janeiro 29, 2009

Origem da ilha

E, depois de muita espera, finalmente os mistérios sobre a ilha de Galrasia são revelados. Galron, etc., pra quem ainda não leu o suplemento Galrasia: Mundo Perdido, tá ai um resumão. Se você não conhece o livro, corra atrás, tá muito legal, muito bom mesmo, tanto para jogar em Tormenta quanto para colocar um Lost World em qualquer cenário que você use.

Próximo capítulo trará uma noite numa construção eiradaan, que além de curar os heróis, despertará outras coisas que eram consideradas mortas. Perigo para Anix. Também teremos um encontro com o rei da ilha, o Tiranossauro Rex Atroz. (bichão fod@, e os malucos do Trio consideraram ele só nível 12).

Capítulo 333 – Passado e futuro


Tudo começava a ficar claro, finalmente. A ajuda de Glórienn na caverna, as palavras de Allihanna a Nailo e o que ela dissera a Sairf sobre todos os deuses voltarem os olhos para o grupo. O treinamento com Glorin e seus companheiros, o encontro com Yczar, Batloc, Loand, Sam e tantos outros. Tudo tinha um sentido, fazia parte de um grande plano arquitetado pelos deuses, pelo Panteão. Os elfos haviam sido escolhidos para destruir Teztal e cumprido sua missão. Tinham despertado um mal ainda maior e deveriam destruí-lo também. Temiam pelo futuro, mesmo sabendo através de Marah que seriam bem sucedidos, pois conheciam o poder do inimigo, o Destruidor de Mundos, o Tarrasque. Mas suas mentes não se voltavam para ele neste instante, pois tinham preocupações mais urgentes. Orion, Loand, Glorin, Sam, Sairf e muitos outros tinham sido escolhidos e guiados pelos deuses para ajudá-los em sua missão, para treiná-los, combater ao lado deles, para compartilhar o mesmo destino de sofrimento e de glórias. Mas naquele momento não se interessavam por glórias, havia algo mais urgente.

_ Senhora Marah – chamou Nailo. – E quanto ao Zulil? Nós vamos conseguir encontrá-lo?

_ Sim – respondeu a deusa. – Basta que sigam o mapa e as instruções que receberam do troglodita chamado Tork. Ele os conduzirá até a torre onde Zulil está, neste momento, trabalhando para trazer de volta ao mundo o mal que fora a missão primordial de vocês.

Os cinco elfos se olharam, mudos. Nada disseram, não era necessário. Suas mentes tinham o mesmo pensamento. Zulil trabalhava para trazer de volta o objetivo original que lhes fora dado pelos deuses, o ser para o qual tinham sido eleitos como algozes, o primeiro, o maior inimigo: Teztal.

Passado, presente e futuro se juntavam num emaranhado trançado pelos deuses, os heróis finalmente compreendiam o que lhes tinha acontecido e sabiam o que lhes aguardavam, sabiam finalmente qual seria o futuro e, embora Marah lhes garantisse a vitória, ela não seria conquistada sem muito sofrimento.

_ Bem, percebo que vocês entenderam minhas palavras – continuou Marah. A missão de vocês ainda não terminou. Vocês terão que confrontar mais uma vez aquele que os fez escravos, aquele cuja punição foi a missão lhes dada pelos deuses. Essa é sua missão, jovens Escolhidos. Vocês receberam e receberão ajuda dos deuses em sua jornada. Glórienn, Allihanna, Tanna-Toh e tantos outros já os ajudaram. Megalokk, Tenebra e outros se colocaram no seu caminho, para impedi-los, para testá-los. Até mesmo Sszzaas já interferiu em seus destinos, como vocês já devem desconfiar.

Uma imagem se formou nas mentes de todos, a despedida de Laurel, aliado de Zulil, sibilando sua língua como uma serpente um instante antes de atravessar o portal mágico e desaparecer.

_ Cumpram sua missão, e todos vocês, inclusive aqueles que os ajudarem por determinação do Panteão, receberão glórias e a gratidão de mortais e deuses. Tomem essas palavras, esse conhecimento, como meu presente, minha ajuda a vocês e sigam seus destinos – concluiu a deusa.

