julho 26, 2007

Campanha A - Capítulo 288 – Perigo na chuva!

Capítulo 288 Perigo na chuva!

Anix, Legolas e Orion se aproximaram do navio pirata. Não havia mais nada que o prendia à ilha, precisavam encontrar uma forma de alcançá-lo. Orion tomou distância, assumindo para si a responsabilidade. Correu até a beirada do abismo que o separava da superfície da água e saltou. Foi um pulo poderoso, o guerreiro transpôs os quase seis metros que o separavam do navio com facilidade. Mas seu impulso não foi suficiente para colocá-lo sobre o convés, em segurança. Orion agarrou-se à lateral do casco, ficando pendurado. Começou a escalar sem grandes dificuldades. A chuva caía pesada e fria sobre seu corpo emoldurado na armadura metálica, mas isso não diminuía sua determinação. Quando estava quase dentro do navio algo estranho e assustador surgiu de dentro da água.

Inicialmente, Legolas e Anix pensaram ser algum fenômeno causado pela chuva e pelas adversas características do reino, mas logo depois perceberam que era uma criatura que estava diante deles. A imagem de Orion no meio da chuva ficou distorcida, como que por trás de um vidro sujo e irregular. À medida que aquela coisa emergia do oceano, seu corpanzil transparente se colocava entre o humano e os elfos. Seus tentáculos longos e translúcidos, uma dezena deles, agitavam-se ritmicamente em movimentos coordenados, que davam a impressão de que a criatura escalava os pingos d’água que se precipitavam do céu. Diante deles flutuava uma imensa água viva, um tipo exótico de criatura que mais tarde seria chamado de Medusa da Chuva.

Com um dos tentáculos, o monstro atacou Orion, indefeso, que se agarrava ao casco do navio. O som da pancada superou o rugido da tempestade que caía sobre eles, dando a noção exata da dor que o humano sentia. Uma secreção pegajosa e incolor escorreu para dentro da armadura do guerreiro, queimando-o. Era ácido. Orion tentou segurar o grito de dor, em vão, pois ao entrar em contato com a água da chuva, o líquido cáustico sofreu uma reação química explosiva, entrando em combustão e abrindo feridas na pele do guerreiro.

Legolas disparou, suas flechas penetravam na criatura, congelando-a por dentro, para logo depois serem espedaçadas pelo movimento do corpo gelatinoso do monstro. Orion, já em pé no navio, combatia com sua espada de chamas ferozmente. Anix fulminava a criatura com suas magias, arrancando pedaços de seu corpo mole. Iam vencer, tinha a certeza disso. E estavam errados.

O monstro contra-atacou, chicoteando com seus tentáculos assassinos. A cada golpe uma explosão, um grito de dor. As pancadas atordoavam, esmagavam ossos e carne e vinham acompanhada do ácido mortal, que corroia a carne e explodia em chamas azuladas ao entrar em contato com a água da chuva. Os heróis transformavam sua dor em gritos ou gemidos. O monstro avançava silencioso.

Do alto da torre do farol, Silfo foi o primeiro e único a ouvir as súplicas de seus amigos. Quando olhou para baixo, Legolas era o único que ainda restava em pé, envolto por seis tentáculos que o esmagavam, corroíam e queimavam.

_ Aniiix!!! – gritou o sátiro, desesperado. Seu grito alcançou as nuvens escuras e conseguiu chegar aos ouvidos de Nailo, que pescava na praia. Silfo desceu as escadas do farol em disparada. Em seu caminho encontrou Lucano, Squall e Rael e, embora nenhum deles entendesse as palavras de Silfo, todos entendiam que algo de grave acontecia e correram junto com ele para salvar os amigos. Nailo lembrou-se que Anix tinha ido para o navio, junto com Legolas e Orion e deduziu que estavam em perigo. Abandonou sua rede na areia e correu, sacando suas armas. No campo de batalha, a consciência deixara o corpo do arqueiro e Legolas tombara, vítima dos ataques do monstro.

Quando chegaram à cena da batalha, Nailo e os outros viram Legolas e Orion caídos no chão, desacordados. Anix era segurado delicadamente pelos tentáculos da criatura, e algo como uma boca gigantesca se abria diante do monstro para devorá-lo.

Rael tomou a frente do grupo, correndo como louco e gritando o nome de Wynna com fervor. Sua fé o movia mais rápido que as gotas que caíam do céu. Jogou seu corpo ao ar, esticando os braços e caiu, suas mãos tocavam o peito de Legolas, cujo sangue jorrava em abundância semelhante à da água que despencava sobre o mundo. Um brilho cálido envolveu o corpo do elfo, o sangue deixou de verter e o arqueiro despertou, já agarrando o arco que jazia a seu lado.

Squall se aproximou, com menor velocidade, disparando rajadas de energia mágica de suas mãos, dando chance para que Nailo avançasse e cortasse um dos tentáculos do monstro, salvando Anix de ser engolido vivo. Lucano e Silfo vinham mais atrás, tentando alcançar os amigos, e Cloud, a pedido de Squall, voou para o topo do farol, para vigiar o pirata de seis dedos.

O monstro reagiu rápido aos inimigos que chegavam, golpeando com violência Nailo e Rael. O clérigo não resistiu aos ataques, vindo a desmaiar logo em seguida. Como Nailo se demorava a cair na mesma situação, a criatura o agarrou, envolvendo-o com seus tentáculos e sufocando-o.

Legolas rastejou para fora do alcance do inimigo e suas flechas começaram a chover sobre o monstro. Lucano investiu contra a criatura, Dililiümi brilhando em suas mãos. Entretanto, o clérigo errou o ataque, confuso com a aparência difusa do monstro. Então uma voz o chamou.

_ Lucano! Solte-me sobre o corpo de Anix! Depressa!

O clérigo reconheceu a voz que ecoava em sua mente, era Dililiümi. Soltou a espada sobre o peito do amigo que jazia a seus pés, um brilho tomou a arma e depois envolveu o corpo do mago. E Anix despertou.

_ Anix! Ataque o monstro! Ataque!

O mago se espantou ao ver-se cercado pelos amigos, e ao ouvir aquela voz que não sabia de onde vinha. Mesmo confuso, não hesitou e tocou o corpo do monstro com a espada mágica. Descarregou através dela uma magia que nunca tinha usado antes e uma aura negra envolveu a criatura drenando sua energia vital.

Mas, o monstro continuava forte o suficiente para continuar atacando. Seus tentáculos golpearam Legolas, Lucano e Nailo, deixando o ranger completamente imobilizado com sua pele ardendo sob o ácido explosivo.

As flechas de Legolas começaram a partir os tentáculos que agarravam o companheiro e outras flechas começaram a chover sobre a criatura, disparadas por Silfo. Com a varinha que pertencera a Zulil, Squall disparou um raio de trevas que enfraqueceu a criatura, afrouxando a prisão de Nailo. Sacando uma espada reserva, Lucano cortou o que restava do membro fibroso, libertando o amigo de seu abraço mortal.

As espadas de Nailo saltaram sobre o monstro como as gotas que vinham do alto, rasgando, furando e eletrocutando. A medusa da chuva revidava, lançando seus apêndices contra todos a seu redor. Anix, com Dililiümi na mão, arrastava o corpo de Rael para um local seguro.

