agosto 24, 2006

Capítulo 221 – Carniceiros

Capítulo 221 Carniceiros

_ As crianças!!!exclamou Legolas, correndo em direção à porta que estava mais próxima. Todos os outros ainda tentavam recuperar o fôlego após a difícil luta travada, quando Legolas girou a maçaneta da porta. Trancada. Sem hesitar, o arqueiro deu um forte chute na madeira, destruindo a tranca que a fechava e arrombando a porta.

A porta se abriu à direita, batendo numa parede próxima e retornando lentamente. Havia um salão, que se abria para frente e para a esquerda do arqueiro. Legolas esticou seu braço esquerdo iluminando o ambiente com seu arco, e deu uma espiada dentro da sala. Uma criatura de formato humanóide, com a pele ressecada e decomposta colada sobre os ossos desprovidos de carne, saltou sobre o aventureiro repentinamente. Legolas tentou se defender do ataque do monstro, que o agarrava e tentava devorá-lo, mas a criatura conseguiu ser mais ágil e abocanhou o pescoço do elfo.

Legolas cambaleou, sentiu suas pernas fraquejarem enquanto tentava recuar para o corredor. Seu pescoço jorrava sangue, enquanto o ser repugnante o mastigava. Seus músculos começaram a enrijecer lentamente, até que Legolas não conseguiu mais se mover. Estava à mercê da fera insana que o devorava como um abutre sobre a carne morta. Era um carniçal.

Um carniçal, uma criatura não viva totalmente bizarra que devorava carne. Um morto-vivo extremamente perigoso que possuía a capacidade de paralisar as vítimas de suas mordidas para devorá-las sem resistência. Um ser cuja monstruosidade era contagiosa e passava para aqueles que morriam sob suas mãos, transformando-os em novos carniçais dias depois da morte. Um terrível carniçal estava a devorar Legolas.

Glorin correu para socorrer Legolas, temendo perder um aliado e ganhar um novo inimigo. O escudo de aço se chocou contra o corpo do arqueiro, jogando-o no chão. O monstro saltou para o lado, soltando o corpo paralisado do elfo, e voltou suas atenções para o anão. Outros dois monstros saíram de dentro do quarto, movendo-se rapidamente e investindo contra os heróis que chegavam para ajudar.

O primeiro deles Tentou revidar o encontrão de Glorin. O anão protegeu seu corpo cansado com o escudo, escapando do ataque do inimigo. Enquanto o escudo do anão era arranhado e mordido, o segundo carniçal saltou sobre Squall, que se aproximava para ajudar o capitão. Os dentes podres e afiados da criatura se cravaram profundamente no ombro do feiticeiro. Squall tentou em vão repelir o ataque da criatura. Disparou seus poderosos projéteis de energia, ferindo gravemente o inimigo, mas já era tarde. Seus músculos endureceram, e ele também parou de se mexer. Já o monstro, continuava a atacar com suas presas.

À distância, Lucano disparava flechas sem parar, mas estas não conseguiram impedir os ataques das criaturas. A terceira delas corria para atacar Anix, que derramava uma poção de cura mágica na boca de Nailo, resgatando o amigo da beira da morte. Rapidamente, Anix disparou uma flecha, detendo o avanço da criatura temporariamente.

Nailo despertou, ainda zonzo, em meio à confusão e entendeu que a luta ainda não havia terminado. Rapidamente tomou outra poção mágica, enquanto Lucano lançava sobre ele uma magia de cura. O ranger assistia ao seu capitão combatendo freneticamente com a espada elétrica de Dekyon, cortando a carne ressecada dos carniçais que o cercavam. Viu Anix eletrocutar outro dos monstros com sua mágica, momentos antes de ser atacado por suas mandíbulas pestilentas e de ficar imóvel. Viu seus amigos Squall e Legolas completamente indefesos, da mesma forma que ele próprio já estivera ao enfrentar o verme dentro do banheiro do castelo. Era uma situação crítica. Sem perder tempo, mesmo não estando totalmente recuperado, o ranger se levantou do chão e golpeou a criatura que devorava Anix com sua espada bastarda. O monstro cambaleou para trás, com um largo rasgo em seu peito. Nailo sorriu, mas sabia que era cedo para comemorar ainda.

Exausto da luta contra o esqueleto, Glorin já não conseguia evitar os ataques dos monstros. As mandíbulas e as garras das criaturas rasgavam a carne do guerreiro e espalhavam seu sangue pelo piso de pedra. Os heróis viram o destemido capitão ser obrigado a recuar, tamanha era a gravidade de seus ferimentos. Lucano dava cobertura com suas flechas, enquanto seu comandante engolia rapidamente uma poção mágica entre um ataque e outro dos inimigos. Nailo também não se encontrava em situação melhor que a de seu líder. Ferido pelo carniçal, o ranger sabia que não resistiria por muito tempo ao poder paralisante da saliva repugnante da criatura. E sabia que, assim como ele, Glorin também não conseguiria resistir por muito mais tempo.

O anão já parecia fraco demais para continuar lutando, quando um dos inimigos caiu ao seu lado, com uma flecha cravada em suas costas. Era Legolas. O arqueiro já conseguia se mexer, mesmo com dificuldade, e sem hesitar já usara seu arco para liquidar com um dos inimigos. Glorin voltou a atacar, rasgando a barriga do carniçal que restava em pé ao seu lado. O monstro se contorceu e tentou recuar, mas Lucano disparou uma flecha certeira no olho da criatura, eliminando-a. O último inimigo caiu, segundos depois, empalado pela espada bastarda de Nailo. E enfim todos puderam descansar.

Com os inimigos mortos, o silêncio voltou a dominar o gigantesco corredor do castelo. Os aventureiros sentaram seus corpos cansados no chão, e sorveram um longo gole de seus cantis. Estavam exaustos. Pouco a pouco foram recolhendo suas coisas abandonadas no meio do chão. Lucano fazia curativos nos amigos, cobrindo os ferimentos com bandagens improvisadas. Repousaram pro quase trinta minutos, mesmo assim, ainda precisariam de uma longa noite de sono e de uma farta refeição para se recuperarem completamente. De todos, o que estava menos ferido era Anix. Mesmo assim era visível em seu rosto o cansaço que sentia. Além do descanso, Nailo aproveitou o tempo disponível para destruir o que restava do corpo do terrível Dekyon. Um a um o ranger destruiu todos os ossos que compunham o corpo esquelético do guerreiro. No final sobrou apenas uma pilha de ossos triturados (Legolas sorriu ao lembrar do que dissera ao monstro no início do combate) e seu equipamento mágico.