_ Senhora – suplicou Orion. – Gostaria de saber algo. Valkaria me guiou até meus companheiros, mas ela não aparece na história que nos contou, a não ser como alguém ausente. E Khalmyr e os outros deuses assumiram a responsabilidade de guiar seus filhos, eu inclusive. Agora compreendo que a senhora que me acolheu e que me presenteou com este colar era uma de vocês, Tanna-toh, segundo acredito. Mas não entendo, por que Valkaria e não Tanna-Toh veio até mim na estrada? Por que Valkaria é citada como alguém ausente na reunião do Panteão?

_ Está certo em sua suspeita, Orion. Tanna-Toh encontrou-o e o abençoou com um presente divino que servirá a todos vocês. Sua dúvida quanto à Deusa da Humanidade está correta. Ela não está presente nesses relatos porque é verdade o que diz o mendigo louco da cidade de Valkaria.

Imediatamente Orion se lembrou do período em que esteve na capital do reinado. Lembrou-se de um andarilho que ficava ao redor da colossal estátua da deusa cujo nome batizara a cidade. Um mendigo tido como louco pelo povo que repetia sucessivamente a sua suposta sina. Era um deus maior e junto com Valkaria e um terceiro deus sem nome, se rebelaram contra o Panteão, um episódio conhecido como A Revolta dos Três. Derrotados, Valkaria, Tillian – o louco – e o Terceiro foram punidos. Valkaria fora aprisionada em forma de estátua, até que seus filhos a libertassem de seu cativeiro. Tillian tinha perdido os poderes e a sanidade. E o Terceiro fora punido com o esquecimento completo, banido da existência. Orion agora era um dos poucos mortais a conhecer a verdade. A estátua era na verdade a própria Deusa da Ambição, aprisionada.

_ Senhora, e quanto ao Segê, Coração de Gelo? Ele é aliado? Foi enviado por algum dos deuses? – perguntou Squall.

_ Não foi enviado por nenhum dos Vinte. Mas é aliado de alguém que foi.

_ Senhora Marah – chamou Nailo. – E quanto a essa ilha, Galrasia? Poderia nos explicar o segredo desse lugar? Por que aqui há essas criaturas imensas? Por que a cura aqui é mais rápida?

_ Vou lhes contar a história deste lugar. Ficou acordado entre o Panteão que eu lhes traria respostas, logo, não estarei quebrando nenhuma regra. Entretanto, alerto para que não espalhem o conhecimento que receberão com leviandade.

Marah continuou. Galrasia fora outrora parte de Vitália, o reino de Lena. A Deusa da Vida, a criança inocente que agora colhia flores diante de todos, era respeitada por todo o panteão. Mesmo Sszzaas, ou o próprio Ragnar, Deus da Morte, respeitavam-na e sabiam de sua importância. Pois sem a vida, não haveria a morte, nem mesmo os próprios deuses existiriam. Mas a vida dependia de um fator importante para continuar existindo. A pureza e inocência de Lena jamais poderiam ser maculadas, a deusa menina deveria ser protegida de qualquer intriga que houvesse no Panteão, deveria ser defendida de qualquer perigo, mais que qualquer outro deus. Assim os deuses decidiram criar alguém para proteger Lena e sua inocência, assim nasceu Galron. Galron fora o primeiro dos eiradaan, uma raça poderosa, inteligente e habilidosa, assemelhada aos elfos, criada pelas mãos dos deuses para servir de guardiões para a Deusa da Vida. Com o passar das eras, Galron sentiu-se solitário e recebeu dos deuses uma companheira, Obassa. Juntos os dois fizeram os eiradaan numerosos. Em Vitália os eiradaan construíram e prosperaram. Tornaram-se hábeis em diversos campos, inclusive a magia, e ficaram cada vez mais poderosos. Porém, por meio da intriga de Sszzaas, Galron e os eiradaan foram corrompidos. Consideravam-se prisioneiros ao invés de abençoados pelos deuses. Revoltaram-se. Seu descontentamento chegou aos ouvidos de Lena e sua pureza foi manchada. Lena chorou e o mundo sofreu com isso. Como haviam falhado em sua missão, os eiradaan foram punidos, expulsos para sempre do reino de Lena. Um pedaço de Vitália foi arrancado de sua dimensão e colocado em Arton, junto com todos os eiradaan, onde eles foram aprisionados para sempre. Assim, nascera Galrasia. A ilha era um pedaço do reino de Lena, onde a vida jorrava em abundância. A energia positiva inundava o lugar, fazendo com que tudo crescesse com vigor, saúde, abundância. E em tamanho muito maior. Por causa da energia da própria deusa, da própria Vida, plantas e animais eram gigantescos ali, cura mundana e mágica era ampliada. Galron hoje habitava a imensa torre no centro da ilha, conhecida pelos nativos como Torre da Morte, onde passava a eternidade maquinando maldades. Sua esposa fora transformada em serpente e habitava o vulcão, conhecida e adorada pelos nativos como a Divina Serpente e confundida por muitos estudiosos como uma faceta de Tauron, o Deus da Força. Assim os eiradaan encontraram seu destino final, aprisionados na ilha sem poder escapar. Muitos morreram, outros recorreram a rituais necromânticos para prolongar suas existências e talvez alguns tenham conseguido escapar. Mas sua civilização ruíra como um todo. A floresta engoliu suas cidades e apenas ruínas restaram de sua passagem pela existência.