Espadas e flechas se cruzaram, imbuídos com poder mágico, perfurando, rasgando e arrancando pedaços da criatura. Cercada e em desespero, o monstro tentou fugir enquanto desferia seus últimos golpes nos heróis. Mas não resistiu aos ataques e abateu-se. Seu corpo gelatinoso caiu no chão encharcado de água e sangue, e começou a murchar lentamente. Nailo ainda teve tempo de recolher em alguns frascos a essência do monstro, esperando aproveitar seu ácido explosivo em outra ocasião. Rael despertou, ajudado por Anix e reconheceu o rosto do amigo, após longo tempo sem o ver. Estavam todos feridos, e muito, mas a batalha estava ganha, ao menos por enquanto. A chuva descia com força, para lavar seus corpos ensangüentados e limpá-los do muco corrosivo do inimigo vencido. No alto do farol, Cloud dava o alerta. Algo havia acontecido. Léo Seis Dedos estava tramando alguma crueldade. Desesperado, Squall correu, deixando os amigos para trás, para proteger a sua amada das maldades do pirata.

julho 17, 2007

Campanha A - Capítulo 287 – Exploração na ilha do farol

Capítulo 287 Exploração na ilha do farol

Enquanto todos descansavam e interrogavam o pirata, Legolas saiu para explorar o navio, após saber, pelas palavras de seus amigos, que não havia outras criaturas dentro da embarcação. O arqueiro percorreu cada um dos aposentos da nau, em busca de outros tesouros ou informações importantes escondidos. Mas não havia mais o que encontrar além das coisas mundanas usadas pelos piratas goblinóides e sua capitã bruxa. Legolas, então, retornou para a torre.

Enquanto isso, no farol, Nailo vasculhava o terceiro andar, em busca de outros prisioneiros e de mais monstros para serem exterminados. Não encontrou tesouros ou itens úteis, e nenhum sinal de outros prisioneiros, mas encontrou algo para fazer. Usou os frascos de óleo que trazia em sua mochila mágica para fazer bombas incendiárias e com elas exterminar os goblinóides que haviam sido transformados em animais, antes que eles pudessem voltar ao normal e ameaçá-los. Após isso, o ranger deu-se por satisfeito, decidindo continuar a exploração no dia seguinte e retornando para junto de seus companheiros.

No alto da torre, os demais tentavam secar e aquecer os seus corpos, enquanto interrogavam Léo Seis Dedos.

_ Tem certeza que não sabe mais nada? – Anix era incisivo em sua voz. Seu olhar fulminava o pirata com promessas de sofrimento eterno, caso ele omitisse algum fato ou mentisse.

_ Já disse, senhor! Tudo que eu sei é que a bruxa procura esse tal amuleto num navio naufragado! Não sei de mais nada! – Léo tinha um tom choroso e suplicante em sua voz.

_ E qual era o nome desse navio? – rugiu Lucano.

_ Deixa ver...era algo com Tê! Tina...Tiade...lembrei! Trinidade! Esse era o nome do navio, Trinidade! – respondeu o pirata.

_ Vocês sabem algo sobre este navio? – Perguntou Orion aos elfos nativos de Ab’ Dendriel. A resposta foi negativa.

_ Bem, esqueçam isso! Amanhã pela manhã teremos que ir atrás dessa bruxa de qualquer jeito mesmo! Tem outra coisa importante que eu quero dizer! Eu encontrei as coisas da Deedlit dentro do navio. Na bolsa dela havia vários pergaminhos! Mas, alguns deles eram pergaminhos de magia divina, que somente um clérigo pode utilizar, e ela não é uma clériga! Tenho certeza de que ela não veio sozinha para cá! O Rael, o sacerdote de Ab’ Dendriel, deve ter vindo junto! E ele deve estar preso em algum lugar dessa torre. Isto é, se ele ainda estiver vivo! Nós teremos que achá-lo também! – disse Squall.

_ Está certo, pela manhã resolveremos tudo! Vamos dormir agora! – sugeriu Anix.

_ E o que vamos fazer com esse inútil? – rosnou Lucano, apontando para Léo Seis Dedos.

_ Não se preocupe com ele! Ele não tentará fazer nenhuma gracinha! Não é mesmo Léo? – Anix encarou o pirata com um olhar ameaçador, fazendo-o concordar com suas palavras. Anix lhe deu água e comida e o desamarrou. E todos foram dormir. Lucano ainda permaneceu mais algum tempo acordado, preparando algumas flechas incendiárias, usando o material de uma tocha. Pouco tempo depois, Legolas e Nailo retornaram.

_ Vocês podem dividir todo o tesouro daquele goblin esquisito! Eu fico com o navio! – anunciou o arqueiro.

_ Como assim? Não pode! Aquela nau é minha! Eu planejei tudo, me deixei capturar pela bruxa e tudo mais! Você não pode vir agora e roubar ele de mim! – ralhou Léo.

_ Cale-se, ou eu furo você com minhas flechas, seu desgraçado! Aquele barco é meu a partir de agora e pronto! – Legolas gritou, quase acordando os companheiros. Léo se assustou, mas continuou, dessa vez, com outra tática.

_ Então, senhor, nomeie-me seu capitão! Eu conduzirei a nau sob sua bandeira, nobre senhor!

_ Idiota! Eu sou o capitão! – outro grito.

_ Desculpe senhor! – Léo quase chorava.

_ Mas você se quiser pode ser meu contra-mestre! – o arqueiro sorriu quase num deboche.

_ Sim senhor capitão! Contra-mestre Léo Seis Dedos a seu dispor! – uma continência feita com a grotesca mão do pirata. Nailo e Lucano começaram a resmungar e a reclamar do barulho.

_ Calem-se homens! Respeitem o capitão Legolas, ou os farei andar na prancha! Seus insolentes! – dessa vez, Léo Seis Dedos berrou, entusiasmado.

_ Léo! Quieto! Vá dormir! – disse Legolas, achando graça de tudo aquilo.

_ Sim senhor, capitão! – e o pirata finalmente se calou e deitou. Legolas, passou a noite inteira acordado, velando o sono de seus companheiros e vigiando o traiçoeiro e atrapalhado Léo Seis Dedos.

O 26º dia de Aurea chegou trazendo uma forte chuva. Entretanto, apesar da grande pluviosidade, o céu estava calmo. Era verdade que nuvens negras o cobriam por completo, mas naquela manhã não havia relâmpagos ou vendaval, e não havia sinal algum de céu esverdeado ou cheiro de cloro no ar. Os heróis estavam mais tranqüilos e tinham certeza de que, sem os caprichos de Wynna ou Nimb, suas magias e armas funcionariam normalmente e eles teriam todas as chances de derrotar a tal bruxa e restaurar Deedlit à sua forma original.

Nailo foi um dos primeiros a levantar. Fez suas orações a Glórienn e a Allihanna, se alimentou e saiu para continuar a explorar o restante do farol. No andar térreo, encontrou algumas redes de pesca, além de pequenos botes de madeira. Pegou uma das redes para ir até a pequena praia da ilha e pecar. Enquanto isso, Orion e Lucano, já de pé, atiraram o corpo do ogro derrotado no alto do farol para baixo. O cadáver se precipitou no solo com força, fazendo um estrondo que chamou a atenção de Nailo. O elfo sacou suas espadas e foi averiguar o que acontecia. Viu o corpo do monstro jogado no chão e compreendeu que ele havia caído do alto. E pensou consigo: “Esse reino é realmente estranho! Agora está chovendo até ogros! Melhor irmos logo embora daqui!”. De posse de sua rede, o ranger retormou a exploração do andar térreo do farol.

Todos os outros se preparavam para o dia que começava. Afiavam suas armas, checavam sua munição, preparavam as magias que seriam usadas na batalha, oravam aos deuses por sua bênção e proteção.

Squall foi o próximo a descer, junto com Lucano, para explorar os andares abaixo. Legolas, Anix e Orion decidiram irem juntos até o navio, em busca novamente de alguma pista que pudesse lhes revelar alguma fraqueza da bruxa. Silfo permaneceu no alto do farol, cuidando da namorada petrificada de Squall.

No segundo pavimento, após não muito tempo de investigação, Squall encontrou uma enorme caixa de madeira, trancada dentro de uma pequena sala de ferramentas. O feiticeiro se aproximou cuidadosamente e ouviu um ruído vindo de dentro do caixote. Deu duas batidas na madeira e algo lá dentro começou a rosnar e a se debater contra as paredes da caixa. Era algum monstro. Squall pegou seu livro mágico, o Código de Arnlaug, e pronunciou a palavra mágica que ativava o tomo. O livro se transformou em uma manopla e envolveu o braço do feiticeiro, protegendo seu punho e aumentando sua força. Com um forte soco, o elfo abriu um arrombo na tampa da caixa e atingiu algo que estava lá dentro. Squall olhou pelo buraco e reconheceu o que viu. Era Rael.