Todos os objetos portados pelo esqueleto possuíam poderes mágicos. Os heróis começaram a testar todos os itens, que agora eram seu tesouro. Legolas calçou as botas e se sentiu mais leve. O arqueiro correu e saltou e compreendeu que as botas o tornaram mais veloz e mais ágil para saltar. Legolas contentou-se com as botas e pôs-se a lustrá-las com esmero. Squall colocou o medalhão e sentiu seu corpo enrijecer rapidamente. Ele inicialmente ficou assustado, achando que ficaria novamente paralisado, mas depois percebeu que sua pele se modificava, tornando-se mais áspera, mais grossa. Como o feiticeiro já possuía um colar semelhante, deixou que Nailo ficasse com o novo colar. Lucano foi quem testou o anel. Ao colocá-lo em seu dedo, uma aura mágica translúcida se formou ao redor de seu corpo, revelando os poderes do anel. Era algo que todos ali já conheciam, o anel criava uma armadura mágica ao redor do usuário, para aumentar sua proteção. Lucano deixou o anel com Anix, que não utilizava armaduras ou escudos para se proteger, e decidiu pegar para si a armadura de Dekyon. Anix pegou o anel e o pendurou no pescoço, amarrado a um cordão, rejeitando os seus benefícios mágicos. Lucano vestiu a armadura, abandonando sua velha e castigada brunea. Era um camisão de anéis trançados, uma cota de malha, feita de um belo e resistente metal prateado conhecido por Mithral. O clérigo percebeu ao redor da vestimenta o mesmo tipo de aura que o anel possuía, indicando que ela possuía uma melhoria mágica em suas defesas. Além disso, ele sabia que uma aura mágica de transmutação envolvia a armadura, conforme disse Squall. Só restava saber que poder oculto ela possuía. Nailo ficou com o par de manoplas usado pelo esqueleto. Ao colocar as manoplas em suas mãos, o ranger sentiu-se mais forte do que realmente era. Não estava tão forte quanto há pouco, quando a magia de Squall lhe ampliara a força, mas sabia que, por menor que fosse aquele aumento na sua força, ele duraria indefinidamente enquanto o ranger estivesse usando as manoplas. Por fim, restavam a espada e o escudo. Como seu estimado machado havia ficado em pedaços, Glorin ficou com a espada para si. Sua lâmina faiscava como o céu no meio de uma tempestade, brilhando como um relâmpago. O anão também ficou com o escudo, já que ele parecia se melhor que aquele que ele possuía. Ao redor do escudo também existia uma tênue camada mágica de proteção, e uma aura de abjuração emanava com força do item, aguçando a curiosidade dos aventureiros. Mas, não havia tempo para perder com esses detalhes naquele momento. Precisavam encontrar as crianças e sabiam que não seria uma tarefa simples. Dekyon havia apontado pro fundo do castelo ao cair morto. Poderia estar apontando para as crianças, como prometera, ou para uma armadilha mortal. De qualquer forma, eles teriam que checar todos os cantos da fortaleza até encontrarem as crianças raptadas. Além disso, todos sentiam que o tão esperado encontro com “aquele de fala mansa” estava cada vez mais perto de acontecer. Finalmente iriam entender o que significavam as palavras de Enola e conheceriam a verdadeira face do inimigo. Desejavam que não fosse o temível Teztal, temiam que o quase invencível inimigo tivesse voltado dos mortos para se vingar. Também temiam que o capitão estivesse com razão ao suspeitar que o dono do castelo e dos mortos-vivos fosse um lich, ou um vampiro. Mesmo com suas mentes cheias de dúvidas e temores, os corajosos aventureiros se levantaram e, de posse de seus novos itens, partiram novamente, rumo ao perigo.

agosto 23, 2006

Lendas Lendárias no ar!!!

Criei um novo blog, onde vou postar todas as mancadas dadas pelos jogadores durante as sessões de jogo (e algumas fora delas). Só tem cagada...
Confiram em:
http://www.lendarias.blogspot.com/

Dekyon, o esqueleto


Eis o famoso esqueletão. Essa imagem foi feita pelo Dieverson "Anix" Costa, muito tempo antes desse capítulo acontecer. Eles nem imaginavam que um desenho inocente feito por um deles poderia virar um poderoso inimigo. Imaginem a surpresa deles ao ver que o inimigo tinha sido feito por eles.

agosto 21, 2006

Capítulo 220 – O esqueleto guerreiro

Capítulo 220 O esqueleto guerreiro

A experiência dos heróis lhes tinha dado algum conhecimento sobre aquele tipo de inimigo. Armas cortantes ou perfurantes teriam pouca, talvez nenhuma, efetividade contra aquele adversário. Sem órgãos ou carne para cortar ou furar, somente esmagando os ossos do inimigo é que o grupo poderia ter certeza da vitória. Legolas também sabia que seu arco não poderia congelar o inimigo, já que ele não possuía músculos ou pele que pudesse ser congelada. O arqueiro guardou sua arma principal e pegou em sua mochila o enorme osso que retirara do dinossauro do andar inferior para usá-lo como clava.

_ O que vai fazer com isso, orelhudo! – perguntou o monstro.

_ Vou fazer um amontoado de ossos! – respondeu Legolas.

_ Interessante! Vamos começar pelos seus ossos então! Você será o primeiro que eu vou matar! Hihihehahaha!!! – debochou o inimigo dando uma gargalhada insana.

O monstro deu um salto e, antes que pudesse reagir, Legolas já recebia o primeiro golpe. A velocidade do monstro era espantosa. Movia-se saltitando pelo solo tão rápido que era quase impossível acompanhá-lo. A lâmina da espada abriu um talho fundo no pescoço do arqueiro, faíscas explodiram na carne rasgada queimando-a e fazendo o elfo estremecer. Legolas rangeu os dentes de dor, enquanto via os olhos vermelhos de seu inimigo fitando-o como se sentisse prazer.

_ Hihihehahaha!!! Vamos começar pelos seus ossos, seu orelhudo inútil! Vou acabar com todos vocês! Meu mestre ficará muito feliz em usá-los como matéria-prima! Hihihehahaha!!! – debochava o monstro, comemorando o ataque certeiro.

Legolas, que possuía o maior vigor físico de todos, fraquejara com um único e potente golpe do inimigo. Era o pior adversário que eles já haviam enfrentado. Ao seu lado, Squall tremia, apavorado com o inimigo não vivo. Num gesto de extrema bravura, o feiticeiro fechou os olhos e partiu para cima do inimigo, protegido por sua invisibilidade. Sem que o esqueleto percebesse, Squall agarrou sua espada, tentando tomá-la de suas mãos, e tornou-se novamente visível.

_ Verme! Então havia alguém mais escondido?! Estava invisível, não é mesmo? Deve haver mais alguns então!!! Não tem problema, acabarei com todos! E você, você será o segundo a morrer!!! Hihihehahaha!!! – bradou o monstro, dando um puxão forte e afastando a espada de perto do feiticeiro.

_ Sim! Temos uma centena de aliados invisíveis! Você não terá chance! – desafiou Legolas.

_ Ótimo! Assim meu mestre terá bastante material para usar! E eu me divertirei muito matando todos vocês!!! Hihihehahaha!!! – riu o monstro.

Squall tremeu, mas não se entregou ao medo e continuou firme ao lado de Legolas. Sentiu uma suave brisa passando ao seu lado, e viu o inimigo se abaixando rapidamente. Era Nailo.

_ Maldito! Tentou acertar minha pedrinha de estimação com essa flecha vagabunda! Vai me pagar por isso! Será o terceiro a morrer! – o monstro continuava debochando e enumerando a ordem na qual ele mataria os heróis.

Nailo bufou e praguejou ao ver que sua flecha tinha sido facilmente evitada pelo inimigo. Olhou para o lado e viu seu capitão, extremamente abalado com a presença do inimigo, tomando outra poção de cura mágica. Olhou para Lucano e fez um gesto com a cabeça. Lucano respondeu ao gesto dando a entender que já tinha pensado na mesma coisa que o ranger.

O clérigo invocou o nome de sua deusa e orou por seu poder. Sua mão brilhou e um raio de luz pálido atingiu o esqueleto que gargalhava. O monstro olhou para si, surpreso e fitou o clérigo com seus olhos brilhantes.

_ Que droga é essa que você está fazendo? É com isso que pretendem me derrotar? Vocês não terão a mínima chance, e você será o quarto a ser destruído! – rugiu o inimigo. - E saia daqui seu pulguento imundo! Não tenho tempo pra você! – desta vez o inimigo gritava com o lobo invocado pelo clérigo que tentava mordê-lo. A caveira bloqueou habilmente os dentes do animal com seu escudo e desferiu um contra-ataque veloz. O pescoço do lobo se abriu num corte que ia se fechando logo em seguida, à medida que a poderosa corrente elétrica descarregada pela espada o queimava.