Marah terminou o relato da sina de Galron e sua raça. Legolas se levantou, deixando um rastro de grama congelada para trás e foi até a deusa.

_ Marah, agradeço pelas informações, mas não podemos perder mais tempo. Temos que prosseguir em nossa jornada – disse o arqueiro. Lucano concordou, colocando-se ao lado do amigo para partirem.

_ Sim, eu sei disso. Seu destino os aguarda logo à frente. Sigam por este caminho e encontrarão um refúgio seguro, obra dos eiradaan, onde poderão descansar e curar seus corpos de todos os males. Lá também irão reencontrar alguém muito querido para vocês.

Marah estendeu a mão com suavidade e a floresta se abriu diante dela, formando um caminho. Legolas e Lucano avançaram, mas a deusa os deteve.

_ Esperem! Antes de partirem, é hora de ganharem outro presente! – disse ela.

Os dois elfos pararam e olharam para trás. Viram a pequena Lena saltitando entre seus companheiros, cantarolando feliz. A menina deusa carregava em seus braços várias pulseiras de flores que ela mesma fizera enquanto todos conversavam. Presenteou cada um dos presentes com uma pulseira, mesmo relâmpago e Cloud foram agraciados. Então ela falou pela primeira vez:

_ Essas flores não murcharão nunca, a menos que suas próprias vidas venham a murchar. Então, se isso vier a acontecer, a pulseira cumprirá sua missão. Agora partam – disse Lena com um sorriso – e tenham uma vida longa e próspera!

Os heróis agradeceram, fazendo uma mesura para as duas deusas e partiram. Antes de sair da clareira, Squall foi até Marah.

_ Senhora, tenho uma última pergunta – disse Squall. – A Senhora disse que Glórienn olha por nós, que ela chorou por nós. Mas eu tenho medo de estar traindo-a. Tenho mesmo de deixar de ser filho dela por querer o poder dracônico que desperta dentro de mim. O que devo fazer?

_ Siga seu coração, jovem Squall! – sorriu Marah. – E lembre-se, não são só os elfos que veneram Glórienn, mesmo um dragão pode ser um devoto da deusa dos elfos, pode viver segundo os ensinamentos da Deusa dos Elfos. Agora vá e que seu coração esteja em paz!

