setembro 23, 2013

Resumo de sábado 21/09/2013

Resumo de sábado - 21/09/2013
Saímos do reino de Azgher com algumas respostas. Azgher dizia que, o Deus da Justiça carregava um grande fardo em seus ombros e que se quisessemos saber mais sobre isso, deveria perguntar ao Deus das Profecias. 
Antes, partimos em direção à cidade de Carvalho Quebrado para averiguarmos se a esposa de Lucano havia retornado à vida.
Constatamos que estava tudo bem e partimos então para cidade de Valkaria, onde poderiamos nos munir de suprimentos e afins.
Lá, conhecemos o Sirdis. digo, o Louco que se dizia Deus. Conversamos um pouco com ele a fim de saber sua história. Ele nos contou sobre o que houve no Panteão e a estória de 3 Deuses banidos. Dentre os 3, estava o Louco, conhecido antes por Deus Tillian, o Deus dos Gnomos.
Disse também que, Valkaria estava presa dentro da estátua que era o, de certa forma, o centro de toda cidade.
Citou sobre um outro Deus que foi banido para o esquecimento, aquele que chamavam de " Terceiro ". Talvez por ter sido o terceiro a ter recebido a punição.
Como de costume, o grupo causou problemas na cidade e foi forçado a se retirar.
Mas antes disso, Anix encontrou uma loja de previsões. Lá, conheceu uma garotinha chamada " Madame Zamira ". Embora no nome desse a ideia de alguém mais adulta, não fora isso que Anix constatou.
Zamira, se dizia vidente e que se quisesse saber de respostas, bastava perguntar, diante imediato pagamento por cada pergunta.
Anix então fez algumas perguntas, mas, apenas uma deu o desfecho inesperado. 
O jovem mago perguntou qual poderia ser o fardo que o Deus da Justiça carregava e, para seu espanto, ele recebeu uma visão, igual a que Enola proporcionava.
O que Anix viu o deixou perplexo.
Quando recobrou a consciencia, já não havia mais nada além de um corpo morto de uma garota em sua frente. A mesma começou entrar em uma espécia de buraco negro, criado a partir de seu próprio ventre. O mesmo fez com que a loja começasse a ser sugada e forçando o mago a sair as pressas do ambiente. Anix recolheu alguns livros que achava ser de grande importância e saiu.
Quando olhou para trás, não havia nada além de um terreno vazio.
O grupo enfim se reuniu e voltaram para Carvalho Quebrado, já que Squall havia sido teleportado para lá com a ajuda de Orion para cessar o problema que ele e Legolas havia causado.
Já na Vila, Anix começou a ver os livros que havia pego. Todos lhe chamavam atenção, mas não mais do que o ultimo que foi folheado. Ele mostrava em figuras desde a entrada do mago na loja da vidente até a sua saída da mesma, inclusive o que foi visto por ele em sua visão.
O grupo então partiu para sua missão, Reino de Tauron.
Chegando lá, se deparam com um ambiente que logo constataram ser um labirinto e, para a sorte deles, encontraram um minotauro que os ajudaram mediante pagando que, resultou na escravidão de Lilith.
O grupo então conseguiu sair do labirinto com a ajuda de Tau Maximus, o minotauro.
Já fora dele, o grupo pediu para que Tau os guiasse até a Arena, já que foi o ultimo lugar que Legolas viu a jóia que aprisionava a esposa de Squall. 
Rumaram então até o destino. 
No meio do caminho, o grupo foi emboscado por um pequeno grupo de humanos e elfos que diziam querer ajudar e nos libertar do minotauro. Eles foram precipitados ao achar que o ser estava de posse de nossa liberdade. 
Depois que o engano foi esclarecido, Tau então pode retornar para seu labirinto e terminar sua tarefa lá, mas agora é claro, com uma nova acompanhante.
Orion e Anix foram atrás do ser e libertaram a Succubus das patas do minotauro.
Já de volta com os demais, descobriram que os emboscadores na verdade era um grupo de refugiados que, tentava libertar as pessoas da escravidão.
Tinal, como havia se apresentado um dos do grupo, levou os aventureiro até um esconderijo secreto. Lá, viram que havia uma pequena colonia de pessoas esperançosas esperando que pudessem ter suas vidas, ou no caso, pós vidas, de volta.
Os aventureiros então decidiram levar essas pessoas para fora desse sofrimento.
Anix e Orion levaram então os Elfos até o reino da Deusa dos Elfos, Glórienn, enquanto os demais voltaram para Arton para ter sua segunda chance, mais especificamente em Valkarya.
Lá no reino da Deusa dos Elfos, Anix acabou por ter uma conversa com sua mãe e revelar que eles estavam, ainda que por um breve período, o Espelho de Wynna mas que Khalmyr havia tomado.
O jovem mago também mostrou à Mãe dos Elfos o livro que havia encontrado lá em Valkarya e contado o ocorrido à ela. 
Glórienn então se prontificou a ir até o Deus da Justiça ter respostas sobre o que Anix havia visto com a promessa de dar a resposta ao seu filho conjurador.
Pode então, junto de seu amigo Guerreiro, voltar para o grupo e continuar sua jornada no reino do Deus dos Minotauros. 
Já reunidos o grupo então, enfim, retornar sua caminhada até o Coliseu e lá, reaver a jóia com a alma de Deedlit.

novembro 18, 2012

Capítulo 392 – Moóck!


