agosto 19, 2005

Capítulo 79 - Sede de sangue

Os jovens levaram cerca de vinte minutos removendo os objetos que bloqueavam a entrada do túnel. Mesmo com a ajuda de Courana e Geradil, o trabalho era penoso e lento. Assim que o caminho foi liberado, Nailo e Squall correram pelo túnel curvo que seguia adiante. No final do túnel havia uma grade de ferro revestida por tapumes de palha e madeira.
Em seu rompante de curiosidade, Nailo começou a retirar os tapumes que impediam a visão além do portão. Assim que o ranger abriu um buraco com tamanho suficiente, Squall colocou sua mão através da grade, com seu falcão sobre ela, e ordenou que o animal fizesse o reconhecimento do lugar. Cloud levantou vôo e percorreu todo o lugar, relatando telepaticamente tudo o que via ao seu mestre. Era um grande salão muito comprido, com uma porta em cada extremidade. No centro do salão havia uma enorme fenda no chão, com uma escada que conduzia até o andar inferior. Enquanto o pássaro vasculhava o salão, Squall e Nailo tentavam arrombar o portão, já todo descoberto. Squall chacoalhava o portão com força, tentando fazer com que a velha fechadura se rompesse. Entretanto, só o que conseguiu foi provocar um barulho ensurdecedor,que atraiu a atenção de seus companheiros, irritados com a imprudência dos dois. O barulho, entretanto, atraiu a atenção de mais alguém.
O falcão avisou seu mestre, que ouvia o som de abelhas no fundo do túnel que descia ao andar de baixo. Do subsolo, o falcão viu um bando de criaturas voando rumo à superfície. Squall ordenou que seu familiar retornasse para junto dele. Assim que o pássaro pousou no ombro de seu mestre, uma horda de criaturas aladas, que lembravam uma bizarra combinação de moscas com morcegos, surgiu da fenda no que havia no chão. Squall atirou sua tocha no centro do salão, através da grade de ferro, para poder distinguir as criaturas na escuridão. O bando se agrupou sobre a tocha, como moscas em volta de um lampião. Mas a luz das outras tochas trazidas pelos heróis chamou a atenção das criaturas, que rapidamente avançaram contra o grupo.
Nailo recuou e se protegeu atrás de uma alcova na parede. Simultaneamente, ele e Legolas dispararam seus arcos contra os monstros que se aproximavam. A flecha do ranger atravessou o corpo de uma das criaturas, que caiu no chão formando uma poça de sangue. Legolas, entretanto, atingiu uma das estalactites do teto, desperdiçando seu ataque.
Anix avançou pelo túnel, ficando ao lado de Squall na linha de frente. Lado a lado, o mago e o feiticeiro apontaram as mãos na direção do pequeno enxame, gritando as palavras de comando e disparando raios luminosos contra os insetos. Com dois mísseis, Anix arrancou a asa membranosa de um dos monstros e arrancou sua cabeça numa pequena explosão. Com o terceiro disparo Anix deixou outra criatura próxima seriamente ferida, já sem três das suas oito patas articuladas. Com seu primeiro disparo, Squall dilacerou as duas asas de outro monstro e o despedaçou com o segundo antes que a criatura atingisse o chão frio. Os dois comemoravam ainda quando um raio passou ao lado dos dois, destruindo a asa de uma das criaturas que ainda não haviam sido atingidas. Anix e Squall se assustaram e um virote de besta se espatifou no portão, entre os dois elfos. Ambos olharam para trás e viram Lucano concentrado em controlar sua espada espiritual e Sam se desculpando pelo mau tiro.
_ Cloud, ataque!!! – foi a ordem dada por Squall ao falcão em seu ombro. O pássaro voou para o salão tentando atingir um dos monstros com suas garras. Mas a criatura foi mais rápida, desviando-se da investida de Cloud. O inseto contra-atacou, perfurando o corpo do falcão com seu bico pontiagudo e prendendo-se ao seu corpo com suas oito patas articuladas. Preso pela criatura, o familiar de Squall não tinha como reagir. Seu mestre viu seu sangue sendo sugado aos poucos pelo monstro que o prendia. Squall se encheu de fúria ao ver seu querido amigo sendo sugado, mas nada pode fazer, pois, além de estar do outro lado do portão que os separava, as demais criaturas continuavam vindo atacá-los.
