março 08, 2006

Capítulo 176 – 1º Dia - Túneis e Trolls

Capítulo 176 1º Dia - Túneis e Trolls

O grupo de Legolas rastejava pelas cavernas sob o quartel do exército em Vallahim. Com armas improvisadas, outras velhas e gastas, e sem nenhuma armadura, o grupo pedia aos deuses que fossem piedosos e não colocassem em seu caminho nenhum tipo de criatura subterrânea que pudesse ameaçar suas vidas. Entretanto, Megalokk, o deus dos monstros, parecia não estar de bom humor naquele dia.

Depois de horas caminhando no escuro, sem comer ou beber, os fugitivos estavam exaustos. Andavam lentamente, poupando o pouco de forças que ainda possuíam. Mas, o alerta de Rodor, o ranger, fez com que todos se agitassem novamente.

_ Vem vindo alguma coisa ai! – alertou Rodor que ia à frente do grupo.

_ O que é? – perguntou Gorosh, preparando o machado para um possível combate.

_ Trolls! – gritou Rodor, sacando a espada enferrujada conseguida pelo meio-orc.

Um monstro humanóide, com mais de três metros de altura, surgiu da escuridão. Avançando ameaçadoramente sobre o grupo, tinha uma pele pegajosa num tom marrom esverdeado. Arqueado para frente, o monstro exibiu suas enormes garras e correu na direção dos fugitivos.

Rapidamente, Legolas recuou disparando suas flechas contra a criatura, ferindo-lhe no braço. Ao mesmo tempo, a magia de Alberik explodiu sobre o rosto do gigante, iluminando a caverna. Mas o Troll não se deteve, cravando sua poderosa garra no ombro direito de Rodor.

O ranger gritou enfurecido e revidou com dois golpes certeiros na perna do monstro. O sangue da criatura jorrou com o ferimento. Tinn correu ao redor do inimigo pensando que o monstro estava indefeso após o ataque do amigo. Entretanto, parecia que aqueles ferimentos nada significavam para o Troll. O anão teve suas costas rasgadas pelo monstro, mas resistiu bravamente à dor e cravou o seu sabre na virilha da fera.

O monstro urrou de dor e raiva. O machado de Gorosh girou no ar, arrancando uma das pernas da criatura. O membro caiu no chão, contorcendo-se como se tivesse vida própria. Os nervos e músculos na perna da criatura começaram a se projetar para fora do corpo, como se buscassem o pedaço arrancado ou como se tentassem criar uma perna nova. Foi então que Legolas se lembrou.

_ Temos que atacá-lo com fogo! – avisou o arqueiro, enquanto disparava seu arco contra o monstro – Trolls são vulneráveis ao fogo!

_ Não dá! Só temos uma tocha! – respondeu Rodor.

_ Deixem isso comigo então! – gritou Alberik, fazendo gestos e murmurando um feitiço.

Ao mesmo tempo, Dimitri abriu um portal mágico ao lado do troll, de onde um lobo surgiu atacando o monstro com suas presas. Dimitri pegou sua flauta e tirou dela uma melodia suave, tentando fazer o troll cair no sono, sob o efeito de sua música mágica, como ele costumava fazer com as vítimas que roubava.

_ Dare bia natha! – gritou Alberik. Uma esfera de chamas explodiu atrás do troll, envolvendo-o e queimando-o. Gorosh e o lobo foram atingidos também, reduzindo o animal a cinzas. Apesar de muito ferido, o monstro permanecia em pé.

O troll cravou as garras no peito de Rodor. Antes que pudessem tingir-se com o sangue do ranger, a criatura as girou e as afastou, rasgando o peito do ranger. Rodor caiu, à beira da morte, no mesmo instante em que outro monstro igualmente ameaçador surgia no fundo do corredor.

Dimitri correu até o amigo caído, tocando uma melodia mágica para curá-lo. Enquanto isso, seus companheiros continuavam a atacar o inimigo. As espadas dos anões Tinn e Durunn atingiram o monstro quase que ao mesmo tempo, derrubando-o no chão, indefeso. Entretanto, ainda assim a criatura continuava se mexendo, como se tentasse se regenerar dos ferimentos. Gorosh puxou com seu machado a perna que tentava se ligar ao corpo caído, sendo ferido pelo outro monstro. Legolas tentou ajudar o meio-orc, perfurando um dos olhos da criatura com seu arco, enquanto Alberik lançava outra bola de fogo sobre a criatura.