Um som ensurdecedor ecoava pelas ruas de Triunphus. Cornetas soavam por todos os lados, anunciando o perigo, gritos se juntavam a elas, produzindo uma cacofonia caótica. Pessoas corriam de um lado para outro em pânico, tentando se abrigar, buscando a salvação. Entre seus gritos histéricos de desespero apenas uma palavra podia ser entendida: Moóck!

_ Moóck! Moóck! – gritavam os moradores assustados. Ao lado de Nailo, o lobo negro eriçou os pelos de seu corpo, como se pressentisse a tragédia. Nailo, bem como o restante de seus amigos, não entendia o que acontecia. Mas a resposta para sua dúvida surgiu logo, vinda dos céus em uma gigantesca forma alada. O Moóck de Triunphus atacava.
Vindo da cordilheira ao norte da cidade, um colossal pássaro vermelho voava em grande velocidade. Abriu suas asas, tão grandes quanto a igreja de Thyatis, e planou sobre as construções abaixo dele. Suas duas cabeças se agitaram, seus bicos emitindo um som estridente que revelava o porquê de seu nome.
_ Moóck! – gritou o pássaro. As ruas tremeram com seu pio ensurdecedor e o rufar de suas asas. Suas duas caudas com forma de serpente se moveram, chicoteando o ar e seus bicos se abriram, cuspindo duas esferas de chamas sobre a cidade. As bolas de fogo explodiram, destruindo casas e lançando, além das chamas, escombros sobre os cidadãos que tentavam se proteger. O imenso animal avançou, cuspindo mais fogo e entulho sobre a cidade, destruindo construções, ceifando vidas e espalhando o caos.



Em pouco tempo as ruas se tornaram desertas, somente o grupo de aventureiros permanecia na avenida que levava à praça comercial. Sobre a cidade a cavalaria de grifos se movimentava, tentando expulsar o Moóck com seus ataques ineficazes. Sentindo o perigo, Legolas agarrou o braço de Nailo e falou:
_ Nailo, leve-me até um lugar seguro! - o velho conduziu o amigo cego até o interior de uma loja próxima. Lá, Legolas pediu: Agora, leve-me até a porta e direcione meu arco para o inimigo. Depois volte aqui para dentro e se abrigue, amigo.
Do lado de fora, Orion já saltava nas costas de Galanodel, inconsequente como sempre, de espada em punho. Os dois voaram até ficarem cara a cara com o imenso inimigo. A desproporção era gritante, era como se Orion lutasse sozinho contra um castelo. Flechas voavam do alto em direção ao pássaro, tentando obrigá-lo a recuar. Orion e Galanodel, vendo a ineficácia da guarda da cidade, continuaram a voar em direção ao inimigo. Mas, antes de chegar à distância de ataque, Orion foi atingido por uma violenta bicada da cabeça direita do animal, que destruiu parte de sua armadura e quase o derrubou de sua montaria alada. O guerreiro se agarrou às penas com dificuldade, já que tinha apenas um braço para lutar e se segurar.
_ Soul Eater! – gritou Orion. Esta alma está boa para você?
_ SIM! – gritou a espada em resposta.
O guerreiro se aproximou mais do inimigo. Galanodel tremia, mas mesmo assim não abandonava seu amigo e continuava avançando contra o adversário.

Creio que chegou o momento de eu me revelar – pensou Yule. – Minha Senhora tinha razão, eles precisam de muita ajuda. Cinco minutos nesta cidade e já estão em perigo. Por Allihanna, como eu gostaria de não ter vindo a este lugar. Preciso fazer alguma coisa rápido para salvá-los – olhou em volta e viu a situação dos seus protegidos: um cego, outro velho, um dragão morto. – Allihanna, dai-me sua força!

No chão, uma nuvem densa e gélida surgiu ao redor de onde estavam Squall e os outros, envolvendo-os e protegendo-os. – Legolas – pensou Anix, que observava a cena do alto. Seus amigos estariam a salvo dentro da nevasca, abrigados contra o fogo e os estilhaços.

_ Grande Senhora, mãe dos animais e plantas. Sua filha pede seu auxílio nesta hora de necessidade – Yule orava com fervor, oculta dentro da névoa que criara. Esperava que a Deusa mais uma vez entrasse em contato com ela como fizera antes quando pedira que Yule fosse ao encontro dos elfos e do humano. Para sua felicidade, sua prece foi atendida.
_ Diga minha filha – a voz de Allihanna preencheu a mente de Yule, como de uma floresta inteira se manifestasse, mas de forma suave e acalentadora. – Do que precisa, criança?
_ Senhora, peço que impeça este ataque. Fale com o senhor desta criatura e peça a ele que ordene a retirada de sua cria.
_ Isto é algo que está além do meu alcance, menina. Não tenho poderes para intervir nisto. Mas ao menos falarei com a Fênix e pedirei a ele que interceda. Enquanto isto, tente manter todos vivos.
_ Sim, minha senhora – concordou Yule, fazendo uma reverência mental. Sentiu a presença divina se distanciando de sua mente. Saiu do transe e voltou a ouvir o som da batalha. – Agora, salvar aquele humano tolo! – decidiu por fim.

No alto, Orion golpeava com sua espada negra com ferocidade. O som do impacto de cada golpe era como o bater de um martelo em um gongo. Ainda assim, o pássaro parecia não sofrer qualquer dano e continuava planando sobre o céu de Triunphus, agitando suas asas de forma destruidora, arrancando pedaços da cidade com o vento gerado. O pássaro revidou, desferindo poderosas bicadas e coices contra o humano. Partes da armadura negra despencaram no solo, junto com uma torrente de sangue. Orion não sentia dor alguma, mas era capaz de ver e compreender o seu estado. A lateral de seu corpo estava rasgada, ferida pelas poderosas garras do Moóck, e quem o observasse do solo podia ver seus órgãos pulsando dentro de seu corpo, enquanto ele se mexia para atacar e se defender.
Legolas apareceu na porta da loja, guiado por Nailo. O ranger se espantou ao ver que tudo estava coberto por uma densa névoa. Não conseguia enxergar seus amigos, nem mesmo o Moóck.
_ Nesta direção, uns quarenta metros adiante – gemeu Nailo, posicionando o arco de Legolas no meio da bruma. O arqueiro agradeceu e disparou uma saraivada. As flechas saltaram da bruma, rasgando o céu como cometas ascendentes. Três delas colidiram contra o peito do monstro e explodiram em gelo. O Moóck pareceu não se abalar diante do ataque.

Voando um pouco mais atrás, Anix olhou com preocupação para os amigos e viu Próximo dali viu Galarden observando o combate distraidamente, vulnerável a uma estranha mulher que se aproximava dele de forma furtiva, com uma espada nas mãos.
_ Galarden, cuidado! – aviou Anix. O elfo e a mulher começaram um acirrado combate nas ruas, ignorando a ameaça maior que pairava no céu. Anix nada viu disto, pois fechou os olhos, enquanto ganhava altura montado em sua vassoura, e começou uma conjuração. De sua mão voaram duas pequenas esferas brilhantes e em grande velocidade. Os orbes se chocaram contra o Moóck, gerando duas explosões estrondosas. Chamas gélidas se espalharam pelo corpo do animal, envolvendo-o por completo e causando-lhe ferimentos em diversos lugares. O monstro emitiu um grito de dor ante o ataque. Mesmo assim, a fera alada avançou sobre o diminuto alvo em sua frente e continuou atacando-o.
Mais sangue choveu sobre a cidade, junto com pedaços do corpo de Orion. Suas vísceras ficaram dependuradas, pendendo de sua barriga rasgada. O humano revidou, abrindo um grande talho na garganta da criatura, que para ela não passava de um pequeno arranhão.

Diliel estava espantada. Pega de surpresa pelo ataque repentino do monstro, não se abrigara. Estava espantada. Já testemunhara diversas vezes os efeitos dos ataques do Moóck, mas aquela era a primeira vez que presenciava de tão perto a fúria do animal. Mas outra coisa a espantava: o grupo que avistara ao sair para as ruas enfrentava o pássaro. Ou eram poderosos demais, ou loucos. Diliel viu ao redor deles uma nuvem de neve e gelo surgindo magicamente e pensou ser um ótimo abrigo, além de uma boa oportunidade para se aproximar daquele exótico grupo. Sem hesitar, ela saltou dentro da névoa e, invocando o nome de Thyatis, lançou sobre o Moóck sua magia mais poderosa em auxílio aos insanos combatentes.

Do alto, Anix viu uma mulher, vestida com uma armadura metálica, saltando dentro da proteção que julgava ter sido criada por seu amigo. Segundos depois, viu o Moóck curvar seu corpo, como se sentisse alguma dor, e depois abrir as asas e continuar a atacar Orion. – Alguém tentou feri-lo com magia, mas não conseguiu­ – pensou ele. Viu a misteriosa mulher que atacara Galarden procurando-o após ele desaparecer nas sombras. E viu também quando seu irmão surgiu de dentro da névoa, voando em direção ao inimigo.
Squall colocou o corpo de Mexkialroy no chão cuidadosamente e lançou-se ao ar, batendo as asas com força. Deixou a bruma para trás, abrindo um buraco em sua passagem. Usou seus poderes mágicos e fez surgir cinco cópias mágicas de si mesmo. Lado a lado, os seis Squalls se colocaram diante do Moóck, desafiando-o para dar tempo a Orion de escapar. O imenso pássaro se distraiu por um instante, confuso com tantos inimigos à sua volta. Nunca antes ele havia sido desafiado daquela forma. Legolas usou seu poder para criar uma parede de gelo, ligando dois prédios um no outro, de forma a protegê-los como um escudo. No chão, vendo a cena através do buraco criado por Squall na névoa, Yule percebeu que era chegada a hora de agir.
_ Chegou o momento de eu me revelar. Que Allihanna me guie – sussurrou Yule baixinho. Seu focinho se moveu, murmurando uma prece curta e ela retornou à sua forma original: uma linda mulher cuja aparência mesclava características élficas e dracônica. Seus cabelos eram longos e negros como a noite, seus olhos eram como prata líquida, sua pele alva e macia era coberta por uma túnica vermelho sangue e protegida por uma armadura feita de escamas de dragão vermelho. Adereços diversos, todos de origem dracônica, adornavam seu belo corpo e em sua pontuda orelha direita, um delicado brinco em forma de guizo tilintava suavemente. Yule se concentrou e fez surgirem suas asas que estavam magicamente escondidas. Elas se expandiram, refletindo a luz do sol num brilho prateado. Ela saltou, batendo as asas e serpenteando sua cauda prateada, ganhando altura. Em uma fração de segundo, suas mãos já alcançavam o humano cuja vida se esvaia diante do Moóck.
_ Orion, cuidado! – Gritou Anix ao ver a estranha, porém bela, criatura sair da névoa e avançar contra o amigo. Squall a viu passando ao seu lado e lançando as mãos de garras afiadas sobre o guerreiro. Sem hesitar, o Vermelho a atacou. Os seis dragões vermelhos, o real e suas cópias ilusórias, abocanharam o ombro da mulher com violência.
Yule sentiu seu corpo sendo rasgado. A dor era profunda, mas também prazerosa. Havia muito tempo que não sentia aquilo, o calor da batalha em suas veias. Porém, não era momento para se divertir, ela tinha uma missão urgente. Yule agarrou o humano, que tentou resistir ao seu delicado, porém forte, abraço, e o puxou para trás. Apoiou o pé nas costas da coruja, tomando impulso, e abriu as asas, usando-as como velas ao aproveitar a força do vento criado pelo bater de asas do Moóck. Yule se afastou rapidamente do inimigo, carregando Orion consigo ao mesmo tempo em que cuspia uma rajada congelante contra o animal monstruoso, ferindo-o no peito. Mas então, uma voz invadiu sua mente. Ela tentou resistir, mas o poder investido contra ela era muito grande e ela foi forçada a obedecer.
_ Desça meu amigo devagar até o chão – ordenava Anix mentalmente, usando seus poderes mágicos para controlar as ações de Yule. Enquanto não a agredisse, ela estaria à sua mercê.
Sem opção e seguindo aquilo que já era sua intenção, Yule foi descendo em direção ao chão. Em sua descida, ela ouviu novamente em sua mente uma voz cálida, elevando-se acima da voz do elfo, como o rugido de uma centena de animais.
Está feito, criança! O Moóck irá embora! – disse Allihanna. Yule comemorou em silêncio, mas sua alegria durou pouco.
O Moóck começou a se afastar, como se desistisse do combate. O pássaro bateu suas asas, criando um vendaval poderoso e recuou quase cem metros. Suas duas cabeças se juntaram, abrindo os bicos simultaneamente. Duas bolas de fogo foram cuspidas na direção dos heróis, juntando-se em uma única e devastadora esfera de chamas. A bola explodiu de forma devastadora, derrubando casas, matando cidadãos e atingindo Yule, Orion, Galanodel e Squall. O Vermelho nada sofreu com o ataque, permanecendo imóvel enquanto as chamas se espalhavam ao seu redor lhe causando prazer. Yule tentou defender o corpo de Orion com suas asas, mas não foi rápida o bastante. O fogo os envolveu, queimando seus corpos furiosamente. Ela agarrou Orion com força, vendo-o tornar-se uma massa carbonizada diante de seus olhos. Assistiu também impotente à morte de Galanodel, que se precipitou rumo ao chão como uma bola preta de carvão após ser fulminada pelo ataque do Moóck. O pássaro bateu novamente as asas, afastando-se mais e mais, e a cada recuo que dava, mais fogo ele cuspia sobre a cidade. Parte de Triunphus foi destruída e um grande incêndio se espalhou pela parte mais velha da cidade, tirando tudo daqueles que nada tinham.
Yule finalmente tocou o chão suavemente. Ao seu lado Anix já pousava também, ordenando-a que soltasse o corpo carbonizado de Orion. Distante no horizonte, o Moóck finalmente desaparecia na cordilheira que levava seu nome, onde aguardaria até que sua fúria novamente despertasse. Mais uma vez o pássaro fracassara em seu intento.

