novembro 05, 2008
Brincando de Jurassic Park
Lembro que uma vez, durante as férias, montei uma arena em casa, apenas para passar o tempo com a galera que não tinha ido viajar. Era realmente uma arena, sem roleplay, mas, apenas disso, com um background. Usei o enredo do filme Jurassic Park 3, ou seja, os personagens deveriam entrar numa Galrasia da vida e resgatar um moleque chato, e o cenário do Jurassic Park 2, aquele laboratório onde os velocirraptor ficavam pulando feito macacos nos puleiros. Foi divertido! E agora podemos fazer tudo de novo, só que "oficial", dentro da campanha.
Um fato engraçado. O Squall, no dia da arena, fez santuário em si para que os dinossauros não o atacassem. Deu certo, até ele pegar o garoto no colo para levá-lo embora. Ora, os bichos não podiam atacar o Squall (que estava usando um clérigo no dia) por causa da magia, mas nada os impedia de atacar o moleque. Conclusão: Squall deu no pé (na hora que o T-Rex apareceu no fim da sessão), carregando somente o tronco e os braços do moleque, já que a cabeça e as pernas tinham virado rango de velocirraptor ^_^
Capítulo 325 – O Mundo Perdido
O pequeno bote de madeira atracou na praia. Era uma larga faixa de areia amarelo escura, que se estendia por todo o litoral da ilha além do alcance dos olhos atentos dos que aportavam. Atrás do grupo, o navio do capitão Engaris se distanciava, já desaparecendo atrás do horizonte. E à frente havia a selva de Galrasia. Uma floresta de proporções gigantescas e mistérios por descobrir.
Galrasia era uma ilha, uma gigantesca ilha perdida no meio do Mar Negro. Diversos eram os marinheiros que sabiam chegar até ela e maior ainda era a quantidade de aventureiros dispostos a irem até aquela ilha. Ainda assim, Galrasia era um mundo perdido. Perdida no tempo, pela existência de criaturas que há muito não existiam mais em outras partes do mundo. Perdida para a civilização, já que era um local inóspito, extremamente selvagem e perigoso. Perdida em si mesma, pois Galrasia continha mistérios ancestrais, muitos deles cujas respostas estariam para sempre perdidas.
Anix sabia, pelos seus estudos, que Galrasia possuía diversas ruínas de alguma civilização extinta há eras. Essas ruínas atraíam aventureiros em busca de riqueza e glória, mas, muito mais do que tesouros, elas guardavam perigos titânicos. Sabia também que, além dos aventureiros, piratas procuravam as riquezas da ilha, além de buscarem refúgio das autoridades do reinado naquela imensidão verde e isolada.
Legolas, por sua vez, comentou que ouvira dizer que a ilha era habitada por povos selvagens, bárbaros extremamente hostis, conhecidos por povos-trovão. Eram criaturas estranhas, que tinham semelhanças com dragões e outros monstros. Por esse motivo, os heróis decidiram que era melhor evitar o contato com esses povos.
Por fim, Nailo alertou-os dos perigos que a própria natureza escondia naquilo que muitos chamavam de Inferno Verde.
_ Tudo nessa ilha é maior. Maior e mais perigoso. Com certeza encontraremos animais muito maiores que os que estamos acostumados a ver. Serão criaturas bestiais, verdadeiros monstros atrozes. Devemos tomar cuidado, muito cuidado. Mesmo as plantas poderão ser perigosas aqui. Ervas venenosas, e mesmo animais, terão toxinas muito mais poderosas que qualquer outra já vista por nós. Vamos descansar aqui antes de entrarmos na mata. Quando estivermos totalmente restabelecidos, seguiremos adiante.
_ Bem, não sei quanto a vocês, mas eu estou com pressa – disse Legolas.
_ Vamos fazer o seguinte então. Vamos descansar por uns dez minutos e depois partiremos – disse Anix.
Todos concordaram com o mago. Tiraram seus equipamentos do barco e empilharam tudo na areia enquanto faziam uma refeição rápida. Os elfos conversavam entre si, decidindo qual direção tomariam a seguir.
_ Só há uma direção. É para frente que devemos ir – disse Legolas. – Vamos vasculhar essa selva inteira até encontrarmos aquele maldito do Zulil.
