agosto 08, 2008

Bastidores: A missão de Squall e fim de uma era

Bem, na próxima sessão finalmente veremos a missão solo de Squall. Cada jogador está preparando a ficha de seu soldado (4º nível) que será subordinado ao sargento (11º nível) para participar dessa aventura.
Squall irá encontrar algo inesperado no meio da floresta e, tenho certeza, tomará um belo susto com o que vai ver.
Também saberemos o que vai acontecer com Legolas e seus soldados, uma boa surpresa também está preparada para o arqueiro.
Bem, depois dessa saga daremos um pulo no tempo. Os cerca de seis meses que restam para os heróis ficarem dentro do forte passaram instantaneamente para os jogadores e após a missão do Squall nós já pularemos para o dia da partida deles. Haverá um evento um pouco antes da saída do forte que eu acho que eles vão gostar muito e que pode gerar outros eventos semelhantes em cadeia. Nada demais, só uma certa profecia (feita tempos atrás, quando um punhado de flores saiu voando) que irá se concretizar.
Na saída do forte teremos o reaparecimento de Sam Rael (\o/) e uma boa dose de surpresas nesse tão aguardado reencontro. E, após isso, a fase de ouro vai finalmente se encerrar. Dai pra frente não vai mais ter essas aventurinhas lights como as que aconteceram no forte. O clima vai voltar a ficar pesado como na Forja da Fúria ou em Ortenko e os personagens irão arriscar as vidas pra valer, como nunca fizeram antes. Desse ponto em diante, o risco de morrer será algo muito próximo e se os jogadores bobearem pode ser que algum dos personagens até chegue a morrer de verdade. Nada que uma boa magia de ressurreição não resolva, mas ainda sim algo desagradável. E se isso vier a acontecer, tenho certeza que eles irão escolher ressuscitar a criar outro personagem, tamanho será a importância desses 5 elfos e seu novo amigo humano.

Que os deuses de Arton olhem por eles....

Capítulo 314 – E, novamente, de volta ao forte

Em Darkwod, Nailo foi procurar por Laura, a neta do antigo curandeiro da vila. A jovem elfa atendeu à porta e sorriu ao ver o herói. Nailo tirou de sua mochila a varinha mágica que a menina tinha dado ao grupo meses atrás, quando partiam para desbravar as minas de Durgedin.

_ Tome, Laura! Esta é a varinha que você nos deu no dia em que nós partimos para resgatar a Liodriel. Estou devolvendo-a para você. Ela nos foi muito útil e, em nome de todos, eu agradeço pela ajuda. Mas, agora não é mais necessário que fiquemos com ela, portanto, estou devolvendo- a você para que seja usada pelo bem do nosso povo. – disse Nailo.

_ Fico feliz que ela tenha sido útil. Vou guardá-la com cuidado. E se um dia precisarem dela novamente, ela estará esperando por vocês. – respondeu a menina.

_ Não se preocupe conosco. Quero que você cuide da vila. Falando nisso, como você está indo? Já aprendeu a fazer poções?

_ Estou aprendendo. Sua mãe está me ajudando muito. Espero um dia conseguir ser tão habilidosa quanto ela e me avô.

_ Tenho certeza que você conseguirá. Bem, eu já vou indo. E, quando voltar aqui, quero ver essas prateleiras cheias de poções. Adeus! – despediu-se Nailo.

_ Até a volta! – Laura deu um carinhoso beijo no rosto do ranger e se despediu.

Nailo foi então para sua casa, onde uma tarefa exótica o aguardava. Passou algumas horas instalando o tal vaso sanitário que comprara em Vectora. Depois do trabalho, subiu na torre de vigia no alto da casa junto com a noiva e o amigo lobo. Lá ele passou a tarde descansando e quando o dia findava falou à sua amada.

_ Darin, quero lhe dar um presente. Na verdade, dois presentes – Nailo pegou a mochila e de dentro dela retirou o rubi que encontrara na caverna dos trolls e a harpa que recebera na divisão dos tesouros. – Tome, este rubi é para você. Se precisar de dinheiro enquanto eu estiver fora, venda-o. Mas acho que ele será mais útil ficando com você, deixando-a ainda mais bela. O outro presente é esta harpa. Quando eu voltar do exército, quero ouvi-la tocar uma bela melodia para mim. Bem, agora tenho que ir embora. O sol já está se pondo e preciso voltar para o forte. – Nailo beijo Darin com paixão.

_ Vou sonhar com você todas as noites, Nailo. Até a volta! – disse a elfa.

