dezembro 13, 2005

Capítulo 155 - Draco, de amigo a inimigo

_ Kamthiaria! - gritou Draco enquanto apontava seu arco para seus antigos amigos.
Três disparos certeiros rasgaram o ar dentro da caverna em alta velocidade, terminando suas trajetórias no peito de Nailo, Anix e Sairf. As flechas se enterraram profundamente no corpo dos heróis, que vomitavam sangue e urravam de dor. Além da força do golpe, cada flecha trazia consigo um estranho poder. Eram flechas congelantes. Os três aventureiros viram seus tórax sendo cobertos por uma camada de gelo mortal. Anix foi o mais prejudicado pelo ataque. Seu corpo franzino sentiu mais que os outros os efeitos nocivos do ataque de Draco. Sairf, que sempre teve grande intimidade com o frio, e Nailo, cuja resistência física só era igualada pela de Legolas, continuaram firmes apesar do espanto e do temor que sentiam.
Os heróis contra-atacaram com a mesma intensidade daquele inesperado inimigo. Anix revidou com uma poderosa bola de fogo, obrigando Draco a se saltar e girar no ar para se proteger das chamas. Era fascinante a forma como o elfo se deslocava para se proteger da magia. Entre saltos e cambalhotas, Draco conseguiu evitar os efeitos da magia de Anix, sofrendo apenas queimaduras leves e superficiais. Além de sua incrível habilidade, o elfo contava com algum tipo de ajuda mágica. Parte das chamas foi absorvida pelo corpo de Draco, dando a entender que ele tinha algum tipo de proteção.
_ Idiota! Isso não funciona comigo! Escamas da Noite me avisou da existência de um dragão vermelho entre vocês! Já me preparei para enfrentá-lo, maldito! Legolas, onde você está, seu maldito? Vocês mataram minha mulher, agora me vingarei matando a sua! – gritou Draco, desafiando os heróis.
_ Liodriel está aqui? Onde ela está Draco, seu imbecil? – respondeu Legolas, em desespero.
_ Ela está na sala do tesouro! Ela agora é meu tesouro! Já que não pude tê-la como mulher, agora que sou um dragão, ela será meu tesouro! Todos os dragões têm um tesouro, ela é a primeira peça do meu! – respondeu Draco.
Lucano estava bem na frente de Draco, já no início da ponte que conduzia até a sala do tesouro de onde o traidor havia saído. O clérigo não queria ferir o adversário, pois ele era um elfo, assim como ele. Os ensinamentos de sua deusa diziam que os elfos deveriam se manter unidos sempre, e que um clérigo de Glórien jamais poderia erguer a mão para atacar outro elfo, não importa os motivos que ele pudesse ter. Mesmo assim, Draco estava fora de si, totalmente insano, e precisava ser detido antes que fizesse alguma vítima. Lucano tentou então detê-lo de uma forma pacífica, acalmando sua raiva através da magia. Lucano lançou seu encantamento sobre Draco, esperando acalmá-lo e trazê-lo para seu lado. Entretanto, o ódio que o elfo sentia naquele momento era mais forte que qualquer magia. Draco quebrou o feitiço e voltou seus olhos na direção de Lucano, cheios de ódio de desejos de vingança, e levou a mão a aljava, preparando um novo ataque.
Nevan e Squall tentaram impedi-lo. O guerreiro disparou duas flechas, que foram facilmente rebatidas pelo arco branco de Draco. Squall lançou uma bola de fogo, apenas para comprovar que aquele tipo de magia era ineficaz contra o habilidoso arqueiro.
_ Nevan, seu imprestável! Você deveria ter morrido pelas mãos dos orcs! Não sei porque me preocupei em procurá-lo quando você sumiu! Nem usar um arco direito você sabe! E eu já disse que essa mágica fajuta não me afeta, seu verme! – debochou Draco.
Draco sacou a primeira flecha e a apontou para Lucano. Era uma flecha totalmente azulada, como se tivesse sido pintada naquela cor. Nailo Correu para ajudar o amigo, enquanto os outros avançavam mais lentamente. Legolas e Sairf tentavam se recuperar dos últimos ataques a tempo para salvar Lucano.
Nailo deu um espetacular salto, de mais de seis metros, para chegar até a ponte que era bloqueada pela centopéia de Sairf. Correu com as mãos prontas para sacar suas espadas, mas já era tarde. A flecha já estava atravessada na garganta de Lucano, e o clérigo já caia no chão completamente desmaiado.
_ Cuidado Lucano! Essa flecha é igual à da Guncha! – avisou Anix, agora invisível e protegido atrás de Nevan, mas já não havia mais tempo.
O segundo disparo penetrou levemente no peito de Squall. Mas, apesar do ferimento parecer superficial, o feiticeiro caiu no chão sem sentidos, da mesma forma que Lucano. Parecia que Anix estava certo. Aquelas flechas, além de ferir, faziam com que quem fosse atingido por elas caísse em um sono profundo.
Nailo continuou correndo, saltou sobre o corpo de Lucano e se colocou entre ele e Draco, para proteger o amigo. Bem a tempo. A terceira flecha penetrou acima do umbigo de Nailo. O ranger sentiu um enorme torpor tomando conta de seu corpo, mas resistiu bravamente e permaneceu em pé, protegendo seu amigo.

dezembro 12, 2005

Capítulo 154 - Turbilhão de fogo. O fim do pesadelo

Legolas se afastava cada vez mais de seus amigos, obcecado por chegar ao esconderijo de Draco. A cada passo que dava, caminhando de costas, disparava suas flechas no peito de seu velho amigo de infância, Arwind. Legolas já estava sobre a segunda ponte de pedras, um local traiçoeiro e perigoso caso ele fosse atacado. Lá longe, distante de seus amigos, Legolas não poderia contar com a ajuda de ninguém caso viesse a ficar no mesmo estado de Lucano. Vendo isso, Nailo guardou suas espadas e recolheu seu arco do chão para poder dar cobertura para seu amigo, mesmo à distância. Enquanto isso, Sam trazia Lucano de volta ao mundo dos vivos com sua canção mágica. Nailo entregou a Sam a poção que havia pegado de Anix e preparou seu arco para atacar.
Então, aquilo que Nailo temia aconteceu. Escamas da Noite surgiu de dentro da fria e escura água do lago num salto e caiu sobre os pilares de pedra que se alinhavam na superfície da água. A criatura se colocou entre Legolas e o lugar que o elfo pretendia alcançar. Suas presas penetraram na no crânio do arqueiro, rasgando sua pele e derramando seu sangue quente.
_ Aonde pensa que vai, seu verme? – rugiu a dragonesa, com os dentes manchados de sangue élfico.
Legolas pensou em recuar, mas não havia como fazê-lo. Logo atrás dele estava Arwind, cercando-o e obedecendo cegamente às ordens do monstro. Lucano se levantou e, da mesma forma que Sairf, usou seus poderes para invocar auxílio. Sairf, por sua vez, fez surgir um grande tubarão branco que avançou na direção da dragonesa deslocando-se pela água. Sairf disparou sua besta para tentar ajudar Legolas, mas Escamas da Noite desviou o virote com sua poderosa asa novamente. As outras criaturas invocadas pelo mago avançaram, prontas para atacar assim que possível. Entretanto, isso gerou um problema inesperado. O gigantesco corpo da centopéia ocupou totalmente a única passagem que Sairf e Anix tinham. Anix tentou subir no corpo do inseto, mas não conseguia avançar. Nevan tentava ajudar seu amigo, mas não havia como transpor aquele monstro. Era preciso esperar que ele saísse do caminho.
O único em condições de ajudar Legolas era Squall. O feiticeiro já estava muito perto de seu companheiro e continuou correndo pelo caminho de pedras até chegar à ilha. Uma rajada de energia mágica foi suficiente para eliminar Arwind e liberar espaço para que Legolas pudesse recuar. O segundo disparo explodiu o peito do morto-vivo, deixando-o aos pedaços diante de Legolas. O terceiro tiro atingiu o rosto da dragonesa.
_ Vermelho maldito! Revele-se logo de uma vez e venha me enfrentar! Se não o fizer eu irei destruí-lo do jeito que está mesmo! – gritou Escamas da Noite para Squall.
Legolas aproveitou a distração criada por Squall e sacou uma flecha. Recuou para a pedra de trás ao mesmo tempo em que disparava. A flecha atingiu o peito do monstro mas, ficou em pedaços ao se chocar nas poderosas escamas negras. A criatura voltou sua atenção novamente para o guerreiro, no exato instante em que a segunda flecha atingia seu pescoço. O projétil penetrou fundo no corpo do monstro, arrancando um grito de dor que podia ser ouvido a muitos metros de distância. A dragonesa se irritou com o insulto causado pelo arqueiro e o ameaçou.
_ Você será o primeiro a morrer! Maldito! – gritou o monstro, abrindo sua boca e exibindo seus dentes afiados para Legolas.
Escamas da Noite avançou sobre Legolas, sem nem se importas com as flechas disparadas por Nailo. A ajuda do ranger parecia ser insuficiente para deter a fúria daquela besta. Os dentes rasgaram o peito de Legolas de tal forma que era como se ele não vestisse armadura alguma. As duas asas vieram tão rápidas quando a mandíbula e se fecharam sobre o corpo do arqueiro, escurecendo seus olhos. Os membros se chocaram com tamanha força que o chão estremeceu. Quando Escamas da Noite recolheu as asas, Legolas estava caído, completamente indefeso. O monstro ergueu sua pata direita, fazendo suas poderosas garras refletirem a luz das tochas, e atacou o corpo desfalecido de Legolas. Todos fecharam os olhos, desejando não ver o fim de seu grande amigo, quando olharam novamente, a dragonesa exibia o corpo do elfo e sua mão.
_ Segure isso, vermelho! Olhe bem o estado em que você irá ficar! Você será o próximo! – Escamas da Noite desafiou Squall mais uma vez e arremessou o corpo de Legolas sobre o feiticeiro. – Meu ácido irá corroê-los por completo! – a saliva corrosiva da fera já voltava a transbordar de sua boca.
Squall abriu os braços e agarrou Legolas. A cabeça do arqueiro se chocou na boca de Squall, deixando-o zonzo. Os dois caíram no chão com a força do impacto. Para sua felicidade, Squall ainda ouvia o coração de Legolas pulsando.
_ O Legolas está vivo! – gritou Squall, protegendo-se e a seu amigo atrás da mureta de rocha.
Lucano abriu os olhos, seus lábios se moveram lentamente, formando as últimas palavras mágicas para concluir sua evocação. Sam o interrompeu.
_ Lucano! O Legolas ainda está vivo, mas o monstro vai atacá-lo novamente! Corra até lá e o salve com sua magia de cura!
_ Sim! Itimali dieü! Ae ü dürdüdü! – Lucano concluiu o feitiço chamando ajuda em seu idioma. Um enorme cachorro surgiu em sua frente. – Vamos, corra o mais rápido que puder! – gritou Lucano para o animal ao saltar sobre seu dorso.
O cão correu conforme ordenado, carregando Lucano em suas costas. Lucano levantou-se e, quando o animal alcançou a passarela de pedras, saltou de seu lombo. O clérigo passou sobre a mureta que cercava a ilha, caindo em pé sobre ela. Aproveitou o impulso dado pelo salto e se atirou de joelhos sobre o chão. Lucano deslizou de joelhos sobre as peles que cobriam o lugar, parando diante do corpo de Legolas. Estendeu suas mãos sobre o amigo e orou por ele.
