aliar-se a Teztal para escapar da escravidão e poder fugir da ilha. Suas intenções reais eram escapar de lá e avisar o Reinado sobre as atrocidades do local. Ele perguntou sobre o plano de fuga aos heróis, que lhe contaram quase tudo, omitindo alguns detalhes. Como previsto por enola, o anão seria de grande ajuda para o grupo. Seu grimório havia sido destruído por Teztal, mas sua mente ainda possuía três magias prontas para serem lançadas. Com as duas primeiras, ele poderia impedir que o navio de Guncha saísse da ilha e com a terceira, garantiria que os escravos fugissem sem que Teztal notasse a falta deles.
O plano do anão era travar a âncora do navio da genasi de ouro, moldando as rochas do leito oceânico em volta da mesma, travando-a no fundo do mar. Para isso ele precisava que os heróis levassem uma pequena bola de argila, encantada pelo anão, até a âncora no fundo da água. Com um pouco de palha, que poderia ser retirada dos colchões, o anão lançaria um feitiço sobre os heróis dando-lhes a capacidade de respirar sob a água por algumas horas, permitindo que eles chegassem ao fundo do mar com facilidade. Restava aos heróis conseguirem a argila para Guiltespin.
Com a terceira magia que lhe restava, o anão poderia criar cópias ilusórias de todos os escravos, para enganar os genasis. O momento ideal para isso, seria quando todos estivessem reunidos no dia da contagem semanal. Enquanto Teztal estivesse contando os escravos ilusórios, os verdadeiros poderiam fugir pelo túnel secreto até o navio. Para isso funcionar, precisariam da ajuda de Batloc, que deveria sero o encarregado de reunir os escravos para a contagem, permitindo que Guiltespin lançasse a magia e todos pudessem fugir , inclusive Batloc. Mas para a magia ser feita, o anão precisava de componentes raros naquela ilha. Ele precisava de um pouco de algodão e uma jade para usar na conjuração do encanto. E o único lugar onde poderiam conseguir tais objetos era o manto e a armadura de Teztal.
Aproximar-se do genasi de platina era praticamente impossível. Mas existia um momento em que ele ficava vulnerável, durante o sacrifício. No momento em que estivesse sacrificando Elesin, os heróis poderiam se aproximar do genasi e robar os itens necessários sem que ele percebesse. Se algo desse errado, Batloc estaria presente para espancar o responsável pelo roubo, tomando cuidado para não machucá-lo, e esconder consigo os objetos roubados.
O plano estava definido. Deveriam conversar com Elesin para lhe entregar o cogumelo e pedir-lhe para escolhê-los como testemunhas junto com Yczar. Precisavam explicar o plano a Batloc para que ele os ajudasse. Mas em primeiro lugar, precisavam conseguir a argila para Guiltespin. E só havia um lugar onde poderiam consegui-la, a praia próxima ao cais.
Esperaram até Batloc surgir, substituindo o guarda anterior na vigilância do andar. Explicaram ao genasi todo o plano de fuga e ele prometeu ajudar no que fosse possível. Batloc arrumou um jeito de retirar os outros vigias da mina por alguns instantes, criando a oportunidade para que os heróis pudessem escapar pelo túnel e ir até a praia.
No caminho, pediram ajuda a Silfo, que guiou o grupo com segurança até a praia, num local afastado do navio de Guncha, enquanto Anix cuidava da segurança de Enola. Depois de cerca de uma hora, reuniram-se com o mago na caverna da ninfa e, de posse da argila, retornaram para a mina.
Sem a ajuda do sátiro para guiá-los através da selva em segurança, os heróis enfrentaram um grande problema. Enquanto caminhavam pela mata em fila, foram surpreendidos por uma serpente gigantesca, que despencou do alto de uma árvore, diante de Nailo que ia à frente do grupo. Era uma víbora imensa, com mais de dez metros de comprimento. Caiu quase sobre o ranger, e num rápido movimento o feriu com suas presas do tamanho de punhais. Nailo tentou atacar a cobra gigante com suas espadas, mas o poder do veneno o fez perder a força e a precisão dos ataques. Sentindo-se muito debilitado, o ranger afasta-se do inimigo, recebendo um novo ataque. Entretanto desta vez, seu movimento cambaleante durante a fuga lhe ajudou a se esquivar dos dentes afiados do monstro.