O bando de criaturas atravessou o portão de ferro e atacou os heróis que tentavam se defender dos inimigos. Squall e Anix tentavam derrubar os insetos gigantes, que tinham o tamanho de um gato, a tapas e socos, mas seus ataques não surtiam efeito. Duas criaturas se prenderam aos corpos do feiticeiro e do mago, e com seus enormes bicos em forma de agulha, começaram a sugar o sangue dos dois. Os dois tentavam a todo custo se soltar daqueles monstros sedentos de sangue, mas suas forças iam reduzindo pouco a pouco, à medida que seu sangue era drenado. Um pouco mais atrás, a situação também era desesperadora. Legolas e Relâmpago também se debatiam contra os insetos que os atacavam. O arqueiro batia nas criaturas com seu arco tentando afastá-la de seu corpo e sangue. Com muito sacrifício, Legolas conseguiu afastar o monstro o suficiente para disparar uma flecha mortal. O projétil atravessou a criatura e ficou cravado no teto do túnel. No chão, o corpo murcho do inseto jazia imóvel. Ao seu lado, o lobo tentava se desviar do seu inimigo até que o inseto pousou sobre seu dorso. O pequeno monstro levantou a cabeça para dar impulso ao seu agulhão para que ele pudesse penetrar fundo na carne do animal. Entretanto não teve tempo de concluir sua ação, os afiados dentes de Relâmpago o alcançaram antes que seu ferrão atingisse seu objetivo e estraçalharam a criatura em vários pedaços.
Nailo e Sairf, estavam desesperados para ajudar seus amigos. Heroicamente, Nailo atingiu com uma flecha o inseto que sugava a vida de Anix. Assustado, o mago retirou a criatura de cima de seu peito e a atirou no chão. O sangue jorrava sem parar pelo furo aberto pelo monstro. Na ponta oposta do túnel, Sairf concentrava-se em evocar ajuda dos planos celestiais. Enquanto o mago da água recitava seu feitiço, Legolas abateu outro monstro com suas flechas, antes que ele pudesse chegar até Squall, salvando o feiticeiro de sofrer um novo ataque. Para ajudar seu amigo, Anix concentrou uma grande quantidade de energia em sua mão direita. O punho do mago brilhava e faiscava como uma nuvem de tempestade. Anix esticou a mão totalmente eletrificada na direção de Squall, para matar a criatura que o prendia. Porém, um grito vindo de trás fez Anix desistir de seu toque elétrico. Sam, atravessou o corredor correndo, armado com sua besta, indo na direção do feiticeiro.
_ Não se preocupe Squall!!! Vou acertar esse bicho com minha besta!!! – o grito do bardo ecoou pela caverna antes que ele tropeçasse na carcaça do monstro morto por Relâmpago. Sam deu ainda mais dois passos cambaleando em direção de Squall, e o atingiu no peito com o arco da besta. Squall gritou de dor. Como se não bastasse o monstro sugando seu precioso sangue, o desastrado Sam ainda o batia com a besta. Extremamente irritado, o elfo agarrou a criatura com as mãos e num rompante de fúria a arrancou de seu peito. Squall caiu de joelhos, muito enfraquecido pelo ataque do inseto. O monstro pousou sobre suas costas e voltou a picá-lo. Era possível ver o fluxo do sangue através do bico da criatura. Quando a primeira bolha de sangue foi engolida, um golpe certeiro de espada arrancou a criatura de cima de Squall, jogando-a contra a parede já sem vida. Squall agradeceu a Nailo pela ajuda, enquanto Sam se desculpava pela trapalhada cometida. O bardo se aproximou de Squall e cantarolou uma melodia curta. Ao final da canção, as feridas do feiticeiro estavam cicatrizadas. Com seu amigo salvo, e sem ter o que fazer com a eletricidade em sua mão, Anix tocou a fechadura do portão, produzindo uma grande faísca.
Enquanto isso, além do portão, O familiar de Squall travava uma batalha desigual. Quase sem sangue em seu corpo, o animal conseguiu reunir o que lhe restava de forças para se soltar do inseto. Ambos começaram a trocar golpes de garras e bicos. Parecia que o inseto venceria pelo cansaço. Os heróis tentavam ajudar de todas as formas possíveis. Legolas disparava várias flechas na criatura, mas elas apenas se perdiam na escuridão. Sairf terminou seu longo feitiço, e uma gigantesca abelha surgiu nas costas do inseto. Mesmo cercada, a criatura se esquivava de cada ataque recebido. Desesperado, Lucano tentava destruir a fechadura que barrava a passagem do grupo com o poder da sua espada espiritual, mas nem isso parecia dar certo. Então, reunindo o que lhe restava de fôlego, Squall apontou sua mão na direção do último monstro e evocou uma magia com sua voz já quase desaparecendo. Um míssil mágico certeiro perfurou o corpo da criatura, encerrando o combate. O segundo disparo atingiu a tranca sem causar grandes danos a ela. Ao menos Cloud estava a salvo.