Squall libertou o homem de sua prisão. Rael era um humano pequeno e magro, de cabelos loiros, lisos e curtos e olhos castanhos. Vestia apenas trapos sujos e rasgados, que outrora foram suas vestes de sacerdote. Em seu peito, sob a roupa, trazia uma corrente de prata e preso a ela, um anel de ouro que o rapaz conferiu e respirou aliviado ao constatar que não havia sido roubado pelos monstros. Aquele anel era o símbolo sagrado de sua deusa, Wynna, um bem mais do que precioso para ele. Logo depois, Lucano, que vinha mais atrás, se juntou aos dois.

_ Squall! Que bom vê-lo aqui!Vamos depressa, temos que encontrar a Deedlit! Ela também está aqui e foi capturada pelos monstros! Eles disseram que iam fazer com ela coisas que eu não me atrevo a repetir! Temos que ir depressa! – gritava o rapaz, afoito.

_ Calma Rael! Nós já encontramos a Deedlit!

_ Ufa! Que bom! E ela está bem? Onde ela está? E o que aconteceu com sua aparência, você está tão diferente!

_ Bem, deixe a minha aparência pra lá, isso é uma longa história! Quanto a Deedlit, bem, ela não corre mais perigo contra os monstros! Nós matamos todos eles! O Anix também está aqui, e alguns outros amigos meus também!

_ Isso é ótimo! Fantástico! Vocês conseguiram matar todos, isso é incrível! Bem, vamos até a Deedlit, então! Temos que encontrar a bruxa antes que ela consiga encontrar o amuleto dos planos e seja tarde demais!

_ Rael! Deedlit...era foi transformada em pedra... – lamentou Squall. Rael ficou atônito.

_ Como assim transformada em pedra? Do que você está falando, Squall?

_ Venha, vamos encontrar os outros, eu lhe conto no caminho! – concluiu o feiticeiro. Deixaram a sala e foram para os andares inferiores do farol. Lá embaixo, Nailo quando Legolas, Anix e Orion saíram da torre, mas não se importou com a presença deles, decidiu ir pescar alguns peixes para comerem, como havia planejado. Tudo estava em ordem, e nada de mal poderia acontecer. Ele teria tempo para conseguir algum alimento no mar e, até irem enfrentar a bruxa, todos estavam seguros, pensava ele. Estava enganado.

junho 20, 2007

Campanha A - Capítulo 286 – Reencontro inesperado

Capítulo 286 Reencontro inesperado

Silfo chegou por último e se juntou ao restante do grupo que se reunia ao redor do goblin morto e de suas estranhas armas. todos olhavam com estranheza para aqueles objetos misteriosos e intrigantes. Começaram a testá-los, um a um. Nailo mexia em uma arma que consistia em um cano de metal com um cilindro perpendicular a ele. Acionou alavancas, gerou manivelas, e algo começou a funcionar lá dentro. Era um tipo de hélice, que girava velozmente dentro do cano do objeto. Uma pequena comporta se abriu no cilindro que ficava na vertical. Nailo entendeu que era algum tipo de arma para produzir vento e reverteu todas as alavancas ao seu estado original, desativando o mecanismo.

Squall testava uma outra arma menor composta de um cilindro de metal cheio de pequenas setas, parecidas com virotes, dentro dele. O elfo apontou a arma para o mar, na direção do navio, e pressionou um gatilho. Os pequenos virotes foram disparados, ligados à arma por pequenos fios metálicos. Percorreram alguns metros em direção ao mar, pequenas escamas se abriram nas pontas dos virotes, transformando-se em hélices que giravam rapidamente, fazendo com que os projéteis subitamente retornassem na direção de Squall. O feiticeiro se assustou ao vê-los vindo em sua direção. Mas, as setas desviaram sua trajetória, passando ao lado do elfo, e fincando-se no chão ao redor dele. Squall estava agora com a arma apontada para cima e cercado pelos fios metálicos que saíam dela e iam até as pequenas flechas fincadas no solo. O feiticeiro acionou uma das alavancas da arma e uma corrente elétrica partiu do cano, percorrendo os fios metálicos e indo até os projéteis fincados no chão. Se fizesse algum movimento mais brusco, Squall sabia que seria eletrocutado. Então, ele acionou a outra alavanca que havia na engenhoca, liberando os fios do cano da arma e interrompendo a descarga elétrica. Uma nova carga de projéteis avançou para a boca do cano da arma. Ela estava pronta para ser usada novamente. Lucano pegou um dos virotes do chão e guardou-o com sigo, descartando o fio de metal.

_ Pessoal, vamos voltar para o farol e descansar! Precisamos recuperar nossas energias! – era Anix.

Mas Silfo era contrário à sugestão do elfo. Estava intrigado com a presença daquele navio, e sugeriu que ele fosse investigado antes. Assim, não seriam surpreendidos por nenhum inimigo que estivesse escondido na embarcação.

_ Mas como chegaremos até o outro lado? – perguntou o mago.

_ Deixem isso comigo! – Orion retirou sua pesada armadura metálica deixando-a sob os cuidados dos elfos. Tomou impulso e saltou, desta vez contudo, alcançando facilmente o navio. As botas de metal do guerreiro fizeram um estampido seco na madeira do navio. Orion recolheu seu escudo do chão e o lançou para o outro lado, junto de sua armadura. Pegou a corda que carregara enrolada em seu corpo e amarrou-a na corrente que sustentava a âncora do navio. Depois, lançou a corda para o outro lado do abismo.

Anix pegou a ponta da corda e terminou de desenrolá-la. Silfo correu e pegou a espada de Orion dentro da armadura e com uma pedra a fincou profundamente no chão. Amarrou a corda no cabo da espada, deixando-a bem esticada e firme.

_ Podem passar! Corda está forte como minhas flechas! – disse o sátiro, orgulhoso.

Anix olhou desconfiado. Lembrou da qualidade das flechas produzidas por Silfo e decidiu não arriscar. Evocou seu poder mágico e criou uma rede, composta de teias pegajosas entrelaçadas, abaixo da corda, para servir de proteção, caso alguém caísse da corda. Além disso, ficou preparado para ajudar com sua mágica, caso alguém corresse perigo.

O primeiro a tentar a travessia foi Squall. Exibido, tentou atravessar andando sobre a corda, equilibrando-se com dificuldade. Para surpresa de todos, conseguiu chegar até a metade da corda. Mas, quando tentou mais um passo, perdeu o equilíbrio e caiu. Anix estava preparado para isso, e usou sua magia de levitação para impedir que o irmão despencasse na teia mágica abaixo dele. Squall foi colocado por Anix de volta na corda e tentou novamente caminhar sobre ela. O mago o repreendeu, mas o teimoso feiticeiro insistiu em seu erro e caiu novamente. E uma vez mais Anix o segurou com seu poder.

_ Squall, deixe de palhaçadas e atravesse isso direito! Eu não vou mais te segurar se você cair agora!

Intimidado, o feiticeiro decidiu se pendurar na corda e atravessar da maneira mais fácil.

O próximo foi Anix. Tentou passar pisando em sua teia mágica, mas ficou com os pés grudados nela e precisou ser resgatado pelos amigos. Depois, passou pendurado na corda, da mesma forma que Squall. Depois foi a vez de Lucano e de Orion, que voltou do navio para pegar sua armadura e sua espada. O guerreiro trocou sua espada por uma de Lucano para servir de apoio para a corda. Legolas e Nailo não atravessaram, preferindo ficar de guarda na ilha, dando cobertura aos amigos com suas flechas, caso fosse necessário. Já Silfo disse que retornaria para o farol, para proteger o corpo petrificado de Deedlit. Anix lhe deu uma tocha, para que ele acendesse no alto da torre, sinalizando que estava tudo bem.

No navio, os heróis começaram sua exploração. Lucano evocou uma bênção de sua deusa sobre si, para se proteger, e outra sobre Squall, para curar os seus ferimentos. Orion ativou sua espada mágica para com suas chamas iluminar o caminho que iriam percorrer.