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Enquanto as pessoas comuns se escondiam e seus companheiros de viagem enfrentavam o Moóck, Galarden se deparava com um desafio inesperado. Uma nuvem de gás sufocante se formou ao seu redor, cegando-o e envenenando-o. O elfo correu, afastando-se daquela névoa esverdeada que tentava matá-lo, procurando com os olhos quem era o causador daquilo. Sem encontrar o inimigo, ele saltou na sombra de uma casa próxima onde se escondeu e desapareceu da vista do inimigo, graças à sua capa mágica.
Enuma praguejou ao ver o oponente escapar de eu truque mágico. Pegou a espada e foi procurá-lo. O Morcego pagaria por sua traição e seria morto por suas mãos. Ela seguiu os passos do homem que caçava e começou a tatear em busca de seu alvo. Dobrou a esquina, esgueirando-se entre caixotes e barracas destruídas pelo desespero das pessoas em fuga, então sua mão tocou em algo macio. Ela olhou e viu que tocava o peito do inimigo, que estava encostado na parede. Estranhou não tê-lo visto antes ali, mas, como notou que ele não reagira à sua presença, atacou-o com sua espada.
Galarden conseguiu se esquivar da misteriosa mulher que trombara com ele. Achava tratar-se de um morador em fuga, mas percebeu o engano ao ter que escapar do ataque de sua espada. Sem hesitar, ele apanhou o arco mágico e a atacou com suas flechas.
Enuma foi sendo pouco a pouco vencida pelo adversário, que lutava de forma desonrada. Se fosse realmente um membro da ordem, por que ele não usava as técnicas que aprendera lá? Ao invés disso ele cravava flechas em, seu peito, que coruscavam no impacto e lhe causavam potentes choques elétricos. Enuma revidava com sua espada, sem conseguir ferir o homem com gravidade. Sentindo que perderia se continuasse a lutar daquela forma, Enuma recuou e parou em meditação, canalizando a energia de seu corpo para fechar os ferimentos que recebera. O homem mostrou-se realmente desonrado, um traidor dos fundamentos da Sociedade da Lua Crescente, já que continuou atacando-a, mesmo enquanto ela estava em estado de transe.
Enuma foi ao chão, inconsciente, vítima das flechas de Galarden. O elfo notou que ela ainda respirava e, mesmo sem entender porque fora atacado, não teve clemência. Foi até ela, apanhou uma flecha na aljava e espetou a garganta de Enuma. Exausto, recostou-se na parede e sentou para recuperar o fôlego enquanto tentava localizar seus companheiros de viagem.

novembro 17, 2012

Capítulo 391 – Triunphus


No início da manhã do dia dezenove os viajantes avistaram uma floresta mais densa, para onde conduzia a estrada em que estavam. Agora com a luz do sol sobre suas cabeças, podiam ver detalhes da paisagem até então ocultos de seus olhos. Havia uma enorme cordilheira de picos escarpados ao norte da floresta e a noroeste existia uma gigantesca montanha que se erguia quilômetros acima do solo até ultrapassar as nuvens, seu pico era nevado e o topo não podia ser visto, pois estava oculto entre as nuvens. Continuaram a jornada, atravessando a mata. O sol já se aproximava da metade do céu, quando chegaram ao centro da floresta. A estrada se abria numa gigantesca clareira de vários quilômetros de extensão. Erguendo-se no centro da clareira havia uma colina baixa e verdejante e encravada nela uma enorme cidade murada. A muralha erguia-se a mais de vinte metros do solo e seis torres circulares se elevavam mais seis metros rumo ao céu, igualmente dispostas de modo a formar um colossal hexágono de pedras. Era possível ver outra muralha dentro da cidade, que protegia um grande e luxuoso palácio. Suas torres eram ainda mais altas, atingindo facilmente os trinta metros de altitude. Internamente, no porão leste da cidade, havia uma torre ainda mais alta, de topo abobadado no formato de uma gota d’água que refletia a luz do sol de forma ofuscante. À medida que se aproximavam, podiam distinguir mais e mais detalhes. Havia dezenas de soldados circulando no topo da muralha, muitos deles em prontidão, com seus arcos apontando para fora por trás das ameias. Outros soldados guardavam o portão de entrada, que ficava no centro da porção sul da muralha, abordando cada pessoa que tentasse entrar, interrogando-os e revistando seus pertences quando conveniente. Uma cavalaria alada chamava a atenção de todos, vários grifos circundavam a poderosa metrópole, comandados por seus cavaleiros atentos. Finalmente, após a longa caminhada, o grupo chegou diante da entrada de Triunphus. Aguardaram na fila até a sua vez de serem entrevistados, quando foram abordados por dois soldados fortemente armadados.