agosto 18, 2005

Capítulo 78 - Encontros e desencontros

O numeroso grupo seguiu pelo túnel que Legolas e Sairf haviam começado a explorar. Era uma passagem natural estreita e baixa em relação à câmara anterior que seguia em direção ao norte serpenteando por dentro da montanha. Depois de caminharem alguns metros todos alinhados numa longa fila, os exploradores chegaram a uma nova câmara grande e irregular como a anterior. As paredes, compostas em sua maioria por paredes naturais, preservavam a beleza original da caverna. A câmara se estendia à direita além da visão dos heróis, desaparecendo nas trevas. A poucos metros deles havia mais caixas como as já encontradas anteriormente, e também sacas de grãos e farinha. À esquerda, a câmara se abria em um corredor que seguia em duas direções opostas, para leste e oeste. O corredor tinha paredes retas e bem trabalhadas, levando a entender que ele havia sido esculpido e que não era uma formação natural. Os aventureiros pararam por alguns instantes naquele local, tentando discernir alguma coisa no meio da escuridão, analisando cada detalhe possível de ser observado. O tempo que ficaram ali parados foi suficiente para que Ho-oh retornasse para junto de seu mestre. Conversando com seu familiar em uma língua particular dos dois, Sairf obteve a informação que desejava e a comunicou aos demais: os cavalos estavam seguros.
Então, a chama de uma tocha chamou a atenção de todos. A muitos metros dali, no extremo oposto da caverna, uma criatura caminhava na direção dos heróis, carregando uma tocha nas mãos. Rapidamente todos se agruparam e prepararam suas armas para o combate.

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Nailo, irritado com toda aquela conversa com os dois prisioneiros, desejava sair dali o mais rápido possível. Tinha em mente os tesouros que poderia encontrar naquela montanha, tal qual Sam descrevera, e desejava chegar a eles antes de todos para garantir para si a melhor parte. Sem poder controlar a própria ansiedade, seguiu pelo túnel mais distante do lado esquerdo da caverna. Carregando sua espada numa mão, e uma tocha na outra, Nailo atravessou o túnel acompanhado de Relâmpago até chegar em uma nova caverna muito grande. Seus olhos élficos não conseguiam ver toda a extensão do lugar, tudo o que ele podia ver era um amontoado de caixas e sacos à sua esquerda, a poucos passos da saída da passagem. Diante dele, alguns metros à frente, havia um outro amontoado de caixotes que bloqueavam a entrada de um túnel, do qual somente uma pequena parte era visível. À sua direita existia uma mureta de blocos de pedra cuidadosamente empilhados de forma que cercassem um círculo de quase três metros de diâmetro.
Nailo penetrou na câmara lentamente, e foi até as caixas mais próximas. Lá, encontrou mais suprimentos provavelmente roubados pelos orcs de algum viajante desavisado. Havia pás, picaretas, martelos, pregos, enxadas, barris de óleo, de água, sacas de trigo, milho, farinha entre outras coisas. Nailo revirou sua mochila até que encontrou um jarro de cerâmica que havia comprado durante a viagem para Tollon. Encheu o jarro com óleo e o guardou para usá-lo mais tarde caso necessário.
Subitamente algo chamou sua atenção. Relâmpago começou a rosnar em direção ao fundo da caverna e Nailo viu várias criaturas saindo de uma caverna na lateral. As criaturas carregavam duas tochas consigo e ao ver o ranger, se posicionaram de forma ameaçadora. Nailo se preparou para combater os inimigos, mas o vôo de um pássaro lhe fez entender o que acontecia ali. As criaturas na verdade eram Legolas e os outros, que haviam chegado à mesma câmara que Nailo por outro caminho. O vôo da coruja de Sairf, no instante que ela retornava da superfície, impediu que os heróis se atacassem entre si. Com a confusão desfeita, Nailo se virou e seguiu em direção à mureta de pedra.
O lobo seguiu seu mestre, e todos os outros o reconheceram. Rapidamente, todo o grupo avançou pela caverna, indo se juntar ao ranger.
Todos chegaram até a mureta circular, e descobriram tratar-se de um poço há muito abandonado e sem uso. Dentro dele havia uma água turva e mal cheirosa que despertou a curiosidade de Anix. Com as mãos em formato de concha, o elfo apanhou um pouco do estranho líquido e o colocou na boca. Legolas tentou impedi-lo mas já era tarde para isso. O gosto amargo como fel obrigou Anix a cuspir tudo de volta, quase vomitando o seu almoço. Todos riram do mago e continuaram a exploração, indo até o outro grupo de caixas e suprimentos que bloqueava um outro túnel, onde Nailo já trabalhava na remoção da barreira.