As chamas envolveram o corpo do troll. O odor de carne queimada tomou conta do local, parecia que tudo tinha terminado. Porém, do meio das chamas surgiram os braços da criatura, com suas garras afiadas como katanas tamuranianas apontadas na direção de Gorosh. O meio-orc não teve tempo sequer de gritar. Seu corpo foi cortado o meio pelo monstro, encerrando para sempre seus dias como estuprador e assassino. Legolas deu um sorriso ao ver se desafeto partido em dois pelo troll, mas sabia que apesar do ódio que tinha por aquele bastardo, sua força faria falta naquela luta. Sem hesitar, o elfo continuou atirando suas flechas na cabeça do monstro.

Tinn e Durunn encaravam a besta face a face, rasgando-o com suas espadas enquanto Dimitri salvava a vida de Rodor. O monstro revidava com suas poderosas garras, dilacerando a pele desprotegida dos dois anões. Então, mais uma vez as chamas de Alberik iluminaram a caverna, consumindo o monstro em seu calor.

O troll caiu aos pés de Tinn e Durunn, em chamas. O monstro ainda se mexia quando o fogo cessou, tentando se regenerar. O grupo, entretanto, não quis perder tempo com um inimigo caído e correu para fora daquele lugar, antes que a criatura se reconstituísse. Sabiam que não poderiam gastar os poucos recursos de que dispunham, então decidiram fugir dali o mais rápido possível.

Mais algumas horas naquele labirinto de túneis e finalmente eles avistaram uma luz no fim do túnel. Era uma saída. Todos correram, esperançosos, em direção à luz. Prevendo a desgraça que estava por vir, Legolas deixou suas armas para trás e também correu.

Quando saíram da caverna, estavam no meio de um pátio, num anexo do forte, cercados por soldados armados. O grupo havia sido traído. Alguém os tinha delatado. Sem opção, todos se renderam, furiosos e inconformados. Legolas ainda tentou enganar os guardas, alegando que havia sido forçado pelos outros presos. Mas nada adiantou a tática do arqueiro. Legolas, assim como os outros, foi levado para a solitária, um cubículo escuro e apertado. Um lugar ainda mais medonho que a cela anterior, onde ele passaria os últimos dias de sua vida. Enquanto ele agonizava sozinho em sua cela, seus amigos corriam para Darkwood, na vã esperança de salvá-lo da morte certa.

março 07, 2006

Capítulo 175 – Corrida contra o tempo

Capítulo 175 Corrida contra o tempo

Legolas rastejava por túneis escuros e sujos, fugindo da morte certa. Enquanto isso, seus amigos corriam contra o tempo para descobrir uma maneira de salvá-lo antes que fosse tarde demais.

Lucano, Squall e Anix cuidavam de providenciar cavalos para que seu grupo pudesse viajar para Darkwood. Ao mesmo tempo, Yczar e Nailo rumavam para a prisão a fim de conversar com Legolas e com o tal soldado suspeito de ter roubado o ouro, o tal Edgar Sólon. Mal suspeitavam que Edgar era o companheiro de cela de Legolas. Porém, uma surpresa os aguardava no quartel do exército.

_ Não podem visitar os prisioneiros hoje! O general Raelf está aqui para fazer uma inspeção de rotina. O forte ficará fechado o dia todo! Voltem amanhã! – explicou o soldado de plantão na entrada do quartel.

Os dois aventureiros tentaram insistir e convencer o guarda, mas seus esforços eram inúteis.

_ Nailo, parta com os outros! Eu ficarei aqui e conversarei com Legolas e com esse tal de Edgar para ver se ele nos dá alguma informação capaz de desmoralizar a imagem de Elenindow! – disse Yczar, já conformado com a situação.

_ Não, Yczar! Eu vou ficar também! Quero conversar com eles pessoalmente! – respondeu Nailo.

_ Mas você é o único que conhece o caminho para sua vila! Você precisa ir. Deixe que eu fico aqui e amanhã interrogo os dois. – concluiu o paladino.

Sem ter como discordar, Nailo aceitou a decisão do amigo. Montou em Trovão, o cavalo de Yczar e se despediu do paladino sem perder tempo.