Abriram um dos alçapões que havia no convés. Sob o solo de madeira havia um amplo compartimento onde vários canhões, barris com o proibido pó negro chamado de pólvora e grandes esferas de metal negro dividiam o espaço existente. Desceram e não encontraram nenhum outro inimigo. No chão daquele andar também havia um alçapão, que conduzia aos níveis inferiores e ele foi logo aberto pelos heróis.

O pavimento abaixo do andar dos canhões era um pouco menor, cheio de pilares de madeira onde redes de dormir se amontoavam, esticadas. Havia portas, uma na proa e outra na popa, que levavam para além da visão dos aventureiros. E também havia um alçapão no chão, revelando a existência de um outro andar.

Anix e Squall usaram seus poderes para ficarem invisíveis, deixando Orion espantado. Desceram então, protegidos por sua camuflagem mágica, e começaram a olhar dentro das redes, em busca de algum goblinóide adormecido. Da entrada do andar a espada flamejante de Orion fornecia iluminação para os dois. Lucano os observava, usando uma bênção para poder enxergar os companheiros invisíveis.

Squall e Anix, entretanto, não viam um ao outro, e, num momento de distração, Squall viu uma das redes se movendo, virada por Anix, e pensou que fosse algum inimigo. O feiticeiro atacou a rede com sua espada, voltando a ficar visível e fazendo ruído suficiente para acordar um batalhão de goblins.

Anix advertiu o irmão. Squall compreendeu o erro que havia cometido e usou sua varinha mágica para ficar novamente invisível. Ficou em silêncio, mas já era tarde, pois alguém já despertara.

_ Quem é que está ai? Não vão me trazer comida hoje não? Estou com fome, seus miseráveis! Se não me alimentarem, usarei uma técnica de tortura de mais de trezentos anos em vocês! – era uma voz grave e suja, carregada de arrogância. Era uma voz familiar. Lucano sacou Dililiümi, esperando confirmar suas suspeitas.

_ Quem está ai? Quem é você? – Squall usou sua magia para disfarçar sua voz e deixá-la parecida com a de um goblin.

_ Como assim quem sou eu? Sou o grande e inesquecível capitão Léo Seis Dedos! Agora venha logo me dar comida, ou sairei daqui usando um de meus truques centenários e lhe darei uma surra!

Lucano não esperou mais. Desceu a escada íngreme que dava acesso ao andar, passou por Anix e Squall e foi até a proa do navio. Atravessou a porta que havia no final do dormitório goblin e entrou num corredor estreito e comprido. Dililiümi clareava o caminho para ele, como uma vela.

Havia duas portas, uma à direita e outra à esquerda. Os resmungos do e protestos vinham da esquerda. O clérigo foi até a porta e a arrombou com um chute poderoso. Encontrou uma prisão. Eram apertadas jaulas de metal enferrujado e enegrecido. O cheiro de fezes e urina impregnava o lugar todo. Numa das celas, sentado sobre um punhado de palha podre e molhada, havia um homem magro de estatura mediana, com uma cicatriz no nariz e longos cabelos loiros embaraçados numa única trança longa e suja. Vestia trapos sujos e fedidos e tinha o rosto coberto por uma barba imunda e embaraçada.

Orion chegou em seguida, trazendo sua espada flamejante para iluminar o local. Junto com ele estavam Anix e Squall, invisíveis. O homem cobriu o rosto com as mãos, protegendo os olhos fundos da luz intensa da espada de fogo. Em cada uma das mãos havia seis dedos.

Era Léo Seis Dedos, pirata cruel e incompetente que aprisionara os heróis numa rede para explodi-los com canhões, tempos atrás, quando ainda estavam no Mar Negro, retornando do cativeiro da ilha de Ortenko. Para sorte, ou azar, dos heróis, selakos haviam chacoalhado o navio em que estavam, virando os canhões para baixo e explodindo o casco do navio, ao invés dos heróis. Léo Seis Dedos afundou junto com os canhões e desapareceu nas águas escuras. Lucano, Squall, Anix, Legolas, Nailo, Sairf, Loand e Yczar submergiram junto com o navio e outros piratas. Caíram em uma zona de “ar molhado”, um tipo de água mágica e respirável, e foram capturados por Sahuagins. No fundo do mar tiveram que passar por diversas provações para reconquistar a liberdade e poder retornar à superfície.

Léo Seis Dedos, o odioso pirata que havia colocado os heróis em grande perigo no passado, e que sobrevivera misteriosamente ao naufrágio do navio de Flat Nose, estava ali, diante deles, preso, enjaulado e indefeso.

Lucano começou a golpear com fúria a corrente que trancava a jaula. Faíscas voavam pelo porão lúgubre, sem causar grandes danos à corrente. Então, o clérigo ouviu uma voz em sua mente.

_ Lucano! Por que toda essa fúria? Por que odeia tanto este homem?

_ Por causa dele, meu grupo e eu quase morremos! Quase tivemos nossos olhos arrancados! – respondeu o elfo, mentalmente.

_ Qual grupo?

_ Os meus amigos! Squall, Anix e os outros! Todos os elfos que andam comigo!

_ Então, este humano é um inimigo dos elfos?

_ Sim!

_ Então eu o ajudarei!!!

A voz silenciou nos pensamentos do clérigo. A espada em suas mãos ardeu como uma forja e foi tomada por chamas muito brilhantes. Lucano voltou a golpear a corrente, que começou a esquentar a avermelhar, até se partir. O sacerdote invadiu a cela, tomado pela fúria que resplandecia em seus olhos, e agarrou o pirata prisioneiro pelo pescoço.

_ Muito bem, marujos! Serão bem recompensados! Agora vamos logo! Temos um navio a tomar!

_ Cale-se! – rugiu Lucano.

_ Ora, marujo! Isso não são modos de tratar o seu capitão! Peça desculpas agora!

_ Cale essa sua boca imunda! – Lucano gritou e torceu um dos seis dedos da mão esquerda de Léo até quase quebrá-lo. Squall, invisível, pressionou sua espada na garganta do pirata, quase o sufocando. – Olhe nos meus olhos, desgraçado! Pois por sua causa eu quase os perdi! Lembra-se de mim? Lembra-se de mim?

_ Pare de gritar comigo! Eu sou o capitão aqui! Você marujo, tire-o daqui! Jogue-o numa cela! Uma semana de prisão a pão e água por insubordinação! – o pirata apontou para Orion, ordenando que ele prendesse Lucano. O sacerdote golpeou o rosto do pirata, calando-o. O guerreiro deu as costas e saiu, indo investigar a porta em frente.

_ Ai, esses elfos! – resmungou Orion, enquanto saía.

Anix voltou a ficar visível, agredindo Orion. Começou a estrangulá-lo e sentiu uma energia estranha percorrendo sua mão. Viu que uma aura negra se formava no ponto em que ele pressionava a garganta do humano. Anix o soltou, espantado. Squall abandonou Léo Seis Dedos e levou sua espada ao pescoço do guerreiro.

_ Nunca mais diga isso! Nós somos elfos sim! Com muito orgulho disso! E você não sabe o que nós passamos por causa daquele indivíduo ali! Então, não me obrigue a descontar a raiva que estou sentindo em você! – rugia Anix. Orion, sem entender o que acontecia, apenas saiu, e foi continuar sua investigação.

_ Lembra-se de mim? Lembra-se de nós? Meses atrás você nos prendeu numa rede em um navio no Mar Negro! Ia disparar canhões contra nós! Mas os canhões viraram para baixo e explodiram o casco do navio! Nós fomos para no fundo do mar e quase morremos nas mãos de um bando de criaturas marinhas! E tudo por sua causa! – gritava Lucano.

_ Ah! Agora me lembro! Vocês caíram em um truque de mais de trezentos anos! Foi bem feito pra vocês! Mas acho que já aprenderam a lição! Agora, saiam de meu caminho e poderão se juntar a mim! – a arrogância continuava na voz do pirata.