agosto 17, 2005

Capítulo 77 - Novos amigos

Após destrancarem a porta, retirando a corda amarrada por Sam para dar segurança ao grupo durante o almoço, os heróis entraram em um longo e escuro corredor. Três tochas foram acesas para fornecer a iluminação necessária para seguirem em frente. Lentamente os aventureiros foram avançando montanha adentro. À medida que avançavam, a engenhosidade dos construtores daquele complexo subterrâneo. As paredes do túnel haviam sido esculpidas de forma que preservassem a beleza natural do lugar. Após vários metros caminhando pelo túnel, os jovens chegaram a uma ampla caverna natural, com paredes e chão cuidadosamente esculpidos. Era possível discernir ao menos quatro saídas nesta câmara que se perdiam na escuridão. Um brilho cintilante, como o de carvão em brasa, era visível na passagem mais distante à direita. Grades rústicas feitas de madeira firme bloqueavam a passagem mais próxima também à direita. Outros dois túneis saiam à esquerda seguindo pela escuridão além do alcance dos olhos dos heróis. No centro da câmara, dezenas de caixotes de madeira se misturavam com colchões de palha dos orcs, sujeira e entulho.
Nailo foi até os caixotes e abriu alguns deles para descobrir o que havia ali. Dentro das caixas, encontrou apenas mantimentos e ferramentas de pouco valor. Ele então retornou para perto dos outros e seguiu pelo primeiro túnel da direita, onde havia uma espécie de cela primitiva, enquanto Legolas e Sairf se dirigiam ao primeiro túnel à esquerda. Acompanhado de Sam e Lucano, o ranger se aproximou da grade furtivamente para tentar descobrir o que estava preso lá dentro. O som de uma forte tossida deixou todos apreensivos. Por uma fresta na barreira os heróis podiam ver dois vultos dentro da caverna após a grade. Enquanto se aproximava, Nailo esbarrou em pedras soltas no chão, despertando a atenção das criaturas com o ruído provocado.
_ Lá vêm eles de novo! – a voz fraca e rouca por trás da barreira de madeira mostrava tratar-se de criaturas inteligentes.
Sam se aproximou da grade, estufou o peito enquanto passava à frente de Nailo e disse com um tom grave e ameaçador:
_ Ei vocês, venham até aqui! Isso é uma ordem prisioneiros!
_ Quem está ai? – foi a resposta ouvida por todos. Era uma voz masculina que demonstrava cansaço e fraqueza.
Os dois prisioneiros se levantaram e passaram a observar os heróis através da grade. Pareciam curiosos e assustados, quando se aproximaram foi possível perceber que eram dois humanos maltrapilhos e desnutridos. Os dois homens vestiam trapos sujos, e tinham marcas pelo corpo que indicavam espancamentos. Sua constituição física era frágil e delicada, como se não comessem há dias.
_ Vocês vieram nos resgatar? Vieram nos salvar? – as vozes dos dois homens ganharam nova vida e seus olhos voltaram a brilhar com a esperança da salvação.
_ Bem, não, na verdade viemos resgatar outra pessoa e os encontramos por mero acaso! – a voz de Sam tremulava, demonstrando seu constrangimento. – Mas nós vamos libertá-los!
Nailo tentou arrombar a fechadura de ferro, mas seus esforços foram em vão. Sam sentou-se tranqüilamente no chão e retirou um rolo de tecido de dentro de sua mochila. Desenrolou cuidadosamente o pano e várias pequenas ferramentas surgiram presas ao tecido. Diversas hastes metálicas de variados tamanhos e formas reluziam sob a luz da tocha. Sam analisou a fechadura por alguns instantes e escolheu duas gazuas que lhe pareceram apropriadas. Introduziu as peças no buraco da fechadura e iniciou seu trabalho. Após alguns segundos, para surpresa de todos, a fechadura foi aberta.
Os dois homens saíram emocionados de dentro de sua cela, uma câmara natural pequena e úmida, onde os dois haviam passado o último mês como reféns dos orcs. Abraçaram os heróis com lágrimas nos olhos, agradecendo um a um os seus salvadores.
Courana e Geradil, como eles se apresentaram, eram dois agricultores de uma pequena comunidade ao sul dali, chamada Locknel que haviam ido até Vallahim para negociar alguns produtos. Na volta para casa, cerca de um mês antes, os dois foram capturados pelos orcs e levados para o dente de pedra, onde permaneceram desde então. Os orcs os espancaram e somente os alimentavam uma única vez por dia. Os pobres plebeus sequer sabiam se era dia ou noite, quando os heróis chegaram para libertá-los.