_ Espere, aonde você vai assim! O Trovão só obedece a mim...tarde demais! – Yczar levou a mão à cabeça, gemendo ao ver Nailo sendo arremessado para fora da cela e se espatifando no chão.

Nailo se levantou, contorcendo-se de dor e voltou a montar em Trovão, mas somente após Yczar estar em cima do animal primeiro. Quando os dois estavam prestes a partir, notaram que alguém se aproximava do portão, atraído pela confusão causada pelo ranger.

_ O que está acontecendo aqui soldado? – perguntou ao guarda o homem que chegava vestido num luxuoso uniforme decorado com diversas insígnias.

_ Aqueles homens queriam falar com alguns prisioneiros, senhor! Um deles é advogado de um dos presos, senhor! – respondeu o soldado em voz alta e batendo continência diante do homem.

_ Senhor! Nós precisamos falar com nossos amigos! É urgente, um deles vai ser executado em três dias! Se a gente não falar depressa com ele, poderá ser tarde demais! – gritava Nailo, já fora do cavalo correndo na direção do portão.

_ Mais respeito com o general rapaz! – a ponta da lança do soldado atingiu a cabeça de Nailo sem feri-lo, apenas para chamar sua atenção.

_ Desculpe general! É que eu preciso falar urgente com meus amigos! A vida deles depende disso! Só preciso de uns cinco minutos com eles! Por favor, general! – continuou Nailo, já menos agitado.

O general ponderou por um instante, olhou para Nailo e para Yczar que se aproximava com o cavalo. Depois retirou uma pequena ampulheta do bolso da calça e tomou sua decisão.

_ Deixarei que apenas um de vocês converse com apenas um dos prisioneiros! Decidam quem vai e com quem vai falar! Terá apenas dois minutos para isso! – respondeu o general com imponência.

_ Deixe que eu vá, Yczar! Eu falo com o tal Edgar! Depois você fica aqui e conversa com o Legolas com mais calma! – decidiu Nailo.

Yczar concordou com a cabeça. O general deu a ordem ao soldado e virou a ampulheta. O soldado chamou outros dois para conduzir Nailo, correndo contra o tempo para não desapontar o general que cronometrava cada ação de seus comandados.

_ Tenente! Este homem veio para visitar o prisioneiro Edgar Sólon, com a permissão do general Raelf! O general deu dois minutos a ele para conversar com o prisioneiro! – comunicou um dos soldados ao oficial responsável.

_ Levem-no depressa então até a sala de visitas! Este prisioneiro ainda deve estar lá! O advogado dele acaba de sair daqui! – ordenou o tenente.

_ Ora que incrível! Estou aqui há meses e nunca recebi uma visita sequer! Hoje, em compensação, você já é o segundo a me visitar! Quem é você? – perguntou Edgar, sorrindo.

_ Eu sou Nailo, amigo de Legolas, um cara que matou um soldado do seu pelotão, um cara chamado Elenindow! O Legolas vai ser enforcado por ter matado esse cara! Diga-me rápido tudo que você sabe sobre a morte dele! Só tenho dois minutos! Por favor! – pediu Nailo, desesperado.

_ Coincidências demais hoje! Esse seu amigo é meu companheiro de cela! Ele me contou o que aconteceu com ele! Fora isso eu não sei mais nada! Eu só cheguei na vila junto com o resto do pelotão, quando seu amigo matava o Elenindow! A gente tentou capturá-lo e ele fugiu! – respondeu Edgar.

_ E sobre o roubo das jóias do general? O que você tem a me dizer? – indagou Nailo.

_ Ah! Então é isso! Olha, cara, armaram essa pra mim! Eu não roubei nada! Alguém queria se vingar de mim por eu atormentar todo mundo no pelotão e deu um jeito de colocar essas jóias nas minhas coisas! Mas não fui eu não! – respondeu Edgar, desconfiado.

_ O tempo acabou, jovem! É hora de você ir embora!­ – gritou um dos soldados, já puxando Nailo pelo braço.

Nailo e Yczar retornaram para a estalagem, sem conseguir compreender qual a relação entre todos aqueles fatos. Lá encontraram Lucano, Anix e Squall montados em três belos corcéis negros, já prontos para partir. Ao lado deles, um outro corcel preparado para Nailo e Batloc, montado em um belo alazão de pelo prateado chamado Luar.