_ Até! – e Nailo partiu.

O grupo se reuniu em frente às casas de Legolas e Nailo. Enquanto os dois elfos nativos de Darkwood tinham passado o dia com suas amadas, Seelan, Orion, Lucano e Squall tinham estado com Nevan, relembrando as aventuras dentro da Forja da Fúria. O sol já desaparecera por trás das árvores negras quando Seelan finalmente desenrolou o papiro que os levaria embora. E, novamente num piscar de olhos, os heróis deixaram Darkwood e retornaram ao forte Rodick.

_ Bem, estamos de volta finalmente. Espero que tenham aproveitado bem esses dias. Agora, vamos todos voltar ao trabalho – disse Seelan, despedindo-se dos aventureiros e caminhando na direção do alojamento do general. Então, subitamente, parou e se voltou para Orion. – Espere. Você não é daqui. Como pude ser tão distraído.

_ É, eu ia comentar isso, mas nem tive tempo e... – começou Orion, mas foi interrompido.

_ Bom, já que está aqui, não gostaria de se juntar a nós? Você é bem forte e habilidoso, além de charmoso, claro. E nós precisamos de gente assim aqui. O que me diz? – perguntou Seelan, apalpando os braços do guerreiro.

_ Era justamente isso que eu ia dizer, Seelan. Eu preciso ficar junto com eles de qualquer forma, então eu poderia ficar aqui e ajudar vocês pelo tempo que eles ficarem – disse Orion.

_ Está certo, então. Vamos falar com o general – concluiu o elfo.

Seelan e Orion partiram e foram procurar o general Wally. Squall, sem se importar com o que acontecia, foi procurar por Glorin. Pouco depois, Lucano também foi atrás do anão. Legolas levou seu cavalo até o estábulo e foi o terceiro a ir para o alojamento do capitão. Anix foi diretamente para o laboratório para dar continuidade aos seus estudos arcanos e Nailo foi procurar por Kuran.

Na sala do general, ficou decidido que Orion seria o soldado de número 527 do forte Rodick. Ficaria lá até o dia em que seus amigos elfos partissem. Orion seria integrado ao pelotão de Squall, com quem aprenderia toda a rotina e disciplina do forte.

Após deixar o estábulo, Legolas encontro o major Jonathan Wilkes, líder do grupo de Glorin e Seelan.

_ Senhor! – Legolas bateu continência ao ver o superior.

_ Ah, sim...descansar, sargento! – Jonathan parecia pouco à vontade com a disciplina militar. – Já retornaram? Isso é bom. Como foi a viagem?

_ Tudo correu bem, senhor! – respondeu Legolas.

_ Aonde vai agora, Legolas? – perguntou o major.

_ Procurar o capitão Glorin e me reportar a ele! – disse o sargento.

_ É, suspeitei disso. Bom, esqueça essa idéia. Glorin não está no forte. Ele deixou esta carta para você, tome!

Legolas pegou a carta das mãos do major que já se despedia e rumava para os alojamentos. Surpreendeu-se ao ler o seu conteúdo:

“Legolas,

Reúna seus homens, prepare-os e venham imediatamente para Cold Valley.

Estou aguardando.

Glorin Coldhand”

Sem hesitar, Legolas foi procurar imediatamente por seus soldados. Reuniu o pelotão e mandou todos prepararem cavalos, equipamento de viagem e roupas de frio. Em trinta minutos todos estavam prontos para partir. Legolas deixou o forte ainda naquela noite, sem nem se despedir dos amigos, apenas informando aos vigias na entrada do forte que estava saindo em missão sob ordens do capitão Glorin.

Enquanto isso, Kuran conduzia Nailo até o pequeno bosque que ele cultivava dentro do forte.

_ Olhe Nailo. Aquele pedaço de cogumelo que você me pediu para plantar já estava muito velho. Além do mais só se passaram alguns dias desde então. Por isso não consegui grandes resultados ao plantá-lo – falava o capitão enquanto caminhavam entre as árvores. Pararam no fundo do bosque, onde Kuran mostrou um grande canteiro, de cogumelos gigantescos que se erguiam do solo altos como um homem. Nailo ficou perplexo, bastara um único pedaço do cogumelo que servira de bálsamo para Elesin quando ainda estavam em Ortenko, para que Kuran criasse praticamente uma floresta em apenas três ou quatro dias.

Ainda espantado, o ranger foi procurar o general para relatar suas ações durante a viagem e tentar reconquistar seu antigo posto de sargento. Mas, como uma promoção dependia apenas da indicação de Seelan, Nailo foi procurá-lo.

Ao mesmo tempo em que Nailo se surpreendia com os cogumelos, Squall e Lucano batiam à porta de Glorin. Lucano, assim como Legolas, pretendia se reportar ao capitão. Já Squall, só pensava em pegar o prêmio que apostara quando lutara com o anão: o broche mágico.

_ Glorin não está ai! Ele não está mais no forte! Saiu em missão! – gritou uma voz no corredor. Era Jonathan Wilkes. – Agora vocês devem se reportar diretamente a mim. Falando nisso, tenho uma missão para você, Squall. Reúna seus soldados amanhã bem cedo e procure por mim! Ah, Squall! Glorin deixou isso para você! – o major entregou um envelope para o feiticeiro e se retirou. Lucano também saiu, indo para seu alojamento.

Squall abriu o envelope. Dentro dele encontrou o broche mágico de Glorin (que protegia contra disparos mágicos de energia) e uma carta. Sua consciência pesou e ele começou a se arrepender de seus atos recentes ao ler as palavras do anão:

“ Squall,

Com isso a aposta está paga. Você me abriu os olhos. Adeus e até a volta!

Glorin Coldhand”

Com um pressentimento maligno rondando seus pensamentos, Squall foi dormir.

Na manhã seguinte, o 30º dia do mês de Áurea e penúltimo dia do ano de 1397, todos os soldados reuniram-se no pátio para os exercícios como era de costume. Seelan apareceu durante os treinamentos, trazendo o novo soldado com ele.

_ Bom dia soldados. Quero que conheçam esse rapaz simpático. Seu nome é Orion e ele irá fazer companhia a todos vocês aqui no forte. Ele é o mais novo soldado de forte Rodick. Squall, ele fará parte de seu pelotão. Quero que você ensine a ele todas as regras e rotinas do forte e quero que o trate muito bem. Trate-o tão bem quanto eu trataria – Seelan sorriu ao terminar de falar e todos os soldados contiveram o riso. Parecia que Seelan tinha arranjado mais uma vítima para suas brincadeiras. Enquanto todos prestavam atenção às palavras do capitão e cumprimentavam o novo companheiro, Squall se aproximou de Seelan.

_ Capitão, aproveitando que o senhor está aqui e de bom humor, eu queria perguntar uma coisa. O senhor viu minha transformação? Queria saber sua opinião! – disse o feiticeiro.

_ Não, que transformação? Por acaso você mudou de sexo?

_ Não, seu tonto. Observe! – e Squall chamou Cloud, pegou uma pena de sua asa e após um longo momento de concentração, os dois novamente se fundiram num só. Todos ficaram admirados com a magia. Nailo e Anix imediatamente exigiram que Squall lhes ensinasse aquele truque. Squall dissipou a magia e retornou à forma original. Em meio ao burburinho provocado pelo elfo, uma voz se elevou atrás de Seelan.

_ Squall, reúna seus soldados e me acompanhe imediatamente. – era o major Jonathan. Squall e seus homens o seguiram até a sala do general.

_ Bem, Squall – disse o major. – Recebemos algumas queixas de que há um bando de assaltantes atacando viajantes perto de Rutorn e Forte Novo. Sua missão será investigar o que está acontecendo por lá e dar um fim a esses crimes. Leve seus soldados com você, exceto Orion. Ele ficará aqui para se acostumar ao forte e à rotina militar. Eu mesmo lhe ensinarei a disciplina do forte. Vocês deverão levar uma carroça e irão disfarçados de comerciantes. Conversem com os moradores de Rutorn ou Forte Novo para reunirem pistas e encontrarem os criminosos. Partam assim que estiverem prontos. Dispensados!

E ao ouvir essas palavras, Squall e seus homens foram se preparar. Uma nova aventura iria começar, desta vez tendo Squall como comandante. E novamente, grandes surpresas aguardavam pelos aventureiros.

agosto 06, 2008

Capítulo 313 – A segunda chance de Anix

Muito bem, amiguinhos. Aproveitem bem esse dia pois hoje, assim que o sol se pôr, nós voltaremos para o forte. – disse Seelan, assim que o grupo apareceu em Darkwood. Rapidamente Legolas e Nailo agarraram suas mulheres e foram para suas casas desfrutar as últimas horas que passariam juntos. Squall e Lucano foram visitar Nevan. Orion, meio deslocado do grupo, ficou para trás, junto com Seelan. Anix, Silfo e Enola também permaneceram ao lado do capitão.