novembro 13, 2012

Capítulo 390 – rumo a Triunphus


Cerca de um mês havia se passado desde o término da batalha final na torre de Gulthias em Galrasia, era o décimo oitavo dia de Pace, o mês dedicado a Marah, a Deusa da Paz. Dois dias antes, o mundo todo parara num grande feriado, no qual nenhuma luta era travada, mesmo nas culturas guerreiras, como se a própria Deusa da Paz descesse ao mundo e espalhasse sua influência por todos os seus cantos. Legolas, Anix, Orion, Squall e Nailo, entretanto, não festejaram. Os Escolhidos tinham enfrentado uma dura provação. Seus corpos estavam mais que feridos, mutilados; suas mentes perturbadas, atormentadas pela maldade com a qual tinham convivido por tantos dias e suas almas feridas, corrompidas e sem esperanças. O tempo que tinham passado aprisionados dentro do círculo de pedras sob os cuidados do misterioso lobo negro e seu dinossauro companheiro, servira para aliviar suas dores e reduzir seus temores. Suas feridas agora estavam cicatrizadas, o mal que os corrompia tinha sido dissipado quase que completamente, suas mentes estavam mais calmas e confiantes, suas esperanças estavam renovadas. Tinham agora um rumo, um norte para perseguir. Estavam a caminho de Triunphus, em busca do conselho do famoso oráculo da cidade que, esperavam, lhes revelaria o paradeiro de Teztal e seus asseclas. Com este conhecimento, seriam capazes de encontrar as jóias que guardavam as almas das pessoas que mais amavam, para libertá-las e finalmente por fim àqueles dias de batalhas cruéis e intermináveis.

Sam Rael os havia guiado até o local onde se encontravam agora, suas instruções tinham sido suficientemente precisas para não atirá-los dentro de uma montanha ou coisa pior. Estavam à beira de uma estrada de terra batida, cercada por matas ralas de pinheiros. O clima era agradável, uma brisa fresca soprava dentre as árvores, refrescando seus corpos já acostumados ao calor sufocante de Galrasia. Não sabiam em que parte do reinado estava, mas estavam felizes por estarem ali, longe da ilha pré-histórica e sua torre amaldiçoada. Restava apenas saberem o quão distantes estavam de seu destino final.
Havia um pequeno vilarejo a cerca de trinta minutos de caminhada a norte de onde se encontravam. Com certeza não era a cidade que buscavam, mas lá poderiam obter informações e, talvez, um mapa que os conduzisse até o destino. Prepararam-se para a jornada, entusiasmados. Seria bom caminhar naquele início de noite, sem correr riscos, sem preocupações. Deram os primeiros passos rumo à pequena vila quando um som familiar e inesperado os deteve. Era um trotar pesado, de um animal muito grande que os acompanhava. Olharam para trás e viram, com espanto, que não estavam sozinhos. O imenso lagarto que os protegera em Galrasia estava seguindo-os, acompanhado de seu inseparável amigo peludo. Lobo e dinossauro continuaram andando, passando pelo grupo pasmo e tomaram a dianteira. À frente do grupo, reduziram a marcha e olharam para trás, como se esperassem que os demais os seguissem. Sem entender como aquilo acontecera, já que Anix não tinha usado sua magia de teleporte nos dois animais, o grupo retomou a caminhada lentamente. Algo estranho acontecia, como se os Deuses brincassem com eles.

A caminhada seguiu sem incidentes. Legolas e Nailo andavam juntos, um dando apoio ao outro. Anix voava baixo com sua vassoura, acompanhando o grupo atento a possíveis perigos. Squall andava pesaroso, carregando o cadáver de seu companheiro de escamas azuis, enquanto Orion estava absorto, conversando mentalmente com sua espada que, finalmente, voltava a dar sinais fracos de vida, assim com a consciência do ser que dividia o corpo com Anix.
O povoado era pequeno, apenas umas duas dúzias de casas ao redor da estrada e algumas pequenas fazendas próximas. A estradinha cortava a vila numa linha reta, interrompida apenas por um poço comunitário encravado no centro do vilarejo. As casas eram simples, pequenos sobrados de madeira e teto de palha, e as que ficavam à beira da estrada eram em sua maioria pontos comerciais. Havia uma única taverna, um curtidor de couros, uma estrebaria, um armazém, e outras lojas menores. Era estranho uma vila tão isolada não ter prosperado mais. Havia pouco movimento na rua àquela hora e as poucas pessoas que circulavam se afastavam rapidamente ao avistar o grupo incomum que adentrava em seu território.
Pararam diante do poço. Nailo se encostou em sua beirada para descansar, enquanto seus amigos tratavam de conseguir o que precisavam. Squall deixou Mex ao lado do idoso amigo e partiu em busca de suprimentos. Orion pediu licença aos companheiros e partiu com Galanodel para caçar; precisava alimentar sua amiga e sua espada. Anix foi em busca de informações que lhes dissessem onde estavam e quão longe estavam do lugar aonde iriam. Uma pele pendurada diante da casa do coureiro chamou sua atenção, fazendo com que ele caminhasse em sua direção sem se dar conta disto. Era um couro cinzento e liso, de algum animal que ele não conhecia, mas que possuía um par de chifres e um bico córneo em sua cabeça, cuidadosamente mantidos presos à pele pelo caprichoso curtidor. Quando voltou a si, Anix estava diante da porta do coureiro. Bateu.
_ Quem está ai? – gritou uma voz dentro da casa. Segundos depois a porta se abriu e surgiu um homem de meia idade, calvo e de barba grossa, vestido com roupas simples de cânhamo, já preparado para ir dormir. O homem olhou para Anix com espanto. Vestes pesadas e elaboradas, três olhos, uma máscara em forma de caveira cobrindo parte da face eram algo evidentemente incomum para ele. Correu os olhos rapidamente pela rua e viu o dinossauro deitado ao lado do poço e o dragão, que era Squall, perambulando pela rua. Assustado, o homem fechou lentamente a porta, deixando apenas uma pequena fresta aberta, por onde fitava Anix. – O que você quer? – perguntou com voz trêmula.
_ Não se assuste, senhor. Quero apenas uma informação. Meus amigos e eu – Anix deu uma pausa, apontando para os companheiros na rua e assustando ainda mais o humano – estamos indo para Triunphus e gostaria de saber como faço para chegar lá!
Temeroso, o homem estreitou mais a fresta da porta e respondeu:
_ Fica a norte daqui, a um ou dois dias de viagem. Não sei direito, pois nunca fui para lá, nem quero.
_ E o senhor... – começou Anix, sendo interrompido.
_ Não sei. Se quiser mais informações, procure pelo Joe – o homem fechou bruscamente a porta enquanto Anix tentava agradecer. O mago retornou para junto dos companheiros e relatou o que acontecera enquanto retirava a máscara do rosto para evitar novas confusões. Viu um homem vindo pela rua e desviando deles para entrar na taverna, foi até ele e o abordou, perguntando onde poderia encontrar o tal Joe.
_ Ora, é só olhar atrás do balcão! – respondeu o homem, apontando para o interior da taverna.
Anix e Legolas foram até lá. Entraram no recinto e o encontraram quase vazio. Havia apenas quatro fregueses dentro da taverna: o homem que entrara há pouco e que dividia uma mesa com um halfling com o qual disputava um acirrado jogo de cartas, um homem de capa negra, isolado em uma mesa no fundo do salão, e outro halfling sentado num banco alto diante do balcão. Em sua frente esta o tal Joe, um homem alto, de cabeça e braços estranhamente pequenos, que limpava animadamente uma caneca enquanto conversava com o pequenino. Ao botar os pés dentro do salão, todos os olhares se voltaram para os dois. Anix pegou a venda que cobria os olhos cegos de Legolas e a usou para esconder seu terceiro olho, tentando não chamar tanto a atenção. Os dois aventureiros foram até o balcão e tomaram assentos. Joe se voltou para eles.
_ Pois não? – disse o taverneiro. Anix notou neste momento que o próprio Joe era um halfling. Seu bar fora todo construído para atender fregueses de tamanho humano que por ali passavam. Atrás do balcão, para servir às necessidades de seu diminuto dono, havia um tablado que circundava todo o balcão e escadinhas que subiam e desciam, permitindo que Joe conseguisse chegar ao chão e alcançar as bebidas mais altas em sua prateleira. O pequeno se deslocava sobre o tablado enquanto servia aos clientes, ficando da altura de um humano. Espantado com a engenhosidade do pequeno atendente, Anix demorou um instante antes de responder:
_ Preciso de uma informação. Por acaso você teria as coordenadas da cidade de Triunphus? – perguntou o elfo.
_ Coordenadas? Por acaso tenho cara de cartógrafo – respondeu o pequenino, sorrindo.
_ Bem Se tiver um mapa ou souber de alguém que tenha. Estou indo para lá e preciso saber como chegar até ela.