_ Mas isso aqui é enorme. Podemos passar a vida inteira aqui sem encontrá-lo. Precisamos escolher um caminho lógico, para não perdermos tempo – disse Anix.
_ Então escolham. Eu vou me lavar enquanto vocês pensam. Mas decidam logo, pois não podemos ficar aqui por muito tempo. Essa praia é uma área alagadiça e quando a maré subir tudo aqui ficará submerso. Olhem as raízes daquelas árvores e saberão que estou com a razão – Legolas apontou para as árvores além da praia, todas de raízes retorcidas e elevando-se acima do solo lamacento. Após isso, Legolas foi para o mar. Os demais voltaram a confabular.
Sem tem o que fazer e sentindo-se ainda não desejado no grupo, Orion decidiu ocupar seu tempo e sua mente enquanto os elfos faziam planos.
_ Anix. Poderia me emprestar algum livro seu sobre magia? Quero aprender um pouco e entender como vocês conseguem usar esses poderes, apenas por curiosidade – pediu o humano.
_ Você quer aprender magia? Isso é estranho! Não é você um guerreiro? Pois deveria ocupar-se então em treinar com sua espada e em aumentar sua força, não em estudar magia. O que você quer com isso? – perguntou Nailo.
_ Nada, apenas entender como isso funciona. É apenas curiosidade. Além do mais, a pessoa que vamos enfrentar é um mago, e se eu conhecer o funcionamento dos poderes dele, poderei combatê-lo melhor. Afinal, vocês sabem, conhecimento é poder – respondeu Orion.
_ Espere um pouco aqui, Orion! – pediu Anix. Chamou seus companheiros para a borda da mata, longe de Orion, e começou a conversar com eles falando o idioma dos elfos. – O que vocês acham desse Orion? Confiam nele?
_ Bem, ele tem nos ajudado até agora, mas é muito estranho tudo ao redor dele. Apareceu de repente em Ab’ Dendriel e depois em Malpetrim, sabendo tudo que nos acontecia, dizendo que o colar tinha dito a ele. Não sei o que fazer – disse Lucano.
_ Realmente é estranho – falou Nailo. – Mas ele está nos ajudando desde que nos encontrou pela primeira vez. E ele disse que a deusa dele apareceu para ele e mandou que ele nos ajudasse. Lembrem-se que nós mesmo já tivemos o privilégio de falar com três deuses e foi o próprio Oceano quem nos disse que poderíamos confiar no humano. Acho então que devemos dar uma chance a ele. Sei que não estamos mais no exército e que a única coisa que o liga a nós é sua própria vontade. Não temos obrigação nenhuma com ele, mas sinto que devemos lhe dar um voto de confiança.
Legolas já retornava da água, após se lavar e se vestir, e estava pronto para partir quando se aproximou dos companheiros. Então, uma voz soou em suas mentes, uma voz élfica, grave e imponente.
_ Atentai, ó filhos de Glórienn! – disse a voz, no idioma dos elfos.
_ Quem é? Quem disse isso? – perguntou Nailo, em sua própria língua, espantado.
_ Sou Dililiümi e estou falando diretamente em vossas mentes. Podeis falar comigo da mesma forma, pois posso ouvir vossos pensamentos. Atentai para o que tenho a dizer. Deveis confiar no humano e levá-lo convosco na perigosa jornada que se inicia. Enfrentareis grandes perigos e o humano poderá ser de grande ajuda quando o perigo surgir – disse a espada.
_ Nenhuma espada vai me dizer o que fazer! Não vou receber ordens de espada alguma! – ralhou Legolas.
_ Não se tratam de ordens, Legolas! Mas sim conselhos! – respondeu a espada.
_ Não preciso de seus conselhos! – E Legolas se afastou do grupo, procurando por um caminho entre as raízes das árvores.
_ Pois que seja – disse a espada, e o arqueiro não voltou a ouvir sua voz. – Como dizia, - continuou ela - deveis confiar no humano por ora, pois é prudente. Mas deveis ter cautela. Em quase mil anos de existência poucos foram os homens de valor que vi e em quem se podia confiar. Mas afirmo que, embora raros, eles existem. Esse humano que voz acompanha tem até agora demonstrado lealdade para com vós e pode ser que ele seja um destes raros dignos de serem chamados de amigo dos elfos. Entretanto deveis ter prudência, pois essa lealdade pode um dia findar. Ele busca o poder através do conhecimento, com ele próprio disseste, mas para qual propósito busca esse poder, isso vós não sabeis. Portanto vos aconselho, confiai em Orion, mas sejais prudentes.