Squall partiu. Seu coração estava em paz, assim como os de seus amigos. Sabiam que tinham o caminho difícil pela frente, mas sabiam também que os deuses olhavam por eles e tinham a esperança de um futuro melhor, de vida e de paz. À frente, Nailo guiava seus amigos, chamando-os, incentivando-os, em sua mente uma certeza: não desejava mais vingança, apenas justiça.

janeiro 28, 2009

Enxurrada de revelações

Para quem queria spoilers, queria entender do que eu falava o tempo todo, quando mencionava surpresas, panteão, etc. Pronto, acabou a espera. Os elfinhos foram escolhidos para dar fim a Teztal. Como durante a missão as bestas iriam precisar acordar o danado do Tarrasque, agora devem também dar um sossega no bichão quando encontrarem ele depois de resgatarem suas mulherzinhas (isso tá um pouco longe ainda). Tudo quanto é npc que apareceu para ajudar (ou atrapalhar) foi conduzido por algum deus até os 5 elfos. O incrível é que eu não tinha planejado nada disso até eles saírem da Forja da Fúria, e tudo deu tão certo que acho que se tivesse planejado com antecedência, não teria funcionado tão bem. Às vezes parece que a campanha tem vida própria, que está fora do meu controle e que tudo o que eu faço é jogar na mesa de jogo algo que já está planejado por alguém. Seriam os Deuses de Arton? Meeedoooooo......Oo
Brincadeira, mas as coisas batem tão certo, as pontas soltas se amarram tão bem que me surpreendo a cada vez. Espero que continue assim até o fim.

Próximo capítulo: mais revelações sobre o paradeiro e as intenções de Zulil, a história de Galrasia, presentes de Lena e o prenúncio do retorno de Teztal (tremam jogadores, huahuahuahuahuahaua)

Capítulo 332 – Panteão


Era o décimo quarto dia sob Altossol. O ano era 1397. O local, algum lugar fora de Arton.

A bela elfa correu pelos imensos corredores de mármore frio e alvo. Estava atrasada. Passava com desdém por aqueles salões gigantescos, todos milimetricamente construídos de forma que cada pequeno detalhe, cada escultura, cada adorno, porta ou janela fosse perfeito. Sim, tudo ali era perfeito e alinhado. Todas as mesas de ébano pela qual passavam tinham número par de pernas, todas iguais entre si e igualmente distribuídas ao redor do móvel. Cada lado de cada sala era exatamente igual ao lado oposto. Cada escultura, quadro ou móvel que houvesse de um lado, teria seu igual do outro lado da sala, em igual posição, como se um lado fosse o reflexo perfeito do outro num espelho. Ela odiava aquilo tudo. Aquele lugar poderia até parecer belo para outra pessoa, mas não para ela. Achava aquela exatidão toda, aquele cuidado obsessivo com a ordem de cada grão de poeira tedioso e desnecessário. E, acima de tudo, injusto, o que contrariava a própria natureza daquele lugar incomum. Toda aquela perfeição e ordem de nada serviram para ajudá-la quando mais precisou, quando seus filhos queridos pereceram. Fora injusto o que acontecera, por isso odiava aquele lugar, considerado um local de justiça. Ainda assim, corria apressada, não pelo atraso, mas por desespero. Seus cabelos púrpuros agitavam-se sob o rufar de seus passos delicados, cada fio descrevendo ondulações que eram igualmente repetidas por algum outro fio no lado oposto de sua bela cabeleira. Seus olhos eram o mais fiel retrato da aflição, assim como era aflito seu coração já tão cheio de dor e sofrimento. Uma gota de lágrima escorreu do olho esquerdo, seguida ao mesmo tempo por outra de mesmo tamanho e forma que escorrida de seu olho direito. Ambos verdes como a mais bela das esmeraldas. Parou. Diante dela uma gigantesca porta de mármore, ricamente trabalhada, dividida em duas partes exatamente idênticas. Havia chegado. Restava agora atravessar aquela porta e lutar de todas as formas possíveis para impedir o destino que se anunciava. Mas, apesar de toda a agonia, ela tinha esperança de que tudo ficaria bem. Tinha confiança em sua superioridade, e na daqueles cujo destino estava prestes a ser decidido que, assim como ela, eram a perfeição. A elfa atravessou as portas à sua frente, fechando-as atrás de si. Uma voz de trovão ecoou, enérgica, quando a porta se fechou.

_ Está atrasada, Glórienn! Mais do que a qualquer outro, o assunto que aqui será discutido interessa a você! Ainda assim se atrasou! – era um homem alto e vigoroso, alojado dentro de uma imponente armadura brilhante, que falava com visível irritação. Não suportava o fato de que a elfa, com seu atraso, tinha perturbado a ordem que imperava em sua morada. Um pequeno homem, vestido em túnicas engraçadas e disformes, sorriu sentado no lado oposto.

_ Ainda assim, ela chegou no horário que eu havia previsto! Seu atraso estava destinado a acontecer! – rugiu um pássaro envolto em chamas que ocupava uma das cadeiras da enorme távola.

_ Eu também já sabia disso! – disse uma mulher muito velha, porém cheia de vitalidade, que tomava parte da reunião – Era fácil deduzir isso, bastava apenas um pouco de conhecimento!

_ Bem, agora isso já não importa! Tome seu lugar, Glórienn! E vamos começar a reunião! – disse Khalmyr, o deus da justiça e da ordem, já mais conformado com o atraso da elfa.

Glórienn se sentou, pesarosa. Odiava estar ali. Odiava aquele lugar e odiava ainda mais aquelas pessoas. Não suportava a companhia dos outros dezessete deuses. Apenas tolerava um ou outro dos presentes e pouca afinidade possuía com eles. E, acima de tudo, ela odiava Ragnar com todas as suas forças. Fora por causa desse ódio e pelo desejo de vingança que um grande mal, um mal rubro que devastava tudo, chegara a Arton. E agora novamente um grande mal estava prestes a surgir no mundo, e precisava ser detido.

_ Como bem sabem, estamos reunidos aqui para decidirmos o destino do escolhido de Azgher e do mundo como um todo – era Khalmyr, dano início à reunião. – Vocês todos já conhecem a história, mas vou repeti-la de forma resumida para que não haja dúvidas – foi interrompido.

_ Permita que eu faça isso, Khalmyr! – uma nova voz imponente se elevou quente e brilhante na sala. Era Azgher. – Como todos sabem, havia em Arton um grupo de mortais que me servia com devoção. Por sua fidelidade e dedicação, decidi presenteá-los com uma dádiva. Essa dádiva seria dada àquele que conseguisse chegar mais próximo de mim na terra onde aquele povo vivia. O escolhido recebeu grandes poderes para que pudesse conduzir seu povo e fazê-lo prosperar. Entretanto, em sua busca pela dádiva, o escolhido escavou mais profundamente que devia a montanha de sua terra e encontrou algo que deveria permanecer oculto. Seus poderes foram aumentados, assim como sua ganância. E, ao invés de levar seu povo à glória, o escolhido conduziu-o à perdição e à destruição. E agora, com os poderes que conseguiu, o escolhido tornou-se uma ameaça, não só para seu povo, mas para o mundo como um todo.

_ E ele deve ser detido e punido! – o deus da justiça voltou a falar. – Entretanto, a promessa de um Deus não pode ser quebrada, portanto, Azgher não pode simplesmente retirar do mortal os poderes que ele recebeu como dádiva. Nenhuma condição foi imposta para o uso destes poderes, portanto, não há porque removê-los. Além disso, todos sabem que não podemos interferir nos assuntos dos mortais. A resolução deste problema cabe aos mortais.

_ Então não há o que fazermos aqui. Retornemos às nossas moradas para assistir ao que se sucederá, às gloriosas batalhas que surgirão em decorrência deste erro de Azgher! – outra voz trovejou no salão, ecoando igualmente por cada milímetro do lugar. Era Keen, o deus da guerra.

_ Eu concordo com isso! – riu o homenzinho no lado oposto a Khalmyr. Era Nimb, deus com caos. – Vamos deixar o Caos se espalhar e comemorar. Afinal, o Caos começou tudo isso, tirando a situação do controle de Azgher, então ele deve terminar isso. Ou não?

Um burburinho tomou conta do salão. Os deuses discutiam entre si. Alguns, como Hynnin e Ragnar, concordavam com Nimb e Keen. Outros, como Lena, Tanna-Toh, Marah e Allihanna, tinham certeza que o mortal deveria ser detido. Glórienn apenas desejava que seus filhos fossem poupados do sofrimento que poderia nascer daquilo tudo.

