fevereiro 15, 2006

Mapa de Darkwood

Capítulo 165 – O retorno

Capítulo 165 O retorno

Legolas acordou finalmente de seus sonhos. Parecia que a febre havia enfim cessado. Liodriel estava ao seu lado, apreensiva como sempre nos últimos cinco dias em que tinham estado acampados naquele lugar. O contato com águas contaminadas e os ferimentos causados pelos ratos imundos que habitavam Khundrukar fizeram com que Legolas, Nailo e Anix adoecessem. O grupo foi forçado a parar e acampar até que os três melhorassem. Liodriel, Sam, Lucano, Sairf e Squall cuidavam de seus amigos. Graças aos conhecimentos de ervas que Nailo possuía, eles podiam encontrar remédios entre as plantas para ajudá-los na recuperação. Nevan também sofria, muito ferido após o último ataque de Escamas da Noite. Com muitos ossos quebrados, o guerreiro precisaria de um longo e merecido repouso para se recuperar.

Quando os três se recuperaram e podiam novamente cavalgar, o grupo retomou a viagem de volta. Assim, no 1º dia de Weez, o mês dedicado a Tanna-toh, a deusa do conhecimento, num kalag frio de inverno, os heróis finalmente saíram da floresta, retornando à estrada que cortava o reino de norte a sul. À direita deles ficava o caminho que conduzia para Follen, uma cidade de médio porte para onde os aldeões haviam fugido para evitar o ataque da sombra negra que os jovens haviam visto em seus sonhos e que mais tarde revelou-se ser Escamas da Noite, a amante de Draco. À esquerda ficava, a poucos metros dali, a entrada para Darkwood, a vila onde Nailo, Legolas e Liodriel viviam há tanto tempo.

_ Legolas, meu amor! Antes de irmos pra Follen encontrar com os outros, eu gostaria de dar uma passada rápida em darkwood! – disse Liodriel com sua voz melodiosa.

_ Mas por quê? Não tem ninguém lá! Vamos direto pra Follen buscar o resto do pessoal da vila depois a gente volta de vez pra lá e iremos nos casar! – respondeu Legolas, descendo sua mão pelo rosto delicado da bela elfa.

_ É que eu queria dar uma passadinha rápida na minha casa! – sorriu Liodriel.

_ Ah, mas por que? Assim a gente só vai perder mais tempo! – resmungou Legolas, apoiado por Nailo que já virava seu cavalo para a direita.

_ Porque eu não vou pra uma cidade grande, cheia de gente e de coisas como Follen vestindo apenas esses trapos velhos, sem tomar um bom banho, sem me perfumar, maquiar, pentear,... – Liodriel gritava e gesticulava irritada, quase deixando todos surdos.

_ Puxa! Será que essa é a bela dama mesmo ou é mais uma dragonesa terrível? – cochichou Sam no ouvido de Anix, sorrindo com ironia.

_ Tá legal! Você venceu! Nós vamos parar em Darkwood! Mas tem que ser bem rápido! Tenho medo de que o sonho que tivemos quando chegamos aqui aconteça! – Legolas se deu por vencido.

_ O sonho no qual eu morria? – perguntou a bela dama.

_ Sim, esse mesmo! – suspirou Legolas.

_ Então não há com o que se preocupar! Se alguma coisa acontecer, você estará lá para me proteger e me salvar novamente! – sorriu Liodriel.

Nailo e Squall tentaram argumentar e desejavam se separar do grupo e rumarem para Follen sozinhos. Mas decidiram não abandonarem seus amigos naquele momento. Se tudo corresse bem, não havia porque não esperarem. E se por ventura algo desse errado, eles tinham que estar presentes para ajudar seus amigos, mesmo que isso lhes custasse suas vidas. Assim, após muitas aventuras e perigos, finalmente os heróis entraram, triunfantes, na vila de Darkwood.

