outubro 09, 2008

Capítulo 318 – O pesadelo retorna – sobreviventes de Ortenko

_ VOCÊ?!?!?! – gritou um dos genasis. – Eu conheço você, seu verme! Você é um dos desgraçados que se rebelou e destruiu o império do grande Teztal! Vamos matá-lo!!!

Squall imediatamente reconheceu o genasi como sendo um dos presentes no dia do incidente com os javalis na mata de Ortenko. Sem hesitar o feiticeiro lançou sua magia mais poderosa. A esfera de chamas explodiu, envolvendo os genasis, ferindo-os e aumentando-os de tamanho.

Dois dos três genasis cresceram e ficaram tão grandes quanto ogros devido à dilatação de seus corpos metálicos pelo calor da magia de Squall. Então, girando seus manguais com fúria, eles atacaram. Dois cercaram Squall, golpeando-o com força e precisão. O terceiro avançou contra o grupo de soldados mais atrás, jogando Ass Hole inconsciente no chão com um único e potente golpe.

Ícaro recuou, curando seu corpo com suas poções mágicas antes de poder entrar em combate. Andrew retirou Ass do alcance do inimigo enquanto prestava-lhe os primeiros socorros e Kataro saltava de um lado para outro, chamando a atenção do genasi para si e desviando dos seus poderosos ataques.

Então, cercado por dois inimigos, Squall chamou Cloud mentalmente e, enquanto desviava dos ataques, conjurou sua magia. E novamente pássaro e elfo se fundiram para dar vida a uma só criatura: Scloud.

_ Parece que você aprendeu alguns truques novos, escravo! Mas isso não o salvará desta vez! – desafiou um dos genasis. As esferas de metal e espinhos chocaram-se contra o corpo de Scloud, ferindo-o seriamente. Entretanto, o corpo de Scloud era mais resistente do que o das criaturas que o formavam, de modo que aqueles golpes poderosos pouco significavam para ele. Mesmo assim, subestimar aqueles inimigos poderia ser um erro fatal, e o elfo-falcão conjurou sobre si um encantamento de proteção.

Com Ass Hole em segurança, Andrew retornou ao combate. Clamou pelo poder da natureza e as gramas e raízes se ergueram do solo para prender seus inimigos. Os três genasis de cobre tiveram suas pernas envolvidas pela vegetação até não poderem mais andar. Scloud, entretanto, ainda podia se mover livremente pelo campo de batalha aos pés do zigurate.

Os genasis voltaram a atacar, sem sucesso desta vez devido à armadilha em que se encontravam. Ícaro então viu a oportunidade que aguardava, jogou no chão os frascos vazios de poções mágicas e urrou enfurecido. Deu um passo à frente e golpeou com fúria o inimigo que derrubara Ass ao mesmo tempo em que Andrew também o atingia com um virote de besta. Andrew largou a besta e saltou sobre o inimigo brandindo sua clava e partiu o crânio de cobre com um só golpe.

A alguns metros dali, Scloud usava um pergaminho mágico para criar uma zona de escuridão ao redor de si e dos genasis. Enquanto os inimigos estavam ainda confusos, o feiticeiro saltou para cima, batendo as asas e ganhando altura. Subiu vários metros girando em parafuso enquanto puxava uma arma de sua mochila, a arma de Grinch. O herói puxou o gatilho e disparou a arma sobre os genasis, num ponto que havia fixado em sua mente momentos antes e a partir do qual conseguiria atingir os três inimigos sem ferir seus companheiros. Os dois inimigos caíram no chão, já sem vida e com seus corpos de volta ao tamanho normal.

Não houve tempo para comemoração, apenas suficiente para curar Ass com magia e para Ícaro amarrar o genasi que mesmo inconsciente ainda permanecia vivo, pois, do alto do zigurate, diante de um altar de sacrifício ainda em construção, um outro inimigo os desafiava. Desta vez, entretanto, era um genasi de ouro.

Enquanto Kataro libertava e conduzia os escravos para o local onde estava a carroça, Ícaro galgava os degraus da pirâmide para enfrentar o genasi de ouro. Squall subia logo atrás, disparando projéteis mágicos que eram rebatidos por um escudo invisível que protegia o inimigo. O genasi afastou-se da visão dos heróis, evocando poderes mágicos. Os soldados continuavam subindo, conjurando proteções sobre seus corpos.