Legolas e Sairf, que estavam explorando outro túnel, retornaram ao ouvirem o barulho provocado pela gratidão dos prisioneiros.
_ Por que vocês soltaram esses dois? Eu não avisei para tomar cuidado, não sabemos se eles são amigos ou inimigos! – Legolas repreendeu seus amigos energicamente.
_ Calma meu amigo, eles são apenas prisioneiros dos orcs, assim como sua amada! – com seu jeito alegre a amistoso, Sam tentava acalmar Legolas.
_ Está certo, vamos em frente então! – ainda irritado, Legolas avançou em direção às caixas no fundo da câmara, liderando seus companheiros.
_ Esperem, a saída é pelo outro lado! – alertou Courana, ainda assustado com a irritação de Legolas.
_ Nós não vamos sair meus amigos, vamos resgatar a noiva dele! – Sam explicou com um sorriso nos lábios, apontando pra Legolas. – Falando nisso, vocês não viram mais nenhum prisioneiro? Uma elfa ruiva muito bonita por exemplo?
_ Não, nós ficamos o tempo todo presos naquela caverna, só nós dois! Mas devem existir outras celas em algum outro lugar! Bom, nós agradecemos a ajuda, mas não vamos com vocês! Não sabemos lutar, e só iríamos atrapalhar! Boa sorte pra vocês e muito obrigado! – Courana gaguejava, sua voz foi diminuindo de tom gradativamente enquanto ele e Geradil se afastavam lentamente do grupo.
_ Ninguém vai sair daqui! Não confio em vocês dois! Nada me garante que vocês não irão roubar nossos cavalos ou nos denunciar aos orcs! Daqui vocês não sairão sem a gente! – a voz de Legolas ecoou aos gritos na caverna. Era possível ver a fúria em seu olhar enquanto ele apontava o arco na direção dos dois agricultores.
_ Calma Legolas, não precisamos chegar a isso! Courana, Geradil, há mais orcs lá fora na floresta, nós vimos os rastros deles! Além disso, pode haver outros perigos à solta por aí! Se vocês ficarem conosco estarão mais seguros! Nós iremos protegê-los! – Ainx interveio e, com sua astúcia, conseguiu convencer os dois a ficarem junto com o grupo. O elfo entregou um rastelo para cada e continuou. – Vocês não sabem usar armas, mas sabem usar isso! Tome, caso precisem se defender, não estarão desarmados!
_ E se nos traírem, vocês morrerão! – Legolas ainda muito nervoso, continuava ameaçando os dois.
_ Calma Legolas, provarei a você se eles são ou não de confiança! Poderoso Khalmyr, revele para este seu servo tudo que se esconde nos corações destes dois homens!!! – Com as mãos estendidas diante de Courana e Geradil, Loand clamou pelo poder do deus da justiça e constatou que os dois não possuíam maldade dentro de si. – Eles são bons! Não sinto nenhuma maldade nestes dois, podemos ficar despreocupados!
Anix deu água e comida aos dois novos integrantes do grupo, que devoraram em segundos as rações recebidas. Lucano deu um forte aperto de mão nos dois, para saudar os novos membros e também para provar a força do grupo. Geradil gemeu de dor com os dedos sendo esmagados pela força do clérigo. Com tudo resolvido, a equipe decidiu seguir adiante. Seus olhos se voltaram para o interior da caverna, mas não encontraram Nailo. Inconseqüente como sempre, o ranger havia se separado dos demais e seguido sozinho por algum dos túneis.
_ Hum....agora que o Legolas mencionou, estou preocupado com os cavalos! Ho-oh, voe até lá fora e veja se os cavalos ainda estão lá e se estão bem! Se você for ameaçada por alguma coisa fuja depressa! – Sairf acariciou a cabeça de sua coruja enquanto sussurrava algo em seu ouvido num idioma que só os dois podiam entender. O familiar bateu as asas, criando uma leve corrente de ar e partiu em direção à saída da caverna. – Agora sim, vamos em frente!

agosto 16, 2005

Capítulo 76 - A lenda de Durgedin

_ Bom, agora vamos embora! – bradou Nailo com entusiasmo enquanto avançava em direção à porta.
_ Calminha aí! Não vamos nos precipitar! Você está esquecendo de mais uma coisa! – novamente Sam interrompeu o avanço do ranger, segurando-o pelo colarinho.
_ Dê uma olhada nisso! Já é quase uma hora da tarde, acho que deveríamos parar e comer um pouco! Se estivermos famintos e cansados, não seremos páreo para aqueles orcs! O menestrel retirou um objeto do bolso e o jogou para Nailo. O herói segurou um cristal translúcido, no qual podia se ler a data e a hora corrente Valag 10, Luvitas, 12:45.