Sairf, que vinha logo atrá, murmurou um feitiço de proteção sobre si, enquanto Loand correu até a besta, desferindo um poderoso golpe de espada na criatura. As escamas da víbora protegeram seu corpo contra a lâmina do paladino. O monstro abriu sua bocarra, pronta para atacar Loand, o momento que Legolas aguardava. Astutamente, o arqueiro cravou uma flecha no céu da boca da serpente.
Entretanto, a cobra parecia não sentir os efeitos dos ataques e numa mastigada, despedaçou a flecha de Legolas.
Squall e Lucano atacaram quase simultaneamente com magia e espada. Enquanto o feitiço de Squall explodia na face do inimigo, a espada do clérigo golpeava as escamas do monstro sem lhe causar dano.
A víbora voltou a atacar, desta vez Lucano, fazendo o servo de Glórien sentir na pele os efeitos do veneno. Enquanto as presas afiadas rasgavam as costas do elfo, Nailo tentava atingir a cabeça do monstro com uma flecha. Mas o efeito do veneno era devastador no corpo do ranger. Nem com a ajuda do familiar de Sairf que atacava os olhos da serpente, ele conseguiu atingir o alvo.
Uma magia conjurada por Anix explodiu no rosto da cobra, fazendo-a soltar Lucano. Sairf aproveitou a chance e conjurou um feitiço enquanto a serpente se retorcia de dor. Um elemental de água surgiu magicamente ao lado do mago da água e lançou-se freneticamente contra o inimigo. O poderoso ataque do elemental deixou a cobra gravemente ferida, pemitindo que Loand conseguisse cravar a lâmina de sua espada no corpo do réptil gigante. Legolas encerrou o confronto disparando uma flecha que atravessou a cabeça do monstro, fazendo a serpente tombar diante dos heróis.

Capítulo 16 - A dama da floresta

Seu nome era Silfo, nativo de Ortenko e inimigo de Teztal e seus aliados. Conduziu os heróis por uma região de floresta densa, até que chegaram a uma formação rochosa, com uma caverna natural que avançava pelo subsolo. Silfo entrou sozinho na gruta, pedindo para que aguardassem-no por um momento. Instantes depois, ele conduziu o grupo até o fundo da caverna, onde encontraram uma mulher magnífica, de uma beleza inigualável, infinitamente superior à de Guncha.
Os longos cabelos louros daquela dama desciam pelo seu corpo percorrendo cada uma de suas curvas perfeitas. Sob a luz de algumas poucas velas, um fino vestido de seda permitia que os heróis admirassem cada contorno daquele corpo.
_ Saudações a todos, eu sou Enola! – a voz doce e melodiosa saída dos belos lábios da moça, deixou todos ainda mais admirados.
Enola era uma ninfa, um tipo de fada. Amante da natureza, era fiel a Allihanna e a seus ensinamentos. A Ninfa contou a todos sobre o passado de Ortenko, antes que Teztal surgisse.
Shinaipa Turud, a montanha sagrada, era admirada por todos os habitantes da ilha. Uma tribo humana vivia a seus pés, em paz com a natureza. Azgher, o deus sol, deixou um prêmio no topo da montanha. Aquele que se tornasse o primeiro a alcançar o cume de Shinaipa, receberia um grande poder dado pelo deus sol. Por eras os habitantes tentaram escalar a montanha sem êxito. Muitos morreram na empreitada, outros desistiram, mas surgiu um homem com uma ambição sem limites, Teztal. Teztal era um humano comum assim como Guncha. Desejava receber o poder do sol para usá-lo para seus próprios propósitos e decidiu escalar a montanha. Inteligente, ele percebeu que seria mais seguro cavar um túnel até o topo de Shinaipa, escalando-a por dentro. Assim ele fez. Acompanhado de Guncha e alguns outros, começou a escavar a montanha. Lá dentro, encontraram alguma coisa misteriosa que os transformaram nos genasis de metal. Teztal e seus companheiros saíram da montanha muito mais poderosos e começaram a oprimir os da sua tribo. Escravizando seus antigos amigos, ele finalmente conseguiu atingir o topo da montanha e recebeu os poderes do sol. Acasalaram forçadamente com os aldeões e assim criaram uma legião de genasis, a sua raça perfeita. Quando conseguiram produzir um grande número de genasis, eliminaram todos os humanos restantes e passaram a escravizar outros povos que chegavam à ilha de pelo mar, fosse por vontade própria, fosse trazidos à força por piratas. Sob as ordens de Teztal, os escravos eram obrigados a trabalhar na construção da pirâmide e do colosso de pedra.