_ Tüliamüji Glórien, liea liüj aneüj, dema ajga düjjü eonü igmideij lia lorij lieüj! – (poderosa Glórien, mãe dos elfos, cure este vosso filho através de minhas mãos!) as mãos de Lucano emitiram um brilho dourado que envolveu todo o corpo de Legolas. O arqueiro despertou agradecendo ao fiel amigo e deslizou sua mão para dentro de sua bolsa, retirando dela um frasco com um líquido verde-escuro. Legolas tomou a poção mágica, enquanto Lucano o puxava para trás do muro de pedras. Enquanto isso, longe dali, os heróis preparavam o contra-ataque decisivo.
_ Sairf, Anix, preparem seus feitiços de ataque mais poderosos! Nevan, Nailo, preparem seus arcos! Todos vocês vão atacar ao meu sinal! – Sam tinha um tom de voz firme e decidido. Enquanto falava, suas mãos corriam ligeiras sobre seu alaúde, ajustando suas cordas uma a uma. - Squall! Você ainda tem aquela magia sonora? – gritou o bardo.
_ Sim, Sam! Por que pergunta? – respondeu o feiticeiro que se encolhia atrás das pedras.
_ Proteja-se bem e prepare-se para usá-la ao meu sinal! Você vai usá-la quando vir meu sinal no céu! Quando você estiver no céu! – ordenou Sam, deixando todos confusos.
Sem entender o que o bardo pretendia, mas também sem perder tempo com perguntas, todos atenderam ao seu pedido. Nevan e Nailo prepararam seus arcos e apontaram na direção de Escamas da Noite. Sairf já tinha usado todas as suas magias mais poderosas, mas Anix lhe entregou o colar mágico de Kaarghaz e os dois se prepararam para lançar suas bolas de fogo quando o bardo desse o sinal. Squall se encolheu ainda mais atrás do muro e ficou a olhar para cima, esperando pelo misterioso sinal de Sam.
Escamas da Noite continuou avançando sem se importar com o plano do bardo. Esticou seu pescoço sobre a mureta e viu Legolas terminando de ingerir sua poção. Seu peito ganhou volume enquanto a dragonesa tomava fôlego e encarava o arqueiro.
_ Não adianta tomar essa poção! Você não escapará maldito! – rugiu a dragonesa, cuspindo uma rajada de ácido sobre o peito de Legolas. O elfo tentou se proteger, mas não havia meios para isso. A saliva cáustica do monstro queimou seu corpo e corroeu toda a parte de frente de sua armadura, deixando Legolas totalmente desprotegido e muito enfraquecido. – Vou dar o último golpe! É o seu fim! – continuou o monstro.
_ É agora! – Sam tocou seu alaúde. Era uma melodia que todos conheciam, a mesma música que Sam havia tocado no caminho para Tollon, fazendo surgir uma dama ilusória no meio da estrada. A mesma música usada para fazer surgir um homem nu diante dos trogloditas e permitir a fuga de todos. Mas agora ela estava diferente, era um som mais grave e mais rápido, que chegava a ferir os ouvidos. Todos viram então a figura de um dragão vermelho surgir voando sobre o lago. Imediatamente, Squall compreendeu o sinal e agiu.
_ Você queria enfrentar o vermelho? Pois então venha maldita! – gritou Squall, usando sua magia para fazer sua voz parecer sair do dragão que pairava no céu. Ao mesmo tempo, Sam dedilhava seu alaúde fazendo com que a boca do dragão ilusório se movesse em sincronia com a voz de Squall.
_ Então resolveu se mostrar?! Vermelho maldito! Agora eu vou destruí-lo por completo! – gritou escamas da noite, batendo suas asas e levantando vôo.
A dragonesa voou na direção da ilusão, afastando-se de Legolas e dos outros. Suas garras foram direto na direção da garganta de seu inimigo rubro, atravessando a ilusão como se fosse um fantasma. Quando ela percebeu a armadilha em que caíra era tarde demais.