_ Bem, não vamos perder tempo. Cada minuto é precioso! Vocês precisam correr contra o tempo e trazer a tal neta do curandeiro para cá o mais rápido possível! Enquanto isso, eu ficarei aqui e farei o possível para convencer o juiz a adiar o enforcamento até vocês voltarem! Sairf ficará comigo e nós procuraremos o Sam! Aquele bardo poderá nos ajudar a convencer o juiz e a obter informações! Batloc, ajude-os em tudo que for preciso! Tomem muito cuidado! E boa sorte a todos! – disse Yczar aos amigos.

_ Boa sorte a vocês também! Até breve! – responderam os demais.

Montados em seus cavalos, os heróis deixaram a cidade de Vallahim, rumo a Darkwood, correndo contra o relógio para tentar salvar seu grande amigo Legolas.

Capítulo 174 – Fuga

Capítulo 174 Fuga

Era o 18º dia de Wezz, um lanag. A manhã começava fria e úmida. Legolas acordou com o corpo dolorido e frio. Era mais uma noite mal dormida na cadeia. Mas agora ele estava sem seus companheiros, o que tornava a situação ainda pior. Fez seu desjejum, um pedaço de pão com um copo de leite, e voltou a se deitar. Não havia o que fazer, ainda mais no meio daqueles estranhos que pareciam estar todos contra eles. Todos menos um. Edgar, o homem que o havia salvado de ser estuprado por Gorosh, que tinha cedido sua cama ao arqueiro para protegê-lo do mesmo meio-orc. Legolas precisava agradecê-lo. Levantou-se e foi até o homem.

Edgar estava sentado em sua cama, com o olhar distante, estático, como se não estivesse ali. Legolas se aproximou vagarosamente, observando os outros prisioneiros amontoados no fundo da cela numa animada partida de Cavilan.

_ Obrigado por ter me ajudado ontem! – disse Legolas.

_ Não foi nada, cara! Não podia deixar o Gorosh fazer aquilo com você! Não precisa me agradecer! – respondeu o homem, ainda com o olhar distante.

_ Ele já tinha feito isso com alguém antes de mim aqui? – perguntou o arqueiro, já prevendo a resposta.

_ Não, nunca! Não sei o que deu nele ontem! Você ia ser a primeira vítima dele aqui dentro! A não ser que...não deixa pra lá isso não importa! Qual seu nome? – Edgar se virou para Legolas, olhando-o de cima da cama onde estava.

_ Legolas! – respondeu.

_ Muito prazer! Eu sou Edgar Sólon! Por que você está aqui? – Edgar estendeu a mão direita, cumprimentando o elfo.

_ Eu matei um cara do exército. Ele matou o meu avô e o curandeiro da minha vila. Eu vinguei a morte dos dois e vim parar aqui! – respondeu Legolas, desanimado.

_ Que coincidência! Eu era do exército! Quem era o cara? Será que eu o conhecia? – Edgar saltou da cama, tão surpreso quanto Legolas.

_ O nome dele era Elenindow! Era um moleque mau criado e folgado da minha vila! – respondeu o elfo.

_ Incrível! Que coincidência! Eu fazia parte do pelotão dele! Espera ai! Eu me lembro de você! Eu estava presente nesse dia, você é o cara que fugiu a cavalo! Quanta coincidência! – prosseguiu Edgar, ainda mais surpreso.

_ Coincidência mesmo! E você? Por que está aqui? – perguntou Legolas, ainda surpreso com tudo.

_ Bem, vai até parecer conversa de presidiário! Mas eu sou inocente. Armaram pra mim! Um dia eu estava na sala do capitão Ron, quando o general Raelf chegou e pediu para o capitão guardar as jóias dele no cofre do capitão! Depois eu sai dali, dei baixa nas minhas obrigações e fui pra casa. Quando estava saindo do quartel, vieram me revistar, dizendo que as jóias do general haviam sido roubadas e todos eram suspeitos! Algum maldito colocou aquelas jóias na minha bolsa e eu vim parar aqui! – respondeu Edgar.

_ E você não se defendeu? – perguntou Legolas.