_ O que é isso Sam? – Nailo, assim como todos os outros, estava curioso a respeito daquele estranho cristal. Dentro dele, as letras e os números estavam impressos como por mágica.
_ Ora, isso é uma Runa de Gor! Você pode compra isso em qualquer armazém de médio porte! Com ela você sabe exatamente a data e a hora, sem complicações! – enquanto explicava pacientemente, Sam recolhia o objeto e o guardava novamente em seu bolso.
_ E então, o que você acham de uma pausa para o lanche antes de irmos salvar a bela dama? – perguntou Sam, já com seu bom humor recuperado.
Todos concordaram com a sugestão do bardo e ele prosseguiu:
_ Bem, Sairf, você e o Nailo, vão até o outro lado e se livrem dos corpos dos orcs que derrotamos! Enquanto você fazem isso, eu vou fechar essa porta aqui! Ah, fechem também a porta de entrada, não queremos que nenhum orc chegue pela frente e nos pegue desprevenidos aqui almoçando!
Os dois heróis caminharam pela parede até o outro lado do abismo, e recolheram os corpos dos orcs mortos na batalha da seteira. Após retirarem tudo o que eles possuíam de valor, atiraram seus corpos imundos dentro do abismo. Enquanto isso, Sam e Loand fechavam a porta que conduzia adiante e a amarravam com uma corda, para que não pudesse ser aberta. Intrigado com a água que gotejava nas estalactites e com a umidade do lugar, Anix se aproximou do precipício para observar. Lá embaixo, a dezenas de metros na escuridão abaixo, era possível ouvir o som de uma correnteza, possivelmente um rio subterrâneo. Anix pegou uma brasa que ardia no fogareiro dos orcs e atirou no buraco. O carvão em brasa despencou muitos metros, até que os olhos aguçados do elfo não pudessem mais vê-lo. Somente os ouvidos de Anix perceberam quando a brasa se chocou na água lá embaixo, apagando o restante do fogo que ainda ardia. Os corpos dos orcs atirados no abismo comprovaram as suspeitas de Anix. Era possível ouvir os cadáveres se chocando contra a parede do abismo durante a queda, para logo depois bater na água.
Nailo e Sairf retornaram para junto de seus companheiros antes que a duração da magia chegasse ao fim. Já reunidos, os aventureiros apanharam os cadáveres dos dois orcs, que haviam tentado impedir sua travessia pela ponte, para jogá-los abismo abaixo. Sam recolheu do chão uma espada de fio longo e curvo, que pertencia ao orc derrotado e tinha sido o principal motivo de discórdia entre o grupo após a travessia.
_ Isso não é obra de orcs! Dêem uma olhada nesta falcione amigos! – o bardo olhava admirado cada detalhe da arma.
_ Eu vi, Sam, ela é muito bem feita pra pertencer aos orcs! Foi feita por anões, eu peguei uma dessas também! Veja as inscrições na lâmina! – Anix respondeu exibindo a falcione que havia pegado de outro orc na câmara secreta que descobrira.
_ Tem razão Anix! Isso aqui são runas anãs! Eu vou ler.......Du...Dru...Durgedin! É isso, Durgedin! Esperem, eu já ouvi esse nome, ele não me é estranho! – o menestrel começou a vasculhar sua mente em busca de seus conhecimentos de bardos, enquanto seus amigos o observavam calados.
_ Já sei! Durgedin, o ferreiro! O salão do esplendor, é isso mesmo!
_ Quem é esse Sam?
_ É não, era, Anix! Durgedin foi um ferreiro anão que viveu há muitos anos em Tollon! Ele vivia numa montanha, em uma mina chamada Salão do Esplendor, e era fabricante de armas. Suas armas eram muito famosas pelo mundo afora por causa de sua qualidade, algumas eram até mágicas! Mas um dia ele desapareceu, e ninguém nunca mais ouviu falar dele ou de suas armas! Ele nunca mais foi visto com sua caravana para vender suas armas! Isso já faz uns duzentos anos, eu acho! Há quem diga que ele morreu, outros dizem que ele voltou para Doherimm, ou que simplesmente sumiu pelo mundo! Desde seu sumiço, vários aventureiros tem tentado descobrir a localização de sua forja, sem sucesso! – Sam falava e gesticulava muito, enquanto contava a história do ferreiro anão. Era visível sua felicidade em contar histórias, especialmente as fantásticas como aquela.
_ Eu também já ouvi falar de uma mina de um anão ferreiro! – completou Sairf – Dizem que existem tesouros perdidos nela! Acho que deve ser a mesma história!