_ AGORA!!! – gritou Sam para seus amigos ao seu lado.
Anix apontou sua mão na direção do monstro. Uma esfera voou pela caverna, acompanhada de uma conta avermelhada arremessada por Sairf. Duas flechas seguiram lado a lado. Uma em chamas, disparada por Nailo, e a outra disparada por Nevan. Quando se aproximaram do monstro os objetos desviaram sua rota, como que atraídos pelo corpo da dragonesa, colidindo diretamente sobre seu coração. Uma enorme explosão se formou, iluminando toda a caverna. Todos ficaram espantados com o poder do ataque. Junto com a explosão vieram as chamas, que envolveram o corpo da fera, criando um turbilhão incandescente. O redemoinho de fogo se desfez numa nova explosão, fazendo tremer todo o teto da gruta. Quando tudo se acalmou, todos viram o corpo negro de Escamas da Noite caindo, já sem vida, em direção ao lago. A terrível dragonesa, que há tempos tirava o sono dos heróis com pesadelos horríveis, deu seu último e definitivo mergulho nas águas escuras. Escamas da Noite afundou lentamente, levando consigo suas ameaças e seus desafios. Seu couro negro desapareceu completamente, submergindo sob as dentadas e os poderosos golpes desferidos pelo tubarão e pelo elemental de água invocados por Sairf.
_ Nãããããooo!!! Malditos! Mataram minha mulher! Vou matar todos vocês! Desgraçados!!!
Saindo de dentro da caverna secreta do tesouro, estava Draco. O elfo vestia um manto esverdeado sobre uma armadura feita do mais refinado metal. Um arco branco como a neve emitia um brilho frio em suas mãos. Sacando suas flechas com os olhos vermelhos de ódio, Draco avançou na direção dos heróis.

dezembro 07, 2005

Aff.......

Ufa!!! Cabei por essa semana. Sabadão a gente finalmente termina a saga dentro da Forja da Fúria e ai... férias moçada, só ano que vem.

Capítulo 153 - O triste destino de Isaulas e seus amigos

Com o inimigo ausente, todo o grupo avançou, alguns até passaram para a segunda plataforma. Sairf ficou para trás, chamando reforços para o grupo. Sam ajudou-o, curando os ferimentos causados pelo ácido da dragonesa. Legolas correu para alcançar a ilha central e ir até o lugar onde Draco havia entrado. Tinha quase certeza de que sua amada estaria lá dentro. O grupo já estava na metade da segunda plataforma, quando Escamas da Noite surgiu de dentro do lago. Esticando seu longo pescoço, a fera abocanhou o peito de Nevan, e soltou seu peso, permitindo que seu corpo voltasse a afundar no lago.
_ Agora, meus comandados! Esse é o momento! Ataquem! – gritou a criatura antes de submergir totalmente.
De uma caverna até então não vista pelos heróis, surgiram vultos que aos poucos foram tomando a forma de zumbis. Os mortos-vivos foram avançando na direção dos heróis, impedindo sua passagem adiante. Legolas, Nevan e Nailo sentiram um aperto em seus corações ao ver que entre os que atacavam estavam seus amigos. Isaulas, Celilmir, Saudriel e Arwind caminhavam, já sem vida, ao lado de um troglodita, um orc e um duergar, com seus punhos fechados, prontos para atacar seus antigos companheiros. Escamas da Noite os havia transformado em seus escravos zumbis e agora, ao invés de salvá-los, os heróis teriam que destruir seus antigos amigos.
Lucano curou-se com sua magia e se preparou para enfrentar os mortos-vivos. Um elemental surgiu ao lado de Sairf , saltou na água e ficou aguardando a chance de atacar o monstro. Sairf preparou uma magia e a apontou na direção da água, esperando para dispará-la quando o inimigo surgisse. Ao seu lado estava Anix, com três contas de bola de fogo preparadas para atacar Escamas da Noite de surpresa.