_ Quanto a você, caro Anix, gostaria de levar sua namoradinha de volta para casa e passar o resto dia lá com ela? – perguntou Seelan.

_ Sim, claro! – respondeu Anix.

Seelan os transportou para o bosque onde a ninfa e o sátiro habitavam. Silfo, percebendo que sua protegida precisava ficar a sós com o elfo, saiu para pescar. Antes de se despedir, Seelan entregou a Anix um pergaminho mágico.

_ Fique com isso, Anix. É um pergaminho de teletransporte. Assim que a noite chegar, quero que você se teleporte direto para o forte Rodick. Combinado? – disse Seelan.

_ Combinado, Seelan – respondeu Anix. – Obrigado!

_ Espero que você não apronte de novo com isso. Estou confiando em você. Aproveite bem o dia e até a noite! – e dizendo essas palavras, Seelan desapareceu magicamente.

Anix envolveu Enola num afago e a beijou. Os dois passaram o dia juntos na palha, estavam em êxtase. Eram momentos maravilhosos que Anix desejava que nunca terminassem, assim como Enola. Quando então o crepúsculo se aproximava, Anix começou a se preparar para partir. Enola entristeceu.

_ Bem, Enola, a hora de eu partir se aproxima. Porém, antes de deixá-la, eu quero lhe dar algo. – Anix estava sério. Retirou de sua mochila um pequeno baú de madeira trabalhada, decorado com adornos dourados e o entregou à ninfa. – Tome, é para você.

Emocionada e curiosa, Enola abriu o baú e viu lá dentro o bracelete de ouro, prata e rubi que era a herança de família dada pela mãe de Anix. Os olhos da ninfa brilharam como o sol e uma chama se acendeu dentro dela. Estava maravilhada. Imediatamente, Enola tomou a jóia nas mãos e a colocou no braço esquerdo. Ficou ainda mais bela.

_ Anix, é lindo! Obrigada! Obrigada! – Enola não tirava os olhos da jóia, torcia o braço delicadamente de um lado para outro, fazendo poses para admirar o presente.

_ Que bom que gostou. Agora me devolva isso! – disse Anix, ainda sério.

_ Devolver? Por que? – Enola recuou, levando a mão direita ao bracelete. Estava espantada.

_ Porque isso só será seu definitivamente no dia em que você estiver preparada para se casar comigo! – as palavras do mago eram como um soco.

Enola emudeceu por um instante, depois se aproximou do elfo sedutoramente e sussurrou em seu ouvido:

_ Então é isso? Pois tenho algo a lhe dizer... – uma pausa. O coração de Anix pareceu parar aguardando o desfecho. – eu aceito me casar com você, senhor Anix Remo! Eu serei sua esposa! Já pode deixar o bracelete comigo, pois eu estou pronta para me casar. Conversei com sua mãe e ela me ensinou muitas coisas. Parta em paz para o seu forte e cumpra sua promessa lá. E, quando você retornar, então nós nos casaremos!

_ Está bem! – disse Anix. O mago quase não conseguia conter a emoção, mas ainda não era momento de amolecer. Manteve-se firme como uma rocha...ou quase. – Mas levarei o bracelete mesmo assim e só o entregarei novamente no dia de nosso casamento.

_ Ah não, Anix! Por favor, deixe-me ficar com ele agora! Deixa, vai! Olha como eu fiquei linda! Seja bonzinho, por favor, por favor! – Enola beijava e abraçava o elfo, sussurrava em seu ouvido de forma sedutora. Estava engajada em não se separar do belo presente que recebera. E, sabia Anix, estava determinada a se casar com ele.

_ Está bem. Fique com ele então. Eu já vou! – respondeu Anix secamente, enquanto abria o pergaminho de Seelan.

_ Cuide-se bem, Anix! – disse Enola. Seus olhos se encheram de lágrimas, seu coração se apertou e sua voz soou trêmula. Era outra vez a Enola de sempre.

_ Adeus! – e Anix partiu. Num piscar de olhos estava novamente no forte. Viu seus amigos surgirem no pátio principal momentos depois. Era hora de voltar ao trabalho duro. Mas, ao menos dessa vez, Anix tinha a certeza de que o aguardado dia do seu casamento com Enola estava muito próximo.

