agosto 24, 2012

Capítulo 369 – Fogo! – a aparição do halfling


A sala em frente ficava na borda leste da torre. Era de formato triangular, com uma das paredes curvilínea acompanhando o contorno externo da construção. Por todos os lados havia mais urnas funerárias empilhadas, várias delas estavam pelo chão, aos pedaços. Uma das ânforas despertou a atenção do grupo, era dourada, feita de ouro maciço e nela podia se ler em dracônico o nome de seu ocupante. Trossurkan, o Vermelho, era o nome inscrito com runas no jarro de ouro. Deveria ter sido alguém importante, um descendente de Ashardalon talvez, assim como Squall que coincidentemente partilhava a mesma alcunha. A urna foi recolhida pelos aventureiros, seus vários quilos de ouro seriam úteis quando todos estivessem de volta à civilização.

Retornaram então para a sala anterior e dela partiram através da porta que restava. Além dela havia outra saleta pequena e repleta de urnas, porém um pouco melhor organizada do que as anteriores. Havia sido limpada recentemente, como observou Nailo, de modo que os inimigos deveriam estar próximos. E estavam.
O grupo atravessou o corredor livre no meio da sala, que conduzia a uma saída. Nailo abriu a porta, que dava para um cômodo triangular na borda oeste da torre, e o que ele e seus amigos viram deixou todos espantados.
_ Trabalhem! Macacos inúteis! Tratem de arrumar esta bagunça – ordenava um halfling atrevido ao grupo de girallon que trabalhavam na limpeza do lugar. O pequenino notou a presença dos visitantes e, surpreso, acrescentou – Ih! Sujou! Esqueçam a limpeza, matem estes invasores! – mal acabou de dizer estas palavras, Flint Stone partiu em disparada através da porta às suas costas, em direção ao centro da espiral.
_ Desgraçado! Volte aqui! – gritou Legolas. O elfo avançou em direção ao traidor, mas sua passagem foi bloqueada pelos gorilas. Sem hesitar, o arqueiro abriu caminho atingindo friamente um dos animais com um disparo fatal.
Squall passou voando por cima de todos no encalço de Flint enquanto Legolas já recarregava o arco para mais um disparo. Nailo invadiu o salão, abrindo o ventre de um dos girallon com suas espadas. O animal tombou pesadamente, sem vida.
Outro macaco caiu morto vítima dos tiros de Legolas, Squall já atravessara a porta, permitindo que um grupo de zumbis que trabalhavam na sala posterior invadisse o campo de batalha. Orion, Anix, Mex, Lucano e o próprio Legolas correram atrás de Squall, ignorando os adversários. Nailo ficou para trás com Luskan e seus companheiros, cobrindo a retaguarda do grupo. O último girallon foi facilmente derrotado pelo Guardião e os zumbis foram rapidamente subjugados pelo grupo de Luskan.
Enquanto Nailo combatia os inimigos restantes, Legolas avançava na dianteira em busca do principal inimigo. Flint Stone não escaparia, era o que pensava o arqueiro. Ele atravessou a sala sem se importar com o que havia nela e arrombou a porta de saída com brutalidade, estava completamente enfurecido. Seguiram vários metros por um corredor tortuoso que descrevia um S, passando pelo centro da torre e terminava em uma porta ao norte. Um alçapão se abriu sob os pés de Legolas na metade do corredor, uma armadilha mortal que foi facilmente evitada pelo elfo em frenesi. Legolas gritou aos companheiros para pularem o fosso e seguiu até chegar à porta. Além dela havia um enorme salão em forma de meia lua. O teto se elevava nove metros acima do chão, tinha forma abobadada com um mosaico com desenhos abstratos como adorno. O centro do teto era negro como um chão sujo de restos de fogueira. No chão havia restos mortais e ossos incinerados espalhados por vários pontos e no centro dele havia uma pira com um fogo crepitante em seu interior. Atrás da pira havia uma porta dupla, ricamente decorada com entalhes de motivos fúnebres e nos dois cantos do salão, a leste e a oeste, havia duas áreas circulares completamente escuras, resistindo à iluminação da pira e dos heróis como se estas não existissem.
Orion invadiu o crematório, acotovelando-se com Legolas, e correu para a porta além da pira. Foi então que o fogo ardeu com maior intensidade e cresceu até atingir o teto da câmara. As chamas se moldaram como vivas, formando braços e pernas, transformando-se num gigantesco ser humanóide de fogo.
_ Intrusos! Não podem passar! – gritou o ser ígneo. Seu punho flamejante desceu como um meteoro sobre o peito de Orion, atirando-o para trás. O Elemental de fogo rugiu furiosamente e bloqueou a passagem. Defenderia a porta mesmo ao custo de sua vida.