Lucano quebrou o dedo do homem, que estava em sua mão. Ameaçou deixá-lo sem dedos, caso ele não se comportasse como o prisioneiro que era. Anix o ameaçou, com suas magias. Léo baixou a cabeça.

_ Sim senhor! Ficarei quietinho! Prometo! Só não me façam mal!

Quase chorando, Léo Seis Dedos contou sua história. Havia sido capturado há cerca de um mês pelos piratas goblinóides e sua líder, a misteriosa bruxa. Desde então, estava prisioneiro dentro daquela cela imunda. Mesmo assim, enquanto falava, Léo Seis Dedos não perdia seu ar de superioridade, dizendo ser tudo um plano para tomar o navio da bruxa, mais uma das suas táticas de trezentos anos. De maneira alguma ele assumiu ter sido feito prisioneiro. Segundo ele, tudo não passava de mais um de seus planos. O pirata foi amarrado e levado para o convés por Anix. Lá em cima, no convés, o mago alimentou o pirata e lhe deu água. Léo começou a comer desesperadamente, como se não o fizesse há muitos dias. Lágrimas escorriam de seus olhos, misturando-se à ração desidratada cedida por Anix, enquanto ele se esbaldava e agradecia com emoção.

_ Obrigado, senhor! Obrigado, senhor! Jamais me esquecerei disso! Serei sempre grato, senhor!

_ Tudo bem! Não precisa chorar! Coma à vontade! Eu vou ficar aqui fazendo umas anotações em meu grimório, enquanto isso! Mas não tente nenhuma gracinha, senão você vai comer uma bola de fogo! – disse Anix, abrindo seu livro de magias e mostrando, ameaçadoramente, uma pequena esfera de enxofre em sua mão, o componente para conjurar a tal magia de fogo.

Enquanto isso, nas entranhas do navio, Squall, Orion e Lucano continuavam investigando. Descobriram que a outra sala em frente às celas era uma asquerosa cozinha de goblins, que fedia mais que a mais imunda fossa dos humanos. Desceram mais um andar no casco da nau goblinóide, e encontraram lá o depósito da embarcação.

Havia no depósito várias caixas com mantimentos em bom estado armazenados, provavelmente produto de algum saque. Havia também vários barris, alguns com vinho e cerveja,outros com óleo e mais alguns com pólvora. Havia ferramentas, tábuas para possíveis remendos na nau, pregos, cordas, panos para velas, piche. E havia sacos. Eram grandes sacos de um tecido grosso, que tinham o tamanho de um gato ou outro animal pequeno. Eram trinta deles, que se amontoavam num canto do casco úmido e eram todos muito pesados. Lucano abriu um dos sacos e seus olhos brilharam ao ver centenas de moedas douradas lá dentro. Era um tesouro. Um tesouro pirata.

Um tesouro que poderia estar amaldiçoado. Lucano usou seus poderes para descobrir se havia alguma magia amaldiçoando aquele ouro. Não havia. Squall, Orion e Lucano comemoraram com gritos de vitória. Os gritos chegaram até o convés do navio.

_ Está ouvindo isso? São gritos! O que está acontecendo com seus amigos? – perguntou Léo Seis Dedos, curioso. Anix se levantou calmamente e foi até ele. Tirou um espelho de dentro de sua mochila e o mostrou ao capitão.

_ Quer saber o que está acontecendo? Então olhe no espelho! – o mago murmurou um feitiço e o espelho brilhou magicamente. E, ao invés do reflexo daqueles que o olhavam, o espelho mostrou o que acontecia no porão do navio. A magia durou apenas um breve instante, e esgotou Anix fisicamente, mas foi o suficiente para entender o que acontecia.

_ Ouro! Ouro! – repetia o pirata, enlouquecidamente.

_ Fique quieto! Ou então vou amordaçá-lo novamente! – advertiu o elfo. Léo Seis Dedos se calou.

Squall, Lucano e Orion carregaram os sacos para cima, para o convés. Cada um deles devia conter cerca de mil moedas. Se fossem realmente todas de ouro, seria uma pequena fortuna de trinta mil tibares de ouro. No meio do saque, Squall se deparou com algo que fez a emoção dominá-lo. Era uma bolsa feminina, uma bolsa que ele conhecia muito bem. Era a bolsa de Deedlit.

Squall pegou a bolsa, entristecido, e começou a olhar dentro dela, procurando por algo que pudesse ser útil para trazê-la de volta à sua forma original. Havia vários pergaminhos mágicos na sacola, todos enrolados em forma de pequenos tubos, com um papel amarrando-os no qual podia ler qual tipo de magia eram capazes de fazer.

Havia pergaminhos de vôo, de detecção mágica, de mísseis mágicos, e havia pergaminhos de magias de respirar sob a água, muito úteis para alguém que se fora se aventurar em uma ilha no meio do oceano. Havia também um outro rolo com pergaminhos que permitiam ao alvo da magia mover-se normalmente sob a água. Squall sabia que Deedlit não era capaz de usar aquele tipo de pergaminhos, já que eram de magias divinas e ela era uma feiticeira que, assim como ele mesmo, conjurava magias arcanas. Squall deduziu então que Rael, o clérigo de Ab’ Dendriel, deveria ter ido até a ilha com Deedlit. Restava agora descobrir onde ele estava.

Muitos minutos se passaram até que todo o tesouro estivesse sobre o convés. Todos comemoravam, os olhos de Léo Seis Dedos brilhavam mais que o ouro. Mas a comemoração durou pouco tempo. Ouviram um estranho ruído vindo de fora do barco, como se um pano molhado se chocasse na embarcação. Todos voltaram suas atenções para bombordo, enquanto o ruído se aproximava do convés, ritmado e cada vez mais perto. Então puderam ver uma criatura horrenda. Era um ser humanóide, de aparência monstruosa que lembrava uma mulher muito velha e enrugada. Sua pele era viscosa e amarelada, coberta de sulcos gosmentos e verrugas purulentas. Tinha cabelos longos e imundos, embaraçados uns nos outros de forma que lembravam algas marinhas podres. Era uma bruxa.

_ Ah! Amigos da elfa vagabunda! Vieram encontrar sua amiga! Digam-me onde encontrar o amuleto dos planos e eu salvarei a vagabunda para vocês! – a mulher tinha uma voz estridente e aterrorizante. Só de olhar para ela, os heróis sentiam vontade de fugir e se esconder. Léo Seis Dedos começou a chorar convulsivamente, repetindo constantemente “a bruxa!a bruxa!”, entre um soluço e outro. Orion sentiu suas forças diminuindo, tamanho era o pavor que a aparência horripilante da bruxa causava.

_ Quem é você? O que faz aqui? – perguntou um dos heróis.

_ Eu sou Silmara! E quero o amuleto dos planos! Digam-me aonde encontrá-lo e eu irei embora! Caso contrário, irei infernizar a vida de vocês!

_ Cale-se, bruxa! Ou você vai ganhar um presentinho meu! – gritou Anix. Lançou a pequena esfera de enxofre na direção da mulher, concentrando-se para retardar a detonação da magia até o melhor momento.

_ Isso, cale-se, sua maldita! – gritou Squall, disparando uma rajada de energia na mulher. Os projéteis serpentearam e foram de encontro à bruxa. E nada aconteceu.

_ Amigos da vagabunda, só eu posso salvar a vagabunda pra vocês! Se não me disserem onde encontrar o amuleto, não conseguirão salvar a vagabunda!

_ Pra que você quer esse amuleto? – era Orion, ativando as chamas de sua espada.

_ Pra dominar todos os planos! Vou ser a rainha de tudo! Vou dominar os reinos dos deuses e tudo mais que existir! Há! Há! Há! Há! Há! – a bruxa gargalhava compulsivamente, enquanto fitava os aventureiros com seu olhar maligno e insano.

_ Eu vou acabar com você! – gritou o humano, corre até a mulher brandindo sua espada.