Bastidores: De volta...outra vez

Bem, estamos retornando à ativa novamente. Estamos recomeçando lentamente, a última sessão teve apenas 2 horas de jogo e pouca participação dos jogadores. Foi mais o mestre narrando a conclusão da viagem dos heróis e amarrando as pontas soltas.
Provavelmente os jogadores tenham achado meio chato (nada de combate?...ah....), mas essa sessão foi importante pois definiu várias coisas importantes para o futuro próximo e distante dos personagens.
Já estamos começando a implementar regras novas do D&D 3.75, o famoso Pathfinder RPG e provavelmente na próxima sessão já teremos atualizado todas as fichas. Também já estou trabalhando na revisão das classes de prestígio que criei a pedido dos jogadores, o Guerreiro Glacial, o Manipulador de Vegetais e a classe básica de Arqueiro usada pelo Legolas. Todas estarão compatíveis com o Pathfinder em breve e serão postadas aqui.
Bom, sem dar spoilers do que está por vir, posso adiantar que a missão de Squall está quase toda delineada e a partir do dia 16 o feiticeiro poderá comandar seus soldados numa missão que trará surpresas para o grupo.
Ah, sem maiores detalhes para o momento, Legolas finalmente se tornará um Guerreiro Glacial, assim como Glorin.

Capítulo 312 – Retorno à vila

Os heróis se reuniram novamente com o segundo grupo e deixaram a caverna. Preocupado com a segurança de Seelan, Nailo deixou os amigos para trás e seguiu na frente, movendo-se por entre a mata fechada com enorme habilidade. Anix tentou alcançá-lo, montado na vassoura mágica, mas, como era impossível acompanhar a velocidade do guardião naquele tipo de terreno, o mago desistiu.

Tempos depois, Nailo chegou à clareira onde Seelan tinha se separado do grupo. O capitão estava sentado sobre a colina onde ficava a caverna na qual entrara. Cantarolava e assoviava calmamente, aproveitando o belo dia de sol da Sambúrdia. Diante da caverna havia três grandes estátuas de pedra. Eram figuras de trolls com poses e expressões de quem fugia em desespero.

_ Tudo bem, Capitão? – perguntou Nailo.

_ Sim, tudo ótimo! – Seelan saltou do alto da rocha onde estava sentado e pousou lenta e suavemente no chão.

_ O que aconteceu com esses trolls? Eram trolls, não eram? Por acaso...por acaso a luz do sol os fez virarem pedra?

_ Luz do sol?! Claro que não! Você está lendo muitas estórias infantis, Nailo. O sol não teve nada a ver com isso, fui eu que fiz isso. E então? Encontraram as crianças?

_ Sim, encontramos. E você, encontrou alguma coisa?

_ Só esses trolls ai. Correu tudo bem?

_ Sim, conseguimos resgatar todas as crianças. Tivemos alguns problemas, enfrentamos uma bruxa, mas no final deu tudo certo. Ah! E olhe o que eu consegui! – Nailo exibiu suas novas espadas, orgulhoso.

_ Belas espadas. Onde as encontrou? Eram da bruxa? – perguntou Seelan.

_ Não, era de uma druida. Ela protegia um bosque muito antigo por onde nós passamos. Ela me escolheu como sucessor dela e me deu as espadas. – Nailo sorria e exibia as espadas com imponência.

_ Hum...Fala a verdade, vai, Nailo. Aconteceu algo entre você e essa druida, não foi? Você a beijou? – riu Seelan, cutucando Nailo com o cotovelo.

_ Não, capitão. Ela já era morta. Eu apenas conversei com o espírito dela. Bom, depois eu explico melhor. Posso entrar na caverna? Quero ver o que tem lá dentro.

_ Fique à vontade, meu caro. Mas já vou informando que não há muito para se olhar. A caverna não é profunda e o que havia lá no fundo eu mesmo já retirei. O tesouro dos trolls está logo ai na entrada, para vocês dividirem.

_ Está certo, mas vou esperar os outros chegarem para dividirmos o tesouro.

_ E onde estão eles? – perguntou Seelan.

_ Já estão chegando. – respondeu Nailo.

_ E o que acha de darmos um pequeno susto em todos eles?

_ Ótima idéia! – respondeu Nailo, com um sorriso maquiavélico.

Nailo deitou-se na relva, sob o gigantesco pé petrificado de um dos trolls. Segurou uma das espadas na mão e fechou os olhos, como se tivesse desmaiado no meio de uma batalha. Seelan usou sua magia para alterar a cor das roupas de Nailo e fazer com que parecessem manchadas de sangue. Depois, o mago se escondeu dentro da caverna, quase não contendo o riso.

