abril 14, 2006

Capítulo 195 – Rumo ao castelo dos mortos

Capítulo 195 Rumo ao castelo dos mortos

Anix retornou e se reencontrou com Glorin, Lucano e Legolas. Algum tempo depois, Squall e Nailo também se juntaram ao grupo. Todos os moradores foram reunidos na casa de Torkel. Nenhum deles se opôs à idéia de deixar suas casas. Estavam todos assustados, temiam o retorno dos mortos, e tinham certeza que eles voltariam. Já fazia dez dias desde o primeiro ataque quando apenas alguns poucos zumbis surgiram atacando os animais da vila. Logo depois os ataques se tornaram mais freqüentes e mais intensos, os animais desapareceram, pessoas foram raptadas, até culminar no imenso exército de mortos que invadira Carvalho Quebrado na noite passada.

A única pessoa a relutar em deixar sua casa era Velta. Dizia não temer os mortos, pois eles não poderiam lhe fazer nada além de lhe tirar a vida. E como ela já estava bem velha, não tinha mais nada a perder. Legolas foi até a casa da velha feiticeira, tentar convencê-la a ir para a casa de Torkel. A mulher o tratou da mesma forma que a Anix. Sempre com um ar misterioso e desafiador. Disse a Legolas que ele também era o portador da desgraça, encarando-o com seu olho vazio. Da mesma forma que Anix, Legolas se arrepiava só de olhar para aquilo, mas não conseguia desviar seus olhos. Com muito esforço, após uma demorada negociação, ele finalmente a convenceu a partir e a levou para a mansão de Torkel. Lá,o espetáculo sinistro de Velta se repetiu.

_ Eu vejo um futuro sombrio para vocês! Vocês são os portadores da desgraça! Vejo morte em seus caminhos! Mas também vejo glória! – repetia a mulher, insistentemente, para os heróis.

_ Não vê coisa nenhuma! Eu é que vejo! Vejo um fim trágico pra você se não parar com esse charlatanismo! – disse Lucano, com firmeza, desafiando a mulher.

_ Eu olho pra você e só vejo dor! Vejo uma cabeça degolada, sobre uma bandeja! – a velha respondeu à altura ao desafio de Lucano.

_ Eu vejo o despertar da fúria! E também vejo o coração negro pulsando! E aquele que pode matá-los! – prosseguiu a mulher, com um sorriso maquiavélico.

Aquelas palavras deixaram todos assustados. Parecia não se tratar de uma charlatã, mas sim de alguém que podia de fato ver o futuro. As previsões de Enola, que já tinham até se confirmado, quase com as mesmas palavras. Velta sabia de mais. Além disso, aquele seu olho cego parecia possuir poderes estranhos. Os jovens continuaram a conversar com a velha, tentando arrancar dela o maior número de detalhes possível. Entretanto, suas respostas eram sempre evasivas e enigmáticas.

_ E quanto ao nosso capitão? O que você vê sobre ele? – perguntou Anix, para ter certeza de que não se tratava de um complô contra ele e seus amigos.

_ Nele eu vejo....ah! Eu vejo uma grande sombra negra por trás desse homem! Uma sombra poderosa e maligna! – Velta se assustou ao fitar Glorin com seu olho cego. Disse suas palavras misteriosas gaguejando e depois se calou. Novas perguntas não foram respondidas, ela apenas pediu para se recolher e foi para um quarto onde Legolas havia depositado seus estranhos objetos. Torkel e os outros moradores tentaram acalmar os heróis, dizendo que Velta não gozava de plenas faculdades mentais. Ela realmente devia ser louca, mas mesmo assim, algo de sobrenatural e assustador havia naquela mulher.

Sem Velta para incomodar com seus mistérios, os jovens começaram a se preocupar com um plano de defesa. Os soldados lideravam cada um uma pequena equipe de moradores, que cuidavam de tarefas como fazer flechas, reforçar portas e janelas com madeira, tirar possíveis armas de perto da casa de Torkel e cercá-la com palha para criar uma barreira de fogo e impedir a aproximação dos mortos-vivos. Com tudo pronto, os heróis se prepararam para esperar a chegada dos inimigos. Estavam todos de vigia, observando através das janelas da mansão, esperando que os mortos-vivos voltassem para atacar novamente. Mas nada. Nenhum zumbi ou caveira foi visto. Nem mesmo os misteriosos mastins de Thyatis apareceram. Ficaram de vigília a noite toda, revezando com os moradores os turnos de vigia. Uma chuva fina caiu durante toda a noite. Relâmpagos riscavam o céu, iluminando a noite escura e nublada. Mas, felizmente, os mortos não apareceram naquela noite.

A manhã do dia 13 chegou, uma manhã coberta de pesadas nuvens negras. Todos se levantaram cedo, avaliando a situação ao redor da casa de Torkel. Não havia nenhum sinal dos mortos. Todos estavam confusos. Não entendiam porque os mortos-vivos não haviam retornado para atacá-los. Então o capitão Glorin, que até então se mantinha calado e isolado de todos, ordenou a Squall que fizesse uma contagem dos zumbis destruídos por eles. Squall retornou depois de alguns minutos anunciando um número aproximado. Cinqüenta. Cinqüenta zumbis eliminados na noite em que chegaram em Carvalho Quebrado.

_ Matamos 50 deles! Eu calculo que eles eram, no total, aproximadamente uns 100 a 200 mortos-vivos! Isso significa que destruímos de um quarto a até metade deles! Eles não vieram ontem à noite porque estão se recompondo! Quando estiverem novamente com um número mínimo de mortos-vivos, voltarão a atacar! – resmungava Glorin, andando de um lado para outro. – Isso significa uma coisa! Esse é o momento para nós atacarmos, e destruirmos todos eles enquanto estão fracos!