_ Está certo, faremos isso, então – concordaram os elfos. – Dililiümi, conhece os caminhos nesta terra? Sabe qual direção deveríamos tomar? – perguntou Nailo.
_ Não! – respondeu a arma. – Embora tenha estado neste mundo por quase um milênio, nada sei sobre este lugar além do que vós sabeis. Um guia faz-se necessário neste momento, ou ao menos alguém versado nas histórias deste lugar ainda que superficialmente, ainda que conhecedor apenas de lendas, como um bardo.
_ É, não temos ninguém assim no grupo. Teremos que nos virar sozinhos mesmo. Obrigado! – disse Lucano.
A espada finalmente silenciou e os elfos voltaram para a praia, para onde Orion os observava e aguardava. Anix lhe falou com sinceridade e de modo amistoso, mas suas palavras eram duras mesmo assim.
_ Orion, conversamos a respeito e decidimos que não é o momento para isso. Você chegou há pouco tempo no grupo e, embora tenhamos ficado no mesmo forte por vários meses, ainda não nos sentimos totalmente seguros ao seu lado. Se desejar realmente aprender magia, conquiste primeiro nossa confiança e seu lugar no grupo com seus atos, e então eu poderei lhe ensinar. Além do mais, não podemos perder mais tempo.
_ Está certo. Entendo seu ponto de vista. Meus atos nessa jornada provarão meu valor. Até lá, aguardarei – respondeu o humano.
_ Bem, não temos tempo a perder, como disse o Anix. Vamos seguir em frente! – convocou Lucano.
_ Anix! Empreste-me essa vassoura! – gritou Legolas, saindo do emaranhado de raízes do mangue à frente. – Nailo, venha comigo!
Os dois montaram na vassoura mágica e decolaram, subindo muito, acima das copas das árvores. Só o que viam à frente era um verdadeiro mar verde de enormes árvores copadas e frondosas. Parecia não haver aberturas na densa vegetação que recobria Galrasia, a não ser por um único ponto, centenas de quilômetros à frente, onde um gigantesco pico se elevava solitário e imponente. Legolas sabia pelo que via que não deveria haver muitos acidentes geográficos, tais como montes, penhascos, planaltos, e outros, de modo que seria simples encontrar o desfiladeiro correto. Entretanto, encontrar qualquer coisa, mesmo um grande penhasco, naquele lugar imenso seria uma tarefa nada fácil. Nailo também atentava para outros perigos que o terreno poderia apresentar, como pântanos, onde a jornada poderia ficar ainda mais arriscada. Após alguns minutos de observação, os dois retornaram para o solo, trazendo as boas novas.
_ Encontramos um riacho não muito distante a oeste daqui. E acho que vimos um porto ou coisa parecida a leste. Este último está muito distante, a um dia daqui, creio eu, e parece estar deserto, ao menos sem pessoas como estamos acostumados a ver - disse Legolas, devolvendo a vassoura para Anix.
_ Vamos seguir pelo riacho, então. Ficaremos a um quilômetro dele, seguindo paralelo ao curso d’água. Lá poderemos ter acesso a alimentos e a água, e pode ser que encontremos algum povoado, seja hostil ou não. E, como os monstros da ilha devem procurar o rio por causa da água, manteremos uma distância segura dele – disse Nailo.
_ Mas como conseguiremos acompanhar o rio de uma distância tão grande, Nailo? – perguntou Anix. Mas, antes que a resposta pudesse ser dada, Orion se adiantou.
_ Que tal se formos até o riacho antes de decidir o que fazer? Eu levarei o nosso bote até lá e, caso o rio seja navegável, poderemos subi-lo de barco. O que acham?
_ Bem, se a ilha é infestada de criaturas gigantescas e perigosas, com certeza a água que corre através dela também será. Mas essa é uma boa idéia! Quando chegarmos ao rio decidiremos o que será melhor fazer – concluiu Nailo.