_ Não, nem tive como! Fui pego em flagrante e preso até sem julgamento! Além disso, eu sempre aprontava no quartel! Era um encrenqueiro. O cara que você matou, eu vivia batendo nele! Ninguém iria dar ouvidos a um marginal como eu! Acho que algum dos soldados que eu atormentava quis se vingar de mim e armou essa pra me ferrar! Mas não tem problema, logo, logo eu saio daqui!­ E você, o que fazia antes de virar assassino? – continuou o homem.

_ Bom eu fugi de Tollon por um tempo. Meus amigos e eu vivemos algumas aventuras juntos! Inclusive, nós descobrimos a famosa mina do anão Durgedin! – prosseguiu Legolas.

_ Incrível! A forja do anão armeiro desaparecida há eras! Mas então você deve ser muito poderoso pra ter conseguido chegar até esse lugar! O que você sabe fazer? – sorriu Edgar.

_ Eu sou um arqueiro! – respondeu o elfo.

_ Um arqueiro! Que interessante! Olha Tinn, o Legolas é um arqueiro, e dos bons! – gritou Edgar para o anão caolho que jogava cartas com os outros presos.

_ Bom cara, pode contar comigo pro que precisar! Se o Gorosh voltar a te encher, pode contar comigo! – Edgar sorriu e deu um forte aperto de mão em Legolas.

_ Obrigado! – sorriu o arqueiro de volta.

Neste exato instante, um grupo de soldados se aproximou da cela, olhando para o grupo como se procurassem por alguém.

_ Ei você! Edgar! Venha comigo! Você tem visita rapaz! – exclamou o soldado que liderava o grupo.

_ Visitas? Mas eu nunca recebo visitas!? Quem poderia ser? – estranhou Edgar.

_ É o seu advogado! – sorriu o soldado, maliciosamente.

Tanto Edgar quanto Legolas ficaram espantados. Edgar havia sido capturado em flagrante, sem necessidade de ser julgado como ele havia mencionado. Nunca recebera visitas e agora surgia um misterioso advogado para vê-lo.

_ Sinto que você está correndo perigo! – sussurrou Legolas.

_ Também sinto isso! Espero estar enganado! – concordou Edgar.

_ Boa sorte! – despediu-se Legolas.

_ Obrigado! – Edgar deixou a cela com um aceno, conduzido pelos soldados.

Se Edgar havia realmente sido vítima de uma conspiração, era bem possível que agora os responsáveis estivessem desejando eliminá-lo. A única pessoa que parecia de confiança naquele inferno poderia nunca mais retornar. Legolas estava sozinho novamente. O arqueiro retornou cabisbaixo para sua cama, onde se sentou e pôs-se a observar o jogo dos outros prisioneiros.

O ruído de chaves se agitando e portas se abrindo e fechando quebrou a concentração no jogo. Alguns segundos depois, estavam vários soldados diante da cela, com um prisioneiro algemado. Um meio-orc descomunalmente grande. Gorosh.

_ Ai pessoal! Valeu pela carona turma! Outro dia a gente dá um passeio desses de novo! Quem sabe a gente pode até se divertir de outra maneira! – Gorosh zombava dos guardas que o recolocavam na cela, mandando beijos e fazendo gestos obscenos.

Legolas estremeceu por dentro. Seu maior inimigo estava de volta e desta vez ele não poderia contar com a ajuda de Edgar. Tentando não ser notado, continuou com o olhar fixo nos que jogavam. Gorosh entrou na cela mancando. Talvez devido aos pontapés da noite anterior, pensou Legolas. Retiraram-lhe as algemas e trancaram novamente a cela. Os guardas se retiraram enquanto apenas um deles permaneceu, terminando de fechar os cadeados que lacravam o portão.

_ Valeu mesmo meu chapa! – o meio-orc se aproximou da grade, dando um leve tapa no ombro do soldado que sorriu com malícia.

Quando o soldado se retirou, Gorosh se virou para os companheiros de cela e se aproximou do grupo mancando.

_ Gorosh tá na área rapazes! To de volta! – gritou o grandalhão.

Todos o olharam e fizeram ao mesmo tempo um gesto com a cabeça, como se perguntassem algo. O meio-orc respondeu fazendo um gesto positivo com as mãos e sorrindo. Os presos comemoraram em silêncio.