_ Boa idéia capitão! Mas como faremos isso? – perguntou Squall.

_ Bem, você e o Nailo encontraram um castelo, no qual terminavam os rastros dos mortos-vivos! Vamos até esse castelo! Lá nós os destruiremos! – continuou Glorin.

_ Eu sei que castelo é esse! Ele é da época da fundação de Tollon! Um lorde recebeu as terras ao redor dele e o construiu há muito tempo atrás! Parece que todos que moravam nele morreram, mas não sei de que maneira! – exclamou Torkel.

_ Está decidido! Vamos entrar neste castelo! Arrumem seu equipamento, vamos partir imediatamente! – bradou Glorin.

Os heróis começaram a arrumar suas coisas rapidamente. Legolas e Nailo foram conversar com Velta, para pedir a ela algumas poções mágicas para ajudá-los em sua jornada. A misteriosa mulher prometeu ajudá-los com poções, mas desapareceu logo depois que Legolas e Nailo a deixaram. Procuraram pela mulher, mas não a encontraram mais. Como não podiam perder tempo, desistiram de encontrá-la e se aprontaram para partir.

Com tudo finalmente pronto, era a hora de partir para mais uma jornada de aventuras e perigos. Anix deixou Heart, seu familiar, sob os cuidados de Torkel. Nailo pediu ao homem que cuidasse de Relâmpago e Tentacute. Além disso, os cavalos também ficariam sob os cuidados dos moradores. Eles partiriam com apenas 3 cavalos, e os mandariam de volta para a vila assim que chegassem no castelo. Desta forma, os animais não correriam risco de vida ficando próximo ao covil dos mortos-vivos. Num cavalo iriam Glorin e Legolas, no outro Squall, Cloud e Anix. Por fim, Lucano e Nailo viajariam juntos no terceiro animal. Assim, na manhã de 13 de Lunaluz, kalag, o grupo de heróis aventureiros partiu rumo ao norte, em direção ao desconhecido, prontos para enfrentar os perigos que os esperavam no misterioso castelo.

abril 12, 2006

Capítulo 194 – A velha sombria

Capítulo 194 A velha sombria

Legolas e Lucano relataram a Glorin sobre o rapto do menino. As ordens do capitão foram: reunir toda a população da vila na maior e mais resistente casa e reforçar as portas e janelas do local para impedir a entrada dos mortos-vivos. Os dois saíram pelas ruas, chamando todas as pessoas com a ajuda de Norgar, e levaram todos para a casa de Torkel Sundagger, um homem de idade avançada, considerado como um líder local por sua sabedoria e bondade. Torkel vivia numa casa tão grande quanto a estalagem Urso Branco. Era o morador mais antigo da vila, presente ali quase desde a sua fundação. Tinha uma grande e resistente casa, e uma boa quantia em dinheiro também, fruto dos longos anos de trabalho na lavoura, que utilizava agora para se manter na aposentadoria. Torkel recebeu Legolas e os moradores de braços abertos, mostrando-se muito prestativo e gentil.

Enquanto isso, Anix batia na porta de uma pequena casa no fim da vila, já quase dentro da plantação. Era uma casa pequena de formato circular, feita de madeira rústica e mal acabada, telhado de madeira e palha. Após bater, Anix esperou alguns segundos até alguém responder de lá de dentro.

_ Quem ééééééééééé??? – perguntou uma voz aguda e estridente.

_ Sou eu! – respondeu Anix com firmeza

­_ Eu? Não pode ser eu! Eu estou aqui! Como eu posso estar ai fora se eu estou aqui dentro? – continuou a voz.

_ Eu sou Anix senhora! Sou do exército de Tollon! Gostaria de conversar com a senhora! – Anix desfez o mal entendido.

_ Ah sim, Anix, do exército de Tollon! Sabia que não era eu ai fora! Já vou abrir, um momentinho! – respondeu a mulher.

A porta se abriu, revelando uma mulher de idade bastante avançada. Tinha a mesma altura de um anão, embora fosse uma humana. Era corcunda e vestia um vestido de chita esfarrapado. Tinha um grande nariz, meio torto para a esquerda, e seu rosto trazia, além das rugas, várias verrugas purulentas. A mulher se apoiava numa bengala torta de madeira para andar. Não tinha o olho esquerdo e mantinha suas pálpebras sempre fechadas sobre a cavidade ocular vazia. Ela olhou para o mago com o olho que lhe restava e, com um gesto, o convidou a entrar.

Anix deu um passo em direção à porta, e foi surpreendido por uma dezena de gatos magros e sujos que passaram correndo por entre suas pernas. Heart, seu falcão, alçou vôo, fugindo do alcance dos felinos. Refeito do susto, o elfo entrou na choupana e a mulher fechou a porta logo em seguida. Sentaram-se um de frente para o outro. Anix sobre a cama rústica da mulher. Ela, em uma velha cadeira de balanço com uma das pernas já por quebrar. O ambiente era sombrio e assustador. Pendurados pelo teto havia morcegos empalhados, ossos, colares de contas e dentes de animais, ervas estranhas. O cheiro de mofo imperava, soberano.

_ E então, Anix! Sobre o que veio conversar? – Velta sorriu para Anix, exibindo seus dentes podres e amarelados, enquanto acariciava um gato deitado sobre seu colo, a quem ela carinhosamente tratava por Satanás.

_ A senhora viu os mortos-vivos ontem à noite? Pode me dizer alguma coisa sobre eles? – perguntou Anix.