Capítulo 164 – Duelo, o herói que abandona o lar

Capítulo 164 Duelo, o herói que abandona o lar

Legolas percorria as ruas de Darkwood em busca de seu desafeto. Seus passos pesados e duros logo atraíram uma pequena multidão para segui-lo. Todos ali, sem exceção, guardavam alguma mágoa de Elenindow. Desde garoto, ele já demonstrava má conduta. Judiava dos animais locais, destruía hortas, atirava pedras nos vidros das casas de seus vizinhos, botava fogo nos telhados. Seu gênio terrível obrigou seus pais a mandá-lo para o exército real, na esperança de que a disciplina do serviço militar desse algum jeito naquele garoto. Elenindow já era um elfo adulto assim como Legolas, mas seu comportamento e seu gênio não haviam mudado. Chegou à Darkwood junto com um destacamento do exército que ainda se aproximava da cidade e, após uma discussão com Loran, o curandeiro local, Elenindow foi humilhado na frente dos aldeões. Atirado ao chão pelo velho curandeiro, Elenindow apanhou sua espada de lâmina larga e atravessou a garganta do pobre elfo.

Loran foi cruelmente assassinado diante de sua neta, a jovem Laura uma pequena elfa de cabelos dourados. O elfo caiu mortalmente ferido, enquanto seu algoz ameaçava as demais pessoas com sua espada. Mas havia ali alguém com coragem suficiente para enfrentar aquele garoto sem moral. Lanell, o avô de Legolas tentou prendê-lo até a chegada do resto do pelotão real. Entretanto, tentando se defender, Elenindow cravou a lâmina da espada no peito de Lanell. O jovem correu cambaleante pelas ruas da cidade, enquanto as pessoas acudiam os dois feridos. Loran já estava morto, mas Lanell foi levado até seu filho. Entretanto, nada poderia ser feito por ele também.

Legolas caminhava apressado, guiado pelas crianças da vila que lhe indicavam o caminho até onde estava o assassino de seu avô. Os mais velhos acompanhavam mais de longe, ansiosos para ver o duelo. Legolas não dava importância para toda aquela gente em volta dele. Seus pensamentos estavam no maldito Elenindow. Legolas se perguntava o que teria trazido aquele desgraçado até Darkwood, já que seus pais haviam se mudado de lá antes de ele partir para ir treinar com mestre Li.

­_ Será que aquele maldito veio até aqui somente para matar o senhor Loran e meu avô? O maldito vai pagar por tudo que fez durante toda sua vida! – pensava Legolas entre um passo e outro.

Quando estava próximo da entrada nordeste da vila, Legolas avistou seu inimigo. Elenindow estava sentado no chão, encostado em uma arvoreja quase dentro da lavoura comunitária do povoado. Vestia uma armadura de metal e couro toda empoeirada, e partes dela, como as luvas, capacete e botas, estavam largadas no chão displicentemente. Sua espada tinha a ponta fincada na terra batida da viela e o corpo da lâmina apoiado no ombro direito de seu dono. Elenindow estava com a cabeça abaixada e nem notou a chegada de Legolas e do povo da vila. Sangue escorria de um arranhão profundo em seu braço e seu corpo possuía diversos outros arranhões menores, como se ele tivesse atravessado uma moita espinhosa. Era uma vítima fácil para Legolas, que poderia acabar com ele com apenas um golpe furtivo, mas não o fez.

A multidão parou a cerca de dez metros dos dois. Legolas avançou tranqüilamente na direção do inimigo e atirou sua wakizashi entre os pés do oponente. Elenindow levantou a cabeça lentamente e encarou Legolas. Seu olhar distante e vazio dava a impressão de que estivera dormindo. Como aquele maldito podia conseguir dormir depois de matar dois elfos bons e inocentes? Pensava Legolas. Vagarosamente, Elenindow se levantou do chão, apoiando-se em sua espada. Já de pé, ergueu a lâmina que, dada a dificuldade com que ele a levantava, deveria ser extremamente pesada.

A batalha começou. Sem dizer nenhuma palavra, os dois começaram a trocar golpes de espada. O duelo era equilibrado. Legolas contava com sua destreza, enquanto Elenindow confiava em sua força. Pouco a pouco, Legolas foi vencendo a resistência do inimigo e encurralando-o. Entretanto, um golpe certeiro de Elenindow, quase pôs fim à vingança do arqueiro. A lâmina da espada larga penetrou no peito de Legolas que estava desprotegido sem sua armadura. Felizmente para ele, o ferimento foi apenas superficial. Mas, se Elenindow tivesse usado mais força no ataque, teria atravessado o coração de Legolas com certeza.