Enola se ofereceu para curar os ferimentos do grupo. Sairf e Squall ainda estavam desacordados quando receberam o encantamento de cura. Com todos restabelecidos, os heróis contaram à ninfa sobre o plano de fuga e ofereceram a ela a chance de fugir com eles. Tanto Enola, quanto Silfo desejavam se ver livres da ameaça de Teztal, e aceitaram a oferta da fuga. De repente, enquanto falava, a jovem teve uma vertigem e foi obrigada a se apoiar para não cair no chão. Como que num transe, a ninfa pronunciou o que mais parecia uma profecia:
_ Eu vejo a fúria despertando. O pequenino tem a chave para a libertação. Cuidado com o de fala mansa. Aquele de fala suave poderá matá-los.
Imediatamente, todos entenderam o significado daquelas palavras. Ela havia tido uma visão do futuro, concedida por Allihanna, como ela própria explicou depois. Enola havia visto o Destruidor de Mundos acordando para destruir Teztal. O pequenino só poderia ser o anão Guiltespin, que poderia ajudá-los de alguma forma com seus supostos poderes mágicos. E a pessoa de fala mansa, com quem deveria tomar cuidado, não poderia ser outro senão Teztal.
Nailo e Loand resolveram retornar para a mina, deixando seus amigos na companhia de Silfo e Enola. Antes que saíssem, a ninfa entregou a cada um dois pequenos frascos de barro que segundo ela continham uma infusão mágica para curar ferimentos. Enola também prometeu que, junto com Silfo, conseguiriam frutos na floresta para equipar o navio para a viagem rumo ao continente. O ranger e o paladino partiram, e quando chegaram à mina, contaram tudo o que ocorrera a Roryn, o líder dos escravos.
Enquanto os dois retornavam, o restante do grupo permaneceu na caverna de enola até próximo ao amanhecer. Squall e Sairf pediram a Enola que os ensinasse a preparar aquelas poções mágicas, enquanto Anix conversava amigavelmente com Silfo, que havia criado Enola desde pequena, quando a encontrara na selva ainda bebê.
A ninfa os presenteou com frutos mágicos, dando um para cada aventureiro. Ela ainda lhes deu mais três frutos de reserva, que foram guardados por Legolas e sua mochila. Squall provou o fruto de Enola e notou que eles valiam por uma refeição completa.
Pouco antes do sol surgir no horizonte, Enola acordou os heróis que, após prepararem suas magias para serem usadas naquele dia, retornaram à mina de Shinaipa Turud.

Capítulo 15 - Um novo aliado

Já no cemitério de navios, os aventureiros se depararam com um terrível dilema: como escalariam aquela parede de rocha íngreme? Neste momento o grupo entrou em conflito, todos queriam dar sua opinião sobre o que fazer, mas não chegavam a nenhum acordo. Após muita discussão, Legolas amarrou o arpéu numa flecha e com seu arco lançou-o para o alto. O gancho de metal prendeu-se nas rochas do encosta e Nailo, o que tinha maior experiência em escaladas, foi o primeiro a subir. Sem grandes dificuldades, o ranger atingiu o topo do paredão que dava acesso à floresta. Ele amarrou a corda em uma árvore e seus companheiros subiram em seguida.
Já na floresta, Sairf, Anix e Squall fizeram contato mental com seus familiares que haviam sido libertados por Batloc. O genasi havia soltado os animais e preparado outros como refeição para enganar o temível genasi de prata. Os conjuradores ordenaram que seus animais os encontrassem na floresta, junto com o lobo de Nailo.
A experiência do ranger com a natureza foi fundamental neste momento. Em menos de uma hora, apesar da escuridão na selva, eles conseguiram encontrar uma clareira na mata, onde brotavam dezenas de cogumelos como o que eles buscavam.
Todos se aproximaram dos fungos, que eram enormes. O maior deles tinha quase a altura de um homem e, quando o grupo estava próximo a ele, levantou-se, agitando quatro tentáculos semelhantes a gavinhas e os atacou.