_ Sim, eu os vi! Mas não sei muita coisa sobre eles! A não ser que eles não são mortos-vivos comuns! – respondeu a mulher pausadamente.

_ E eles podem estar sendo controlados por alguém? – continuou o mago.

_ Sim, alguém deve estar controlando-os! Mas eu não sei quem seria! Talvez um vampiro, talvez um lobisomem! – prosseguiu Velta.

­_ Eu vi uma criatura ontem à noite, uivando sobre um telhado! Ele tinha olhos vermelhos e parecia um cão quase tão grande quanto um cavalo! Eu tenho um desenho aqui feito por mim! Não está muito bem feito, mas deve dar uma noção do que eu estou falando! Por favor diga-me se a senhora conhece este animal! – pediu o mago educadamente, desenrolando um pergaminho que trazia consigo.

_ Pode ser um Mastim de Thyatis! Um cão dos infernos, que cospe fogo! Uma criatura muito maligna! Deve tomar muito cuidado com ele, meu jovem! – disse a velha.

_ Diga-me uma coisa senhora! Não tem medo de ficar aqui sozinha? Não tem medo que eles a peguem? – perguntou Anix.

_ Nããão! Por que eu teria? Já sou uma velha, tenho mais de cem anos! O que eles podem me fazer? Me matar? Eu já estou no fim da vida mesmo! – respondeu a mulher com um sorriso.

_ Desculpe-me! – sorriu novamente a mulher, ao se ouvir um som flatulento.

_ A senhora é a curandeira daqui, certo? O que a senhora sabe fazer? – perguntou Anix.

_ Faço alguns remédios com minhas ervas, umas preces, e curo as pessoas! – respondeu Velta.

_ E por que a senhora tem esses gatos? – perguntou o elfo.

_ E por que você tem aquele pássaro? Eu gosto dos gatos, você do seu pássaro, não vejo problema nisso! – respondeu Velta com arrogância.

_ Está certo! Bom, eu acho que não seria prudente a senhora ficar aqui sozinha, isolada da vila! Os mortos podem voltar e fazer-lhe mal! – afirmou Anix.

_ Não se preocupe, eu já vivi bastante, nada do que eles podem fazer me assusta! – Velta parecia muito tranqüila, mesmo com a ameaça dos zumbis.

_ A senhora fica se gabando que já viveu bastante, mas eu sou muito mais velho que a senhora!­ – disse o mago, em tom irônico.

_ Sim, afinal você é um elfo! É mais velho, porém não é mais sábio! Além do mais, será que você viverá tanto quanto eu para os padrões élficos? – retrucou a mulher.

_ Claro que sim! – Anix estufou o peito, orgulhoso da longevidade de sua raça, e respondeu, como se desafiasse a velha.

_ Eu não teria tanta certeza disso! Vejo um futuro sombrio para você! Você atrai a desgraça! Vejo morte em seu caminho! – Velta falava lentamente, como se lamentasse pelo futuro de Anix. Firmou o olhar em sua direção e fechou o olho direito, abrindo as pálpebras esquerdas, onde não havia nada além de um buraco.

Anix olhou para o buraco no olho da mulher e sentiu algo estranho. Foi tomado por uma estranha dor, uma sensação que incomodava. Mesmo assim, não conseguia desviar o olhar, sentia-se atraído por aquilo. Anix não podia parar de olhar para aquela cavidade ocular. Era algo estranho e místico. Anix sentia-se enfeitiçado. Para ele, aquele buraco no rosto da mulher era como se fosse um céu negro, cheio de estrelas brilhantes, girando como uma galáxia. Somente quando a mulher fechou aquele olho bizarro e diabólico é que Anix conseguiu voltar a si. A mulher jogou seu gato, Satanás, em no colo de Anix. O animal olhou para o mago e saiu correndo, apavorado, como que confirmando as afirmações da mulher. Ela continuou.

_ Vejo um futuro de dor e glória para você, e para seus amigos! Mas, bem, chega de conversar! Já é hora de você voltar para seus amigos! Afinal,vocês têm uma missão a cumprir! – disse a mulher, já voltando a sorrir maliciosamente, enquanto conduzia Anix até a porta.

_ Espere ai! De que a senhora está falando? Que missão é essa? E que futuro é esse, o que a senhora viu no meu futuro? Tem a ver com minha descendência dracônica? – perguntava Anix, transtornado.

_ Em breve você descobrirá! Adeus! – Velta acenou para Anix e fechou a porta, deixando-o do lado de fora, confuso.

Anix estava realmente transtornado com as palavras daquela estranha mulher. Temia que ela tivesse razão no que dizia e temia que suas palavras tivessem alguma coisa a ver com as previsões de Enola. Anix estava assustado, mas mesmo assim não se entregou ao medo. Subiu em seu cavalo e retornou para a estalagem. Ao menos numa coisa a mulher tinha razão. Ele tinha uma missão a cumprir. Ele e seus amigos tinham que ajudar as pessoas daquela vila a se defender dos mortos-vivos.

Capítulo 193 – Rapto

Capítulo 193 Rapto

Enquanto isso, na vila de Carvalho Quebrado, Anix e os faziam suas próprias investigações. Legolas tratou de levar o menino resgatado na noite anterior para seus pais, enquanto seus amigos se preparavam.

O arqueiro saiu com o garoto, já mais calmo, e o levou para a casa que ficava atrás da taverna, onde residia a família Morfik. Os pais do menino, Ordin e Teela Morfik, receberam seu filho Sammy emocionados. Agradeceram muito a Legolas por ter resgatado seu adorado filho. Legolas, com ar arrogante, ralhou com os dois, advertindo-os para que tomassem conta melhor do garoto. O casal agradeceu novamente e pediu desculpas ao arqueiro pelo transtorno causado. Legolas deixou a criança sob os cuidados de seus pais, e retornou para a estalagem.