Legolas se refez rapidamente do susto, e golpeou o braço do oponente. Elenindow baixou a guarda, dando chance para que Legolas o atingisse novamente. A lâmina da katana cortou o ar rapidamente, indo na direção do ventre de Elenindow quando a espada larga de Elenindow caiu no chão, uma fração de segundo antes de Legolas atingi-lo.

Legolas desferiu uma série de golpes, cortando o corpo do adversário que parecia já nem estar vivo. Elenindow finalmente caiu no chão, morto. Legolas cessou seus ataques, observando o inimigo que jazia à sua frente. Soltou a espada no chão e deu um grito que ecoou por toda a vila, abafando o som dos cascos dos cavalos que se aproximavam. Um homem, vestido com um uniforme militar, observava tudo do outro lado da ponte que cruzava o riacho Aurora que cortava a vila. Leondil se aproximou dele neste mesmo instante.

_ Legolas! Fuja depressa! Os soldados estão chegando! Se eles te pegarem, você será executado por matar um oficial! Sua mãe e eu preparamos seu cavalo com suprimentos. Parta agora, antes que seja tarde! – disse Leondil aos prantos, enquanto abraçava o filho e apontava para onde estavam Eire e Rassufel, o cavalo de Legolas. Legolas se despediu de seus pais e montou, partindo rumo ao oeste.

_ Prendam aquele elfo! – gritava o soldado que havia assistido ao duelo.

Legolas esporeou o cavalo e partiu rápido, enquanto os aldeões ocupavam a rua para impedir a passagem dos soldados. Flechas foram disparadas, na esperança de atingir Legolas, mas ele desviou dobrando uma esquina e desaparecendo da vista dos soldados.

O arqueiro passou diante de sua casa pela última vez, despedindo-se daquele lugar que tanto amava. Então ele viu quem ele mais desejava ver em todo o mundo. Liodriel estava lá, parada diante dele. Seus cabelos ruivos se agitavam ao vento criando um belo contraste com seu longo vestido azul turquesa. Legolas saltou do cavalo com ele ainda em movimento. As delicadas margaridas que a jovem trazia nas mãos espalharam-se pelo chão quando seu amado a abraçou. Legolas a tomou nos braços e se despediu de Liodriel com um beijo. Prometeu que voltaria um dia para se casar com ela e partiu.

Legolas fugiu pela estrada com seu cavalo em disparada. Depois penetrou na floresta para despistar seus seguidores e seguiu para o oeste sem parar. Algumas horas depois, encontrou um outro elfo, que cavalgava vagarosamente, acompanhado de um belo lobo. Legolas se aproximou e ficou surpreso ao ver que o elfo era Nailo, seu amigo de infância.

Nailo estava indo para Malpetrim, uma cidade de médio porte do reino de Petrinya, famosa por sua grande feira anual e pelas grandes aventuras que ali tiveram início. Legolas se juntou a ele e os dois foram para Malpetrim, ver a grande feira. Legolas sabia com razão que aqueles eventos daquela manhã mudariam para sempre a sua vida, só não sabia o quanto.

Dias depois, em 31 de Wynn, um morag, os dois se encontraram com um grupo de viajantes que rumavam para o mesmo destino e se juntaram a eles. Entre os viajantes estavam Anix, o mago que procurava pelo irmão Squall, Lucano, o clérigo de Glórien Sairf, o mago da água e Loand, o paladino de Khanmyr. Legolas e Nailo se juntaram àqueles jovens, sem saber que aquele grupo estava destinado a desbravar o mundo de Arton, viver grandes aventuras e deixar seus nomes gravados na história para sempre.

fevereiro 14, 2006

Capítulo 163 – Luto, a morte do avô

Capítulo 163 Luto, a morte do avô

Legolas entrou apressado na vila. As passadas largas de seu cavalo atravessaram em poucos segundos o piso de terra ainda úmida até chegar à casa do arqueiro. Num salto o jovem deixou o lombo do animal e caiu em pé diante da porta de sua morada. Afoito, abriu-a com um forte empurrão e adentrou em seu lar sorridente.

_ Pessoal! Voltei! Finalmente terminei aquele treinamento! Estou de volta! – gritou Legolas a plenos pulmões para os presentes.