Legolas reagiu esquivando-se do monstro e revidando os ataques com flechas. Entretanto a escuridão impediu o elfo de atacar com precisão, apesar de sua visão apurada.
Nailo, Loand e Lucano cercaram a criatura por três lados e com suas espadas abriram grandes feridas no corpo fibroso do estranho ser. Squall e Anix fornecem apoio mágico com seus mísseis mágicos, deixando o monstro bastante debilitado. Entretanto, a criatura não era tão fraca quanto eles pensavam. Seus quatro tentáculos investem contra os heróis. Loand, Lucano e Squall são feridos e Nailo por pouco consegue se esquivar dos ataques. Os três combatentes atingidos sentem que são envenenados pelo ataque do monstro e percebem sua força e vitalidade diminuindo pouco a pouco.
Sairf sente que a criatura pode oferecer perigo e camufla seu corpo com uma névoa mágica que o envolve por completo, para em seguida poder atacar o monstro e ajudar seus companheiros. Entretanto, a ajuda do mago aquático não se faz necessária pois, embora poderoso, o monstro já estava bastante debilitado devido aos ataques do grupo.
Legolas o atinge com uma flecha e Nailo desfere o golpe final com sua espada, liquidando o fungo.
Com a ameaça eliminada, Nailo recolhe alguns pequenos cogumelos para levar a Elesin e fazer a infusão para protegê-lo da dor do ritual do sacrifício. Os conjuradores aproveitam também para guardar algumas amostras dos fungos para usarem como componentes em suas magias.
Poucos minutos depois do combate, enquanto o grupo ainda se refazia do susto, os familiares de Anix, Squall e Sairf, bem como o lobo de Nailo, chegaram na clareira. Com o grupo completo novamente, os heróis iniciam sua jornada de volta à mina.
Antes de partirem, Nailo fez uma rápida investigação no local, a fim de descobrir se mais alguém, além deles mesmos havia passado por ali. Seguindo os rastros deixados pelo cogumelo, o ranger encontrou restos de pequenos animais naquilo que fora um ninho destruído pelo fungo. Juntamente com Squall, decidiu procurar frutas na selva que pudessem ser usadas como alimentação no navio da fuga. Os dois elfos conseguiram encontrar uma árvore repleta de grandes frutos vermelhos e suculentos, chamados Dikeo. O grupo se reuniu ao redor da árvore e coletaram aproximadamente setenta frutos para abastecerem o navio. Após encherem as mochilas com as frutas, retornaram apressados para a montanha, pois Legolas havia visto, do alto de uma árvore, uma movimentação estranha das tochas dos genasis. O arqueiro suspeitava que os soldados pudessem estar procurando por eles e temia que sua ausência pudesse colocar os outros escravos em risco.
Durante a jornada de volta, o grupo foi constantemente seguido por um som distante, que aos poucos foi se aproximando deles. Era como se houvesse algo na selva perseguindo-os. O som foi ficando cada vez mais perto e alto, até que pôde finalmente ser identificado. Era uma flauta. O som de uma melodia de flauta, muito agradável, tomou conta de toda a selva ao redor dos heróis. Legolas pressentiu o perigo e tentou avisar seus companheiros para taparem os ouvidos, mas já era tarde demais para ele. Diante dos olhares aflitos de seus amigos, o elfo caiu em um sono profundo, como que hipnotizado pela música. Squall e Sairf seguiram em velocidade na direção de onde o som vinha, prontos para enfrentar um possível inimigo. Os dois entraram na selva escura e Squall, atingido com violência por alguma coisa, caiu aos pés de Sairf, completamente inconsciente.
O elementarista da água viu uma criatura grande e extremamente forte diante de si. Possuía o torso de um homem, mas tinha patas e chifres de bode. Era um sátiro. Sairf cobriu-se com uma névoa mágica, para confundir a visão de seu oponente. Porém, mesmo com a ajuda mágica, recebeu um poderoso golpe dos chifres do sátiro, assim como Squall, ficando à beira da morte.
O socorro veio rápido. Lucano ameaçou o ser da floresta com sua espada, sem atingi-lo, para ganhar tempo para prestar ajuda a Squall. Enquanto Anix buscava uma posição favorável no alto de uma árvore, Nailo e seu companheiro lobo cercaram o inimigo por trás. Porém, os ataques dos dois nada faziam ao monstro, que parecia ter uma pele muito resistente, além de ser muito habilidoso e bloquear os ataques dos inimigos.