Enquanto isso, na estalagem, Anix e Lucano dedicavam seu tempo a preparar as magias que usariam no dia que começava. Sendo um mago, Anix era obrigado a passar cerca de uma hora todos os dias estudando seu tomo de magias, memorizando os feitiços, para que pudessem ser utilizados quando necessários apenas com a pronúncia de algumas poucas palavras para finalizar a conjuração. Lucano já não necessitava disso. Sendo um clérigo, tudo o que precisava fazer era orar para sua deusa, agradecendo pelas bênçãos concedidas e suplicando que ela lhe concedesse o poder para utilizar as magias escolhidas. Entretanto, Anix se surpreendeu ao ver Lucano terminar suas orações e pegar um livro parecido com seu grimório na mochila. Então ele se deu conta, Lucano também estava estudando as magias arcanas. O clérigo estava se tornando um mago também. Entusiasmado com a idéia de ter mais um companheiro mago, Anix se dispôs a ajudar Lucano em seu aprendizado, e ofereceu-lhe o grimório de Isaulas emprestado para que, assim como ele, Lucano também pudesse ter acesso aos conhecimentos mágicos do elfo morto por Escamas da Noite. Quando terminaram os estudos, os dois foram para a rua, investigar, como Glorin havia ordenado. Além disso, Anix desejava encontrar algum curandeiro que pudesse fornecer cura mágica ao grupo, poupando assim as magias de Lucano. Perguntou a Norgar, o estalajadeiro, que lhe indicou uma casa, no extremo nordeste da vila, onde vivia Velta Limine, a curandeira local.

Ao saírem, os dois deram de cara com Legolas, que voltava da casa dos Morfik. Cumprimentaram-se rapidamente, e estavam prontos a seguirem seus caminhos quando o som de um grito de mulher os interrompeu. Alguém gritava, de forma desesperada não muito longe dali. O som parou a vila. As pessoas, que só agora começavam a sair de suas casas, fugiram apressadas, temendo ser um novo ataque. Os três heróis montaram em seus cavalos e seguiram rapidamente na direção do som.

Chegaram a um casebre, já no limite oeste do vilarejo, com as portas abertas, como se tivesse sido invadido. Os três entraram de armas em punho, preparados para o combate. Vasculharam cada canto da casa, até que chegaram a um quarto, onde uma elfa chorava aflita, enquanto dava socos no peito de um elfo que tentava confortá-la.

_ O que está acontecendo aqui? Por que essa gritaria? – perguntaram os heróis, com os olhos percorrendo rapidamente o cômodo em busca de ameaças.

_ Nosso filho! Levaram nosso filhinho!!! – respondeu o elfo com uma voz melancólica.

_ Quem o levou? Pra onde? – perguntou Anix.

_ Foram os mortos! – respondeu o elfo, soltando o pranto.

_ Ah! Droga! E por que vocês deixaram ele sair? Não sabiam que era perigoso? – gritou Legolas, culpando o casal pela própria desgraça.

_ Mas nós não deixamos! Ele estava bem aqui ontem à noite! Agora pela manhã quando vim ver se estava tudo bem com ele, encontrei a janela arrombada! – justificou o homem, com lamúria.

Os heróis olharam na direção da janela, e viram que ela estava toda quebrada. Os pedaços se espalhavam por cima do colchão de palha da cama, deixando evidente que ela havia sido arrombada de fora para dentro. Anix e Lucano se entreolharam, sensibilizados com a tristeza do casal. Legolas, entretanto, continuava irritado. Parecia que o fato de pertencer ao exército tinha lhe subido à cabeça.

_ Mas que droga! Isso que dá vocês viverem aqui, quase no meio do mato, afastados do centro da vila! – reclamou Legolas – Agora nós é que vamos ter que resgatar esse garoto!

Legolas saiu da casa, irritado, e foi até a estalagem para comunicar ao capitão do rapto do menino. Enquanto isso, Anix e Lucano tentavam obter mais detalhes sobre o caso e confortar a família.

Seus nomes eram Anmil e Lívia Zaian. O garoto raptado, Nolin, era um jovem elfo de apenas doze anos, pequeno e magro. Tinha um cabelo azulado cortado na altura das orelhas, e vestia roupas verdes quando fora visto pela última vez.

Anix partiu para procurar a tal curandeira da vila, deixando o casal sob os cuidados de Lucano. O clérigo procurou dar paz aos corações dos dois, usando toda sua sabedoria e os ensinamentos de sua deusa para tal. Ao descobrirem que Lucano era um representante de Glórien, os dois se ajoelharam, entregues às lágrimas, e imploraram que o sacerdote salvasse a vida de seu pobre menino. Encabulado, Lucano prometeu fazer todo o possível para salvar o menino, e saiu, indo em busca de seu capitão, assim como Legolas.

abril 11, 2006

Capítulo 192 – Na trilha dos mortos

Capítulo 192 Na trilha dos mortos

Enquanto todos dormiam, para repor as energias perdidas naquela exaustiva batalha, o capitão Glorin e Nailo passaram a noite acordados, jogando baralho para passar o tempo e impedir que o sono e o cansaço os abatessem. Por volta das quatro horas da manhã Legolas acordou para trocar o turno de vigia com seu capitão, mas, o anão recusou-se a dormir e permaneceu de vigia até o nascer do sol.

A manhã do dia 13 de Lunaluz começou com nuvens pesadas cobrindo o céu e anunciando a possibilidade de chuva. Os heróis se levantaram assim que o sol surgiu, desceram para a taverna para se alimentar, e se preparar para o dia que começava.

_ Bem rapazes! Agora que já amanheceu eu vou descansar! Vocês cuidarão de tudo enquanto eu durmo! Tentem investigar e descobrir tudo que puderem sobre esses mortos-vivos! E vejam se está tudo bem com os moradores! Acordem-me na hora do almoço! – disse Glorin aos soldados, se espreguiçando.

_ Capitão, eu não vou dormir! Quero investigar também, vou seguir as pegadas dos zumbis! – disse Nailo, já a caminho da porta.

_ Eu sabia que você ia dizer isso! Faça como quiser então! – resmungou Glorin

_ Nailo, eu vou com você! Capitão, eu vou procurar pelo cemitério da cidade! Acho que os mortos devem vir de lá! – disse Squall, juntando seu equipamento e indo atrás do ranger.

_ Está certo, mas tome cuidado! – concluiu o anão entre um bocejo e outro.

Os dois aventureiros saíram da estalagem, deixando seus amigos para trás. Montaram em seus cavalos e rumaram para o norte da vila, seguindo a pista dos zumbis. Abandonaram Carvalho Quebrado, cruzando o pequeno riacho através de uma rústica ponte de madeira em arco. Passaram entre os campos cultivados da vila e seus pomares, até que finalmente penetraram na floresta. Uma mata extremamente fechada composta por pinheiros, de variados tipos e tamanhos, e alguns carvalhos esparsos. Já no início da mata, com o chão ainda coberto de neve, os dois avistaram dois morros altos, cada um de um lado da pequena trilha na qual estavam. No da direita havia uma caverna baixa e escura que Nailo descartou como esconderijo dos zumbis. Subiu no morro da esquerda, sobre o qual havia uma enorme rocha plana. De lá de cima, era possível ver quase todas as casas de Carvalho Quebrado. O orvalho congelado misturado ao musgo sobre a pedra, a transformava num piso traiçoeiro e escorregadio.

Nailo desceu do mirante, e os dois continuaram seguindo o caminho estreito entre as árvores. A trilha seguia para o norte e depois virava para o oeste, subindo uma pequena colina. Após alguns metros, a trilha se dividia em duas, seguindo para a esquerda através de um arco formado entre as árvores, e para a direita, continuando mais estreita e esburacada, como se fosse uma trilha há muito abandonada.

Os dois seguiram pelo caminho da esquerda, e deram de cara com o cemitério local. Vasculharam cada uma das cerca de cinqüenta lápides de pedra que se alinhavam deforma irregular sobre o gramado do solo. Não encontraram ali nenhum sinal de violação, nenhuma cova aberta, nenhum buraco, nada. Retornaram e seguiram desta vez pela estrada velha, onde Nailo conseguiu identificar os rastros da horda de mortos-vivos. Temerosos, os dois resolveram usar os olhos de Cloud para localizar possíveis inimigos que estivessem espreitando naquela mata.

O falcão, familiar de Squall, voou acima das copas das árvores e começou a fazer o reconhecimento do local, relatando tudo o que via mentalmente para seu mestre. Lá do alto, Cloud tinha uma visão perfeita da vila, do cemitério e até da estrada que levava até Follen. Não havia nenhuma criatura próxima que pudesse oferecer perigo aos dois aventureiros. Mas havia algo de estranho. Cloud viu uma casa muito grande, e distante, ao norte dali. Squall ordenou que seu familiar voasse na direção da casa, e assim ele fez. O pássaro voou para o norte, sumindo da vista de Squall, até que os dois perderam o contato mental que possuíam. Squall não sabia onde Cloud estava, nem seu estado. Sabia apenas que ele estava vivo.

Sem hesitar, os dois cavalgaram rápido pela trilha, que se estreitava cada ver mais, sendo coberta pela vegetação rasteira e pelas árvores, formando um túnel verde e muito escuro. Cavalgaram em passo acelerado naquele solo acidentado por quase meia hora, até que finalmente Squall conseguiu fazer contato com seu amigo novamente. Os dois já tinham se afastado quase dois quilômetros de Carvalho Quebrado. Cloud informava Squall sobre o que via. Uma casa muito grande com torres, feira de pedras e cercada por muros muito altos. Um castelo. Um castelo isolado de tudo, no meio da floresta. Poderia estar abandonado, mas uma ovelha solitária que pastava ao redor da construção, foi vista por Cloud, revelando que deveria haver alguém morando ali. Talvez o criador dos mortos-vivos. Talvez mais uma vítima deles.

Nailo e Squall continuaram seu caminho por mais meia hora, até que finalmente avistaram o tal castelo. Era uma construção pequena, se comparada aos palácios das grandes cidades, onde habitavam os reis de Arton, mas mesmo assim era um castelo grande e majestoso. Ficava numa depressão cercada por árvores muito altas, que deixavam o ambiente escuro e úmido. Era cercado por muralhas de doze metros de altura, com uma torre em cada canto nas quais podia se ver várias seteiras. Uma outra torre sem janelas, ainda mais alta que as outras, se elevava a partir do prédio principal do castelo. Um campo gramado separava a construção da floresta. A relva alta, e o mórbido silêncio que imperava no lugar, davam a impressão de que o lugar estivesse abandonado. Mas a ovelha vista por Cloud, momentos antes, bem como os rastros deixados pelos zumbis, que terminavam diante da porta do castelo, não deixavam dúvidas. Alguém vivia ali dentro.