Assim o grupo seguiu pela costa lamacenta, até encontrarem areias brancas e o veio de água que corria silencioso cortando a praia e desaguando no grande mar. Uma hora havia se passado desde que haviam chegado à Galrasia e o sol alto anunciava que a manhã se aproximava do fim. O riacho era largo em sua foz, rasgando a praia e dividindo-se em cursos menores e ligeiros que tomavam uma vasta área da praia. Sua água era clara e cristalina, e podia ser bebida sem receio, como indicou Nailo. Não era profundo, alcançando com esforço os dois metros, como comprovaram os heróis.
_ Vamos subir pela água! – anunciou Nailo. – Eu irei dentro da água, empurrando o braço com todos vocês dentro. Dessa forma nossos remos não farão barulho e não chamarão a atenção dos monstros para nós. Só espero que nenhum deles esteja à espreita dentro do rio aguardando para me devorar. E desejo que encontremos alguma tribo ribeirinha e que seja uma tribo amistosa. Mas antes, vamos descansar um pouco aqui, à sombra das árvores. Essa caminhada me deixou exausto e esse calor está me matando.
_ Sim, eu também estou cansado – disse Lucano. – e esse calor que sentimos não é normal. Há algo mais nessa ilha, além do sol e do mormaço que a torna desse jeito. É como se existisse algum tipo de aura mágica nela, algum tipo de energia que emana calor, como se nos aproximássemos de uma fogueira. O estranho é que, de algum modo, isso me é familiar.
_ Bem, mais dez minutos então, pessoal! Depois prosseguiremos! – completou Anix.
outubro 21, 2008
Kraken
Bom, nos próximos capítulos teremos uma expedição na sela de Galrasia, cheia de perigos e surpresas.
Capítulo 324 – Perigo no mar
Tinham viajado já por sete dias completos, quando ancoraram o navio no anoitecer 13º dia de Lunaluz. As velas foram recolhidas e os marujos entregaram-se a uma merecida noite de repouso. Era por volta de onze horas da noite quando o capitão Engaris encontrou os heróis no convés. Estava pensativo, andando de um lado para outro com a mente distante e o olhar perdido no horizonte.
_ Algum problema, capitão? – perguntou Nailo.
_ Sim, Nailo. Parece que vem uma grande tempestade ai. Dê só uma olhada nessas nuvens. – respondeu Engaris.
Nailo olhou para o alto e viu pesadas nuvens negras deslocando-se velozmente para o norte e fechando-se sobre a embarcação, com se atraída por ela. Distante no horizonte a situação era ainda mais sombria. Relâmpagos cortavam o céu, acompanhados do estrondo de poderosos trovões. E o vento se movia cada vez mais veloz, balançando as velas cada vez com mais violência.
O capitão chamou seu imediato e deu ordens para que as velas fossem recolhidas e amarradas.
Pouco tempo depois, uma pesada chuva despencou sobre o navio. Eram gotas grossas e geladas, acompanhadas de grande quantidade de granizo. O vento sacudia o navio de um lado para outro e o faiscar dos relâmpagos iluminava o céu negro. A apenas algumas dezenas de metros da nau, viram um cone escuro descer das nuvens até tocar a superfície do oceano. A água subiu pelo cone, arrastada pelo vento e formando uma tromba d’água que cresceu e tomou a forma de um poderoso tornado.
Alheio a tudo o que acontecia estava Legolas, sentado no alto do cesto da gávea com o olhar perdido no horizonte a mente ainda tentando se adaptar a todas as desgraças pelas quais tinha passado dias atrás.
O navio jogou de um lado para outro e todos ouviram o som de algo se chocando contra o casco da nau. Nailo ouviu um som estranho da água se agitando e sentiu que havia algo errado. Seus olhos apurados viram uma sombra se movendo sob o navio e ele sacou suas rosas gêmeas e se preparou.
_ Todos às armas! – gritou Legolas, do alto do mastro principal após ver a gigantesca sombra passando sob o navio e desaparecendo nas profundezas.
_ O que foi Legolas? – perguntou Anix.
_ Tem uma lula nadando embaixo do navio! – respondeu o arqueiro, levantando-se e preparando sua arma.