Anix assistia a tudo oculto. Estava invisível e longe do alcance do inimigo, portanto tinha condições para analisar cada movimento dos combatentes. Sabia o que Lucano tentara e, pela reação do inimigo, tinha certeza de que o companheiro falhara em sua tentativa de desarmar o inimigo. Lucano tentara dissipar os poderes mágicos do inimigo, mirando sua poderosa magia em seu corpo cadavérico. Mas provavelmente não havia conseguido vencer o poder mágico do corpo do monstro. Quem quer que o tivesse criado, deveria ser muito poderoso para que sua força resistisse à mágica do sacerdote. Era a vez do mago tentar. Anix se concentrou e proferiu as palavras mágicas corretas. Sua mão brilhou e um raio, parecido com o de Lucano, atingiu o inimigo, dissipando a camuflagem do mago. Anix usou todas as suas forças para desfazer a magia que fortalecia o inimigo. Mas, o que somente Squall sabia é que a mágica estava nos itens e não no esqueleto, de nada adiantaria mirar a magia no inimigo.

_ Outro covarde apareceu! Maldito, já disse que essa porcaria não funciona em mim! Você será o quinto a ir para o além! E aquele cotoco de tocha ali será o último! Hihihehahaha!!! – mais um desafio e mais uma gargalhada histérica. Dessa vez o morto-vivo apontava para Anix e para Glorin.

_ Capitão! Quando você falou que temia que tivesse um lich aqui, era sobre ele que você estava falando, não é mesmo? – perguntou Nailo, enquanto sacava outra flecha.

_ Sim! E se ele for mesmo um lich, é melhor você se preparar e...cotoco de tocha?! Maldito!!! Cotoco de tocha é a sua mãe, seu desgraçado!!! Eu vou parti-lo em pedaços, seu bastardo!!! – o anão passava uma sensação de temor enquanto falava com Nailo. Engoliu uma última poção mágica e atirou o frasco no chão enquanto falava. Seu temor, e sua racionalidade desapareceram ao ouvir o insulto proferido pelo inimigo. Glorin se afastou de Nailo sem terminar de responder à sua pergunta e correu em direção ao monstro, enraivecido. – Bastardo!!! Cotoco de tocha é a sua mãe!!! Tome isso, maldito!!!

O machado do anão subiu acima de sua cabeça e desceu ligeiro na direção do inimigo. E encontrou o escudo. A lâmina de madeira interrompeu sua trajetória no disco de aço polido do monstro que sorriu desafiadoramente.

_ Tome isso o que? Cotoco de tocha!!! – debochou a criatura.

_ Peguei você!!! – o anão sorriu e seus olhos pareceram brilhar. Forçou o machado para o lado, deslizando-o pelo escudo até perder o contato com ele. O anão se abaixou e puxou a arma com força, fazendo uma curva com ela no ar, e atingindo-a em cheio nas costelas do monstro. – Já disse que cotoco de tocha é sua mãe, maldito!!! Agora pare de contar vantagem e diga logo onde estão as crianças da vila!!! E diga quem é esse seu mestre!!! – desta vez era o anão quem debochava e desafiava o inimigo.

_ Ah, seu toco de vela! Olha o que você fez! Trincou minha costela! Vai dar um trabalhão pra consertar isso! Vai me pagar por isso!!! Hihihehahaha!!! – o inimigo parecia não se abalar, mesmo com o poderoso golpe do anão, e continuava a rir e a zombar dos heróis. – E se por acaso vocês conseguirem me derrotar, eu conto onde estão aquelas pestinhas! E se isso acontecer, ai vocês poderão falar pessoalmente com meu mestre!!! Mas isso é uma coisa que não vai acontecer!!! Hihihehahaha!!!!

Legolas não sabia se provocava o inimigo ou se ria do termo usado por ele para irritar o capitão. Mas, não hesitou no momento de atacar e desferiu vários golpes de clava com o osso do dinossauro. O monstro aparou facilmente os ataques com a espada e os bloqueou com o escudo. A criatura olhou ao redor, encarando Legolas, Glorin, Squall e o lobo atroz que o cercavam. E deu um sorriso malicioso.

_ Hihihehahaha!!! Vocês estão exatamente onde eu queria! Estão todos no meu alcance! Hihihehahaha!!! Hurricane Sword!!! – o esqueleto deu um pequeno salto, girando seu corpo no ar com grande velocidade. Sua espada acompanhou seu movimento ameaçadoramente, rasgando o peito do lobo, o pescoço de Legolas, a testa de Glorin e abrindo um profundo corte no ventre de Squall. As faíscas queimavam a pele dos heróis e brilhavam como relâmpagos. A espada furacão, traduzindo o nome do golpe para o valkar, revelava-se uma técnica perigosa e mortal.

Squall cambaleou para trás, já quase sem forças para continuar. Reuniu o que lhe restava de energia em seu corpo e disparou uma rajada mágica que explodiu numa luz branca, acima da cabeça do inimigo. A pequena pedra que rodopiava sobre o crânio do monstro explodiu em centenas de pedaços.

_ Maldito!!! Verme!!! Você destruiu minha pedra iônica!!! Seu desgraçado!!! Mudança nos planos, os outros vão ter que esperar. Você será o primeiro agora!!! – o esqueleto agora estava realmente irritado. Apontou a espada para Squall enquanto gritava enfurecido. O feiticeiro tentou se afastar, pois já não tinha mais condições de lutar, mas sentiu a lâmina elétrica rasgando suas costas enquanto recuava. Squall agarrou-se ao pouco de consciência que lhe restava e viu Nailo disparando uma nova flecha contra o inimigo. E mais uma vez o viu repelindo o ataque com facilidade. A flecha ricocheteou no escudo da caveira e atingiu o pobre lobo que tentava ajudá-los. O outro animal conjurado por Lucano, um gorila gigantesco, apenas observava confuso.

_ Hihihehahaha!!! Assim fica fácil demais e não terá graça!!! Se vocês atacarem uns aos outros não precisarei nem lutar!!! Hihihehahaha!!! – a risada provocante ecoava pelo castelo, irritando e humilhando os heróis, que não conseguiam abalar a confiança do oponente. Mas eles ainda tinham outros truques para testar. Lucano deu alguns passos, enquanto segurava com fé o símbolo sagrado de sua amada deusa.

_ Criatura das trevas! Em nome da poderosa deusa Glórien eu lhe ordeno! Saia daqui maldito!!! - o grito de Lucano ecoou pelo corredor como um trovão. Seu peito estufado cheio de orgulho élfico, seus olhos amendoados cheios de determinação e sua voz decidida abalavam o monstro e davam confiança para seus aliados. Em suas mãos, o medalhão que trazia o símbolo do arco e flecha, brilhava como o fogo.

_ Desgraçado!!! O que você fez!!! Que sensação horrível!!! Seu maldito, você vai me pagar!!! Verme!!!

O poder sagrado do clérigo pareceu ser a única coisa capar de fazer o terrível inimigo vacilar. Atordoado pela energia positiva, o monstro foi atingido pelas mandíbulas do lobo, mas estas pareceram não serem capazes de ferir o inimigo. Anix e Glorin aproveitaram o momento e atacaram também. O machado do anão provocou uma trinca no crânio da criatura, e Anix tentou mais uma vez dissipar as magias do inimigo, sem entender que as únicas coisas dissipáveis ali eram suas armas. Percebendo a ineficácia de sua clava de osso, Legolas aproveitou o momento para recuar e pegar novamente o seu arco mágico.