_ E ai loirinha! Como é que você está?

_ Não me enche! – respondeu Legolas.

_ Uh! Ela continua irritada! Essa loirinha é muito rebelde! Adoro meninas assim! – provocou o mestiço.

_ Cuidado Gorosh! Ele é um arqueiro perigoso! Edgar que descobriu! – sorriu o anão com tapa-olho.

_ Então quer dizer que a loirinha sabe mexer com arcos? – provocou o meio-orc.

_ Se eu estivesse com meu aro, já teria acabado com você! – resmungou Legolas, irritado.

_ Nossa que medo! Não fique assim loirinha! Tenho uma surpresinha pra te mostrar daqui a pouco! – Gorosh riu e bateu com a mão na altura de sua genitália. Um som de metal chegou aos ouvidos de Legolas, revelando que havia alguma coisa muito dura entre as pernas do meio-orc.

_ E onde tá o Edgar pessoal? – perguntou Gorosh.

_ Foi falar com o advogado dele! – respondeu Tinn comprando uma carta.

_ Há! Esse cara é cheio de surpresas! Desde quando ele tem advogado? Essa é boa! – gargalhou o meio-orc, enquanto caminhava para sua cama.

Gorosh finalmente se calou, deitando em sua cama com dificuldade por causa da perna machucada. O jogo de cartas prosseguiu com reclamações de roubo e discussões. Legolas se acalmou, por enquanto.

Depois de alguns minutos, a barulheira no pátio externo quebrou a monotonia da cela. Carroças passando, soldados correndo de um lado para outro agitados, gritos. Parecia que começava uma guerra. Os presos se agitaram também. Pareciam ansiosos por algum motivo desconhecido de Legolas. Gorosh se aproximou, com dificuldade, da grade da cela e olhou na direção da saída, onde ficavam os vigias.

_ Que tá acontecendo meu chapa? Por que essa barulheira? – perguntou Gorosh ao único soldado que permanecera no posto de guarda.

_ O general chegou para fazer uma inspeção! – respondeu o guarda.

_ E você vai ficar sozinho ai? Ai que delícia! Sorriu o filho de orc coçando sua genitália.

Gorosh sorriu ao ver o guarda se fechando do lado de fora do corredor da masmorra, com cara de assustado. Era óbvio que ele não queria servir de mulher para o meio-orc, assim como quase acontecera com Legolas.

_ Ele já se foi turma! Não vai dar pra esperar pelo Edgar, tem que ser agora ou nunca mais! – sussurrou Gorosh para os outros.

Todos se levantaram, correram até as camas, rasgando os colchões e retirando armas improvisadas de lá. Gorosh levantou a camisa, exibindo um enorme machado de metal que trazia preso à perna direita. Além do machado, duas espada que ele entregou aos companheiros. Todos armados, se viraram na direção de Legolas. O elfo estremeceu.

_ Agora você loirinha! Já que é arqueiro, fica com o arco! – Gorosh fez um gesto para um dos anões, que correu até uma das camas e pegou um arco e uma aljava rústica que estavam ocultos.

_ O esquema é o seguinte! O Edgar era do exército e por isso ele sabe que tem uns túneis que passam embaixo desse lugar! A gente cavou um buraco pra fugir! A hora é agora! É fugir ou ficar aqui pra morrer, você escolhe! – Gorosh entregou o arco e as flechas para Legolas, enquanto os outros se encarregavam de puxar um bloco de pedra solto ao redor do ralo onde eles urinava e defecavam. Legolas olhou desconfiado. Se não fugisse, os presos poderiam se voltar contra ele. Se fugisse, poderia arruinar os planos de seus amigos que queriam tirá-lo de lá de acordo com as leis. Mas, ele sabia que jamais seria absolvido por ter matado Elenindow.

_ Vamo lá loirinha! Tá esperando o que? – disse Gorosh – Tá bom já sei! Olha cara, me desculpe por tentar te comer ontem à noite! Mas é que eu precisava arrumar um modo de sair daqui pra pegar essa belezinha com o chapa de uniforme! Vamos esquecer tudo isso e começar de novo tá? Vamo lá cara! Me diz ai o seu nome! Vamos ser amigos! – o meio-orc estendeu a mão para Legolas, sorrindo como se suas palavras fossem sinceras.