_ Mas como você conseguiu ver essa lula através do casco do navio? – perguntou Engaris, sem suspeitar qual era o tamanho da tal lula vista por Legolas.
_ Ora, eu poderia ver uma lula através da sua alma! Parem de fazer perguntas e preparem-se! – gritou Legolas.
Na popa, Engaris preparava-se para fazer algum comentário, talvez uma bravata, quando empalideceu por completo, apontando para a proa da embarcação e gaguejando gritou:
_ Kra...kra...kraken!!!
Do fundo do oceano ergueu-se um gigantesco tentáculo de polvo. Tinha a grossura de um homem e cada uma de suas ventosas era do tamanho de uma cabeça humana. A massa de carne golpeou Lucano mais rápido do que qualquer um poderia esperar, arremessando-o longe. Antes que o clérigo pudesse cair, o tentáculo já o alcançara e se enrolava ao redor dele, esmagando-o com gigantesca força. Lucano gritou, sentindo seus ossos sendo esmagados como gravetos e, antes que seus companheiros pudessem correr para ajudá-lo, outros sete tentáculos se ergueram das águas, serpenteantes como cobras e acompanhados do gigantesco corpo do animal ao qual pertenciam, o corpo do kraken.
O kraken era um enorme molusco, uma lula imensa, tão grande quanto o próprio navio. Cada um dos seus tentáculos era longo o suficiente para abraçar a nau inteira e forte o bastante para parti-la em seu abraço mortal.
_ Kraken!!! Ataquem!!! Leusa thiareba!!! – gritou Legolas do alto, disparando uma rajada congelante de seu arco no monstro. A criatura pareceu nem sentir o ataque.
_ Nailo! Amigos! Fiquem perto de mim! – gritou Anix segurando o ranger que avançava ao encontro de Lucano. O mago pegou então um punhado de esterco bovino em sua bolsa, murmurou um feitiço e espalhou o esterco ao redor de si e em seus amigos. Seus corpos brilharam, imbuídos de força mágica e preparados para o combate.
Mas, antes que pudessem atacar com sua nova força, o Kraken reagiu primeiro, seus tentáculos imensos golpeando, agarrando e esmagando Lucano, Orion e Squall. Três dos heróis estavam presos pelo monstro, indefesos frente à sua incomparável força. A criatura atacou o cesto da gávea, destruindo-o, quebrando a ponta do mastro e tirando Legolas de seu esconderijo. A fera continuou atacando o elfo que se agarrara ao mastro, tentando derrubá-lo. O arqueiro segurava-se ao poste de madeira, resistindo bravamente às marteladas desferidas pelo inimigo. No solo seus companheiros se debatiam, subjugados pelo poder do monstro.
_ Grande Oceano! Clamo por tua ajuda nessa hora de necessidade! – orou Nailo. O ranger correu pelo convés, em direção à borda do navio e saltou. Mergulhou na água agitada, um ato suicida e desesperado. Porém, sua prece foi atendida. Em contato com a água do mar, o colar do deus surgiu de dentro do corpo de Nailo e ele podia respirar sob a água. Nadando o mais rápido que podia, Nailo tentava se aproximar do monstro para atacá-lo.
No convés, Orion golpeava o kraken com sua espada seguidas vezes. Mesmo assim, a criatura o agarrava cada vez mais forte, tirando-lhe o sopro de vida que ainda restava nos pulmões. Lucano e Squall não estavam em melhor situação. Já a beira da morte, o clérigo não podia fazer outra coisa além de usar sua magia e prolongar sua vida, na esperança de ser salvo pelos amigos. Vendo o desespero e o perigo no qual o clérigo se encontrava, sua espada novamente o ajudou.
_ Acalmai-te ó filho de Glórienn! Ajudar-te-ei a derrotar essa besta que tenta destruir a vós e a vossos irmãos elfos! – a voz da espada fez-se presente, alta e clara para todos ouvirem. De sua lâmina partiu uma faísca brilhante que atingiu o corpo do kraken e explodiu
Squall, esmagado por um dos tentáculos, concentrou sua mente e, pelo poder do anel mágico, transformou-se
Os heróis se recuperavam da desvantagem inicial, mas a noite ainda tinha surpresas para eles. O capitão Engaris badalava o sino, desesperado, chamando por seus marujos. Os homens subiram ao convés e com arpões tentavam afastar o monstro do navio. Mas um perigo maior se aproximava. O tornado formado pela tempestade mudara sua direção, indo para cima da frágil embarcação. Engaris girava o timão, tentando virar sua nau, mas era inútil, já que ela estava presa pelo monstro. Enquanto alguns combatiam, outros começaram a soltar as velas para por o navio em movimento e escapar da tormenta.