_ Seu pulguento imundo!!! Babou em minha armadura! E você seu cotoco de tocha, olha o que fez! Vai me dar um trabalhão pra consertar essa rachadura! Malditos, vou matar todos vocês! Mas, terão que esperar a sua vez! – a criatura esquelética amaldiçoou os heróis, mas não esmoreceu diante dos ataques. Sua voz continuava soando insana e sádica, estridente como um violino mal afinado. Fez um gesto com a cabeça para Glorin, provocando-o e mandando-o esperar pela sua vez de morrer. E, num salto veloz, foi até onde estava Squall.

_ Então, seu verme! Destruiu minha pedra iônica! Agora vai pagar com a vida! Tome!!! – o monstro encarou o feiticeiro. Suas órbitas luminosas estavam repletas de ódio. A ponta da espada penetrou logo abaixo do pescoço do elfo, e os pequenos relâmpagos fizeram os olhos do feiticeiro virarem para trás enquanto ele era eletrocutado.

Nailo soltou o arco e sacou suas espadas, tentando ajudar o amigo. O monstro foi mais rápido e saltou para trás, escapando das lâminas do ranger e do machado de Glorin, que tentava golpeá-lo pelas costas. O gigantesco lobo conseguiu abocanhar o inimigo, mas o escudo de metal golpeou com força os dentes do animal, fazendo-o largar a presa. O esqueleto conseguiu escapar dos golpes e fugir para um lugar afastado do grupo, de onde voltou a desafiá-los.

_ Hihihehahaha!!! Venham seus vermes! Vou matá-los! Todos vocês!

Nailo atendeu ao chamado e correu até o oponente, golpeando-o com a maior das espadas. O monstro apenas bloqueou o ataque com o escudo e sorriu para o ranger, provocando-o. Lucano deu mais alguns passos e encantou uma flecha, tornando-a tão luminosa quanto uma tocha, para poder iluminar as trevas para onde o inimigo recuava. Anix correu, aproximando-se da luta e ficou aguardando, até que o inimigo se afastasse dos companheiros, para poder fulminá-lo com sua magia mais poderosa. Já Squall nada podia fazer. Muito ferido, o feiticeiro pediu ajuda a seu familiar e usou suas últimas forças para fortalecer Nailo com sua mágica. Os músculos do ranger ganharam tamanho e potência para poder golpear o inimigo. Squall quase desfaleceu, mas agarrou-se à consciência ao ver Cloud voando sobre sua cabeça com um dos frascos de poção mágica de Glorin agarrado em suas patas. O pássaro soltou o vidro para seu mestre e retornou par buscar outro.

Enquanto o feiticeiro tentava se salvar da morte, os seus companheiros lutavam com todas as forças contra o inimigo impiedoso. Glorin correu rapidamente, parecia que o anão tinha aumentado o comprimento de suas pernas. Girou seu machado e golpeou o monstro com toda sua força.

_ Bastardo! Diga onde estão as crianças! – gritava o anão.

_ Seu toco de tocha! Não digo, não digo, não digo! Hihihehahaha!!! – mais uma vez o esqueleto zombava da altura de Glorin. Sua espada aparou com facilidade o golpe do anão, abaixando-o e abrindo a guarda do pequeno guerreiro. O cabo foi na direção do rosto do capitão, ameaçando-o, enquanto a ponta faiscante mantinha a arma de madeira abaixada. Já estava pronto para partir o pescoço do guerreiro, quando foi forçado a se esquivar. O esqueleto se protegeu atrás de Nailo, escapando de uma flecha disparada por Legolas. O segundo disparo foi bloqueado com assustadora facilidade pelo escudo do monstro, frustrando a tentativa do arqueiro. A criatura voltou a encarar o anão e anunciou seu novo ataque.

_ Vou quebrar esse seu machado de pau!!! Seu toquinho de tocha!!! Hihihehahaha!!! – mais uma gargalhada, e mais um golpe desferido. Glorin aparou o ataque com seu machado, mas a lâmina eletrificada atravessou a lâmina de madeira, partindo o poderoso machado de Glorin em vários pedaços. O esqueleto recuou, aproximando-se de uma nova porta que surgia na escuridão, zombando do estado da arma de Glorin. Nailo tentou impedi-lo com sua espada, mas o monstro foi mais rápido que o golpe do ranger e escapou facilmente da lâmina.

_ Capitão, use esta espada! – Nailo soltou a menor das suas espadas e com a mão livre puxou a espada bastarda que trazia em sua mochila, entregando-a ao anão. Deu dois passos e golpeou novamente, desta vez com as duas mãos, atingindo o ombro do adversário. O esqueleto, no entanto, sequer estremeceu com o golpe.

Lucano finalmente se fez entender, e o gorila trazido de outro mundo por ele correu e atacou o inimigo. O lobo nesse momento desapareceu, pois a duração da magia que o havia trazido até o mundo material havia expirado. Ao mesmo tempo o clérigo invocou o poder de sua deusa e uma espada de energia apareceu ao seu lado, disparando um raio fulminante no esqueleto. E novamente ele evitou os ataques.

A espada cortou o ventre do gorila no momento em que ele passava para cercar o monstro e impedi-lo de fugir pela porta. O corte tirou a força do macaco, tornando mais fácil a tarefa de escapar de suas mandíbulas. Abaixando o corpo, o esqueleto escapou do raio da espada espiritual e da bocarra do símio que se abria sobre ele. Glorin correu e tentou atingir o inimigo com a espada bastarda. E novamente ele defendeu o golpe, ameaçando o anão com o cabo da espada, enquanto a ponta segurava a espada do anão abaixada. Legolas chegou mais perto e disparou duas flechas quase ao mesmo tempo. Duas flechas infalíveis. Nem mesmo a poderosa técnica do arqueiro, de disparar com precisão quase cirúrgica, foi capaz de atingir o inimigo. O escudo bloqueou os projéteis com facilidade, fazendo com que elas ricocheteassem e desaparecessem na escuridão. Enquanto isso, Squall recuperava sua energia com a ajuda de seu falcão, e Anix desesperava-se ao ver que os companheiros ficavam cada vez mais próximos do inimigo, impedindo-o de usar sua poderosa muralha de fogo.

_ Vocês são ridículos! Principalmente você, seu toco de tocha! Vou acabar com todos!!! Hihihehahaha!!! – o esqueleto voltou a atacar, arrancando das mãos de Glorin e Nailo as armas que portavam. Um terceiro ataque perfurou o peito do anão, que começou a sangrar abundantemente. O anão cambaleou, quase caindo, tamanha era a dor que sentia. E, entrou em fúria.

O rosto do anão avermelhou e seus olhos ficaram tão rubros quanto o sangue que saia de seu peito. Rapidamente, Nailo apanhou a espada longa do chão e jogo-a nas mãos do capitão. Tomado pela cólera, o anão golpeou com extrema força o esqueleto. Uma, duas, três vezes. O anão parecia maior e muito mais forte. Mesmo assim, não foi capaz de atingir o inimigo. Glorin urrava como um leão enquanto atacava incessantemente com a espada. O monstro esquivava, bloqueava com o escudo, aparava com sua própria espada, e escapou da chuva de golpes do guerreiro.

_ Errou, cotoquinho!!! Não adianta gritar como uma mulherzinha, não! Você não vai conseguir me ferir! Hihihehahaha!!! – mais uma vez o esqueleto provocou Glorin. Sua risada infernal irritava a todos cada vez mais, seus nervos estavam à flor da pele. A criatura rasgou as costas de Nailo, que ainda se levantava após apanhar a espada do chão. Sem armas, Nailo contra-atacou com o que estava à mão.

_ Braxat! – gritou o ranger, sacudindo a varinha mágica dada pela jovem Laura. Sua mão brilhou forte e tocou no peito do monstro, ferindo-o, ao invés de curá-lo. Os demais ganhavam terreno, aproximando-se cautelosamente do monstro. Uma das flechas de Legolas cravou-se firmemente na órbita ocular direita do inimigo, enquanto ele se defendia dos ataques do anão. A arma espiritual de Lucano brilhou mais uma vez, atingindo de raspão a cabeça do inimigo que se via cercado por Glorin, Nailo e pelo gorila de Lucano. Anix continuava esperando uma chance de usar sua poderosa magia, e Squall ingeria uma última poção antes de retornar ao combate.

_ Então, vocês me cercaram novamente! Hihihehahaha!!! Como são idiotas! Hurricane Sword!!! e novamente o ser esquelético girou seu corpo como um tornado. Sua espada cortou violentamente aqueles que o cercavam. O gorila atroz tombou pesadamente no chão e desapareceu sem deixar vestígios. Nailo e Glorin, severamente feridos pelos vários golpes do morto-vivo, não estavam em situação muito melhor.

_ Hihihehahaha!!! Vocês não são de nada! Além de fracos, são totalmente estúpidos! Minha técnica Hurricane Sword acabará com todos vocês facilmente, e... – o monstro interrompeu seu arrogante discurso, sendo calado por um grito estrondoso. Squall surgiu de trás de Glorin e Nailo, saltando por cima dos dois como um felino. O feiticeiro pisou no ombro do anão e tomou impulso para voar por cima dos companheiros e cair sobre o inimigo. Enquanto caia, concentrou-se para lançar um feitiço à queima-roupa. Percebendo o momento de fraqueza do feiticeiro, o monstro rasgou-lhe o peito com sua espada. Squall resistiu à dor, e seus dardos mágicos explodiram como mísseis no rosto do monstro. Squall tentou se agarrar ao esqueleto, mas ele foi mais rápido e inclinou seu corpo para o lado, deixando que o feiticeiro passasse livremente em direção ao solo. O monstro aproveitou a chance e desferiu um segundo golpe, desta vez nas costas do elfo. Squall gritou de dor, sua visão ficou turva e suas pernas fraquejaram ao tocar o solo desajeitadamente. Squall perdeu o equilíbrio e se espatifou no chão. A caveira o encarou como uma serpente pronta para o bote e desferiu um novo golpe, mas, desta vez um chute certeiro na boca do feiticeiro.

_ Vocês são todos patéticos! Eu cuspiria em você agora, se ainda tivesse essa capacidade! Aliás essa é uma das poucas desvantagens em ser um esqueleto! Hihihehahaha!!! – Riu mais uma vez o monstro, humilhando o elfo caído. Squall nada podia fazer, estava indefeso aos pés do inimigo. Falar também era impossível, sua boca doía e um de seus dentes parecia ter amolecido com o pontapé.

Sem perder tempo, Nailo usou novamente a varinha mágica e feriu a aberração com seu poder de cura. O ser praguejou e amaldiçoou o ranger, enquanto seu corpo se contorcia pelos efeitos da magia. Lucano entendeu que esse era o melhor meio de derrotá-lo e se aproximou para lançar sobre o adversário sua mais poderosa magia de cura. Infelizmente, ele chegou perto demais e ficou ao alcance da espada elétrica, que o cortou com violência no ombro esquerdo. A dor do golpe tirou a concentração do clérigo e toda a energia que ele reunira se perdeu.

_ Ahá! Aquela sensação ruim passou! Então era você que a estava gerando! Seu maldito! Chegue mais perto para que te matar! – rugiu o ser após golpear o clérigo. O poder usado por ele para expulsar o monstro do lugar, desaparecera no instante em que ele se aproximara da criatura. Lucano havia ultrapassado o limite e isso lhes custaria caro. O monstro voltava a lutar com poder total.

Os heróis continuaram atacando, e o inimigo continuou defendendo cada golpe desferido. Sua lâmina faiscante aparava cada um dos golpes carregados de fúria de Glorin, e seu escudo rebatia com extrema facilidade as precisas flechas de Legolas.

_ Jamais me vencerão! Recebam mais uma vez, Hurricane Sword!!!a espada novamente descreveu uma trajetória circular, enquanto o corpo esquelético rodopiava velozmente. Nailo foi o único que conseguiu evitar o ataque do monstro, que feriu a todos os outros que estavam a seu redor. Lucano por pouco não perdeu o olho esquerdo na ponta da lâmina, que quase arrancou o topo da cabeça de Glorin. O anão foi arremessado em cima de Nailo com a força do golpe, empurrando o ranger e ajudando-o a escapar da espada. Squall recebeu um forte golpe que lhe abriu as costas e jogou no abismo da morte. O feiticeiro parou de se mexer. Ainda respirava, mas seu peito movia-se com dificuldade. Estava morrendo.

Nailo atirou-se no chão, deslizando de joelhos em direção ao amigo. Com a varinha na mão ele invocou a palavra mágica, Braxat, e usou o poder mágico para salvar Squall da morte certa. Lucano tentou novamente atingir o monstro com seu poder curativo, mas foi obrigado a interromper sua magia para escapar da lâmina do inimigo. Mais uma vez a energia se perdeu. O inimigo ergueu a espada ameaçadoramente e gargalhou uma vez mais.

Glorin levantou sua espada também, mas muito além do que devia. O inimigo aproveitou a chance dada pelo anão e o golpeou, dando uma estocada certeira no peito do pequenino. Glorin cambaleou para trás, retirando a ponta da espada de dentro de seu corpo e sorriu.

_ Peguei você, bastardo!!! – o capitão deu um grito enraivecido, e desceu a sua espada sobre a do inimigo que ainda estava apontando para seu peito, numa posição vulnerável. As lâminas se chocaram com força, faíscas voaram por todos os lados ofuscando os combatentes. Glorin urrou como um urso e depositou toda sua força naquele ataque, arrancando a espada das mãos do inimigo e jogando-a no chão.

Rapidamente, Legolas correu até onde estava a espada e pisou sobre ela, impedindo que o esqueleto tentasse recuperá-la. Retesou a corda de seu arco até o limite e disparou à queima-roupa. A flecha atravessou o crânio ósseo quase totalmente e, por pouco sua ponta não pode ser vista do outro lado.

_ Coma essa, Dry Bones! – provocou Legolas, usando o mesmo dialeto usado pela criatura para chamá-lo de ossos secos.

_ Meu nome é Dekyon, seu orelhudo!!! E não pensem que me venceram! Hihihehahaha!!! – o monstro deu um salto mortal, passando entre Glorin, Nailo e Squall. Rodopiou no ar e deu várias cambalhotas, escapando de todos os ataques que tentavam alcançá-lo. Numa sucessão de acrobacias, o monstro alcançou o local onde Squall havia deixado sua mochila para poder saltar sobre os companheiros. Pegou o cabo de uma espada que estava à mostra na mochila, a mesma espada que Squall pegara de uma das armaduras no piso inferior. Apontou a bastarda para os heróis e os desafiou novamente. – Venham, seus inúteis!!!

Mesmo caído, mas já consciente de novo, Squall murmurou um feitiço e arremessou um pequeno pedaço de enxofre no ar, fazendo-o explodir sobre a cabeça do monstro. As chamas se espalharam rapidamente, envolvendo a criatura e destruindo a mochila de Squall. Enquanto o monstro ainda estava atordoado, Nailo pegou a espada eletrificada do chão e entregou a Glorin. O anão correu, junto com Lucano e os dois começaram a golpear o inimigo que escapava habilmente de cada ataque. Anix, vendo que seus companheiros não se afastavam do inimigo, desistiu da muralha de chamas e disparou uma rajada de energia no monstro, explodindo metade de seu rosto esquelético. Legolas, de forma semelhante a Squall, saltou sobre o anão e começou a disparar suas flechas enquanto estava no ar. O monstro rebateu os projéteis com seu escudo e cortou a carne do elfo com a espada bastarda. Legolas caiu no chão ao lado do inimigo, muito ferido, e recebeu uma estocada nas costas.

_ Vocês são mesmo uns loucos! Hihihehahaha!!! Desse jeito vão acabar se matando sozinhos! Hihihehahaha!!! – riu o monstro antes de correr para longe dos heróis e desaparecer no pequeno corredor lateral que existia no lugar. Legolas tentou impedi-lo de fugir, passando o arco em suas pernas, mas a criatura foi mais ágil e se livrou da rasteira do elfo com facilidade.

Cloud soltou um dos frascos de poção mágica nas mãos de Squall e voou rapidamente em busca de outro. Squall tomou o líquido mágico e correu até sua mochila, destruída pela bola de fogo. Para seu alívio, a espada e o dedo de seu amigo Loand estavam intactos. Nailo e Glorin correram até a entrada do corredor onde o inimigo havia se escondido. Lucano dava cobertura à distância com seu arco, enquanto Anix ajudava Legolas a se levantar e Squall cuidava de seus ferimentos gravíssimos. O monstro surgiu da escuridão, passando a lâmina da bastarda no queixo do anão. Por pouco Glorin não perdeu sua cabeça nesse golpe. Já era visível o cansaço do anão. Toda a sua fúria havia desaparecido, e dava lugar apenas à exaustão. O inimigo voltou para o meio do corredor, onde voltou a desafiar os heróis.

_ Vamos lá covardes! Venham morrer! Vou matar todos vocês! – desafiou o monstro.

_ Diga logo onde estão as crianças da vila! Você já está acabado! – rebateu Nailo, correndo até o inimigo (Glorin vinha logo atrás). Tentou novamente feri-lo com a magia de cura de sua varinha, mas desta vez o esqueleto esquivou e escapou da mão encantada do ranger. Anix disparou mais uma vez com sua magia, atingindo o abdome do monstro. Suas costelas esfarelaram por debaixo da armadura, criando uma depressão na vestimenta. Mesmo assim, ele, não se abalava.

_ Já disse que só revelarei se vocês me derrotarem! Mas isso não vai acontecer, nem em um milhão de anos! Hihihehahaha!!! Hihihehahaha!!! Hihihehahaha!!! – o monstro debochou enquanto se desviava de Nailo. Glorin chegou logo em seguida.

_ Ora, cale essa boca! Essa risada já me irritou demais! – mesmo exausto, o anão foi capaz de ir até onde estava o inimigo. Esbaforido, ainda teve forças para atacar mais uma vez e cravar a espada faiscante no olho esquerdo da criatura e interromper suas risadas.

_ Aaaaaaaiiiiii! Maldito! Cotoco de tocha! Olha o que você fez! Meu olho! Você me paga! Eu vou te matar! – gritou a caveira, ensandecida, enquanto tentava retirar a espada de sua cabeça. Então, uma flecha a atingiu com grande violência, exatamente no centro da cabeça, fazendo-a pender para trás. Era Legolas.

_ Ele mandou você calar a boca, droga! – gritou o arqueiro, tomado de uma fúria sobrenatural. A corda em seu arco ainda balançava, mas sua mão estava firme como uma rocha.

_ Isso mesmo! Você já era! Diga suas últimas palavras e cale-se para sempre! – vociferou Nailo, que assistia de perto a queda do monstro.

_ Morraaaaa!!!!!­ – gritou o esqueleto. Sua mão se moveu rapidamente e desferiu um potente golpe de escudo na cabeça do elfo. Dekyon, o esqueleto guerreiro caiu finalmente. Seu corpo parou de se mexer completamente, e o brilho vermelho de seus olhos foi desaparecendo pouco a pouco até se extinguir completamente. Sua mão direita soltou a espada de Squall no chão, e seu braço esquerdo, ainda preso ao escudo, caiu esticado para trás. Na sua mão, quatro dos cinco dedos estavam fechados. Somente o indicador estava esticado, como se apontasse para alguma coisa perdida no meio da escuridão. Como se apontasse para o local onde as crianças estavam. A somente um passo de distância outro corpo caiu sem consciência. Era Nailo.

agosto 17, 2006

Capítulo 219 – Rosnados nas trevas...os cães do inferno

Capítulo 219 Rosnados nas trevas...os cães do inferno

_ Nailo! Já que você adora seguir pegadas, veja se alguém passou por aqui na noite passada! Vamos lá pessoal, todos preparados! Vamos conferir cada uma das salas que nós limpamos, pra confirmar se elas continuam limpas! Anix, Legolas, usem essas suas orelhas pontudas antes de abrirmos as portas novamente! – ordenou o capitão com a voz firme e decidida de sempre.

Nailo abaixou-se para observar o piso mais de perto. Seus olhos percorreram rapidamente cada espaço em busca de pegadas suspeitas. Nada. Provavelmente ninguém havia passado por ali depois da chegada do grupo, ou então tinha sido hábil o suficiente para enganar os olhos treinados do elfo. Enquanto isso, Legolas e Anix iam mais à frente do grupo, colocando seus ouvidos em cada porta e abrindo cada uma delas ao constatar que atrás delas só havia o silêncio. Legolas ainda teve tempo para ir até a porta de entrada e recolher as duas flechas disparadas por ele na tarde d dia anterior. Estavam firmemente fincadas na porta, uma sobre a outra, alinhadas verticalmente. Squall caminhava, orgulhoso, com seu livro mágico transmutado em manopla, protegendo seu braço. Assim, pouco a pouco os heróis foram avançando em direção ao fundo do castelo, até chegarem à biblioteca, onde haviam derrotado aquele que se auto intitulada Eliot, o guardião.

_ Capitão! Acho que ao menos um de nós deveria retornar para a vila! Para avisar aos moradores que estamos bem! Hoje é o terceiro dia desde que deixamos a vila e, se eles seguirem suas ordens, partirão de lá ainda hoje! Temo que eles possam correr algum perigo se arriscando por essas estradas infestadas de monstros e bandidos! – Nailo parecia preocupado e inquieto.

_ Tem razão! Mas creio que não seja motivo para tanta preocupação! O forte não fica tão longe daqui assim, eles poderão com sorte encontrar alguma patrulha que esteja por perto! – Glorin tentava acalmar o ranger demonstrando segurança.

_ Eu sei, mas mesmo assim eu acho que a gente devia avisá-los! Se quiser eu posso capturar algum animal, um pássaro por exemplo, e mandá-lo até Carvalho Quebrado com uma mensagem amarrada na pata! – insistiu Nailo ainda perturbado.

_ Pode ser uma boa idéia! Mas, vamos fazer o seguinte! Vamos continuar mais um pouco e ver o que tem lá em cima! Se até a hora do almoço a gente não tiver conseguido terminar essa missão, então nós faremos alguma coisa! – disse o anão, resoluto.

_ Tudo bem então! Agora, com sua licença, eu quero verificar uma coisa dentro da biblioteca! – Nailo estava mais calmo com a decisão do capitão.

_ Está certo! Ficaremos esperando por você na porta! – concluiu o anão.

O ranger entrou na biblioteca escura, clareado apenas pela lanterna torta de Squall. Foi até o lugar onde tinha encontrado o misterioso livro vermelho que o atordoara na noite anterior. Olhou ao redor do espaço, agora vazio, ocupado pelo livro e teve a certeza de que ninguém tinha procurado pelo volume após ele ser retirado. Colocou o tomo de volta ao seu lugar. Tirou-o, recolocou-o várias vezes, mas nada acontecia. Mexeu nos livros ao redor, na esperança de acionar alguma alavanca secreta e abrir alguma passagem. Nada. Convencido de que não havia mais nada a fazer ali, desistiu, mas não antes de pegar mais dois livros para si, um sobre culinária e outro sobre arquitetura.

Lucano também entrou na biblioteca. Enquanto seu companheiro se certificava de que as armaduras animadas permaneciam aos pedaços dentro do baú, o clérigo arrancou um pedaço de madeira da cadeira golpeada por Nailo no momento do surgimento de sir Eliot. Lucano orou a Glórien, e pediu que sua deusa iluminasse o seu caminho. E o pedaço de madeira brilhou como uma tocha.

Squall apagou sua lanterna, não precisava mais desperdiçar óleo. O arco mágico de Legolas e o pedaço da cadeira forneciam luz mais que suficiente para o grupo. Neste momento, a manopla do feiticeiro se transformou novamente e voltou a ser o livro de magias de antes. Haviam se passado cerca de cinco minutos desde que eles tinham saído do quarto e Squall concluiu que aquele era o limite de tempo da transformação do tomo. Continuaram avançando, verificando cada uma das salas anteriormente exploradas. Passaram pela cozinha, que agora estava deserta. Entraram na área de repouso, onde Nailo limpou do chão os cacos de seu jarro de óleo. Olharam rapidamente para dentro do salão principal e continuaram, indo em direção à escada, em direção ao segundo andar do castelo.

_ Quando nós formos embora, vou ficar com uma dessas armaduras para mim! – disse Legolas ao passar pelo corredor onde Nailo fora atacado pelas armaduras.

O bando parou diante da escada. Olharam para cima temerosos. Desejavam não encontrar nada de terrível lá em cima. Para prevenir qualquer problema, eles decidiram se preparar antes de avançar. Squall protegeu a si e a seu irmão convertendo a mana em um campo de força invisível para proteger seus corpos, enquanto Lucano orava, concentrado, abençoando o seu cantil de água. Com um punhado de pó de prata, raspado dos talheres recolhidos pelo grupo, Lucano transformou o simples líquido em água benta.

Subiram. Cada passo naquela escadaria macabra levava uma eternidade para passar. Nailo ia à frente segurando o pedaço de madeira brilhante, ao lado de Legolas com seu arco pronto para disparar a qualquer surpresa. Atrás vinham Glorin e Squall e por fim Lucano e Anix.

Quando a escada finalmente chegou ao fim, mais de seis metros acima do solo, os heróis estavam em um imenso salão. A escada ficava ao lado do que era a parede leste do local, bem no meio do salão que se abria para o oeste, norte e sul. Tinham mais de dez metros de largura e seu comprimento ia além dos olhos, perdido no meio da escuridão. Sabiam apenas que depois de uns dez metros, ele se abria ainda mais, tanto ao norte quanto ao sul, desembocando em um salão ainda muito maior. Não havia portas próximas, apenas as paredes decoradas com vários quadros que representavam belas paisagens e cenas cotidianas. E tudo estava em silêncio.

A imensa escuridão à frente do grupo era perturbadora. Eles não podiam ver muito além do que a luz de seus itens permitia, mas alguém, que espreitasse nas sombras, poderia estar observando-os, e preparando uma cilada mortal. Nailo olhou para os companheiros e todos assentiram com um gesto de cabeça. Prepararam suas armas e Nailo arremessou o pedaço luminoso de madeira que tinha em suas mãos. O bastão rodopiou, descrevendo um arco no ar. Os heróis puderam ver o teto do salão, a 6 metros do chão. A madeira caiu a uns 20 metros do grupo, iluminando o que antes era impossível de se ver. E tudo continuava em silêncio.

O corredor onde eles estavam terminava em outro maior ainda que seguia à esquerda e à direita. Era possível ver, ainda que com muita dificuldade, um outro corredor mais estreito, de uns 3 metros apenas, bem diante do grupo. E uma porta perdida nas sombras muito distante do grupo, à esquerda, também podia ser percebida. E o silêncio finalmente foi quebrado.

O rosnado furioso de vários animais chamou a atenção do grupo. Pareciam um bando de cães selvagens cercando uma presa. Nailo imediatamente pediu aos amigos que não ferissem os animais.

_ Se for algum animal, deixem-me tentar domá-lo antes de atacarem! Depois disso, caso eu não tenha sucesso, podem atacar à vontade! Mas primeiro vamos tentar evitar ferir animais inocentes! – pediu Nailo, tomando a frente do grupo e caminhando em direção à área iluminada.

_ Sinto muito, Nailo! Mas se aparecer alguma coisa pra nos atacar, seja animal, seja deste mundo ou não, receberá minhas flechas! Não vou deixar ninguém ferir alguém do grupo! – Legolas mirava seu arco para dar cobertura ao amigo que se afastava enquanto discordava decidido.

O ranger seguiu na direção dos rosnados. Embainhou suas espadas, pois esperava acalmar os cães e impedi-los de atacar o grupo. Esperava passar pelos cães sem ter que lutar, mas esqueceu-se de um detalhe relevante. Os cães do castelo não eram cachorros comuns. Eram cães infernais.

Nailo chegou até o meio do corredor, onde a madeira brilhava, iluminando tudo à sua volta. Os rosnados ficaram mais altos e mais próximos, até que ele viu, no limite do alcance de seus olhos, um grupo de animais bestiais correndo em disparada para atacá-lo. Eram quatro enormes cães, um deles quase tão grande quanto um cavalo. Tinham uma pelagem curta de cor amarronzada que lembrava ferrugem, presas e garras extremamente afiadas e olhos avermelhados que brilhavam como chamas. Eram os mastins de Thyatis. Feras terrivelmente perigosas e nem um pouco amistosas. Nailo estava em perigo.

Os corpos dos monstros brilharam sob a luz da madeira no chão, revelando-os aos outros combatentes. Os quatro saltaram, vorazmente, sobre o corpo retraído de Nailo. O ranger curvou seu corpo para o lado, escapando do primeiro ataque. Chutou o focinho repugnante do segundo animal sem remorso, aquelas criaturas nada tinham a ver com sua deusa. O terceiro animal cravou suas presas profundamente na perna direita de Nailo. O último e maior deles deu um salto espantoso e posou seu corpanzil sobre o do elfo, abocanhando com força o seu ombro. A criatura largou sua presa rapidamente, ferida na boca por uma flecha congelante. Era Legolas. Sua perícia com o arco, aprendida durante um treinamento de anos lhe permitia mirar com precisão no alvo para causar o maior dano possível. Graças a ele, o terrível cão fora obrigado a soltar Nailo antes de conseguir causar um dano maior ainda a ele.

O restante do grupo também já tomava suas providências para enfrentar as criaturas. Lucano e Squall já tinham fortalecido seus corpos com suas mágicas e Anix já desaparecera, invisível, dos olhos das feras. Os pés de Glorin se moveram rapidamente, ganhando terreno até próximo de onde Nailo estava. O anão direcionou o punho cerrado na direção do inimigo mais próximo e, num grito de guerra feroz, lançou um poderoso raio congelante no rosto do animal. A criatura cambaleou meio atordoada e com o focinho congelado.