Na outra plataforma, Nevan girou sua espada, com os olhos cheios de lágrimas e, num único golpe, cortou ao meio o corpo putrefato de Isaulas. Nailo atirou seu arco no chão e sacou suas espadas também. Suas lâminas atingiram o corpo de Celilmir, arrancando-lhe os braços, uma das pernas e por fim, rasgando-lhe o ventre. Celilmir caiu no chão sem se mexer. Mais um de seus amigos estava morto. Nailo e Nevan Lamentaram, mas não tinham outra escolha a não ser lutar com todas as suas forças.
Legolas tentou jogar Saudriel para dentro do lago e passar por ele sem lutar. Desejava apenas chegar até onde sua amada estava, mas isso não seria nada fácil.
Então, a monstruosa inimiga saltou das águas, caindo na plataforma quase sobre os heróis. Seus enormes dentes se cravaram nas costas de Nailo. O vortex criado pelo elemental de Sairf não foi suficiente para detê-la. Nem a magia conjurada pelo mago, nem as bolas de fogo atiradas por Anix. O feitiço de Sairf novamente foi derrotado pela resistência do monstro, e das três contas atiradas por Anix, somente uma funcionou.
Lucano tentou tocar no corpo de Escamas da Noite para descarregar uma magia nela, mas foi atingido antes pela mandíbula da dragonesa. A dor do ferimento tirou a concentração do clérigo, e a magia se dissipou.
Uma área do piso sob os pés de Escamas da noite foi recoberta por um líquido viscoso e escorregadio. Mas, a criatura demonstrava ter um grande equilíbrio, e suas quatro patas a ajudaram a evitar a armadilha escorregadia preparada por Sairf.
Anix disparou seus mísseis mágicos, dando cobertura para que Squall pudesse tomar uma poção e se fortalecer antes que fosse atacado. A espada de Nevan se chocou contra a perna da dragonesa, mas nem uma gota de sangue foi derramada. As poderosas escamas eram quase impenetráveis. O raio ardente de Squall foi facilmente dissipado por um simples bater de asas de Escamas da Noite.
_ Vermelho! Você já está me irritando! Pare com isso e mostre-se de uma vez! – ordenou a fera ao feiticeiro.
Nada parecia ferir o monstro. Nem mesmo as poderosas espadas de Nailo surtiam efeito. Nailo era profundo conhecedor de dragões. Sabia exatamente em que lugares atingir para causar maior dano a uma criatura deste tipo. Uma criatura que ele tanto odiava. Seu inimigo predileto. Mesmo assim, Nailo conseguiu apenas ferir superficialmente a perna de Escamas da noite.
Sam usou sua explosão sonora. As paredes tremeram e um ruído ensurdecedor tomou conta de tudo. A dragonesa parecia nada sentir, e atacou com todas as suas armas. Suas asas cortaram a carne dos heróis com tanta força quanto suas garras afiadas. Sua mandíbula afiada penetrou novamente no corpo de Squall, e sua cauda vigorosa se ergueu no ar para logo depois esmagar Relâmpago contra o chão.
Lucano tentou usar sua magia novamente. Mas outra vez foi impedido pela mordida voraz do monstro. O clérigo, já muito cansado e ferido, foi forçado a recuar para se restabelecer. Relâmpago o seguiu e os dois se afastaram momentaneamente do perigo.
Sairf pôs-se a invocar mais um aliado para auxiliar seus amigos, enquanto Anix lhe fornecia cobertura com seus disparos mágicos. Nevan empurrou Squall sobre Saudriel, e Squall usou toda a força que tinha para jogar o elfo zumbi dentro da água. O morto resistiu ao empurrão, mas recuou o suficiente para permitir a passagem de Legolas. O arqueiro abriu caminho flechando Arwind e escapando dos golpes de seu antigo amigo e do duergar que o seguiam. Legolas correu até a passagem de pedras sobre o lago, seguido de perto por Arwind, e disparou outra flecha certeira em Escamas da Noite. Novamente, seu ataque não surtiu efeito. Um movimento de asa simples foi o suficiente para jogar a flecha para dentro do lago.