Legolas recuou, tentando puxar Orion consigo para adiarem o embate até a chegada dos demais. Mas o humano permanecia firme, encarando o novo inimigo sem medo. O arqueiro recuou ainda mais, apressando seus amigos que vinham pelo corredor.
O dragão foi o primeiro a chegar. Mexkialroy passou voando por cima de todos, adentrando a câmara e cuspindo relâmpagos no elemental. O dragão voado em círculos pela sala, com imponência. Mas o inimigo não se intimidara com o ataque, que sequer o arranhara. E ele não estava sozinho.
Da sombra de Orion, projetada no chão pelo brilho das chamas do adversário, emergiram dois seres pálidos e aterrorizantes. Eram vampiros, lacaios de Gulthias, e mais que isto, eram também genasis dourados.
Os filhos de Guncha rasgaram as costas de Orion com suas garras, deixando-o seriamente ferido. O guerreiro caiu de joelhos, fulminado pela dor lancinante. Os três inimigos já preparavam uma nova investida, quando Anix invadiu o salão e salvou o amigo. O elfo jogou seu corpo sobre o do companheiro ao mesmo tempo em que seus lábios proferiam versos arcanos. Um portal mágico se abriu sob os dois e eles desapareceram por ele. O portal se fechou em seguida. Se tivessem sorte, e o campo profano da torre não atrapalhasse, os dois estariam a salvo em algum lugar.
Sem tempo para se preocuparem com Anix e Orion, os heróis restantes invadiram a câmara. Squall, após lançar uma magia protetora sobre Legolas, engajou-se em combate corpo a corpo com o elemental. Arranhões, mordidas, socos e chamas eram desferidos pelos dois combatentes, no entanto, ambos eram incapazes de ferir um ao outro por suas resistências ao fogo. Mex disparava rajadas elétricas incessantemente, mas seus ataques também eram ineficazes contra o inimigo. A fim de desequilibrar o combate a favor dos vilões, os dois vampiros cercaram Squall, prontos para devorá-lo com suas presas. Porém, Legolas e Nailo finalmente tomaram parte na batalha, fazendo a balança pender a seu favor. O Guardião usou seus poderes mágicos para invocar a luz do sol dentro da torre e assim afugentar os vampiros. As criaturas transformaram-se em fumaça e desapareceram além da porta guardada pela criatura de fogo. Ao mesmo tempo, Legolas disparava suas rajadas congelantes, transformando o elemental em uma gigantesca estátua de gelo. O corpo gélido começou a se trincar lentamente. Os heróis se prepararam para atacar, temendo um contra-ataque do inimigo. As trincas cresceram e se multiplicaram, transformando-se em grandes rachaduras, até que finalmente a criatura congelada se partiu em milhares de pedaços.
Legolas saltou a pira e avançou pela porta atrás dela, sendo rapidamente seguido por todos. Estavam novamente na borda da torre, num corredor curvo e estreito que circundava a construção de leste a oeste. Seguiram pela esquerda correndo o máximo que podiam. Legolas foi surpreendido quando, cinco metros depois de entrar no corredor, o chão se abriu sob seus pés. Era um alçapão, uma armadilha estrategicamente montada para eliminar os incautos. O elfo, entretanto, conseguiu evitar sem dificuldades o destino fatal. Os companheiros seguiram-no, saltando sobre o fosso.
Chegaram a uma porta após correrem por todo um quadrante da torre. Sem hesitar, Legolas abriu-a a força e seguiu em frente. Estavam agora em uma sala de nove metros de comprimento. À direita, colado à borda, havia um buraco circular no piso que descia para uma escuridão aparentemente infinita. À esquerda havia uma porta entreaberta, que dava para uma saleta cheia de entulho. Nailo correu até a saleta, enquanto os demais rodeavam o fosso. Não havia sinal do halfling em parte alguma.
_ Pelo outro lado! – gritou Legolas, correndo de volta pelo túnel. Em poucos segundos ele chegou a outra sala, parecida com a anterior em dimensão e formato. Nela havia apenas outro poço, idêntico ao anterior, colado à borda da torre. Legolas retornou rapidamente para onde estavam seus amigos.
_ Vamos descer! Do outro lado só tem outro fosso igual a este. Vamos descer e matar aquele halfling! – exclamou o arqueiro.
_ Mas e o Anix e o Orion? Devemos esperá-los – alertou Nailo.
_ Se eles estiverem nos andares acima, eles irão nos alcançar – respondeu Legolas. - Os – andares anteriores já estão seguros, então eles não terão problemas em chegar aqui. Mas se eles estiverem abaixo de nós, então temos que nos apressar ainda mais. Não podemos perder tempo!
Os heróis se entreolharam e concordaram todos com um aceno de cabeça. Mexkialroy sorriu com malícia. E, sem hesitar, o grupo saltou para a escuridão.

2 comentários: