maio 28, 2005

Capítulo 48 - Canceronte

Dentro da caverna, Anix encontrou apenas algumas armaduras e armas, que pertenciam à antigas vítimas do monstro, cujos corpos estavam espalhados aos pedaços na caverna. Também havia uma pequena caixa com um anel dourado, um frasco com um líquido viscoso, uma varinha que parecia ser mágica e um amuleto de madeira em forma de leque. Segundo Talin, nada ali presente fazia parte do tesouro que precisavam encontrar. O mago e o pirata recolheram os itens rapidamente, e convocaram os demais para continuarem a busca.
Os heróis continuaram seguindo os rastros na areia enquanto andavam, sentiram seus corpos ficarem mais pesados e perceberam que o efeito da magia que permitia o fácil deslocamento dentro d’água havia terminado, era preciso se apressar. Após quase trinta minutos, encontraram uma caverna, para onde os rastros seguiam. Era uma imensa abertura na parede rochosa, que se estendia vários metros montanha adentro. No chão e nas paredes ao redor dos heróis, vários pequenos caranguejos desfilavam, enquanto caçavam pequenos peixes brilhantes. Os heróis foram entrando lentamente na caverna, tomando cuidado para não pisarem nos caranguejos que circulavam por todos os lados. Após vários metros, chegaram a uma câmara muito ampla, onde centenas de ovos contendo larvas de caranguejos se empilhavam umas sobre as outras, cobrindo grande parte da caverna. No fundo da gruta, um enorme baú de carvalho refletia a luz do bastão solar. Talin reconheceu o baú, e foi em sua direção acompanhado de Anix e Legolas. Quando estavam a poucos passos da arca, um caranguejo com quase cinco metros de altura surgiu das sombras e atacou Talin com suas garras. O pobre pirata foi esmagado num único golpe. Sairf soltou um grito abafado pela água em sua boca “Um canceronte gigante!”, exclamou o mago espantado com o tamanho da criatura.
Sem perder tempo, o elementarista lançou uma magia congelante no animal para tentar impedir seu avanço. Novamente o raio se dispersou nas águas. Legolas disparou a flecha que já estava preparada em seu arco, ferindo uma das gigantescas pinças do canceronte. Loand girou o corpo, impulsionando sua espada contra o corpo da criatura, conseguindo arrancar-lhe três das suas numerosas patas. O restante do grupo correu para auxiliar seus amigos, entretanto, o canceronte foi mais rápido e atacou Loand. As pinças grotescas do animal dilaceraram o ventre de Loand, que caiu no chão frio, quase morto. O monstro levantou sua pinça, pronto para sepultar o jovem paladino, mas uma explosão luminosa o impediu. Squall, com a mão estendida, disparara um míssil mágico para salvar seu amigo. Anix lançou uma flecha, que ricocheteou na carapaça do animal, enquanto Lucano o atacava com sua espada, sem conseguir feri-lo. Sairf tentou novamente congelar o canceronte, mas somente Legolas conseguiu feri-lo com uma flechada na cabeça. Loand sangrava muito, e seus amigos tentavam a todo custo salvá-lo da morte. O monstro golpeou Legolas e Anix com suas garras, fazendo com que o pescoço do primeiro vertesse grande quantidade de sangue, enquanto que o segundo teve seu crânio fraturado. Squall correu para proteger os amigos feridos com sua espada, dando chance para que Anix se afastasse para se curar. Anix disparou uma flecha contra a carapaça do inimigo e correu para longe dele. Mesmo assim, a pinça do canceronte o alcançou quando se virou, e o arremessou para longe, deixando-o também à beira da morte. Sairf puxou Loand para longe da criatura, e, às pressas, deu-lhe uma poção de cura mágica, estabilizando sua situação. Legolas jogou seu corpo no chão e, enquanto caia lentamente, disparou uma flecha por baixo do monstro, rachando sua grossa carapaça. Squall correu até perto de Legolas, enquanto o inimigo tentava golpeá-lo com a garra. O feiticeiro recebeu um forte golpe na cabeça, mas mesmo assim conseguiu disparar um último míssil mágico no local onde a flecha de Legolas havia atingido. O raio mágico atravessou o corpo do animal, encerrando a batalha.