Squall desceu do cavalo, e caminhou vagarosamente até o castelo, chamando Cloud que pousou suavemente em seu ombro. Enquanto isso, Nailo aguardava a distância, com seu arco preparado para protegê-lo de qualquer ameaça. O feiticeiro parou diante do imenso portão de madeira, tentando olhar através de alguma fresta para ver o que estava atrás dele. Não conseguiu. Resolveu então usar sua magia para tentar localizar os mortos-vivos. Squall se concentrou e, com a mão estendida, começou a analisar a construção. Não sentiu nenhuma aura mágica, nada que pudesse revelar a presença dos zumbis ou outro tipo de perigos. Retornou então para a borda da mata, onde Nailo o aguardava.

Então, os dois foram surpreendidos enquanto conversavam. Ouviram passos ao lado deles, tão próximos, que seria impossível se esquivar de um ataque da criatura. Quando se viraram, viram uma pequena ovelha que caminhava na direção dos dois aventureiros.

Refeitos do susto, os dois voltaram sua atenção para a ovelha. Nailo já estava se aproximando do singelo animal, quando algo de muito estranho aconteceu. O maxilar inferior, e uma das orelhas da ovelha caíram no chão. Estava podre. Era uma ovelha morta-viva. Nailo e Squall ficaram horrorizados com a cena. O ranger disparou uma flecha no animal. Mesmo ferida, a ovelha continuava avançando na sua direção. Ele então atacou novamente. Uma, duas, três vezes, até que a ovelha finalmente caiu no chão, com o corpo todo perfurado. Mesmo assim, após tantos ataques, que lhe arrancaram uma perna e um dos olhos, o animal putrefato continuava rastejando na direção dos dois, como se quisesse comê-los.

Assustados, os dois começaram a chutar e golpear o animal com suas espadas, até que ele finalmente se calou. Nailo retirou e enterrou as flechas no solo, para não levantar suspeitas. Os dois montaram e partiram de volta para a vila. Antes de saírem, Squall deu um grito em direção ao castelo, para ver se alguma criatura sairia de lá. Ao invés disso, a voz do feiticeiro apenas chamou a atenção de mais ovelhas mortas vivas, que passaram a persegui-lo e a Nailo. Os dois esporearam os cavalos e partiram em disparada, rumo a Carvalho Quebrado, para contar aos seus amigos a sua estranha descoberta.

Capítulo 191 – A noite dos mortos-vivos

Capítulo 191 A noite dos mortos-vivos

A porta foi fechada, deixando a multidão de mortos do lado de fora da estalagem. A ação de resgate executada pelos heróis, foi suficiente para chamar a atenção de todo o bando de zumbis para a estalagem. Em pouco tempo, um exército de criaturas das trevas estava diante da taverna, tentando invadi-la a socos e pontapés.

_ Vamos lá rapazes! Bloqueiem as portas e janelas com as mesas e cadeiras! Depois disso vamos todos para o segundo andar! Lá é mais seguro! – gritou Glorin, exaltado.

_ Capitão! E o garoto, o que eu faço com ele? – perguntou Anix.

_ Deixe-o com a família de Norgar! Agora vamos depressa para cima! – respondeu o anão, já galgando os degraus da escada, rumo ao segundo andar.

Squall, Lucano e Anix o acompanharam, mas Legolas e Nailo não.

_ Capitão, eu vou tentar acalmar os cavalos!!! – gritou Legolas, que andava de um lado para outro com Rassufel, tentando tranqüilizar o animal. Todos os cavalos estavam agitados com toda aquela barulheira produzida pelos mortos. Seus gemidos agonizantes, o rastejar de seus pés putrefatos, as batidas secas dos pés e das mãos dos esqueletos na varanda e nas paredes da estalagem, tudo se juntava para criar um clima de pavor nos animais e nos heróis.

_ Eu também não vou subir! É melhor ficar aqui para combatê-los, caso eles consigam entrar! Ficar lá em cima é perda de tempo! – retrucou Nailo, ignorando as ordens do capitão.

_ Façam como quiserem então! – respondeu Glorin. O anão tinha uma expressão séria. Sua voz era rouca e baixa, e demonstrava toda a insatisfação de Glorin com a insubordinação dos dois elfos. O anão se virou e subiu a escada, decidido a deixá-los para trás.

_ Depressa, vamos para as janelas! Vamos atacá-los daqui de cima! Squall, use suas magias para atingi-los daqui de cima! Anix, deixe o garoto com Norgar e venha ajudar com suas magias também! Lucano, se você não souber usar magias, use suas flechas para detê-los! Temos que mantê-los afastados da estalagem até o sol nascer! – gritava Glorin, avançando pelo corredor da estalagem.

_ Capitão! Quanto falta pra isso? Pro sol nascer? – perguntou Squall, entrando num quarto ao lado do quarto em que Glorin entrara. Lucano já corria para o fundo do corredor, posicionando-se diante de uma janela que dava para um telhado anexo logo abaixo dela.

_ Faltam ainda umas dez horas! Que os deuses nos ajudem! – respondeu o capitão, já a postos na janela.

Lá fora, uma horda gigantesca de cadáveres animados ocupava a rua principal da vila e se aglomerava em frente à estalagem. O cheiro de carne podre preenchia o ar, chegando às narinas dos que estavam no andar de cima. Os mortos se atiravam com violência contra as portas e janelas da estalagem, e até mesmo contra as paredes. Seus gemidos e gritos de agonia aterrorizavam a todos, deixando evidente o sofrimento que devia ser estar morto e vivo ao mesmo tempo.