Legolas disparou mais duas vezes, criando a oportunidade para que seu amigo recuasse e tomasse uma poção mágica para curar seus ferimentos. A primeira flecha penetrou profundamente no olho esquerdo do maior dos mastins, perfurando-o. O projétil quase desapareceu dentro do crânio onde se cavava, depois explodiu. Voaram lascas de gelo e pedaços de carne e ossos por todos os lados, levando consigo metade da cabeça do animal. O monstro ganiu em dor e desespero e logo depois se calou, quando o segundo disparo atravessou o seu pescoço. O mastim caiu pesadamente no chão. Seu peito já não se movia.

Um novo clarão se formou, seguido de quatro explosões que atingiram o monstro que estava à esquerda do grupo. O animal tropeçou em suas próprias pernas, completamente desorientado. Anix apareceu logo em seguida, já sem o benefício da invisibilidade, próximo à fera atingida.

Graças aos amigos Nailo conseguira recuar para uma posição segura, onde pode cuidar de seus ferimentos mais graves. Agora era Glorin quem tomava a frente do grupo, rosnando de igual para igual contra os três monstros sobreviventes. As criaturas se aproximaram do anão com temor após ver a morte de seu líder. Abriram suas bocarras na direção pequeno homem. Havia fogo dentro delas. As chamas cresceram de forma magnífica, envolvendo Glorin num turbilhão de fogo que foi se expandindo até atingir Nailo. O ranger protegeu o rosto com os braços e inclinou seu corpo para trás, tentando escapar das chamas. Todos os outros fecharam os olhos por um instante, protegendo-os do brilho e do calor. Quando o turbilhão de fogo terminou, Nailo estava severamente ferido. Glorin, caído, à beira da morte.

Squall correu e se colocou entre o capitão e as bestas. Atacou-as com sua espada sem precisão alguma, sua prioridade era proteger o corpo de seu líder para que algum dos outros pudesse ajudá-lo. Lucano concluiu um feitiço de invocação, gritou o nome de sua deusa e um gigantesco lobo surgiu, magicamente, atrás dos mastins. O lobo agarrou um dos cães com sua enorme mandíbula, dando tempo para que o clérigo conseguisse rogar uma bênção sobre o anão. Glorin recobrou os sentidos, muito abalado, e agarrou novamente seu machado.

_ Bastardo! Vai me pagar! Tome isso! Frost Axe!!! – vociferou o anão, levantando-se apressadamente e desferindo um golpe com seu machado. A lâmina de madeira negra tornou-se prateada e cobriu-se de gelo. Desceu com violência na direção de um dos cães que encolheu o corpo, desviando do ataque. O machado continuou sua trajetória até parar, manchado de sangue, na perna do anão. Glorin praguejou e amaldiçoou o cão. Nailo correu para ajudá-lo, dando uma forte estocada no lombo do animal antes que ele pudesse revidar o ataque do anão.

Squall enfrentava os outros dois monstros corpo a corpo, quando sentiu um vento gelado passando ao lado de sua orelha. Viu uma flecha fincada no focinho de um dos monstros. Outra brisa gelada, desta vez do outro lado. Outra flecha certeira, desta vez no pescoço. E mais um inimigo tombado. O cão caiu ofegante e desfalecido, vivia seus últimos momentos de vida. Os outros dois também.

Anix mirou mais uma vez sua magia. Os projéteis luminosos explodiram a face do mastim que lutava contra o lobo de Lucano. O último inimigo caiu diante de Nailo, com o rosto desfigurado pelas explosões. Ainda respirava com dificuldade. O ranger girou a espada com força, decapitando o monstro, depois deu um chute na cabeça decepada, atirando-a nas trevas à frente do grupo. Os heróis pensaram que tudo havia terminado, mais uma batalha encerrada. Mas, não tiveram sequer tempo de respirar. A cabeça decepada do cachorro retornou rolando pelo chão.

_ Capitão, pegue! – Legolas jogou uma poção mágica para o líder do grupo e apontou seu arco para a escuridão.

_ Grande deusa, canalize vosso poder através deste servo e restaure o vigor de vosso filho! – disse Lucano fazendo uma prece a Glórien e lançando sobre o amigo o poder da sua deusa. As mãos de Lucano emitiram um brilho cálido que envolveu o corpo de Nailo, restituindo-lhe o vigor físico que havia sido absorvido pelos fantasmas no dia anterior.

Legolas avançou e chutou o pedaço de madeira que brilhava no chão. Todos os olhares se voltaram na direção do objeto, mas nem sinal do inimigo. Então eles ouviram um riso debochado que se aproximava junto com o som de passos pesados.

_ Preparem-se todos! – Disse Glorin, temeroso. O anão apoiou seu machado na parede e tirou a mochila das costas. Mexendo na bolsa, apanhou com as duas mãos dez pequenos frascos carregados de um líquido esverdeado. Alguns tinham um tom tão escuro que eram quase negros. – Nailo! Tome isso, depressa! Se tiver mais alguém ferido também, apresse-se! – e dizendo essas palavras, o pequenino tomou de um gole só o conteúdo de um dos frascos.

Nailo rapidamente repetiu o gesto de seu líder. Sentiu que o líquido eliminava a dor de seus ferimentos, e as próprias feridas se fechavam magicamente. Anix usou seu poder e desapareceu novamente. Squall pegou a varinha mágica e fez o mesmo que o seu irmão, não sem antes tentar acionar novamente seu livro mágico. Mais atrás, Lucano deu ordens ao lobo invocado por ele para que avançasse na direção do inimigo e usou sua magia para trazer um novo aliado para a batalha, um gigantesco gorila.

Legolas avançou até a luz, ficando ao lado do objeto brilhante no chão. Seus olhos buscavam pelo inimigo, mas não podiam alcançá-lo em meio ao negrume que se formava à sua frente. Squall se aproximou, invisível, e tentou detectar o inimigo com sua magia. Conseguiu. O feiticeiro sentiu a presença de várias auras mágicas além do alcance de seus olhos. E o anão pode ver o que se aproximava.

_Ou! Droga! É melhor você se preparar bem Nailo!­ – exclamou o anão, visivelmente perturbado, enquanto virava outra poção em sua boca.

Então, todos viram o que assustara o destemido anão. Um esqueleto se aproximava do grupo, com seu sorriso perturbador e seus olhos vermelhos brilhantes à mostra. Portava uma espada de lâmina longa e faiscante. No outro braço, um escudo circular de metal polido brilhava, com uma carranca assustadora cunhada sobre ele. Um camisão da mais fina cota de malha élfica repousava sobre o corpo esquelético da criatura. Sobre ela, um medalhão, feito a partir de uma grande escama de algum monstro desconhecido, chamava a atenção dos heróis. Manoplas prateadas, ornamentadas com desenhos diversos decoravam seus braços ósseos. Botas de couro puro calçavam seus pés e uma jóia prismática dum tom róseo rodopiava sobre seu crânio magicamente. E era tudo mágico. Squall, sentiu isso. E como se não bastasse todo esse equipamento para um simples esqueleto, diferentemente de todos os esqueletos já combatidos pelos heróis, ele falou.

_ Hehehehahahahaha!!! Então vocês chegaram até aqui! Eu os estava esperando! Esperando para matar todos vocês!!! Hehehehahahahaha!!! – disse o misterioso esqueleto entre uma risada e outra. Sua voz era alta e estridente e ecoava de forma assustadora por todo o corredor. Seu modo de falar demonstrava algo que era ainda mais perturbador. Demonstrava inteligência. Eles estavam diante de um esqueleto que falava e era inteligente, capacidades que aquele tipo de criatura não deveria possuir.