_ Adeus! – a bruxa se soltou e despencou no mar. Os heróis correram a tempo de vê-la mergulhando nas águas frias e escuras do mar. – Se quiserem salvar a vagabunda, me entreguem o amuleto! E se quiserem brigar, venham até aqui embaixo! – e, após dizer essas palavras, mergulhou sob as ondas e desapareceu.

Squall pensou em usar os pergaminhos que encontrara na bolsa de Deedlit para is atrás da bruxa, mas Anix o deteve.

_ Vamos voltar para o farol! Está escuro e frio lá embaixo, e o mar está agitado demais! Além disso, nós já estamos muito fracos após todas essas batalhas! Vamos descansar por hoje, e amanhã resolveremos tudo! – disse o mago.

Todos concordaram e retornaram para a torre do farol, levando consigo o tesouro que haviam encontrado no navio. Já estavam de volta à ilha quando uma explosão detonou dentro do navio, destruindo parte do convés. Era a magia de Anix, que só agora detonara, após ter sido retardada pelo mago.

Já no forte, Léo Seis Dedos chorava e soluçava, implorando aos heróis que impedissem a bruxa de conseguir o tal amuleto.Orion mostrou o amuleto que tinha e contou como o havia conseguido. Perguntou ao pirata se aquele poderia ser o amuleto dos planos. E a resposta de Léo foi assustadora.

_ Não deve ser! Ouvi a bruxa dizer que o amuleto está em algum navio que afundou nessas águas! Vocês têm que impedi-la de conseguir o amuleto! Se ela conseguir encontrá-lo, será o fim de tudo! Ela me disse o que vai fazer! Ela quer abrir um portal para trazer a Tormenta para nosso mundo! Não da forma como ela vem hoje, em pequenos lugares, mas de uma vez! Ela quer que a Tormenta invada nosso mundo e destrua tudo! Vocês têm que impedi-la! Ela vai matar a todos nós! Não podem deixar que ela consiga o amuleto! Ela é louca! Aquela bruxa...a bruxa...a bruxa... – Léo Seis Dedos voltou a chorar descontroladamente.

Algo precisava ser feito. Se as palavras do pirata fossem verdadeiras, Arton estaria condenado. A Tormenta, a terrível tempestade rubra, que, com seus demônios e sua chuva de sangue ácido, destruíra a civilização de Tamu-ra e arrasara outros pontos do mundo era o pior tipo de ameaça que poderia existir. Os heróis precisavam impedir a bruxa de atingir seus objetivos insanos, ou então, o mundo todo acabaria.

junho 12, 2007

Campanha A - Capítulo 285 – Engenhoqueiro goblin

Capítulo 285 Engenhoqueiro goblin

_ Vamos ver quem vai queimar quem! – gritou Nailo. Uma flecha partiu de seu arco e foi cravar-se no pé do goblin.

_ Seu orelhudo desgraçado! Furou minha bota! E me machucou! Vou assar você vivo! – praguejou o monstro. – E essas suas flechas não vão mais funcionar comigo, seu verme! – e pegou uma outra arma estranha de sua mochila. Disparou-a apara o alto e inúmeras esferas de metal, do tamanho de um punho, saíram de dentro do cano comprido da arma. As esferas subiram e começaram a cair. E, antes que tocassem o chão, elas se abriram e pequenas hastes com hélices metálicas se projetaram para fora de cada esfera, girando velozmente. E cada esfera passou a flutuar ao redor do goblin, uma hélice apontada para o alto, sustentando-a, outra apontada para frente, como se protegesse o goblin. – Podem disparar quantas flechas quiserem agora, seus imprestáveis!

_ Vamos ver se elas não vão funcionar! – Legolas gritou em desafio e disparou duas flechas, quase simultâneas. Sua mão era firme como rocha e os projéteis saíram em altíssima velocidade, traçando um rastro de minúsculos cristais de gelo pelo ar. Peito e pescoço. As setas atingiram o alvo com grande violência, e o inimigo vomitou sangue e sentiu a garganta ser recoberta por uma camada de gelo.

_ Maldito! Vai me pagar por isso! Será o primeiro a morrer! – vociferou o monstro, engasgado com o próprio sangue.

_ Cale-se, seu desgraçado! Vou tirar suas forças! Arëmikeali – Squall apontou a varinha mágica e um raio negro saiu de sua ponta, mas a criatura reagiu rápido, evitando o disparo com facilidade. Squall praguejou.

_ Qual seu nome? – gritou Anix.

_ Pergunta pra sua mãe, que está aqui no convés, nua! – respondeu o inimigo. Deu um sorriso ao ver a reação do mago. – Ta bom! Eu sou Grinch! Guarde este nome! Pois é o nome do cara que vai te matar, seu orelhudo imprestável!

_ Pois então segure isso, seu maldito! Dare bia natha!!! – Anix apontou a mão para o goblin e uma pequena pedra flamejante voou em sua direção. Parecia prestes a explodir e Anix sabia qual seria o resultado daquilo no meio daquela tempestade de magia caótica, sabia que seus poderes mágicos estavam ampliados, sentia que a sorte estava a seu lado. Nimb apenas sorria.

Uma explosão se formou, envolvendo metade do convés da embarcação e avançando para a ilha além daquilo que Anix previra. Por pouco Nailo não foi ferido também. A explosão fez o navio tremer e chacoalhar, o mastro principal ficou enegrecido. No meio de todas aquelas chamas, o goblin pulava de um lado pra outro, se jogava no chão, levantava, dava cambalhotas. Parecia desesperado, queimando no meio do fogo maximizado pelo estranho clima de Wynlla. Mas, ao se dissiparem as chamas, o goblin permanecia em pé, sem sequer um arranhão. Estava ileso.

_ O que você queria me mostrar, orelhudo? Sua mãe sabe fazer coisas melhores que isso! – provocou o monstrinho. Squall se enfureceu.

_ Não fale assim da minha mãe!

_ Ora, ela não liga! Vem perguntar pra ela aqui no convés!

Enquanto discutiam, Lucano clamou por sua deusa e seu corpo foi tomado de um brilho intenso. Correu até a beirada do pequeno penhasco que era o fim da ilha e saltou, superando sem dificuldade os vários metros que o separavam do navio. Pousou no meio do convés.

_ Ora, veio ver a mãe deles? – provocou o monstro, se dirigindo a Lucano.

_ Não! Vim acabar com você! – foi a resposta do clérigo. Dililiümi tremia e brilhava em suas mãos.

Orion se levantou, com muita dificuldade e com o corpo ferido e queimado. Pegou uma poção mágica para restaurar seu vigor, enquanto Nailo aumentava o seu próprio magicamente e sacava suas espadas. Anix ainda discutia com o goblin.

_ Ah! Cansei de você! Cale essa boca, seu orelhudo chato! – Grinch sacou outra arma estranha, um pedaço de cano preso a um cabo de madeira com uma manivela. Tinha duas pontas afiadas na frente, eram como duas flechas, mas estavam ligadas por uma pequena haste. O goblin pressionou um gatilho, as duas setas foram disparadas em grande velocidade e se fincaram no peito de Anix. O monstro girou a manivela e uma faísca saiu da arma, percorrendo um fio metálico que a ligava às setas cravadas em Anix. Era um relâmpago. O mago tombou, fulminado pela descarga elétrica. Grinch gargalhou.

Legolas disparou seu arco novamente, mas o monstro se esquivou de todos os ataques e riu do elfo. Squall mandou Cloud atacar, e com sua mágica aumentou a força física de Nailo. O pássaro voou num rasante sobre o inimigo, cuspindo fogo sobre ele. O goblin deu uma cambalhota para trás, escapando das chamas sem dano algum. Riu novamente.

_ Idiotas! Não dão conta do recado e mandam esse passarinho vir me atacar! Vou fazer espetinho com esse pardal idiota!

_ Cale a boca! – Era Lucano. Dililiümi ardeu e sua lâmina flamejante golpeou o estômago da criatura. As chamas aumentaram furiosamente, e o sangue do monstro brotou farto.