_ Silêncio!!! – ergueu-se uma voz acima das outras. Era Thyatis. – Vocês não sabem do que falam. Eu olhei para o futuro e só enxerguei ruína. Não apenas para os mortais, mas também para os deuses. O mortal em questão não se deterá em sua ilha. Irá avançar pelo mundo, desencadeando uma guerra de enormes proporções. Eu vejo que seus poderes aumentarão cada vez mais, à medida que ele avançar e conquistar aliados e nações. Ele se unirá à horda negra para devastar Arton e, quando a flecha de fogo for disparada, ele trairá e destruirá a Foice de Ragnar. A guerra, a destruição, a morte e o caos tomarão conta de tudo. E quando o mortal a quem chamam Teztal queimar todos os estandartes dos povos civilizados, ele irá de encontro ao mal rubro. E a ele o escolhido se unirá, para marchar em uma nova guerra, a última e decisiva guerra. A guerra contra nós. E eu vejo que nenhum dos aqui presentes, nem dos dois que não estão, mas cujas cadeiras permanecem à sua espera, nenhum de nós sobreviverá! Será o fim de tudo. Não haverá mais vida ou morte, caos ou ordem, guerra ou paz, luz ou escuridão, apenas um vermelho infinito reinará absoluto numa realidade onde nada do que há hoje existirá!

O silêncio tomou conta do salão. Todos sabiam que o que a Fênix dizia se tornaria real, sabiam que o que ela via era o que aconteceria, caso não intercedessem imediatamente. Então um dos deuses se pronunciou.

_ Um grande general sabe quando deve vencer uma guerra antes mesmo que a primeira batalha ocorra – era Keen. – O que faremos, então?

_ Eu vi o futuro. E vi que cinco mortais caminham agora ao encontro do escolhido! – disse Thyatis. – Como alguns de vocês sabem esses mortais são cinco filhos de Glórienn e seus caminhos se cruzarão e os levarão até onde está o humano chamado Teztal. Nenhum dos cinco possui grandes poderes no momento, mas todos têm enorme potencial e segredos ocultos deles próprios e poderão chegar a conquistar lugar entre os grandes de Arton. É possível que eles possam realizar a tarefa de parar as maquinações de Teztal antes que ele se torne poderoso demais.

_ Não podemos interferir diretamente, mas poderíamos guiar esses mortais para que eles cumpram a missão.O que acham? – perguntou Khalmyr.

_ Que seja feito! Eu elejo os cinco filhos de Glórienn, então, como meus escolhidos, para realizarem esta missão – era Azgher.

_ NÃO!!! – gritou a deusa dos elfos, com a aflição de uma mãe que projete um filho. – Não!!! Não é justo! Meus filhos já sofreram demais e vocês não fizeram nada para interferir, para ajudá-los! Não aceito que agora, por causa de um erro de Azgher, eles sejam usados por ele para fazer o seu serviço sujo!

_ Acalme-se Glórienn! – protestou Thyatis. – Não foi por erro de Azgher ou por ação do caos que seus filhos foram envolvidos nessa situação. Foi por algo maior e inexorável, foi pelo Destino. Era o destino de seus filhos serem escolhidos pelo Deus-Sol para realizarem esta tarefa. Eu olho para o futuro e vejo que isto é o que acontecerá.

_ Procure entender, irmãzinha – uma voz trovejou com doçura ao lado de Glórienn. – É necessário que eles façam isso, mesmo que venham a sofrer. Ou então não só os seus ou os meus filhos deixarão de existir, mas nós e tudo o que criamos desaparecerá para sempre. E, lembre-se, basta que você aceite minha proteção e eu protegerei os seus filhos – o deus com corpo taurino tentou acariciar a elfa. Já aos prantos, Glórienn recusou o afago de Tauron.

_ Então está decidido! Os cinco filhos de Glórienn serão guiados por Azgher nesta missão. E tudo retornará à ordem, como deve ser! – disse Khalmyr, levantando-se da mesa e dando a reunião por encerrada.