Com o monstro morto, os heróis puderam curar suas feridas com suas poções mágicas. Lucano foi até a arca e, ao abri-la, foi atingido por um dardo envenenado. Lucano resistiu bravamente aos efeitos do veneno, e começou a revirar o velho baú. Lá dentro, misturados com moedas, jóias e outros itens, haviam pequenas urnas feitas de coral, e uma grande estátua dourada de um selako com seus enormes dentes à mostra. Os heróis fecharam a caixa e começaram a carregá-la de volta para a vila dos sahuagins.
A viagem de volta, foi muito mais demorada do que a ida. No meio do caminho, os heróis começaram a se sufocar com a água do mar. A magia para respirar na água estava terminando. Rapidamente, todos ingeriram as poções recebidas da sacerdotisa sahuagin. Com o término da magia, os heróis sabiam que já haviam se passado cerca de três horas desde que haviam saído da aldeia. Pelo menos três reféns já haviam sido mortos, e Nailo e Yczar podiam estar entre eles. O grupo aumentou a velocidade o máximo possível. O imenso baú, cheio de tesouros dificultava o movimento e colocava suas vidas em risco. Quase uma hora depois, eles finalmente avistaram os destroços do navio pirata. Legolas nadou o mais rápido que conseguia em direção à saída do abismo vários metros acima. Seus amigos se esforçavam para carregar a arca para o alto seguindo o elfo.
Lá em cima, os soldados sahuagins aguardavam impacientes pela ordem para caçar os heróis até a morte. Legolas chamou a atenção do grupo, mas a comunicação entre eles era totalmente incompreensível para ambas as partes. Legolas gesticulava inutilmente, sem se fazer entender. O elfo então mergulhou no abismo, sendo seguido pelos sahuagins que já estavam prontos para matá-lo. O arqueiro os conduziu até seus amigos com a arca do tesouro, fazendo-os finalmente entender as suas intenções. Os sahuagins amarraram a arca nos selakos a puxaram para cima. Os heróis seguraram nos animais e foram puxados também. Fora do abismo, os aventureiros montaram novamente nos tubarões que os aguardavam e retornaram triunfantes para a vila. Entraram no palácio, onde pedaços de carne estavam espalhados pelo chão de conchas. Aos poucos foram identificando mão, pés e outras partes dos corpos dos reféns mortos. Buscaram com os olhos por seus amigos e viram duas jaulas ao lado do trono do rei. Numa delas, estavam seus animais, na outra, apenas Yczar cabisbaixo. Diante do trono, um grupo de sahuagins rodeava o rei que se levantou para olhar os que chagavam. Em suas mãos, havia uma adaga toda ensangüentada. No chão, cercado pelos soldados, havia o corpo de um elfo. Era Nailo. Os heróis saltaram dos selakos e correram na direção do amigo ranger, enquanto os outros soldados levavam o tesouro até o rei. Para felicidade de todos, Nailo estava vivo.

Capítulo 47 - O estranho Kopru

O grupo de aventureiros caminhou seguindo a fenda submarina por um longo tempo. Cerca de uma hora já havia se passado desde tinham saído do vilarejo sahuagin. Com certeza, um dos prisioneiros já estaria morto. Eles sabiam que o primeiro a morrer seria um dos piratas, conforme havia sido determinado pelo rei dos sahuagins. Entretanto, Yczar o Nailo podiam ser o próximo sacrificado. Eles se apressaram, nadando pouco acima do fundo do mar, até que chegarem a um local de solo extremamente pedregoso, cheio de rochas de variados tamanhos, que ocultavam a trilha o objeto arrastado.
Os heróis continuaram em frente, até que o chão voltou a ficar arenoso e a trilha pode novamente ser vista. Entraram em uma área coberta de algas marinhas. As algas amassadas e rasgadas, denunciavam a passagem do suposto objeto. Enquanto o grupo analisava o local em busca dos rastros, Uma estranha criatura surgiu, saída de uma caverna na parede do abismo, e se aproximou do grupo de maneira ameaçadora. Era um monstro que não lembrava nenhuma criatura conhecida, mas que combinava várias características familiares em uma única monstruosa aparência. Seu corpo lembrava vagamente o de uma enguia, mas terminava em três longas e flexíveis caudas. Seu tórax era quase o humano, e suas mãos no fim de dois braços musculosos, terminavam em garras afiadas. Sua cabeça crescendo diretamente de seu tronco, lembrava a de um peixe. Tinha grandes olhos sem pálpebras, e uma enorme boca rodeada por quatro tentáculos. O estranho monstro parou diante dos heróis, e começou a falar no idioma aquan enquanto parecia gargalhar.
_ Vocês, criaturas da superfície, irão morrer agora. Eu irei devorara suas carcaças e lamber os seus ossos, preparem-se para o seu fim! – dizia o monstro no idioma das águas, enquanto Sairf traduzia cada palavra para seus companheiros. Sairf tentou dialogar com a criatura, tentando convencê-la a não atacá-los e perguntando qual seria o motivo de todas aquelas ameaças. A resposta foi dada na própria pele do mago. A enorme garra do monstro rasgou o peito do elementarista, enquanto ele ainda tentava negociar. O mago se afastou do monstro, e os heróis começaram a lutar por suas vidas.
Enquanto Sairf recuava, segurando o peito ferido, Legolas e Anix avançavam com seus arcos preparados para atacar. A flecha de Legolas passou sobre a cabeça do monstro, desviada pela pressão das águas, mas Anix, disparando corpo a corpo, conseguiu ferir o tórax da criatura. Lucano dava cobertura para os dois amigos, à distância, mas suas flechas nem chegavam próximas do alvo, tamanha era a força exercida pela água naquela profundidade.
Loand ergueu sua espada bastarda e avançou na direção do monstro. O estranho ser encarou o paladino, que começou a se contorcer e a segurar a cabeça como se alguma dor aguda o afligisse. Loand gritava desesperado, as bolhas de ar que saiam de sua boca cobriam seu rosto. Seus amigos pararam, assustados, tentando entender o que acontecia. Quando as bolhas de ar saíram da frente do rosto do paladino eles puderam entender. Loand, com os olhos amarelados e arregalados, atacou Anix com sua espada. A força do golpe foi tão grande que criou um pequeno redemoinho na água, enquanto o paladino rodopiava na frente do mago, após ter errado o golpe. De alguma forma, a criatura havia dominado a mente de Loand, e agora o servo de Khalmyr estava contra os heróis.
Incapacitado para lutar, Sairf não tinha outra coisa a fazer senão usar suas magias. O elementarista começou um ritual de invocação, enquanto Legolas e Anix alvejavam o monstro com suas flechas. Vendo seu companheiro ferido, Lucano usou seus poderes para curar os ferimentos de Sairf.
O monstro contra-atacou com grande violência. Suas três caudas se ataram ao corpo de Legolas e começaram a esmagá-lo enquanto o ser abissal rasgava o rosto do elfo com seus dentes. Legolas se debatia sentindo muita dor, Anix correu para ajudá-lo, mas as garras da criatura o impediram, deixando o mago com o corpo todo rasgado.
Como se não bastasse os terríveis ataques da criatura, Loand ainda atacava seus próprios amigos com sua espada. Lucano rolou seu corpo na água, desviando seu corpo da lâmina sagrada do paladino enfeitiçado. Sairf concluiu sua magia, conjurando um golfinho para ajudá-los. Tentou agarrar Loand, para impedi-lo de lutar contra seus próprios amigos, mas por pouco não teve sua cabeça cortada pela bastarda. Mesmo preso pela cauda da criatura, Legolas atacava com suas flechas, ajudado por Anix e Lucano. O monstro, com duas flechas cravadas em sua cabeça, esmagou o elfo com sua cauda e o atacou com todas as suas armas. As garras e as presas afiadas como sabres rasgaram todo o corpo de Legolas, deixando-o seriamente ferido. Loand voltou a atacar Anix, mas a confusão mental dentro do cérebro do paladino fez com que ele perdesse o equilíbrio e ficasse se debatendo na água.
Squall, que até então apenas observava atônito, aproveitou a chance para tentar nocautear Loand. Mas o paladino se recuperou rápido e Squall foi obrigado a desistir de sua tentativa ao sentir a lâmina fria cortando sua carne.
Enquanto segurava Legolas, o monstro não podia se mover com liberdade, e se tornou alvo fácil dos ataques dos heróis. Recebeu várias flechadas e várias mordidas do golfinho de Sairf. Então ele decidiu terminar com aquela batalha. Colocando toda a sua força na cauda, o monstro deixou Legolas quase sem fôlego. Atacou então com suas garras, deixando o arqueiro quase morto boiando na água. A criatura ainda arrancou um pedaço de Anix com sua mandíbula poderosa, obrigando o mago a recuar. Sairf puxou Legolas, afastando o corpo do elfo da criatura e o fez beber uma poção mágica de cura. Legolas despertou, muito fraco ainda e viu Squall tentando atingir Loand com o cabo da sua espada. Loand defendeu o golpe, e o feiticeiro foi obrigado a fugir, esquivando-se da lâmina do paladino.
Mal havia aberto os olhos, Legolas disparou mais uma flecha no monstro marinho, atingindo-o no peito. Anix disparou um míssil mágico no mesmo local atingido por Legolas e o monstro começou dar sinais de cansaço.
Lucano socorreu Squall, ferido por Loand, curando seus ferimentos. Enquanto ajudava o amigo, o clérigo foi atacado pelas costas pela criatura, sentindo os dentes e as garras penetrando em seu corpo. Ao mesmo tempo, o monstro também atacava Legolas com sua cauda e garra. Por pouco o elfo não foi agarrado novamente pelo inimigo, e ainda teve tempo de avisar Lucano para que o clérigo se desviasse da espada de Loand. A espada passou ao lado do corpo do servo de Glórien, criando uma pequena onda. Loand levantou sua arma e rasgou as costas de Sairf quando este passava ao seu lado. Mesmo ferido, o mago ainda teve forças para disparar um raio congelante no monstro. Entretanto, mesmo com o braço apoiado sobre o ombro de Legolas, Sairf não conseguiu atingir a criatura com o ataque mágico.
Squall recuou para se recuperar dos ferimentos feitos por seu companheiro. Tomou uma poção enquanto Legolas e Anix feriam a estranha criatura com suas flechas. Lucano também disparou mais uma flecha contra o monstro, mas ele já fugia, escondendo-se na escuridão do abismo.
O único inimigo em luta agora era Loand, ainda dominado pelos poderes sobrenaturais do monstro. O paladino correu na direção de Anix, com sua enorme espada na mão, passando entre Legolas e Lucano. Os dois atacaram o amigo, tentando impedi-lo de seguir os desejos do monstro. Loand recebeu uma flechada na nuca, e um forte soco no estômago, dado por Lucano. O paladino desmaiou para alivio de todos.
Sairf segurou o amigo em seus braços e retirou uma poção mágica de sua algibeira para trazê-lo de volta à consciência. Irritado, o mago gritava desafios em Aquan para o monstro que se ocultava na escuridão. Anis e Legolas entraram na caverna da criatura, esperando encontrar o tesouro que procuravam. Talin iluminava o ambiente para os dois, quando eles ouviram Sairf gritando em sofrimento. Legolas nadou para fora da caverna e viu Sairf sendo golpeado pela cauda do monstro, enquanto Lucano tentava defendê-los com sua espada. Legolas aproveitou que não havia sido notado pela criatura, sacou uma flecha e a disparou com toda sua confiança. O projétil atravessou as águas, indo se alojar no crânio do ser abissal, retirando-lhe a pouca vitalidade que restava. Sairf derramou o líquido mágico dentro da boca de Loand. O paladino recobrou os sentidos, sem se lembrar do que tinha acontecido, com a morte do monstro, o domínio mental havia se encerrado.

maio 27, 2005

Capítulo 46 - Rugidos no abismo

Os heróis caminhavam nas profundezas, entre estranhos peixes luminosos, vasculhando cada centímetro da fenda em busca do navio pirata. Após algum tempo, avistaram os destroços da nau no centro do abismo. O navio estava totalmente em pedaços. Apenas metade dele ainda continuava inteira, apesar dos enormes buracos no casco. A outra metade se espalhava pelo solo em milhares de pedaços, misturando-se à pedras e algas do local. O grupo se aproximou lentamente da embarcação, os dois piratas iam à frente, enquanto Legolas iluminava o local com o bastão solar. A luz do bastão refletiu em dois enormes olhos amarelados, dentro do casco do navio. De lá de dentro, um enorme leão marinho surgiu, rugindo e avançando sobre os heróis.
Rapidamente, Legolas lançou o bastão luminoso no chão, próximo do inimigo, e disparou uma de suas flechas nele. Para sua infelicidade, a água gelada do mar desviou a trajetória de sua flecha, fazendo-o errar o alvo. Os dois piratas sacaram seus sabres, e investiram contra o animal. Seus sabres apenas resvalaram na pele espessa da fera, que revidou mordendo o ombro de um dos marujos. O pirata começou a sangrar muito, demonstrando toda a força das mandíbulas do monstro. Anix gritou para que os dois recuassem, pois, caso fossem mortos, mais ninguém poderia reconhecer o tesouro roubado dos sahuagins. Mas o aviso do elfo chegou tarde demais, e, enquanto Lucano e Sairf se concentravam na realização de magias, o leão atacou com toda sua fúria. Talin, um dos piratas, conseguiu escapar por pouco das garras do leão, seu amigo não teve a mesma sorte e teve sua garganta rasgada pelo animal. Loand tentou socorrê-lo, mas já era tarde. O paladino atacou com sua espada então, mas a criatura defendeu o golpe com suas poderosas unhas e contra-atacou, mordendo o ventre de Loand.
O paladino sangrava muito, mas não recuou um milímetro sequer. Sua coragem inabalável, graça concedida pelo deus da justiça, o impedia de se dar por vencido. Anix tentou enfeitiçar o leão marinho, e enquanto distraía o animal, Legolas se aproximou e atirou uma nova flecha. Mas o monstro também não se dava por vencido. Sua força de vontade foi maior que o poder mágico de Anix, e sua pele mais forte que a flecha lançada por Legolas. O monstro rugiu para os dois elfos, enquanto Talin fugia apavorado.
Simultaneamente, dois grandes tubarões surgiram magicamente, invocados por Sairf e Lucano. Os animais atacaram o leão, seguindo as ordens de seus mestres, enquanto Lucano tentava, sem resultados, alvejar o animal com seu arco. O clérigo errou seu ataque, mas os selakos não. A batalha dos animais, disputada dentada a dentada, era desfavorável para o leão marinho. Percebendo isso, Sairf se concentrou e começou a convocar mais reforços. Além dos tubarões, Loand atacava com toda sua força. Durante alguns instantes, a luta se manteve equilibrada. Nem Loand, nem os tubarões, nem o leão conseguiam ferir uns aos outros. A balança começou a pender para o lado dos heróis quando Legolas e Anix cercaram o leão marinho pelos flancos, disparando seus arcos à queima roupa. Era impossível desviar daqueles ataques, o leão foi ferido e começou a sangrar, atiçando ainda mais a fúria dos selakos sobre ele.