Sentindo que era preciso agir rapidamente, Legolas se atirou corajosamente do alto do mastro central do navio, dando várias piruetas no ar e pousando sobre o convés. Mais dois ou três passadas largas e ele se atirava para fora da nau, mergulhando no vazio, escapando dos tentáculos que serpenteavam e aterrissando sobre o corpo do enorme molusco. Chrishe, gritou ele, disparando o arco sem munição na criatura. Um raio em formato de flecha se formou e atingiu o enorme olho da criatura, congelando-o quase totalmente, causando enorme dano ao kraken. Mesmo assim, a fera resistia.
Os tentáculos se voltavam para atacar Legolas, quando, de cima da nau, Anix atacou. Seu cajado estava erguido, faiscando como o céu tempestuoso, como se chamasse para si os relâmpagos que dançavam entre as nuvens. Anix apontou o dedo indicador para o kraken e um relâmpago brilhante e estrondoso partiu em direção ao monstro. Legolas saltou, enquanto o monstro tinha espasmos pelo ataque. Sob a água, Nailo via um belo brilho azulado envolvendo o inimigo. Mesmo assim, o kraken ainda resistia.
O monstro apertou ainda mais o corpo de Lucano e de Orion. Golpeou Legolas e Nailo com tamanha força que o arqueiro quase ficou inconsciente. Por fim, três de seus membros agarraram Orion e o colocaram diante da enorme bocarra em forma de bico que começou a comer a carne do guerreiro.
Enquanto Orion se debatia sob a água, tentando escapar da mordida do kraken, Squall, em forma de dragão, voou até o inimigo, escapando da fúria de seus tentáculos e pousou sobre seu corpo enquanto lançava sobre ele uma poderosa baforada de fogo. Legolas subiu nas costas de Squall, disparando duas vezes o seu arco no monstro, ferindo-o ainda mais. E o kraken ainda resistia.
Lucano, auxiliado por Dililiümi, golpeava o tentáculo tentando se soltar. Sobre o dorso de Squall, Legolas continuava disparando seu arco sem cessar. Sob as ondas, Orion atacava o bico córneo do monstro até parti-lo em pedaços, enquanto Nailo fatiava o dorso do monstro com suas espadas gêmeas. Ainda assim a fera resistia. Anix então gritou:
_ Legolas, Squall, protejam-se! – e das mãos do elfo uma bola de fogo partiu, atingindo a cabeça do kraken e explodindo seu olho já ferido. Legolas e Squall voaram para longe das chamas. Nailo, Orion e Lucano continuaram atacando enquanto as chamas lutavam contra a chuva incessante. E o monstro não resistiu.
Os tentáculos caíram sem vida no oceano. O kraken começou a afundar lentamente. Na embarcação, os marujos lançavam cordas para resgatar Nailo e Orion, e o capitão começava a manobrar evasivamente para escapar do tornado. Nailo arrancou um grande pedaço do monstro antes de subir a bordo. Daria um ótimo assado segundo ele. Com a ajuda de todos, em poucos instantes o navio voltava a se mover, suas velas infladas pelo vendaval. Minutos depois a ameaça do kraken e do tornado eram apenas lembranças. Procuraram por uma área de águas calmas, onde finalmente puderam descansar.
Mais três dias de calmaria se passaram desde então, e na manhã do dia 17 de Lunaluz, o Arthur Tym – Liberdade finalmente alcançou a costa de Galrasia. Era uma ilha monumental tão extensa que parecia mais um continente. Uma floresta de árvores colossais se erguia logo após uma curta faixa de areia que formava uma pequena praia. No que calculavam ser o centro da ilha, uma montanha se erguia, solitária e imponente, centenas de metros acima do solo.