_ Eu sou Legolas! - sem opção, Legolas aceitou a proposta e entrou no túnel com os outros. Aquele túnel era sua única esperança concreta de escapar da forca e, se surgisse uma oportunidade, ele poderia se livrar daquele meio-orc e se vingar pelo abuso da noite anterior.

O grupo desceu pelo túnel, fechando-o novamente para não levantar suspeitas. Fora da cela, chegaram a um complexo subterrâneo, cheio de túneis escuros e sinistros. Um dos humanos, Rodor Tellason, juntou alguns pedaços de pelos e raízes para improvisar uma tocha. Rodor era um ranger que usava sua influência com os animais para praticar roubos em pequenas vilas. Os animais afugentavam os moradores, enquanto o ranger invadia suas casas e pilhava seus bens.

Os outros integrantes do grupo eram Tinn Algar, o anão caolho perito em bater carteiras e seu comparsa, o guerreiro anão Durunn Werak. O feiticeiro Alberik Firesson, fornecedor de venenos para as guildas locais e o bardo especialista em assaltar os que adormeciam sob efeito de sua música, Dimitri Vallerikski davam apoio mágico ao grupo. Gorosh Klumm, o meio-orc condenado pelo estupro e assassinato de doze pessoas ia à frente liderando. Finalmente, mais atrás estava Legolas Greenleaf, o arqueiro que matar um soldado e salvara tantas outras pessoas com a ajuda de seus amigos e que agora arriscava sua vida na companhia daqueles criminosos temíveis.

março 06, 2006

Capítulo 173 - Mentes confusas

Capítulo 173 Mentes confusas

Legolas se deitou e dormiu. Assustado com o que lhe acontecera, o elfo nem suspeitava das ações de seus amigos, que buscavam algum meio de livrá-lo daquele inferno.

Enquanto Legolas passava por maus bocados na prisão, Yczar, acompanhado de Batloc, Lucano, Squall e Nailo se dirigiam até a casa do capitão Ron Fumir, na esperança de colher alguma informação que pudesse ajudar seu amigo.

O comandante da tropa de Sunil e Elenindow morava numa imponente mansão. Era uma casa de dois andares muito luxuosa, cercada por um jardim paradisíaco onde peixes nadavam em um pequeno lago particular de águas cristalinas. Os jovens atravessaram um caminho de pedras, todas milimetricamente esculpidas com as mesmas dimensões e cores, que cortava o jardim, admirados com a beleza do lugar. Aquela casa devia ter pelo menos um trinta cômodos, pensavam, e para possuir aquele imóvel, o capitão deveria ser um homem muito rico, com uma riqueza compatível ao importante cargo que exercia no exército de Tollon. Yczar bateu na imensa porta de madeira que lacrava o lugar e depois de alguns instantes ouviram a voz do capitão respondendo.

_ Quem está ai? – perguntou o capitão.

_ Sou Yczar capitão, paladino de Khalmyr! Nós nos vimos no tribunal hoje, eu fiz a defesa dos jovens que estavam no banco dos réus! Gostaria de lhe fazer algumas perguntas! Não vamos tomar muito do seu tempo. – respondeu Yczar.

Inicialmente, o capitão não quis atendê-los. Mas, com muito esforço, o paladino conseguiu convencê-lo a receber o seu grupo. Muito arrogante, o oficial respondia às perguntas dos jovens com desdém e de modo extremamente grosseiro. Apesar de seu complexo de superioridade exacerbado, o capitão teve ao menos a gentileza de servir aos aventureiros, bebidas e petiscos enquanto conversavam. Para espanto de todos, o mordomo da mansão se chamava Sam. Um homem velho vestido com trajes para dormir mas ainda assim extremamente elegante, chamado Sam Dilin. Os jovens estranharam a coincidência, já que seu amigo bardo também se chamava Sam e estava sumido desde o início da noite. Entretanto, deveriam existir milhares de “Sams” espalhados pelo mundo, não havia motivos para tanta estranheza.

Batloc nem se importava com a coincidência. O genasi deliciava-se com os petiscos servidos pelo mordomo e com a deliciosa cerveja que recebera. Enquanto isso, seus amigos tentavam a todo custo convencer o capitão a ajudá-los. Queriam que o oficial pedisse ao juiz que adiasse o enforcamento de Legolas. O capitão, entretanto, concordou apenas em pensar no assunto, caso o juiz se mostrasse inseguro quanto à decisão tomada.