Squall era atacado por Saudriel, e já estava a ponto de cair de exaustão. Esquivou-se de seu adversário e tomou uma poção mágica para se curar. Lucano correu para ajudá-lo também, mas não houve tempo para isso. Um som, parecido com uma rajada de vento se formou atrás do clérigo. Quando ele se virou, viu Escamas da Noite cuspindo uma rajada de ácido em sua direção. Todos que estavam no caminho, incluindo Legolas que estava mais distante, foram atingidos. Nem mesmo os comandados da dragonesa foram poupados do ataque. Quando o ácido terminou, Lucano estava caído no chão, inconsciente. Escamas da Noite bateu suas asas e voou para dentro da lagoa novamente, ficando fora do alcance dos heróis.
Sairf terminou sua magia, e uma gigantesca centopéia surgiu ao seu lado. Fez uma magia em si próprio e segurou seu bordão, pronto para atacar assim que possível. Anix preparou para lançar mais uma bola de fogo. Com um poderoso golpe Nevan terminou de retirar o que restava de vida no corpo de Saudriel. Legolas flechou novamente o corpo de Arwind e finalmente conseguiu chegar até a ilha no meio do lago. Enquanto isso, Squall se jogava sobre Lucano para trazê-lo de volta à vida com uma poção mágica. O estado do clérigo teve uma sensível melhora, mas ele ainda continuava desacordado. Anix e Sam avançaram até a outra plataforma, enquanto Nailo e Nevan se encarregavam de eliminar os últimos zumbis que restavam de pé. O duergar e o troglodita caíram aos pedaços sob os pés dos dois heróis. Sairf voltou usar sua magia de invocação e todos ficaram aguardando ansiosos e temerosos o retorno de sua terrível inimiga.

Capítulo 152 - Squall, o vermelho


Anix pegou uma poção em sua bolsa e a tomou num gole só. Sentiu um formigamento familiar em seu corpo e todos olhavam para ele com ar de espanto. Aos poucos o elfo foi desaparecendo, até ficar completamente invisível.
_ Não pense que ficando invisível você vai conseguir fugir de mim! Eu irei encontrá-lo e comerei sua carcaça! – rugiu a dragonesa ao ver Anix desaparecer.
Enquanto seu irmão buscava uma posição melhor para poder atacar, Squall olhou para a criatura com coragem e de sua mão partiu uma pequena esfera escura. A bolinha de guano e enxofre passou por baixo de Escamas da Noite e explodiu quando estava atrás dela. As chamas se expandiram quase seis metros e atingiram a dragonesa, arrancando urros de dor e ódio da fera. Escamas da noite se contorceu e encarou Squall com ódio no olhar. O ódio deu lugar ao espanto. Escamas da Noite farejou o ar e novamente se enfureceu, ainda mais do que ante.
_ Quem é você vermelho? O que quer aqui em meu território? Vá embora daqui agora vermelho, ou então eu o matarei! – gritou a fera para Squall que nada compreendia.
De fato, nenhum dos aventureiros entendia o que ela queria dizer com aquilo. Squall tinha o rosto claro, como o de qualquer elfo. Não havia nada de vermelho nele. Estaria a dragonesa enxergando mal? Mesmo sem entender o que se passava, os heróis continuaram firmes, sem perder tempo com conversas ou divagações. Anix recuou até onde Nailo estava, e este pegou em sua bolsa um frasco com um líquido azul que haviam tirado do orc que jazia solitário na sala inundada onde estiveram. Depois fez uma magia em si e em Relâmpago, uma magia que os tornaria invisíveis aos olhos de qualquer animal.
_ O que você fez aí seu verme? – rugiu Escamas da Noite ao ver Nailo conjurando a magia. Ficou claro então que ela não era um animal comum, e que a magia não tinha efeito sobre ela.