_ Bem, nós aguardaremos o retorno de vocês no navio, meus amigos. – disse Engaris. – Ficaremos a uma distância segura da ilha. Esse local é perigoso e não quero arriscar nossos pescoços.
_ Que tipo de perigos existem na ilha? – perguntou Nailo.
_ Monstros. Dinossauros, como aquele lá no alto! – exclamou o capitão, apontando para o céu, onde um monstro reptiliano voava tranqüilamente. Suas asas abertas chegavam a ter facilmente uns cinco ou seis metros de uma ponta à outra.
_ Há alguém que viva lá além dos monstros? Humanos? – perguntou Anix.
_ Nunca ouvi dizer isso e creio que não exista nada além de monstros por lá. Há um boato de uma humana que vive na ilha sozinha, mas eu duvido que uma jovem possa sobreviver sozinha nesse inferno verde. – respondeu o capitão.
_ Bem capitão! – disse Squall. – Para sua segurança, é melhor que não fique por aqui nos esperando. Volte para Malpetrim. Daqui pra frente nós podemos nos virar. Tenho pergaminhos mágicos que poderão nos transportar de volta para o continente.
_ Sério? Bom, então nós iremos embora mesmo! Fiquem com o barco salva-vidas e boa sorte a todos. E que nós possamos beber juntos novamente algum dia! – disse Engaris, despedindo-se dos heróis.
_ Adeus, capitão, e obrigado pela ajuda! – disseram os heróis.
O grupo desceu até a flor da água, onde um pequeno bote de madeira, cheio de provisões e ferramentas, os aguardava. Remaram em direção à ilha, enquanto o Arthur Tym – Liberdade se afastava levado pelo vento. Minutos depois eles pisavam na areia da praia de Galrasia. A vida era abundante naquele lugar, em cores, cheiros e sons. Era possível sentir a energia vibrante daquele misterioso lugar, na forma de um calor envolvia os corpos dos heróis como se eles estivessem próximos de uma fogueira acesa. Uma mosca do tamanho de uma mão humana voejou ao redor dos aventureiros, deixando-os espantados. Mas, não havia tempo para admirar o lugar ou para se assustar com ele. Tinham uma missão a cumprir e com isso em mente, os seis heróis penetraram no mundo perdido de Galrasia, onde o perigo e a aventura os aguardavam.
outubro 20, 2008
Cajado do poder dracônico
Finalmente, eis o cajado do Anix. É uma versão modificada do item homônimo do Draconomicon (já falei que esse livro é ótimo?). Limitei os poderes dele em vezes por dia, abolindo a regra de cargas normal do D&D. Assim, o item não fica inútil após gastar 50 cargas. Além dos 3 primeiros poderes originais do Draconomicon, acrescentei outros para dar ao usuário todos os poderes do dragão. Inclui vôo, a presença aterradora e metamorfose para virar um dragão (sem direito a sopro, etc). Ficou legal. Isso encerra o ciclo dos itens. Mais pra frente o Orion também ganhará um item especial, que na verdade não será um item, mas sim uma criatura. E vou dar uma revisada no sopro gelado, já que achei ele meio fraquinho após finalizar todos os outros itens. Talvez eu aumente a quantidade de utilização de alguns poderes, etc, só pra igualar o preço e, consequentemente, poder dos itens.
Eis o cajado:
Este cajado é feito de osso de dragão e decorado com dentes de diversos tipos de dragão. O conjurador pode acionar as seguintes magias:
Ø Sobro de Dragão (3x/dia) (xacla bi bletáa) (sopro de dragão)
Ø Pele de Dragão (3x/dia) (ciri bi bletáa) (pele de dragão)
Ø Poder do Dragão (3x/dia) (cabil ba bletáa) (poder do dragão)
Ø Vôo (3x/dia) (exex ba bletáa) (asas do dragão)
Ø Medo (3x/dia) (cliximçe ba bletáa) (presença do dragão)
Ø Metamorfose (apenas dragões) (1x/dia) (chalne bi bletáa) (forma de dragão)
Aura: Moderada, transmutação
NC: 10
Magias: Sobro de Dragão; Pele de Dragão; Poder do Dragão; Vôo; Medo; Metamorfose
Preço de mercado: 150.000 PO
Custo de criação: 75.000 PO + 3000 XP