Não tardou para que o restante dos aventureiros chegasse à clareira onde Nailo aguardava. Foi um choque tão grande pata todos ver o ranger sendo pisoteado por três trolls de pedra, que eles sequer notaram que os trolls estavam imóveis.

Legolas saltou por cima do troll que supostamente atacava o amigo, girando no ar e disparando várias flechas. Só então percebeu que se tratava de uma fraude. Ao mesmo tempo, Orion e Lucano corriam na direção dos monstros e Anix se preparava para lançar uma bola de fogo nos inimigos. O corpo de Orion se chocou contra a estátua que era o troll e a derrubou no chão. Legolas protestava, tentando desfazer o embuste enquanto dava uma cambalhota no ar para não cair junto com o troll. E, quando Lucano finalmente tocou o corpo de Nailo, para curá-lo, o ranger agarrou a espada e o braço do clérigo, e levantou gritando enlouquecidamente, como se estivesse possuído e quisesse matá-lo. Lucano esbofeteava o rosto do amigo, tentando fazê-lo voltar a si, então, de dentro da caverna veio um urro assustador seguido das gargalhadas de Seelan que encerraram a brincadeira. Todos riram após descobrir a verdade. A única pessoa séria do grupo, como sempre, era Luise.

O grupo dividiu os espólios da aventura. Além de ouro e jóias, havia vários objetos ricamente fabricados, verdadeiras obras de arte. Havia um belo cálice de prata com várias pedras de lápis lazúli incrustadas em toda sua volta, um magnífico cordão de pérolas rosas e um maravilhoso anel de ouro e rubis que eles haviam pegado no covil da bruxa. Também existia um bracelete de ouro coberto de jades, um pente de prata em formato de dragão cravejado de opalas azuis, uma harpa de marfim finamente decorada com ouro e esmeraldas, um diamante azul em formato de coração emoldurado em uma majestosa corrente de ouro maciço e uma camisa luxuosa feita de finos fios de ouro e cravejada de pequenos rubis. Também havia o colar que pertencia à bruxa, e que ficou sob a guarda de Orion. Além de sua parte no tesouro, Anix ficou com a vassoura mágica que pertencia a Legolas, trocando o item por outros objetos e valor e dinheiro. Posteriormente, já na vila, Legolas fez questão de se desculpar com Rassufel por ter abandonado momentaneamente o companheiro de aventuras por causa da vassoura voadora.

Quando já estavam de saída, Seelan olhou para os trolls petrificados (um deles, o que tinha sido derrubado por Orion, tinha um dos braços de pedra quebrado) com ar de desconfiança.

_ Não sei. Algo me diz para deixá-los ai, ao invés de destruí-los de vez. Vamos deixá-los em paz. – disse o mago.

Nailo ainda entrou na caverna e encontrou um belo rubi escondido sob uma pegada de troll no chão de terra. Após isso, o grupo retornou para o vilarejo em segurança. Lá, foram recebidos com festa e honrarias por todos os moradores. Passaram um dia agradável, comemorando e recebendo homenagens. Ajudaram os moradores a consertarem alguns dos estragos causados pelos trolls fizeram grande amizade com a família e os vizinhos de Lucano. Nailo dividiu o dinheiro dos espólios entre as famílias das crianças raptadas e deu uma das jóias ao prefeito da vila, para que as despesas dos estragos causados pelos monstros fossem pagas.

À tarde, Legolas e Nailo levaram suas respectivas esposas para passearem pelo rio e para verem a bela cachoeira que jorrava farta ao norte de Blastoise. Na cachoeira, Nailo presenteou sua amada com o bracelete de ouro que recebera como parte do tesouro. Legolas, mergulhou no rio, num ponto onde as águas se acalmavam após a cachoeira. Emergiu trazendo nas mãos o colar com o diamante azul em forma de coração e o deu a Liodriel.

Assim o dia finalmente chegou ao fim, recheado de alegria, festividades e romance. Os heróis passaram aquela noite hospedados na casa de Lucano e na manhã seguinte deram adeus à vila de Blastoise e aos seus hospitaleiros habitantes. Lucano se despediu de seus pais e sua irmã com emoção e depois beijou sua esposa como nunca havia beijado antes, como se aquela vez fosse a última vez que se beijavam. Não era para menos, já que Lucano passaria ainda cerca de seis meses servindo como soldado de Tollon no Forte Rodick. Então, às nove horas da manhã do 29º dia do mês de Áurea, Seelan finalmente teletransportou todo o grupo de volta para Tollon, de volta para Darkwood.