_ Isso mesmo meu amigo mago! Acho que sem querer nós descobrimos a lendária forja de Durgedin!
_ Isso explica a pilha de tesouros sobre a qual a noiva do Legolas estava no sonho que tivemos! – deduziu Anix.
Os olhos de Nailo brilharam como dois faróis ao ouvir a palavra tesouro.
_Sam, me empresta essa falcione! – pediu Lucano educadamente ao bardo.
Sam lhe entregou a arma, e Lucano começou evocar o nome de sua deusa para descobrir se ela era mágica ou não. Squall o interrompeu, dizendo que ele mesmo faria o teste.
_ Deixe que eu faça isso Lucano, eu tenho mais magias disponíveis do que você! – Squall pegou a espada das mãos de seu amigo clérigo com cuidado e lançou uma magia de detecção sobre ela.
_ Não, infelizmente ela não é mágica! É uma obra-prima com certeza, mas não há nada de mágico nesta espada! – Squall ainda analisou todas as outras armas que estavam em posse dos orcs, mas constatou que nenhuma delas tinha qualquer poder mágico.
Lucano decidiu testar a arma de Sam na prática e golpeou o corpo de um dos orcs antes que ele fosse atirado no abismo. O cadáver foi partido em duas partes e todos constataram o poder da lâmina de Durgedin, comprovando a veracidade da história contada por Sam. Lucano devolveu a falcione para o bardo, ajudou seus amigos a se livrarem dos corpos dos orcs e todos se sentaram para finalmente descansar e comer.
Os heróis se acomodaram no chão frio e úmido da caverna. Retiraram suas pesadas mochilas das costas e as rações de viagem de dentro delas. O pão e as frutas desidratadas, bem como a carne seca e salgada, tinham um sabor maravilhoso, após uma manhã inteira de viagem e batalhas difíceis. Apesar de todos os perigos enfrentados, todos estavam relativamente tranqüilos, pois já haviam conseguido entrar na montanha e estavam no caminho certo para cumprir sua missão.
Nailo alimentava seu amigo Relâmpago com ternura e carinho, enquanto os três arcanos do grupo faziam o mesmo com seus familiares. Legolas retirou o capuz que cobria o rosto de sua coruja de estimação e a alimentou também. Anix dividiu com seus amigos um cantil de suco que possuía, era realmente um momento tranqüilo e agradável para todos. Mas então, a tranqüilidade foi subitamente quebrada pela voz de Legolas.
_ Quando nós encontrarmos Liodriel, ou algum dos rapazes que desapareceram da vila, não devemos libertá-los de imediato! – murmurou o elfo, com a cabeça abaixada, num tom sério e sombrio.
_ Mas por que não meu amigo? O que o aflige? – Sam tentava diminuir a tensão de seu amigo com sua voz afinada e gentil.
_ Eles podem estar sob algum encanto e tentar nos atacar! A criatura que dorme sob esta montanha controlava mortos-vivos no sonho que tivemos, e pode perfeitamente ter o poder de controlar a mente dos vivos também! Devemos ter cuidado, não podemos confiar em ninguém antes de um interrogatório, nem em minha noiva!
As palavras de Legolas caíram como neve num dia de sol sobre os ouvidos dos heróis. O clima de paz, que reinava até então, deu lugar ao medo e à desconfiança. Todos se calaram e terminaram suas refeições em silêncio, imersos em seus próprios pensamentos e temores. Então, após cerca de longos quarenta minutos, os heróis se levantaram, reuniram seus equipamentos e prosseguiram adiante.

Capítulo 75 - Relâmpago atravessa o abismo

_ Nailo, seu irresponsável! Quer nos matar a todos? Todos abaixados e distraídos e você abre essa droga de porta! Se tivesse mais algum inimigo atrás dela nós estaríamos mortos agora! Além do mais, que raio de ranger é você que deixa aquilo que é mais precioso pra você para trás? - Sam, que terminava de cruzar a ponte no exato momento que a porta era aberta, repreendeu com tom firme e sério o ato inconseqüente de Nailo enquanto apontava para o outro lado do abismo.
Lá atrás, após o precipício, uma cena triste podia ser observada por todos. Relâmpago, o lobo companheiro de infância de Nailo, chorava com tristeza, na beirada do fosso, implorando pela ajuda de seu ingrato companheiro que só estava interessado em saquear os orcs mortos.
Nailo finalmente entendeu a falha que havia cometido, ao esquecer seu grande amigo abandonado à própria sorte do outro lado da fenda que os separava.
_ E então Nailo? Como vamos trazer seu lobo para cá? – Sam continuava sério e demonstrava estar profundamente irritado com o deslize de seu companheiro de grupo.