Rom Fumir estava contente com a condenação de Legolas. Para ele, o assassino de um de seus soldados favoritos seria finalmente punido, e isso bastava. Exaltou diante de todos a atitude heróica de Elenindow ao salvar o ouro dos bandidos, confirmando a história contada por Sunil. Algumas informações importantes foram reveladas pelo capitão. Elenindow havia lhe contado que descobrira, enquanto limpava o quartel, uma câmara secreta com o ouro roubado. Disse também que suspeitava de Edgar Sólon, um soldado indisciplinado de quem Rom Fumir guardava muito rancor. Segundo o capitão, ele decidiu promover o jovem recruta a tenente pela descoberta, mas Legolas o matou antes que a promoção pudesse ser dada. Mesmo morto, o soldado foi condecorado pelo seu superior. O capitão não conseguiu provar as suspeitas de Elenindow quanto ao envolvimento de Edgar no roubo do ouro, mas Edgar cometeu o erro de roubar as jóias do general Raelf Mellen, e foi preso em flagrante. O general havia deixado suas jóias sob a guarda do capitão que as guardou em seu cofre particular diante da presença do general e de Edgar. Pouco depois, as jóias desapareceram do cofre, e numa revista, foram encontradas na bolsa de Edgar quando ele tentava sair do quartel. Edgar foi preso, as jóias devolvidas ao general, mas o ouro nunca mais foi encontrado.

Os heróis saíram da mansão do capitão ainda mais confusos. Parecia que Elenindow era de fato um herói, enquanto que Legolas, o amigo que conheciam há tempos e com quem tinham vivido diversas aventuras, não passava de um assassino cruel e desleal. As lembranças da chacina cometida por Legolas contra os orcs em Khundrukar, e o roubo do grimório de Isaulas das mãos de Squall, tornavam essa impressão ainda mais forte.

Mas, havia uma pessoa que poderia esclarecer tudo. Uma testemunha chave que não participara do julgamento por ser ainda uma criança. Laura, a neta do curandeiro de Darkwood, a única testemunha da briga entre seu avô e Elenindow. A única que conhecia os motivos que culminaram naquela tragédia. Entretanto, Laura estava em Darkwood, a cindo dias dali. Enquanto que Legolas só tinha mais três dias de vida. Era preciso buscar a menina na vila, mas era preciso impedir o enforcamento do arqueiro também. As duas coisas deveriam ocorrer simultaneamente. Para isso, ficou decidido que Nailo guiaria seu grupo até sua vila para buscar Laura, enquanto que Yczar ficaria para tentar convencer o juiz a adiar a execução. Junto do paladino ficaria Sairf. Sam, que não estava presente, teria que ficar também. Yczar o procuraria depois e tinha certeza que suas habilidades de bardo seriam úteis para convencer o juiz e reunir informações. Se tudo desse errado, o paladino estava disposto a soltar Legolas à força, mesmo desobedecendo à lei. Yczar sabia que havia fatos obscuros sobre aquele caso e tinha a convicção de que Legolas não deveria ser morto enquanto tudo não fosse devidamente esclarecido. Entretanto, se Legolas fosse realmente o assassino que parecia ser, o próprio Yczar o acusaria em nome da justiça, como todo servo de Khalmyr faria. Batloc iria também para Darkwod, reforçando a segurança do grupo durante a viagem. Com tudo decidido, todos retornaram para a estalagem onde as testemunhas estavam hospedadas e foram descansar.

Fale com os heróis

Entre em contato com os jogadores e dê seu recado. É só mandar um email ou adicioná-los no msn e bater um papo com seu personagem favorito:

Squall: luciano_tarrasque@hotmail.com
Anix: dac_thebestofworld@hotmail.com
Nailo: nailo_dd@hotmail.com
Legolas: carloslazaretto@hotmail.com

Se quiser falar com Lucano, deixe um comentário no blog ou entre em contato com o mestre que seu recado será dado.

ps.: os outros personagens são pdms (personagem do mestre) se quiser, entre em contato com o mestre que ele transmite o recado para o devido personagem (e depois psicografa a resposta e manda pra você ^_^).