Talin recolheu o bastão solar do chão para iluminar o ambiente para os combatentes, enquanto Squall e Lucano lhe protegiam.
Sairf conjurou um terceiro tubarão, que se juntou aos outros dois para devorar o leão marinho. Os três selakos atacaram conjuntamente, arrancando pedaços do pescoço e do focinho do leão, enquanto Sairf começava um novo ritual de invocação.
O leão rebateu novamente a espada de Loand, e despedaçou o corpo do tubarão convocado por lucano com suas garras. Tentou morder Legolas, mas o elfo era muito mais rápido e se livrou das presas do animal defendendo-se com seu arco.
Anix fez um movimento com os braços, como se usasse um arco para mirar no inimigo. Murmurou um feitiço com todo o cuidado para que a boca cheia de água não prejudicasse a conjuração. O mago disparou uma flecha luminosa que atingiu as costelas do leão e começou a queimá-lo como se fosse corrosiva. Enquanto o animal rugia de dor, devido à flecha ácida, Legolas e Lucano o atacaram com seus arcos. O arqueiro atingiu o lombo escamoso da fera. Lucano, entretanto, só conseguiu atingir as costas de seu amigo Loand. Porém, nem mesmo o fogo amigo atrapalhou a vitória dos heróis. Os selakos atacaram, reforçados por um novo tubarão invocado por Sairf, e, em poucos minutos, despedaçaram o inimigo.
Enquanto os tubarões devoravam a carcaça do leão marinho, os heróis entraram no que havia sobrado do casco do navio pirata. Procuraram pela arca que, segundo Talin, continha o tesouro roubado dos sahuagins. Não encontraram nada, além de umas poucas moedas de ouro, guardadas por Sairf. Vasculharam tudo ao redor dos destroços do navio e encontraram marcas de algum objeto grande que fora arrastado sobre a areia para fora do alcance da visão dos heróis. Eles decidiram seguir a trilha, na esperança de que o objeto arrastado fosse o baú com o tesouro.

maio 26, 2005

Capítulo 45 - Jornada submarina

O rei se voltou para o grupo, falando e gesticulando, sem ser entendido. Então a fêmea disse alguma coisa e se aproximou dos heróis, falando e gesticulando com eles. Sua voz mudava de tom a cada frase dita, até que Sairf entendeu suas palavras quando ela falou em idioma Aquan.
A fêmea conversava com o mago, traduzindo cada palavra do diálogo com o rei. De forma semelhante, Sairf traduzia para seus amigos o que ela dizia.
Os sahuagins exigiam que os heróis devolvessem os tesouros que haviam roubado. De acordo com a mulher, os tripulantes do navio com uma carranca de baleia haviam roubado os tesouros sagrados dos sahuagins. Se eles não devolvessem os tesouros, seriam mortos. Quando Sairf traduziu as palavras da criatura, todos entenderam o que havia acontecido. O navio com carranca de baleia era o navio de Flat Nose. Ele e sua tripulação deveriam ter saqueado os tesouros dos sahuagins de alguma forma. Um dos piratas, Talin, confirmou a história, e explicou que Flat Nose havia conseguido algumas poções mágicas para respirar na água e havia roubado o tesouro das criaturas. Infelizmente, o tesouro estava dentro do navio quando ele afundou, e o navio agora estava desaparecido.
Sairf explicou a situação e se propôs a recuperar o tesouro para as criaturas. Mas o rei era irredutível, e quando soube que o tesouro estava dentro do navio, ordenou que os prisioneiros fossem executados. Sairf tentou dialogar, prometendo procurar pelo tesouro, mas, segundo o rei, o tesouro estava no fundo do abismo e não poderia ser recuperado. Por isso os prisioneiros teriam de morrer. Após uma longa discussão, o mago finalmente conseguiu um acordo. Eles iriam até o abismo recuperar o tesouro, e, se cumprissem a missão, poderiam viver como escravos pelo resto de suas vidas. Os heróis receberiam suas armas e teriam seis horas para recuperarem o tesouro, em especial a estátua sagrada do deus dos sahuagins. Se falhassem seriam mortos, isso se os perigos do abismo submarino não se encarregasse de eliminá-los. O soberano caminhou entre os prisioneiros, escolhendo três dos piratas, Nailo e Yczar como reféns. Os reféns foram enjaulados novamente. Aqueles que iriam em busca do tesouro teriam seis horas para retornar com os itens sagrados. A cada hora que se passasse, o rei mataria pessoalmente um dos reféns. Depois de cinco horas, todos os reféns já estariam mortos, e os heróis teriam apenas mais uma hora para retornarem com o tesouro. Se não o fizessem, seriam caçados pelos melhores soldados da aldeia, e mortos de maneira cruel. Rapidamente, Sairf e seus amigos, junto com dois piratas, pegaram seus equipamentos. A fêmea, uma sacerdotisa, conjurou sobre o grupo uma magia que os permitiria respirar fora das águas mágicas, o ar molhado. A magia duraria cerca de três horas apenas, então ela entregou ao grupo frascos com poções mágicas para prolongar a duração do efeito mágico. Também lançou sobre eles uma magia que lhes permitiria se mover livremente pelas águas, como se estivessem na superfície, durante um período de pouco mais de uma hora. O grupo também recebeu três bastões solares, para poderem enxergar nas profundezas, e partiu em direção ao abismo. Quinze soldados sahuagins os escoltaram até a fossa abissal. Todos foram até o local montados em tubarões. Diante da fenda submarina, os heróis desmontaram seus selakos e saltaram nas profundezas escuras. Os soldados ficaram no local, aguardando o retorno dos aventureiros, ou a ordem para caçá-los e eliminá-los. Os heróis desceram cerca de trinta metros mar abaixo, até que atingiram o fundo do abismo submarino. A pressão era esmagadora e as águas eram extremamente frias. Legolas acendeu um dos bastões solares, e eles partiram em sua jornada.

Capítulo 44 - Prisioneiros

Os heróis acordaram em um túnel escuro e comprido. No final do túnel, havia uma fonte de luz branca muito intensa. Eles começaram a se aproximar da luz, cada vez mais rápidos, até verem uma criatura escamosa, com barbatanas por todo o corpo e braços e pernas que terminavam em garras afiadas. Sua boca, repleta dentes afiados, movia-se como se pronunciasse alguma coisa. Os heróis abriram seus olhos por completo e viram que estavam dentro de uma jaula no fundo do mar. Junto com eles, estavam Yczar e mais oito piratas que haviam sobrevivido ao naufrágio. Ao redor da jaula, no leito oceânico, os destroços do navio pirata podiam ser vistos. Atrás deles, uma imensa mancha negra no chão revelava um abismo quase sem fim. A jaula era carregada por dois enormes selakos. À frente dela, mais dois animais de mesmo tamanho, a puxavam por cordas feitas de algas. Conduzindo os tubarões, Uma criatura humanóide que lembrava um homem peixe, olhava para os prisioneiros com um olhar frio e cruel. Dois deles carregavam uma caixa de madeira com os pertences dos heróis, enquanto vários outros reviravam os escombros do navio á procura de objetos de valor. Por fim, uma das criaturas, ao lado da jaula, batia o cabo de um tridente nas barras de ferro, enquanto proferia ofensas em uma língua própria para os heróis. Eram Sahuagins, como explicou Sairf. Criaturas marinhas inteligentes e extremamente cruéis, que viviam em sociedades rígidas. Os Sahuagins, conhecidos como demônios do mar, conduziram a jaula em direção a uma verdadeira floresta de algas marinhas imensas. Os seres mostravam ter grande intimidade com os selakos, e os tratavam como animais de carga, ou até mesmo de estimação. Nenhum deles lembrava do que havia acontecido após terem perdido os sentidos enquanto o navio afundava. E, ainda mais estranho, ninguém entendia como estavam vivos e respirando no fundo do mar. A resposta para o mistério veio por parte de um dos piratas.
_ Ar molhado! – disse um dos seguidores de Léo Seis Dedos, quer não se encontrava entre os sobreviventes. Sairf sabia muito bem do que se tratava, eram as lendárias águas mágicas nas quais uma criatura da superfície podia respirar normalmente.
Legolas rasgou um pedaço de sua camisa e retirou a adaga que guardava escondida em sua bota. Enrolou o pedaço de tecido nas barras da jaula e começou a torcê-lo com a ajuda da adaga. As grades começaram a se entortar lentamente. Os sahuagins se agitaram e ameaçaram Legolas com seus tridentes. O elfo atirou sua adaga, ferindo um dos monstros superficialmente. Sem mais nenhuma arma remanescente, os heróis e os piratas não tiveram outra escolha senão aguardar pacientemente para ver o que aconteceria em seguida.
Os sahuagins os levaram por entre uma floresta de algas gigantes. Peixes abissais, com orbes luminosas em suas cabeças, nadavam em volta deles. Quando a selva submarina terminou, o grupo estava na entrada de um vale que abrigava uma vila de sahuagins. Construídas com corais, dezenas de casas abrigavam a comunidade sahuagin que vivia em harmonia com os tubarões. Atravessaram a vila até chegarem a uma grande construção, parecida com um coliseu ou um palácio.
Dentro do palácio, todo construído com corais multicoloridos, dezenas de soldados montavam guarda, ao longo de todo o complexo. O chão, cuidadosamente pavimentado com conchas, conduzia a um trono numa elevação no fundo do palácio. Sobre o trono, um enorme sahuagin de quatro braços reinava absoluto. Ao seu lado, um sahuagin de aparência esguia, parecendo ser uma fêmea, servia de conselheira para o soberano. Junto com ela, mais quatro fêmeas, todas com tiaras prateadas em suas cabeças, observavam a chegada dos prisioneiros.
Os selakos pararam a cerca de vinte metros do trono. A caixa, com os pertences do grupo, foi virada no chão. Os sahuagins começaram a vasculhar os objetos como se procurassem alguma coisa. O rei fez um gesto, apontando para os prisioneiros, e deu uma ordem em seu idioma, com sua voz rouca.
A jaula foi aberta, e os prisioneiros foram soltos dentro do palácio. O rei falava alguma coisa para o grupo, e estava visivelmente irritado. Três dos piratas se afastaram lentamente, e quando julgaram ser o momento adequado, correram para a saída do palácio. Nenhum dos soldados fez qualquer gesto para prender os fugitivos. Os três alcançaram a saída, e quando pensavam estarem livres, foram atacados por dois selakos do tamanho de grandes baleias. Seus corpos foram estraçalhados pelos animais e seu sangue se espalhou pela água do mar. Os sahuagins olhavam como se estivessem se divertindo com a carnificina. Um dos três fugitivos conseguiu retornar para dentro do palácio antes de ser devorado. Foi preso pelos soldados e levado até a presença do rei. O soberano desceu de seu trono e foi até o prisioneiro. Acariciou seu rosto com suas garras afiadas, enquanto dois soldados seguravam o pirata pelos braços. O rei sahuagin deu uma ordem para seus soldados, e um deles cravou um tridente nas costas do prisioneiro ao mesmo tempo em que os outros arrancavam seus braços e pernas de forma cruel.