Sam avançou até Legolas, e tocou seu alaúde de forma diferente, tentando tirá-lo daquele estado lastimável em que se encontrava. Mas falhou. Tanto Legolas quanto Nevan continuavam tomados por um medo sobrenatural. Então, o que todos temiam aconteceu.
Escamas da Noite aproveitou a distração do bardo e avançou em sua direção. A bocarra do monstro foi na direção do menestrel e se fechou sobre sua frágil cabeça, esmagando-a com suas presas. O sangue jorrou por entre os dentes da fera, e Sam interrompeu seu repertório. Seus braços e suas pernas amoleceram enquanto o sangue escorria pelo seu corpo. Os corações dos heróis quase saltaram por suas bocas ao ver que, conforme haviam sonhado, o monstro havia arrancado a cabeça de seu amigo Sam Rael. A dragonesa abriu sua boca lentamente, já buscando um novo alvo com seus olhos. O corpo de Sam pendeu para trás, e suas mãos subiram na direção de sua cabeça.
_ Ah! Monstro desgraçado! Mordeu minha cabeça! Maldita! Ainda por cima engoliu meu chapéu! Meu lindo chapéu, você vai me pagar, sua maldita! – gritou Sam, segurando sua cabeça toda cheia de cortes e perfurações, para alívio de todos.
Rapidamente, Lucano conjurou uma magia de cura sobre Sam, e o puxou para trás, afastando-o do perigo. Sairf, Anix e Squall murmuraram seus feitiços ao mesmo tempo.
_ Não vai fazer nenhum feitiço! Eu vou matá-lo vermelho! – gritou a dragonesa ao morder o ombro de Squall.
Squall resistiu à dor e as três magias foram lançadas em conjunto. Duas bolas de fogo explodiram nos dois flancos da criatura, enquanto que uma tempestade glacial se formava sobre seu ventre. As chamas a atingiram e queimaram suas escamas negras. Escamas da Noite novamente amaldiçoou o “vermelho” pela dor que sentia e jurou matá-lo. O turbilhão de gelo se dissipou ao tocar o corpo do monstro de forma estranha. Era como se ela tivesse algum tipo de resistência contra as magias do grupo.
Nailo disparou mais duas flechas contra a fera, mas outra vez elas foram desviadas pelas asas da criatura. Sam resolveu tentar um trunfo que até então mantinha em segredo. Tocou uma melodia que falava sobre coragem e heroísmo. Legolas e Nevan se levantaram e pegaram suas armas. Os dois estavam de volta ao combate.
_ Vermelho! Revele-se mostre sua verdadeira face para mim! Chega de se esconder seu maldito vermelho! – os olhos de Escamas da Noite brilharam enquanto ela gritava com Squall. Da mesma forma, a testa do feiticeiro começou a emitir um brilho dourado. Squall gritava enquanto sua testa queimava. Todos queriam ajudá-lo de alguma forma, mas não sabiam como. Quando o sofrimento de Squall finalmente cessou, havia uma cicatriz em sua testa.
_Maldito vermelho! Juro que vou matá-lo, seu desgraçado! – rugiu a dragonesa pouco antes de saltar e mergulhar nas profundezas do lago.
Lucano tentou curar o ferimento de Squall com sua magia, mas não houve efeito algum. Anix tentou dissipar a marca com sua mágica, mas também não conseguiu. Esbofeteou a cabeça de seu irmão, mas nada fazia efeito contra aquilo. Na testa de Squall, havia uma marca, parecida com uma cicatriz ou uma tatuagem. O mais estranho de tudo, é que a misteriosa marca lembrava o formato da cabeça de um dragão. Qual era o significado daquilo? Era o que todos se perguntavam. Mas não havia tempo para perguntas. O inimigo, o pior que já tinham enfrentado ainda estava vivo e voltaria a atacar em breve.