Da janela, Glorin disparava virotes com uma pesada besta de madeira, alvejando os zumbis e derrubando-os, um pó um. No quarto ao lado, Squall lançava suas bolas de fogo, incinerando os cadáveres que caminhavam, criando clareiras no meio da multidão que eram rapidamente preenchidas por novos inimigos. Para cada criatura vencida, duas novas surgiam para tomar seu lugar. Era uma batalha injusta. Lucano estava vigiando a janela do corredor. Com suas flechas, o clérigo impedia que os poucos zumbis que davam a volta na casa conseguissem escalar o barracão abaixo dele e chegar até a janela do segundo andar.

Anix chegou para ajudar seus companheiros, após deixar o garoto resgatado em segurança na companhia do estalajadeiro e sua família. O mago entrou num dos quartos que davam para a frente do estabelecimento, indo até a janela e pôs-se a conjurar uma magia. Squall arregalou os olhos, assustado, pois já conhecia aquelas palavras e seus efeitos. Então, chamas brotaram magicamente do chão, sob os pés dos mortos-vivos, formando uma linha com quase cinqüenta metros de comprimento, diante da taverna. As chamas se ergueram com violência, atingindo os seis metros de altura, e consumindo os mortos-vivos em seu caminho com sua fúria.

A enorme muralha de fogo destruiu muitos inimigos e retardou os que restaram. Os mortos eram obrigados agora a dar a volta por trás da barreira para poder chegar até a estalagem. Squall e Glorin continuaram atacando sem piedade, os que estavam mais próximos, enquanto Anix mantinha os demais afastados com sua magia. Durante algum tempo a situação se manteve tranqüila, até o momento em que os heróis ouviram o barulho das janelas no andar de baixo sendo quebradas.

_ Squall, continue atacando! Anix mantenha essa magia enquanto puder! Eu vou lá pra baixo! – Glorin, atraído pelo som de vidros sendo estilhaçados, deixou as ordens para seus subordinados e correu para baixo.

O anão se espremeu na escada, passando ao lado dos cavalos que subiam apavorados. Pegou seu machado de guerra e correu até uma das janelas, por onde os mortos-vivos se espremiam para tentar entrar na taverna.

_ Não fiquem ai parados! Ataquem! – gritou Glorin, enquanto a lâmina de seu machado arrancava pedaços dos mortos, formando uma pilha de carne podre sob a janela.

Legolas sacou seu arco e começou a disparar na direção das outras janelas arrombadas. Nailo atacava com sua espada, cortando os cadáveres que penetravam pela janela.

_ Minhas magias estão acabando!!! – gritou Squall.

_ Estou quase sem flechas!!! – gritou Lucano.

_ Capitão! Não vou conseguir manter a magia por muito mais tempo! – gritou Anix.

A situação se complicava. As magias e flechas já se esgotavam, mas os mortos-vivos não paravam de avançar. Lucano enfrentava problemas tentando defender a janela que ocupava. Como a frente da estalagem estava bloqueada pela muralha de chamas de Anix, os zumbis que dava a volta encontravam o telhado de um pequeno depósito de ferramentas, e tentavam subir por ele para chegar até onde o clérigo estava. Suas flechas e suas magias já não eram capazes de dar conta de tantos inimigos.

Para auxiliá-los, Nailo pegou todo o óleo que tinha e começou a encher os frascos vazios de poções que possuía. Fechou os vidros com pedaços de pano e chamou por Squall, enquanto Legolas lhe dava cobertura. O feiticeiro desceu correndo, pegou os frascos e subiu de volta para continuar os ataques. Squall jogou sua aljava para Lucano e começou a acender os panos dos frascos que trazia consigo. Todos acesos, o feiticeiro passou então a arremessá-los sobre os mortos-vivos que andavam na rua. Com um arremesso, Squall conseguiu repelir os mortos que subiam no telhado protegido por Lucano. A palha presente sobre a pequena cobertura de madeira se incendiou, afugentando os mortos por um tempo.

Anix se esforçava para manter a concentração e continuar alimentando as chamas de sua muralha com sua energia. Mas o som dos gemidos e gritos dos mortos, bem como os uivos aterrorizantes dos vultos negros que corriam pela cidade, impediam-no de se concentrar totalmente.

Lá embaixo, Glorin, Nailo e Legolas travavam uma feroz batalha, para impedir que os zumbis invadissem a casa. Pedaços de carne podre voavam por todos os lados, espalhando o odor dos mortos pelo ar. Mas, por mais bizarra que a situação já fosse, algo de muito estranho aconteceu. Uma mulher morta-viva tentou entrar na estalagem por uma janela. Com sua espada, Nailo cortou-lhe ao meio. A parte de cima do cadáver caiu dentro da estalagem, e continuava a se mexer. Pelas experiências anteriores com mortos-vivos, Nailo sabia que aquele ferimento era suficiente grande para eliminar um zumbi daquele porte. Mas, a mulher continuava a se mexer, rastejando na direção de Nailo, gemendo e suspirando, como se desejasse comê-lo. Nailo a destruiu completamente com golpes de espada e, enquanto continuava a lutar, olhou para Glorin.

O anão lutava bravamente com seu machado, golpeando simultaneamente os invasores em duas janelas paralelas. Pilhas de pedaços de cadáveres se formaram embaixo das janelas defendidas pelo guerreiro. Mas, mesmo aos pedaços, os monstros continuavam avançando. Cabeças decepadas continuavam com seus murmúrios tenebrosos, enquanto que as mãos cortadas dos zumbis rastejavam pelo chão em busca de um alvo para agarrar.

Algumas dessas mãos agarraram as pernas de Glorin, derrubando-o no chão. Nailo correu para ajudar o capitão, arrancando de suas pernas as mãos que estavam parcialmente congeladas.