_ Esperem! Eu olho para o futuro, e vejo que os filhos de Glórienn, agora os Escolhidos de Azgher, não apenas cumprirão a missão, como também despertarão outro mal sobre Arton como conseqüência de sua demanda. Um mal adormecido há séculos, que os mortais chamam de o Destruidor de Mundos! – disse a Fênix.

_ Bastou um simples bater de asas de um inseto para criar uma gigantesca tempestade. Agora sim podemos assistir ao caos tomando conta de tudo! - comemorou Nimb.

_ Silêncio! Esse mal também deverá ser detido! E se os filhos de Glórienn forem os responsáveis pelo seu despertar, também deverão se responsabilizar por sua destruição! – Disse Khalmyr

_ NÃO!!! – gritou a elfa. – Isso é injusto, Khalmyr! O Destruidor de Mundos não! É crueldade jogar meus cinco filhos contra esse monstro! Não é justo!

_ Tem razão! Talvez seja uma tarefa muito dura para eles agora, e talvez continue sendo assim, quando se tornarem grandes. Mas, se conseguirem cumpri-la, receberão recompensas a altura de seus feitos no final! – respondeu o deus da justiça.

_ Mesmo assim! É muito cruel! Se eles tiverem que fazer isso, eu irei ajudá-los! – protestou novamente Glórienn.

_ Não pode! Sabe que não podemos intervir diretamente! – disse Khalmyr.

_ Tem razão, Khalmyr. Mas meus devotos podem. Eu entendo a dor de Glórienn, e irei ajudá-la e a seus filhos. Guiarei um de meus devotos para encontrá-los e auxiliá-los, fornecendo a maior das ajudas: conhecimento! – falou Tanna-toh.

_ Se interferir, velha, eu também o farei. Mandarei meus filhos avançarem sobre os de Glórienn. Isso equilibrará as coisas, da maneira como Khalmyr gosta! – rugiu Ragnar.

_ Eu também vou interferir. E de maneira mais direta. Há uma de minhas filhas naquela ilha. E se o Destruidor realmente despertar, ela precisará ser salva. Se eles a salvarem, eu os ajudarei como retribuição. Isso não violará as regras. – disse Allihanna.

_ Suas crias exóticas ainda trarão grandes problemas ao mundo. Eu vejo isso no futuro. Mas isso é discussão para outra ocasião. Quanto aos filhos de Glórienn, meus servos também estarão à disposição deles, quando precisarem. E eu vejo que irão precisar. Também olharei o futuro deles e o revelarei a Allihanna. Já que ela entrará em contato direto com os escolhidos, ela que lhes diga o que o Destino reserva lhes reserva! – falou Thyatis.

_ Pois então, se o futuro for revelado aos jovens escolhidos, eu pessoalmente irei providenciar que isso seja feito de forma indireta, através de enigmas. Atuarei ao lado de Allihanna para tornar as revelações enigmáticas. Afinal, antes de receberem tanta ajuda assim dos deuses, eles devem se mostrar dignos de recebê-la. Caso contrário, eles estariam trapaceando os deuses, e isto é algo que somente este humilde bufão tem o direito de fazer! – era Hynnin.

_ Hynnin está certo! Que os filhos de Glórienn sejam testados, então. Eu guiarei meus seguidores e os testarei em combate! – bradou Keen.

_ E eu testarei e avaliarei a força dos seus filhos, Glórienn. Se eles se mostrarem fortes, os ajudarei. Mas se forem fracos, serão escravizados e protegidos por meus filhos! – era Tauron.

_ Também quero testá-los. Veremos se eles serão capazes de confrontar meus filhos! – rugiu Megalokk.

_ E em meus domínios eles também serão testados e lá também encontrarão recompensas e aliados caso sejam aprovados no teste! – disse Oceano.

_ Pois eu os ajudarei. Há entre eles pelo menos um que é meu devoto. Minha dádiva e meus seguidores estarão à disposição para ajudá-los. – era Wynna.

_ Não irei interferir. Apenas observarei e medirei a coragem dos escolhidos. Que eles vençam com honra os desafios que receberão, e que sua recompensa seja igualmente grande. – dessa vez foi Lin-Wu quem se pronunciou.

_ Também me manterei neutro. A única prova que imponho a esses jovens mortais é a missão que receberão! Mas, se um dia os escolhidos se perderem, minha luz servirá para lhes mostrar o caminho! – disse Azgher.

_ E minhas trevas irão colocá-los à prova! – completou Tenebra.

_ Eu lhes darei a maior das dádivas, quando tiverem cumprido a missão. A vida. Muitas vidas novas virão deles! E zelarei para que suas próprias vidas não sejam tiradas durante a jornada! – dessa vez era uma voz de menina. Lena, a deusa da vida.

_ E eu apenas rolarei meus dados. Se sair número par, eles terão muita sorte. Se o resultado for ímpar, estarão num dia de azar! – era Nimb, rindo.

_ E eu levarei paz aos seus corações no momento em que mais precisarem. Pois suas provações serão grandes e antes do fim eles precisarão de consolo! – agora era Marah, a deusa da paz.

_ E eu olho para o futuro e vejo que a vontade de Sszzaas também irá se manifestar. Os seguidores do grande Corruptor atuarão espalhando sua intriga e dificultando a jornada dos escolhidos! – Thyatis novamente tomou a palavra, deixando os deuses apreensivos.

_ E eu serei justo, como sempre. E zelarei para que cada provação tenha em contrapartida um auxílio de igual intensidade. E, como sei que Valkaria também irá querer ajudá-los, já que são aventureiros como ela, guiarei os filhos da deusa da ambição para fornecerem ajuda aos escolhidos! – era Khalmyr.

_ Há um dos filhos de Valkaria cujo caminho cruzará com o dos escolhidos. Deixem-no sob minha responsabilidade. Ele é um de meus devotos, assim como de Oceano, e eu o encaminharei ao encontro dos escolhidos para ajudá-los! – disse Wynna.

_ Também há outro humano que eu me encarregarei de guiar, além daquele que me serve. Ele é um guerreiro que teve uma vida sofrida e merece participar dessa jornada e receber uma recompensa por todo o sofrimento que teve e terá daqui por diante! – falou a deusa do conhecimento.

_ Guiarei um dos filhos de Valkaria o qual é meu servo. Seu caminho encontrará o dos escolhidos e ele lhes prestará auxílio. E um dos meus próprios filhos será encaminhado para ajudá-los e instruí-los. E outros que me servem ou que sejam filhos de Valkaria, como um humano cuja sina agora depende da ajuda dos escolhidos, serão guiados por mim em auxílio dos filhos de Glórienn. Que seja feito então! Que os Escolhidos de Azgher, os filhos de Glórienn, cumpram a missão que lhes é dada! Que eles destruam o mal em ascensão e que destruam também aquele que eles despertarão! Que os deuses os testem em sua jornada até o final da demanda, e os ajudem de maneira justa! E, no final, que eles recebam desses mesmos deuses a justa recompensa por seus préstimos! Que seja escrito, e que se cumpra! – e Khalmyr encerrou a discussão.

_ Está certo, então! Que meus filhos sejam usados e testados por vocês, como quiserem, pois eles são a perfeição e no final terão de volta tudo aquilo que perderem! – os protestos e as lágrimas cessaram. Dessa vez Glórienn sorria. Em seus olhos havia agora apenas esperança.

Paguei pau sim, e daí?

". É a história do que aconteceu, do que está acontecendo e do que irá acontecer. E ela começa assim:"

É isso que estão pensando (aqueles que já tiveram a felicidade de ler O Terceiro Deus), paguei pau pro Leonel Caldela. O cara é fod@ e O Terceiro Deus (aliás, a trilogia toda) é do car@leo. Quem não leu ainda, corra atrás pois vale muuuuuuuuuuuuito a pena. Estou em estado de choque até agora pelas coisas que li (Arton virou de ponta-cabeça) e aguardando ansiosamente pelo futuro lançamento de algum suplemento atualizando o cenário com os eventos ocorridos no livro (seja bem vindo Kalyadranoch). E se o Leonel algum dia esbarrar com esse blog e parar para ver do que se trata, cara, meus parabéns, você merece!

Próximo capítulo: Panteão (finalmente ^_^)