Começou-se uma discussão, onde várias idéias, uma mais fantasiosa que a outra, surgiram para trazer o lobo para o lado onde eles estavam. Nailo inicialmente queria que o lobo atravessasse a ponte de cordas como os outros fizeram. Sairf queria trazer o animal dentro de sua mochila, andando pelas paredes sob o efeito de sua magia. Outros sugeriram que Sairf fizesse a magia que permitia andar nas paredes em alguém com maior força, ou que ele a fizesse no lobo para que ele mesmo pudesse andar pela parede. Nenhuma decisão foi tomada até que Sam interveio, com toda a sua engenhosidade, e resolveu a questão.
_ Quantas cordas nós temos? - indagou o bardo aos amigos.
_ Temos quatro cordas no total! – respondeu Anix, ao contar as mãos levantadas de Legolas, Sairf e Nailo, além da sua própria.
_ Preciso de um pedaço de pano resistente, ou couro, que possa envolver o Relâmpago! – ninguém entendeu o pedido do bardo, mas Anix entregou-lhe a mochila de pele de guepardo que havia sido confeccionada por Silfo na ilha de Ortenko.
Sam pegou a mochila e sacou uma adaga de sua cintura. Com o consentimento de Anix, o menestrel começou a desmontar a mochila, cortando as costuras rudimentares feitas pelo sátiro. Depois ele fez quatro furos, com tamanho suficiente para caberem as patas do lobo, e mais outros dois, onde, segundo ele, seriam amarradas as cordas. Sam amarrou firmemente duas cordas, emendando-as e prendendo-as nos furos da mochila. Com tudo pronto, Sam se levantou e reuniu seu grupo para explicar seu plano.
_ Aqui está Nailo, segure a ponta desta corda. Sairf, faça aquela magia para que o Nailo possa andar pelas paredes como você fez! Você Nailo vai até o outro lado levando isso com você, coloca o seu lobo nesse cesto que eu improvisei e o empurra pra dentro do abismo, você ele não vai querer morder. Ai você vai soltando a corda lentamente, que nós aqui deste lado vamos puxando a outra ponta até trazer o Relâmpago em segurança pra cá!
A idéia de Sam parecia ser a melhor e todos concordaram em colocar o plano do bardo em prática. Sairf passou então a vascular os cantos da caverna como se procurasse algo. De repente o mago apanhou algo e trouxe até Nailo.
_ Tome Nailo, engula isso!
_ Ta bom! – Nailo abriu a boca, esperando que Sairf colocasse o objeto que ele deveria engolir, mas se surpreendeu ao ver que era uma aranha ainda viva.
_ Você ta louco? Eu não vou engolir uma aranha viva, seu demente!
_ Deixa de frescura e come logo isso, só assim a magia vai ter efeito!
_ É isso mesmo, coma logo isso e vai lá salvar seu amigo! – ordenou Sam, com um sorriso sarcástico na boca.
O ranger fechou os olhos e colocou a aranha na boca no mesmo instante em que Sairf, com as mãos estendidas diante de seu corpo, sussurrava as palavras mágicas do feitiço. Nailo sentiu a aranha picando sua boca e se mexendo a medida em que era engolida. Uma estranha queimação começou no estômago de Nailo e subiu até sua garganta, obrigando-o a tomar quase todo o cantil de água. Suas mãos começaram a ficar quentes, como se segurassem brasa. Nailo olhou para as duas palmas e viu incontáveis pelos, quase microscópicos, brotado em sua pele.
_ Agora coloque as quatro patas, digo as mãos e os pés na parede e ande como se você fosse um elfo-aranha! – Sairf sorria ao mesmo tempo em que instruía seu amigo.
Nailo escalou a parede da caverna até o outro lado como se fosse uma aranha. Lá ele recebeu o cumprimento molhado de seu companheiro que saltou em cima de Nailo, lambendo seu rosto assim que ele desceu da parede. Nailo desamarrou a ponta da corda de sua cintura, puxou o cesto para o seu lado da caverna e cuidadosamente envolveu Relâmpago com a pele do guepardo. Então, após amarrar com firmeza o lobo no cesto e nas cordas, Nailo começou a descer seu amigo pelo abismo. O lobo estava imóvel, chorando de pavor enquanto era puxado para o outro lado. Relâmpago avançava lentamente, enquanto girava em torno de si próprio sob o balanço das cordas, com a cauda entre as pernas. Quando finalmente chegou à beirada do precipício, o animal se debateu desesperado, tentando saltar para fora do cesto. Com a ajuda dos heróis ele foi finalmente içado para fora do fosso e libertado. Com seu amigo em segurança, Nailo retornou para junto dos outros escalando a parede novamente.