_ Ah bom! Isso é muito fácil. Basta você seguir a estrada rumo ao norte. Dá menos de um dia de viagem daqui até lá.
_ Muito obrigado – disse Anix. – Legolas, quer molhar a garganta antes de irmos?
_ Sim, experimentem o vinho seco, está ótimo – disse o halfling entusiasmado.
_ Está gelado? – perguntou Legolas.
_ Claro que não, amigo. Estamos na primavera, como poderia estar gelado?
_ Então me traga uma garrafa que eu vou mesmo vou gelá-la!
_ Está brincando comigo? Por acaso está trazendo neve em sua bolsa amigo? – riu o pequeno.
_ Traga a garrafa e verá. Se duvida, faço uma aposta com você. Cem moedas de ouro, que tal?
_ Está louco! Eu não tenho este dinheiro.
_ Então vamos fazer o seguinte. Eu lhe dou cem moedas, e se eu ganhar a aposta você me paga cem moedas por ela. E eu não pago pelo vinho.
Joe pensou por um instante. A proposta do elfo era muito inusitada, ele não tinha como perder. Ainda um tanto hesitante ele concordou. Correu até o fundo da taverna e voltou com uma garrafa empoeirada, limpou-a e a colocou no balcão, diante de Legolas.
O arqueiro segurou a garrafa com a mão direita e se concentrou. Canalizou seu poder glacial para dentro do recipiente, fazendo-o quase congelar. Uma nuvem de vapor frio saiu do gargalo, deixando todos espantados. Legolas deu uma golada, satisfeito. O vinho era horrível, ao que parece a taverna estava abarrotada dele e Joe o estava empurrando para todos os clientes.
_ Incrível! – admirou-se Joe. – Consegue fazer isto novamente? Dou-lhe outra garrafa se o fizer.
_ Claro – respondeu Legolas.
Joe trouxe mais duas garrafas. Legolas resfriou-as e o pequenino pegou a que lhe pertencia e correu até a porta do estabelecimento aos berros:
_ Venham, venham! Somente hoje, vinho gelado a duas pratas a caneca. Venham antes que acabe.
Legolas riu e depois pediu para ver a adega do pequenino. Lá usou seus poderes para resfriar todas as bebidas, arrancando gritos histéricos e gargalhadas de Joe. Aquela noite seria muito lucrativa para o pequeno.
Legolas a Anix foram para a saída, enquanto mais fregueses começavam a chegar, curiosos pelo anúncio do halfling. Enquanto saiam, foram abordados pelo homem de capuz negro.
_ Com licença, ouvi dizerem que estão indo a Triunphus. É verdade?
_ Sim. Por que quer saber? – disse Anix.
_ É que também estou indo para lá. Será que se importariam em dividir a fogueira na estrada comigo? – perguntou o homem, enquanto retirava o capuz que cobria o rosto. Duas orelhas pontudas se revelaram, era também um elfo. – Sou Galarden! – apresentou-se, por fim.
Anix olhou desconfiado para o estranho. Pensou por um tempo e depois falou:
_ Vamos consultar meus amigos. Mas antes quero saber quem é você e o que quer em Triunphus.
_ Estou viajando pelo Reinado, conhecendo-o. Ouvi falar desta cidade e decidi conhecê-la. Sou um arqueiro, nasci em Lenórienn e agora estou viajando pelo norte.
Anix e Legolas voltaram ao poço, acompanhados de Galarden. Squall e Orion já tinham retornado e os aguardavam junto com os outros. O feiticeiro havia conseguido rações para a viagem e o guerreiro exibia, orgulhoso, sua espada novamente em chamas e viva após petiscar a alma de uma pobre lebre.
_ Amigos! Este é Galarden. Nós o encontramos na taverna e ele também está indo para Triunphus e pediu para nos acompanhar até lá – disse Anix, apontando para o elfo que os acompanhava. – O que vocês acham?
_ Você pode até nos acompanhar até lá, mas estaremos de olho em você – disse Nailo, ofegante.
_ Sim. Vê este dragão azul. Nós o matamos e faremos o mesmo com você se tentar qualquer gracinha – Ameaçou Squall, após usar seu anel para assumir sua forma dracônica e cuspir uma rajada de chamas para o alto.
Galarden observava atônito à demonstração de poder daquelas pessoas. Tinha visto muitas coisas estranhas desde que deixara a terra natal, o lar destruído dos elfos. Mas algo o dizia que se ficasse junto daquele grupo, veria coisas que sua imaginação sequer seria capaz de pensar. Ainda intimidado pelas ameaças, ele concordou com um aceno de cabeça. O grupo juntou seus pertences e partiu. Dinossauro e lobo já os aguardavam na saída da cidade. Era possível ver na expressão do lobo a sua inquietação, como se o animal pressentisse problemas. E pressentia.

novembro 12, 2012

Capítulo 389 – Confinados – os últimos dias em Galrasia


O sol estava alto no céu quando todos despertaram. Era uma manhã ensolarada, Azgher imperava radiante no céu, apesar disso a temperatura estava agradavelmente fresca. Estavam todos ainda atordoados e confusos, num estado de semi-torpor devido ao cansaço, aos ferimentos e a influência maligna da energia liberada pelo coração no momento de sua explosão. Novamente, havia mais comida esperando por eles no centro da clareira e, sem hesitar, o grupo se reuniu ao redor dela para o desjejum. Comeram calados, cabisbaixos, ainda deprimidos pela situação em que tudo terminara: todos mutilados de alguma forma, o grupo dividido e o mal se regenerando pouco a pouco dentro da torre. Depois de comerem, Anix pediu a Orion o seu colar emprestado e chamou por Sam. A jóia brilhou como de costume, mas a imagem do menestrel não surgiu dentro dela como era esperado. Apenas uma névoa difusa podia ser vista na pedra. A voz do bardo ecoou em meio a um chiado, como se Sam falasse no meio de uma forte chuva. A comunicação era confusa e partes da conversa se perdiam no meio da chiadeira. Era evidente que algum poder extremamente grande interferia no objeto.