Mas a alegria de Legolas durou pouco. Logo diante da entrada, estendido sobre o piso de madeira polida, estava seu avô Lanell Greenleaf deitado. Ao redor dele estavam Eire e Leondil, sua mãe e seu pai.

_ Vovô! O que aconteceu?! – perguntou Legolas, atirando-se no chão ao lado de seu avô.

­_ Foi Elenindow! Ele matou Loran, o curandeiro! Quando eu cheguei perto para prendê-lo, ele me atingiu com a espada! Aquele moleque chegou pela manhã com um destacamento do exército real e parece estar fora de si! – o velho elfo respondeu ofegante. Seu sangue tomava todo o chão ao redor dele, jorrando através de um grande e profundo corte de espada na altura do peito.

­_ Aquele desgraçado! Continua folgado como sempre foi! Nem mesmo o exército conseguiu corrigi-lo! Eu vou arrebentar a cara dele! Continuou Legolas, segurando com força a mão do avô, já com os olhos tomados de lágrimas.

_ Não vá se meter em encrencas por causa de um velho Legolas! – Lanell tossiu e gemeu. Sua boca se encheu de sangue. – Ah! Ainda me lembro como se você hoje o dia em que você começou sua jornada! Eu lhe presenteei com uma espada, mas você preferiu o arco de seu pai! Ainda menino foi capaz de matar um kobold sem a ajuda de ninguém! Foram dias felizes que passei ao seu lado meu neto querido! Hoje você é um adulto, um grande guerreiro! Me orgulho muito de você! – o velho falava com extrema dificuldade, sua voz parecia mais um sussurro.

_ Por que está dizendo isso vovô? Não é hora pra essas coisas! Me diga apenas onde aquele maldito está! – Legolas estava confuso e sentia um medo que jamais sentira antes.

_ Leondil, meu filho! Muitas vezes nós divergimos em diversas coisas! Mas, saiba que eu sempre o amei! Quando sua mãe partiu para junto de Glórien, você foi o meu pilar de sustentação! Eu lhe devo muito meu filho, obrigado! – o velho inclinou a cabeça e prosseguiu em seu discurso, com os olhos cheios de lágrimas.

_ Pare vô! Não diga essas coisas! – implorava Legolas aos prantos.

­_ Eire! Minha nora querida! Você é como se fosse uma filha do meu sangue para mim! Cuide bem dos meus garotos, por favor! Serei eternamente grato a você por tudo! – Lanell tombou a cabeça enquanto olhava para a mãe de Legolas. Seus olhos se fecharam com força, fazendo escorrer duas lágrimas cristalinas.

_ Eu vou buscar o curandeiro! Não, o Elenindow matou ele! Já sei, vou buscar a mãe do Nailo! Ela sabe fazer mágica de cura! Agüente firme vovô, eu já volto!­ – Legolas soltou a mão de seu avô e caminhou em direção à porta com as pernas trêmulas. Quando estava preste a sair, a voz melancólica de seu pai o impediu.

_ Já é tarde Legolas! Seu avô se foi! Ele partiu para Nivenciuén, para junto de Glórien! – a voz de Leondil era pesada e triste. Lanell, o avô de Legolas estava morto.

Legolas parou diante da porta. Tinha a cabeça baixa e as mãos trêmulas. Suas lágrimas se precipitavam no chão formando uma pequena poça.

_ Ele vai me pagar! Isso não ficará assim! Elenindow vai me pagar por isso! – sem olhar para trás, Legolas amaldiçoou o nome de seu inimigo. Depois saiu pela porta, deixando-a aberta atrás de si, e correu até seu cavalo. Pegou a sua katana e sua wakizashi, respectivamente a espada longa e a mais curta que recebera de seu mestre por ter concluído o treinamento, e partiu para o centro da pequena vila.

_ Não Legolas! Não faça isso! O exército está nas redondezas! Ele será preso e pagará pelo que fez! Não vá! – gritava sua mãe desesperada.

_ Eire, deixe-o! Nada poderá detê-lo agora! Venha, me ajude! Temos que carregar esse cavalo com suprimentos. Eu estou com um estranho pressentimento! – Leondil abraçava sua esposa, tentando confortá-la, mas o destino de seu filho já estava traçado e não poderia ser mudado.