_ Desgraçado! Agora o primeiro a morrer vai ser você! Não vai mais encostar em mim! – Grinch saltou para longe de Lucano, dando piruetas no ar. Mexeu em sua mochila e pressionou um outro gatilho. Uma enorme hélice surgiu, girando sobre a cabeça do goblin, e ele voou. – Agora você não chegará nem perto de mim!

Orion dava a Anix a poção que ele pretendia tomar, salvando o elfo da morte. Nailo lançava sobre si mesmo outra magia, para também saltar no navio, assim como Lucano. Legolas retesava a corda de seu arco. Então o céu rugiu.

Um relâmpago. Um trovão. E o céu tornou-se verde. O cheiro de cloro juntou-se ao da água salgada e a magia se foi. As armas mágicas se apagaram e os heróis sentiram-se mais fracos. Desesperaram-se.

Legolas disparou suas flechas. Mas, desta vez, foram desviadas pelas esferas que flutuavam ao redor do monstro. Squall enfiou uma poção mágica na boca de Orion, mas ela não fez efeito. Anix levantou e correu, não sentia mais seus poderes, era assustador.

Lucano correu, e saltou para atacar o dispositivo de vôo do monstro. Grinch foi mais rápido e golpeou a cabeça do clérigo com sua arma. Mas o elfo resistiu à dor e prosseguiu no ataque, atingindo em cheio o estranho aparato que mantinha o goblin no ar. E Dililiümi quase quebrou. Nailo, Orion, e todos os outros ficaram paralisados.

_ Há! Há! Há! Isso que dá dependerem de magia! Seus batráquios! Orelhudos inúteis! Eu já não tenho desses problemas! Minhas engenhocas não dependem dessa porcaria! Isso não é feitiçaria, é tecnologia! Agora vocês vão se ferrar, seus vermes! – Grinch levantou vôo com sua engenhoca sinistra. Lucano o atacou novamente, rasgando a mochila que ele tinhas nas costas. Mas, nada caiu da bolsa. – Orelhudo desgraçado! Rasgou minha mochila do espaço etéreo! Perdi minhas engenhocas! Vou matar vocês todos por isso! – Do alto, o engenhoqueiro pegou outra arma, que tinha presa à perna, um cilindro metálico comprido, preso a um cabo de madeira, havia alavancas e manivelas por todos os lados. Pressionou um gatilho, engrenagens giraram e uma esfera cinzenta foi disparada, explodindo próximo ao chão, ao lado de Orion.

Um estranho pó se espalhou, criando uma névoa espessa, quase sólida, que envolveu Orion, Squall, Anix e Legolas. Os olhos dos heróis arderam como se tivessem sal, seus pulmões queimaram como se em chamas, e seus corpos e suas armas e armaduras começaram a derreter. Era ácido.

Legolas correu para longe da névoa ácida, enfiou a mão em sua bolsa marrom e arremessou uma bola felpuda que se transformou em um lobo. O animal espreitava logo abaixo do goblin voador, esperando que ele caísse. Orion caiu, desmaiado, mas foi salvo por Squall, que o arrastou para fora da nuvem corrosiva. Anix fugiu para fora da nuvem, enquanto Lucano tentava usar a arma elétrica que o monstro deixara caída no convés do navio após quase matar Anix com ela.

O engenhoqueiro ganhou altura e transpôs a faixa de água e penhasco que separava a ilha do navio. Em poucos segundos, estava sobre Legolas. Os heróis tentavam ainda se recuperar dos efeitos nocivos do ácido lançado pelo inimigo, Nailo mirava-o, tentando prever o local onde pousaria para atacá-lo, se é que ele retornaria ao chão. Então, o destino lhes sorriu. Um relâmpago cortou o céu verde e a benção de Wynna voltou a se derramar sobre os aventureiros. A magia voltara.

_ Tome isso, inseto orelhudo! – Grinch disparou outra de suas armas sobre Legolas. Um estranho pó amarelado caiu sobre ele, em grande velocidade, penetrando em sua pele, olhos e narinas. Legolas começou a rir e soluçar, como se tivesse ouvido alguma anedota engraçada. Mas, o arqueiro percebeu o intento do monstro e se controlou antes que fosse tarde demais. Engoliu o riso e disparou duas flechas encantadas no inimigo, trespassando seu corpo. Grinch finalmente demonstrou sinais de cansaço.

_ Squall prepare-se para lançar seus mísseis mágicos ao meu sinal! – gritou Anix. O mago, de posse novamente de seus plenos poderes, entoou um feitiço e desapareceu no ar. Teletransporte.

Anix surgiu novamente, no mesmo instante, no alto, atrás do goblin. Agarrou-o pelo pescoço, tentando impedi-lo de usar suas armas novamente, e o peso dos dois se somou para fazer com que o dispositivo de vôo começasse a retornar ao solo, gradativamente.

_ Agora!!! – gritou Anix.

Squall lançou seu feitiço e projéteis de energia saíram de seus dedos, serpenteando pelo ar, e atingiram o corpo de Grinch. Não longe dali, no navio, Lucano evocou o nome de Glórienn, e uma espada de luz surgiu acima de sua cabeça, para fulminar o pequeno monstro com um raio mágico.

Ferido e humilhado, o engenhoqueiro goblin amaldiçoou os heróis, largou a arma que disparava bolas de fogo, sacou uma pequena arma pendurada na perna direita e a disparou para trás, tentando atingir Anix. O mago tentou se desviar do disparo, mas, para sua sorte, o projétil se chocou contra o corpo do próprio Grinch. Era uma pequena esfera rosada que explodiu ao se chocar no ombro do seu criador. A bola se expandiu e inchou, como um imenso balão, e envolveu os corpos de Anix e Grinch, fechando-se sobre eles. Os dois ficaram presos, dentro de uma enorme esfera rosada translúcida e flexível. Os pequenos globos que flutuavam ao redor do monstro foram envolvidos e esmagados pela esfera e ficaram destruídos. A hélice do aparato voador de Grinch se enroscou na parede da esfera, quebrando-se, e os dois despencaram. Chocaram-se violentamente contra o solo, Anix desmaiado, Grinch perto disso.

Legolas saltou sobre o globo com sua faca de caça, tentando rasgá-lo, mas não conseguiu sequer arranhar o objeto. Squall tentou com sua espada e obteve o mesmo resultado. Lucano saltou de volta para a ilha, pronto para matar o monstro e salvar a vida de Anix. O humano Orion tinha menor importância para todos, embora estivesse em pior estado.

O céu brilhou verde novamente, e uma muralha feita de energia pura surgiu no meio do oceano, brilhante. Quatro criaturas elementais de enorme tamanho, compostas apenas de água, surgiram sobre a ilha e mergulharam nas águas turbulentas. Gotas de chuva transformavam-se em mariposas de fogo, antes de sequer se aproximarem do solo, iluminando a noite escura. O reino da magia parecia saldar a visita dos heróis com seus fogos de artifício exóticos.

Em meio a todo esse caos mágico, Nailo apanhou do chão a arma mais perigosa de Grinch, a mesma que disparara um projétil explosivo no peito de Orion. Encostou o cano da arma na bolha e pressionou-o até amassar a parede flexível e cobrir o cano por completo. Disparou. Um enorme estrondo foi ouvido, e as chamas espirraram pela lateral da bolha, ferindo o ranger e Squall, que estava mais próximo. O globo finalmente foi furado, e o ar que estava dentro dele começou a vazar, lentamente. Grinch amaldiçoou uma última vez os heróis, e desfaleceu.

Legolas deu um pontapé na boca do inimigo abatido, e Squall enfiou a mão na abertura da bolha e puxou a cabeça de Grinch pra fora, agarrado pelo pescoço. O feiticeiro mostrou suas presas, e Nailo tentou segurá-lo e impedi-lo, mas já era tarde. Squall rasgou a garganta de Grinch a dentadas, retirando o pouco que restava de vida no goblin engenhoqueiro.

Nailo protestava, enfurecido. Queria manter o goblin vivo para interrogá-lo e descobrir mais sobre ele e seus companheiros. Num ímpeto de raiva, no calor da discussão, desferiu um soco no rosto de Squall. Cheio de cólera, o feiticeiro energizou sua espada, seus olhos brilharam vermelhos, sua lâmina era fogo. A espada de Squall rasgou o peito de Nailo e bebeu seu sangue com fartura. Nailo nada fez. Continuou se afastando do grupo, segurando o ferimento que sangrava, e foi ajudar Orion. Ainda cheio de ira, Squall rasgou o que restava da bolha, abrindo caminho para Lucano curar os ferimentos de Anix. O mago despertou, quase ao mesmo tempo em que o humano, e os dois se juntaram ao grupo para inspecionar as estranhas armas portadas pelo goblin. Ao menos, o que havia restado delas.

junho 01, 2007

Campanha A - Capítulo 284 – Navio pirata

Capítulo 284 Navio pirata

Já do lado de fora da torre, na pequena porção de praia onde tinham aportado, Anix começou a bater a ponta do pé na areia úmida. A chuva parara há poucos minutos, mas o céu continuava negro, embora de tempos em tempos fosse tomado por um brilho verde assustador.

_ Pessoal! Tenho uma idéia pra salvar a Deedlit! Quero ouvir a opinião de vocês! Eu pensei em abrir um portal mágico debaixo dela, para ela cair dentro dele. A outra ponta do portal ficaria aqui na praia, acima do chão. Assim, quando a Deedlit caísse, seu corpo iria bater na areia e não se quebraria. Depois a gente a levaria para Ab’ Dendriel nesse barco! – disse Anix.

_ É muito arriscado, Anix! E se na hora que você fizer a magia acontecer algo estranho como das outras vezes. Não podemos arriscar! – discordou Nailo.

_ Mas nós não temos outra opção! – insistiu o mago.

_ Temos sim! Tem um navio enorme lá atrás do farol, Legolas, Silfo e eu o encontramos por acaso. Vamos buscar uma das velas dele, e cordas, para descermos Deedlit pendurada até o chão. Depois a gente a coloca no navio e vamos embora com ele, que é muito mais seguro do que esse barquinho que nos trouxe até aqui!

_ Mas a magia será rápida, talvez dê tempo de trazê-la em segurança antes que aconteça algo novamente!

Mas, por ironia do destino, após Anix dizer estas palavras, o céu foi tomado de um verde intenso que parecia bailar entre as nuvens. E a magia desapareceu por completo. Suas armas mágicas se apagaram, seus poderes deixaram seus corpos. E o pavor tomou conta de todos. Estavam em campo aberto, visíveis a qualquer ameaça, e privado de seus principais poderes. Mas, por sorte, o efeito durou pouco e em segundos tudo voltou ao normal. Os heróis viram seus itens mágicos brilharem com maior intensidade e sentiram a mana mágica transbordando em seus corpos. Squall sentiu toda a força roubada pelo pato da perdição retornar para seu corpo, e todos aproveitaram a chance para curarem seus corpos com suas poções mágicas. Com todo aquele poder extra, era impossível a magia de Anix falhar. Com sorte, talvez ele pudesse teletransportar Deedlit e todos para o continente em segurança. Era uma chance muito boa para ser desperdiçada, e a discussão voltou.

Enquanto Nailo e Anix debatiam, Orion, ouvindo sobre a existência do navio, decidiu olhar com seus próprios olhos a tal embarcação. Enquanto caminhava, lembrava das palavras de Deedlit, sobre a bruxa e o amuleto, e perguntava-se se não iria encontrar a tal bruxa no navio e se ela não iria tentar roubar-lhe o amuleto que carregava. Seria aquele o tal amuleto que a bruxa desejava, e pelo qual tinha atacado os pescadores e feito Deedlit prisioneira? Orion desejava encontrar a resposta, e desejava saber o quanto antes qual a missão que sua deusa tinha lhe reservado no meio daquele grupo de elfos arrogantes que o tratavam com desconfiança. Desejava saber quem era a misteriosa velha que encontrara na cabana da estrada e o que era aquele colar que ela tinha lhe dado. E, mais do que tudo, desejava saber quando encontraria o assassino de sua família, para poder vingar seus parentes mortos.

Perdido em seus pensamentos, Orion chegou ao navio mencionado por Nailo. Sem que ele soubesse, os elfos já se dirigiam para o mesmo lugar. Orion estava diante de uma gigantesca embarcação. Tinha três grandes mastros em seu convés, sendo que o central, e o maior deles, media mais de dez metros de altura. Todas as velas estavam recolhidas e o navio permanecia solitário, ancorado vários metros da costa pedregosa. Com um salto de sorte era possível que ele alcançasse o convés do navio, mas teria de ser um pulo sobre humano. Além disso, se falhasse, cairia entre o navio e o paredão rochoso que descia até a superfície agitada do mar e fatalmente morreria afogado ou esmagado, prensado entre o casco do navio e a costa. Orion decidiu não arriscar. Pegou uma corda e amarrou em seu escudo de aço, e arremessou-o dentro do navio. Puxou lentamente a corda, tentando fazer com que ela se prendesse em algo firme, quando viu os elfos se aproximando, furiosos.

_ Idiota! O que está fazendo! Vai atrair os inimigos! Se tiver alguém ai dentro, já deve saber da nossa presença por sua culpa! – gritavam os filhos de Glórienn.

Orion, cansado de ser destratado por aqueles a quem ajudava, largou a corda e o escudo (que se fixara em alguma coisa, mas não estava firme o suficiente para suportar seu peso) e decidiu saltar para o navio.

Tomou distância e saltou. O corpo do guerreiro, revestido de aço reluzente, alcançou grande altura, mas começou a cair na metade da distância que o separava de seu objetivo. Orion ia cair no mar. Mas, todos foram surpreendidos pelo que aconteceu a seguir.

Uma esfera negra, do tamanho de uma cabeça de criança, veio do navio em alta velocidade. Atingiu em cheio o peito do humano. Canhões! Pensaram os elfos, lembrando-se da jornada que fizeram no mar Negro rumo à ilha de Ortenko. Então, a esfera explodiu e, embora uma bala de canhão pudesse estilhaçar o casco de um navio, uma casa ou outra construção, todos sabiam que balas de canhão não explodiam. Mas aquela explodiu. Detonou em chamas que se espalharam rapidamente e cobriram uma vasta área, atingindo até os que estavam na costa. Parecia até uma magia de bola de fogo, como as que Squall e Anix costumavam usar.

Orion foi arremessado de volta para a ilha.Caiu com violência no chão, sua armadura toda chamuscada e amassada. Todos tentavam ainda entender o que tinha acontecido, quando uma risada vinda do navio lhes chamou a atenção. Um ser pequeno e atarracado, com feições brutas e porcinas surgiu de trás da amurada. Era um goblin. Tinha um lenço amarrado à cabeça, e uma máscara estranha com lentes de vidro cobriam seus olhos. Vestia roupas de couro e tecidos coloridos e calçava botas de cano alto com abas dobradas para se ajustarem às suas pernas reduzidas. E trazia uma porção de itens estranhos pendurados ao corpo. Estranhos objetos de metal, com formas grotescas e utilidade duvidosa adornavam o corpo do pequeno e repugnante ser. Nas suas mãos, uma estranha arma, um tubo fumegante de metal preso a um cabo de madeira, cheio de complexas engrenagens, cabos e gatilhos, exalava uma aura de mistério. Uma arma de fogo! Pensaram todos. Mas, não era uma arma de fogo comum, do tipo que tinham ouvido falar, ou das que o capitão Arthur Tym deveria possuir no Lazarus e igualmente diferente das que o pirata Jack de Forte Rodick usava escondido. Essa era complexa e disparava com a potência de um canhão. Com a potência de uma bola de fogo de um conjurador experiente. Com um ar de superioridade que contratava com sua aparência grotesca, o goblin colocou um pé sobre a amurada da nau e fez-se ouvir numa pilhéria.

_ Vamos lá, seus mandriões! Venham e queimarei seus traseiros um a um! Seus batráquios de orelhas compridas! – e deu uma cusparada no chão e moveu as mãos como se carregasse sua estranha arma.