Vendo-se cercado, o sátiro atacou o ranger, ferindo-o com os chifres e correu na direção onde Nailo tinha escondido Legolas atrás de uma árvore. Os heróis tentaram impedir o movimento do inimigo, mas nenhum de seus ataques surtia efeito. Anix e Squall, já recuperado, foram os únicos a conseguirem feri-lo, o primeiro com uma flecha e o segundo com magia.
Mas a criatura era poderosa demais para o grupo enfrentar naquelas condições. Squall se lembrou das flechas de sono de Guncha, e tentou, em vão, atingir o inimigo com uma delas, na esperança de encerrar o combate sem ferimentos mais graves para ambas as partes.
Enfurecido, o sátiro pôs-se a atacar com flechas aqueles que representavam uma ameaça para si. Anix desceu rapidamente da árvore para não ser ferido pelo oponente. Squall, entretanto, foi arremessado ao chão quase morto, com uma flecha cravada em seu peito. Enquanto disparava suas flechas, ele murmurava em seu idioma, a língua silvestre, palavras em tom de desafio aos jovens heróis.
_ Profanadores de Shinaipa Turud, vocês vão morrer seus malditos!!! – Anix e Nailo, fluentes no idioma das criaturas silvestres eram os únicos que entendiam as palavras do sátiro.
Nailo ainda tentou atingir o inimigo com a segunda flecha do sono, mas esta se perdeu na escuridão no meio da selva. Neste instante, Anix já largara suas armas para tentar dialogar e encerrar o combate, enquanto o lobo do ranger acordava Legolas de seu sono.
Anix perguntava ao sátiro o que era Shinaipa Turud, e lhe disse que ele e seus amigos não eram profanadores.
Shinaipa Turud era a montanha da ilha de Ortenko, considerada sagrada pelo sátiro por algum motivo. Os genasis haviam profanado a montanha sagrada. Imaginando que os heróis fossem aliados dos genasis, ele decidiu atacá-los.
Todos baixaram as armas, enquanto Anix e Nailo tentavam encerrar o combate pelo diálogo. Os dois conseguiram convencer o sátiro de que eram apenas escravos dos genasis e que tentavam fugir da ilha e dos seus algozes. O ranger propôs levá-lo embora da ilha junto com os outros escravos, caso desejasse. O sátiro decidiu acreditar nas palavras dos dois e pediu que o grupo o acompanhasse.

abril 01, 2005

Capítulo 14 - O paladino e o druida

O manto de Tenebra caiu sobre Arton e tudo se tornou escuro. Os heróis, assim como outros escravos, retornaram à sua cela no andar principal da mina. Lá todos uniram suas forças para tentar convencer Yczar a ajudá-los na fuga. Entretanto o paladino mostrava-se inflexível. Nenhum argumento surtia efeito sobre ele, parecia que nada seria capaz de fazê-lo mudar de idéia. Yczar tinha vindo de Altrin, sob ordens da igreja de Khalmyr para averiguar o que de estranho acontecia na ilha de Ortenko. A ordem havia ouvido rumores sobre escravidão e maus tratos ocorridos naquele lugar, uma grande injustiça que devia ser detida. Yczar foi incumbido encontrar a tal ilha, perdida no meio do mar Negro, e averiguar se o que diziam os rumores era verdade. Ao chegar na ilha, a barcaça contratada pelo paladino foi fulminada por Teztal. Os tripulantes saltaram no mar e conseguiram chegar à terra firme, para serem escravizados. O marujos que acompanhavam Yczar já haviam morrido há tempos, por desnutrição, doença ou pancadas. Somente Yczar sobrevivera. Durante dois anos, tentou várias vezes fugir. Organizou revoltas, planos de fuga, mas sempre foi capturado e torturado. Os outros escravos, mais fracos que ele, geralmente não resistiam à tortura e morriam. Yczar, entretanto, continuou vivo, assistindo às cenas de tortura e espancamentos, vendo seus companheiros sendo mortos. Durante seu cativeiro, ele fez amizade com Batloc e lhe ensinou os ensinamentos do líder do panteão. Batloc tornou-se um paladno também, discípulo de Yczar, mas o tutor de Batloc já não era mais o mesmo de antes. O paladino sentia-se abandonado por seu deus. Não se conformava com o fato de Khalmyr permitir que tais injustiças ocorressem, era como se o deus da justiça não existisse, ou não se importasse. Assim ele foi perdendo a fé e entrando numa depressão cada vez mais profunda, até se tornar quase um zumbi sem vontade própria. Mas Yczar não sabia que Khalmyr havia lhe escolhido para representá-lo na eliminação de Teztal e seus asseclas. Ele não sabia que teria um papel fundamental na derrocada final do genasi de platina. Mas Anix e seus amigos sabiam disso. Eles sabiam que Yczar, com os poderes recebidos de seu deus seria, o único capaz de se aproximar do Tarrasque e despertá-lo para matar Teztal. Eles só não sabiam como convencer Yczar disso.
Durante mais de uma hora eles tentaram, em vão, argumentar co Yczar. Ouviram sua história e conversaram com os outros escravos na esperança de que alguém tivesse uma idéia. Batloc chegou, fazendo sua ronda e contou aos heróis tudo que havia ocorrido com seu tutor. Segundo o genasi, Yczar agora se encontrava num estado de torpor, como estivesse em outro mundo. Acostumado a ver os escravos sendo maltratados, Yczar perdeu seu senso de justiça, aquela vida havia se tornado a coisa mais natural do mundo para ele. Seria necessário algo que o chocasse para trazê-lo de volta à realidade, somente alguma coisa realmente impressionante para reacender a chama da justiça em Yczar. Somente uma injustiça muito grande, um ato de extrema crueldade traria o paladino de volta a si. Algo como um sacrifício.
Legolas lembrou-se que Elesin seria sacrificado em poucos dias por Yczar, se o paladino presenciasse a cena, talvez despertaria de seu transe.
Com a ajuda das magias de Anix, os aventureiros puderam comunicar-se com o moribundo que se encontrava do outro lado da caverna. O elfo gesticulava e movia seus lábios enquanto Elesin o observava, compreendendo cada palavra, cada gesto, graças à ajuda da magia mensagem. Elesin, outrora um druida, estava há muito tempo na mina, escavando locais com alta concentração de salitre. Seus pulmões foram afetados e ele não tinha mais chances de viver. Somente com o poder de um clérigo poderoso, ou de um dos lendários médicos de Salistick ele teria alguma chance. Mas como era um leal devoto da deusa da natureza, Elesin estava conformado com sua morte. Em breve ele poderia encontrar sua deusa e isto o alegrava. Entretanto, a cerimônia do sacrifício era extremamente cruel como todos suspeitavam. O próprio Elesin já havia testemunha do uma vez o sacrifício de um de seus amigos. Teztal fulminava o sacrificado com seus raios solares. Enquanto gritava de dor, o sangue da vítima era sugado para dentro do colosso de pedra esculpido na montanha. Essa era a forma que Teztal havia encontrado para dar vida a estátua. Talvez ele precisasse de um certo número de vítimas para que sua criação se tornasse viva, por isso realizava periodicamente o sacrifício de um dos escravos. Elesin deveria escolher suas testemunhas, e uma delas deveria ser Yczar. O druida concordou em ajudar e em oferecer sua vida em sacrifício para que as vidas dos outros pudessem ser salvas. Mas para tal ele pediu um favor aos heróis. Ele não queria sentir a dor que seus companheiros haviam sentido no passado e pediu que os aventureiros encontrassem na floresta um certo cogumelo de cor roxa, com manchas amarelas e brancas, com o qual ele poderia fazer uma infusão que o anestesiaria, protegendo-o da dor. Assim, os heróis encontraram uma nova tarefa a cumprir. Batloc os ajudou, entregando-lhe duas cordas, sendo uma delas com um arpéu, para que pudessem escalar o paredão rochoso que separava o cemitério de navios da floresta na ilha. Sem perca de tempo, os heróis partiram para a missão.

Capítulo 13 - Encontro com o Tarrasque

Lanag, 29 sob Salizz
Após passarem um dia no navio de Guncha, os heróis foram conduzidos diretamente para o andar inferior da mina, onde a jazida de ouro descoberta pelo anão os aguardava. Lá, encontraram Vernt, com sue olhar assustadiço e suas mãos trêmulas. Com toda discrição, Squall lhe mostrou uma das flechas de sono de Guncha, prometendo entregá-la assim que o mineiro lhe mostrasse o local onde o monstro se encontrava. A expressão do mineiro encheu-se de felicidade. Agora, bastava que ele espetasse aquela flecha em seu corpo para conseguir dormir como há muito não fazia. O feiticeiro pediu a Vernt que lhe mostrasse o local onde havia encontrado o monstro, que concordou em fazê-lo. Porém, havia um empecilho, o genasi que vigiava o andar não iria permitir que o grupo se afastasse dos outros escravos. Era preciso distraí-lo de alguma forma. Enquanto todos pensavam em alguma maneira de tirar a atenção do guarda sobre eles, Nailo tomou uma atitude para redimir o ato covarde de outrora. O ranger foi até o barril de água, perto do soldado de cobre, fingiu tomar água e começou a reclamar da qualidade da mesma.
_ Essa água está envenenada, quero uma água melhor! – exigia o elfo em tom de desafio.
_ Cale-se, escravo, tome logo sua água e volte ao trabalho! – a pesada mão do genasi afundou a cabeça de Nailo dentro do barril d’água. Quando o ranger tirou a cabeça de dentro do barril, cuspiu toda a água que tinha em sua boca no rosto do guarda.
_ Escravo nojento, você vai ver do que sou capaz!
Como sempre, Nailo havia agido impulsivamente, sem pensar nas conseqüências, mas desta vez, sua imprudência traria benefícios aos seus amigos. O soldado passou a desferir socos e pontapés no ranger, até vê-lo inconsciente no chão. Com um olhar ameaçador, direcionado para os outros escravos como uma besta pronta para disparar, o genasi fez com que todos entendessem seu recado. Quem o desafiasse acabaria como o elfo. O guarda arrastou o corpo desfalecido de Nailo até o elevador e o levou até a cela do andar acima, deixando os escravos confinados no andar inferior sem vigilância. Era a chance que todos esperavam.
Vernt agiu rápido, correndo até o fundo da mina, acompanhado de Squall, Anix, Loand, Legolas, Lucano e Sairf. O homem começou a cavar rápido, pois teriam apenas poucos minutos até a volta do vigia. Então, de um buraco na parede, todos viram um espaço oco, aparentemente muito grande. Vernt correu desesperado, chocando-se contra as paredes, até junto dos outros escravos onde, tremendo de pavor, encolheu-se num canto escuro. Utilizando uma das tochas que forneciam luminosidade à mina, os heróis viram uma criatura imensa e bestial, em profundo sono no interior da montanha. Aquele ser era de uma monstruosidade tamanha, que ninguém conseguiu olhar para ela por muito tempo. Instintivamente, os aventureiros fecharam o orifício com uma pedra e afastaram-se do local, apavorados.
Era verdade, o monstro derrotado por Morkh Amhor no passado havia retornado a Arton de alguma forma, e estava dormindo sob Ortenko. Sem dúvida alguma, aquele era o adversário perfeito para derrotar Teztal. Não haveria forma melhor para distrair o genasi de platina do que o despertar daquela criatura. Mas quem iria acordar aquela fera? Nenhum deles tivera coragem para sequer olhar o monstro por mais que alguns segundos, quanto mais acordá-lo.
Parecia que os riscos corridos para conseguir ver aquela monstruosidade tinham sido em vão. Ninguém naquela mina, fossem os heróis, fossem os mineiros, teria condições de se aproximar do lendário Destruidor de Mundos para acordá-lo. Seria preciso alguém com uma coragem inabalável. Alguém que não temesse nada, com uma valentia sobrenatural para realizar tal tarefa. Precisavam de alguém com a coragem de um paladino para enfrentar tal desafio. Sim, um paladino era isso o que precisavam. Loand era um paladino de Khalmyr, mas ainda era jovem e tinha muito a aprender. Seria preciso um paladino mais velho e experiente, alguém como Yczar. Anix lembrou-se que Yczar também era um defensor da justiça, assim como Loand, mas muito mais experiente e poderoso. Entretanto, Yczar perdera sua fé dentro da mina de Ortenko. Os heróis precisavam descobrir alguma forma de reacender a chama da justiça no coração de Yczar para que ele pudesse ajudá-los. Essa era a próxima tarefa do grupo.