Mesmo caído, Glorin continuava a atacar, demonstrando todo o seu poder. Deitado no chão, enquanto Nailo corria para ajudá-lo, Glorin fechou os olhos por um instante e se concentrou. Apontou a mão para a janela, onde uma verdadeira parede de carne se formava e soltou um grito furioso. Um raio branco saiu de sua mão, atingindo os mortos e congelando-os imediatamente. Glorin repetiu o ataque outras duas vezes, ganhando tempo até ele se levantar novamente.

_ Nailo, me ajude aqui! – ordenou o capitão.

Os dois soldados começaram a atacar na mesma janela, abrindo um espaço vazio no meio dos mortos-vivos. Glorin então colocou seu corpo pra fora, enquanto Nailo lhe dava cobertura, e, com um novo grito, fez com que uma violenta rajada de vento partisse de suas mãos e arrastasse os zumbis para longe da janela. Alguns deles atravessaram a muralha de fogo, sendo imediatamente carbonizados. Legolas ficou admirado com o poder de seu comandante, e se sentiu inspirado para lutar com mais afinco, como se estivesse sob os efeitos mágicos da música de seu amigo Sam Rael.

Mesmo assim, os mortos continuavam a avançar, e os heróis já demonstravam sinais de cansaço. Parecia apenas questão de tempo até que aqueles monstros invadissem a estalagem e os devorassem um a um. Então, eles ouviram um uivo. O uivo de um animal das trevas, um uivo ainda mais tenebroso e assustador do que os que eles já haviam ouvido antes.

Lucano olhou pela janela, e viu um vulto negro de uma besta quadrúpede correndo velozmente entre as casas. Anix e Squall olharam pelas janelas e viram também alguns vultos semelhantes. Então, os dois olharam para o norte, na direção do pequeno riacho que cortava a vila. Sobre o telhado de uma das casas distantes dali estava uma enorme fera. Era um monstro de quatro patas, quase tão grande quanto um cavalo, uivando como um lobo do alto do telhado da casa. A luz da lua tornava a cena ainda mais assustadora, mas não iluminava o suficiente para que pudessem ver os detalhes daquele monstro. O uivo da criatura ecoava por toda a vila, chamando a atenção de todos, inclusive dos zumbis. O exército de mortos-vivos interrompeu seu ataque e voltou sua atenção para a fera. Um a um, os zumbis começaram a se afastar e a seguir na direção da criatura. Squall e Anix a viram saltar do telhado e correr para além dos limites da cidade, seguida pelo exército de mortos-vivos e pelos outros animais que os acompanhavam. Os olhos vermelhos como fogo, bem como aquela pelagem escura, jamais sairiam das mentes dos dois irmãos. Os heróis suspiraram com alívio, agradecendo aos deuses por aquele fato, ainda que não entendessem o que acontecera ali.

_ Capitão, eu vou segui-los! – disse Nailo, aos berros, enquanto abria a porta da estalagem.

_ Não faça isso garoto! É perigoso, não vá se arriscar! – retrucou Glorin.

_ Estou indo! – Nailo ignorou novamente o capitão e saiu da taverna, falando de maneira desafiadora.

Glorin suspirou e balançou a cabeça negativamente. Quando viu que Nailo havia de fato saído, ignorando suas ordens novamente, se levantou.

_ Vamos lá Legolas, me ajude! Squall, Anix, Lucano! Desçam aqui! Temos que trancar as portas novamente! Vamos fechar tudo o mais rápido possível! Esqueçam do Nailo! Temos que garantir a segurança dos que estão na casa! – ordenou o capitão com pesar.

_ Sim capitão! Norgar, precisamos de madeira, pregos e martelos! – gritou Legolas.

_ No barracão de ferramentas, ao lado da casa! – respondeu com um grito o dono da estalagem.

Legolas e Anix correram para fora e foram até o barracão indicado. O teto do lugar ardia em chamas, devido ao óleo atirado por Squall para impedir a subida dos zumbis. Lucano abafava as chamas com um saco de pano, enquanto Legolas e Anix pegavam o material para lacrar a casa. Os dois correram para dentro e junto com os outros começaram a trabalhar, pregando tábuas nas janelas para impedir que fossem invadidas. Nailo chegou minutos depois, quando restava somente a porta a ser lacrada. O ranger retornou após ver para qual direção os mortos caminhavam.

_ Capitão! Eu vou pegar palha e colocar em volta da casa, para fazer uma barreira de fogo quando os mortos retornarem! – gritou Nailo ao entrar.

_ Está louco rapaz? Quer nos matar queimados e sufocados? – bradou Glorin.

_ Não capitão! Vou deixar o fogo longe da casa, apenas para afastas os mortos. Se eles voltarem, a gente acende a palha com flechas incendiárias! – explicou Nailo.

_ Está certo, faça como desejar então! – Glorin respondeu com descaso, dando de ombros e virando as costas para o ranger.

Nailo correu até a entrada da cidade, onde havia montes de feno e palha armazenados. Carregou os fardos com seus companheiros e criou uma barricada ao redor da estalagem. Todos entraram e fecharam a porta novamente, bloqueando-a com tábuas e mesas.

_ Bom pessoal! Vai ser uma longa noite! Não sabemos se e quando eles voltarão, mas temos que ficar atentos! Eu ficarei de guarda durante a noite! Enquanto isso vocês aproveitem para descansar! E fiquem preparados! Se acontecer alguma coisa, eu os chamarei! – disse glorin, com ar de cansado, recostando-se numa cadeira.

_ Eu também não vou dormir capitão! Vou ficar acordado! – anunciou Nailo.

_ Hunf! Vai ser uma longa noite! – pensou Glorin, contrariado.