Ícaro foi o primeiro a atingir o topo do zigurate, saltando sobre o altar, sua fúria explodindo com o choque de seu machado contra o peito do inimigo. O genasi usou poder mágico para abrir um portal negro sobre o meio-orc, de onde saíram dezenas de morcegos sedentos de sangue. Os animais alados voavam ao redor de Ícaro, sugando seu sangue e sua vida, dando tempo para o genasi recuar e sacar sua arma, uma longa espada flamejante.

Andrew surgiu logo atrás de Ícaro, comandando o poder da natureza contra o inimigo e fazendo nevar sobre ele, na esperança de reduzir o seu tamanho como Scloud havia feito com os outros genasis.

A seguir veio Ass Hole, já restabelecido do combate anterior, cercando o inimigo e ameaçando-o com seu machado. Por fim, chegou Squall, ainda fundido com Cloud, descendo do céu e disparando um raio de energia necromântica contra o inimigo. Infelizmente, o genasi foi capaz de evitar o ataque e fazer com que Ass Hole fosse atingido em seu lugar. O meio-orc sentiu suas forças se esvaindo, sendo drenadas pelo raio negro lançado por seu sargento.

_ Maldito! Não vou permitir que atrapalhe meu plano de reconstruir o império do grande Teztal! – bradou o genasi. – Sou filho da Imperatriz Dourada e vou matar todos vocês!

A clava de Andrew chocou-se violentamente contra as costas do inimgo ao mesmo tempo em que ele evitava o machado de Ass Hole. Ícaro era incapaz de lutar, envolto pelos morcegos, conseguindo apenas lutar pela própria sobrevivência e se afastar das criaturas. Scloud atacava com sua espada, sangrando a pele dourada do inimigo.

O genasi reagiu. Sua espada flamejante rasgou a carne de Andrew com violência. O inimigo avançou em direção a Ass e comandou seus morcegos sobre os soldados. Scloud, Ícaro e Andrew combateram os animais com intensidade até conseguirem dispersar o enxame. Então, todos avançaram, cercando o inimigo, tentando golpeá-lo com suas armas e agarrá-lo. O genasi escapou dos ataques afastando-se do grupo, somente a clava de Andrew conseguiu tocar seu corpo metálico. Quando estava fora do cerco, numa das bordas da pirâmide, ele disparou uma rajada de projéteis arcanos nos heróis.

Protegido por um escudo arcano, Scloud foi o único a escapar dos ataques. Todos os outros estavam feridos e a situação se agravava cada vez mais. Então, num movimento desesperado, Andrew garantiu a vitória do grupo. O druida ignorou a gravidade de seus ferimentos, saltou sobre um pedestal de pedra e se atirou sobre o genasi de metal. O inimigo cravou sua espada de fogo no peito desprotegido de Andrew, mas isso não foi suficiente para detê-lo. Os dois rolaram pirâmide abaixo e despencaram de uma altura de três metros, parando um degrau abaixo do topo.

Ass Hole saltou com seus dois pés apoiados em seu machado, tentando atingir o genasi que se debatia caído no chão. Errou. Ícaro então saltou do topo da pirâmide, segurando o machado em apenas uma mão. Tocou o solo com força, agachando-se e dobrando o corpo para absorver o impacto e ficando na altura exata para atingir as costelas do inimigo. Ass tentou outras vezes golpear o inimigo, sem conseguir. Scloud tentava arrastá-lo para longe dos outros, para atirá-lo zigurate abaixo, mas também não conseguiu. Andrew levantou-se, livrando sua carne da espada do inimigo com sofrimento e dor. Urrando de cólera, ergueu sua clava e desferiu um violento golpe na face do adversário. O genasi perdeu a fala, o fôlego e a imponência e orgulho de outrora, e então Ícaro o silenciou para sempre quando seu machado se enterrou novamente no corpo do inimigo. A batalha estava ganha.

Finalmente os soldados puderam comemorar, ainda que rapidamente. Adrew teve seus graves ferimentos curados com magia e após isso chutou o corpo do inimigo montanha abaixo. Os tesouros do genasi foram tomados pelos soldados, o que incluía, além da espada flamejante, vários itens de proteção e pergaminhos. Todo o zigurate foi revistado cuidadosamente. Encontraram diversas câmaras ainda em construção e numa delas uma grande quantidade de ouro e jóias que eram usados para adornar a pirâmide profana. Havia até mesmo dois enormes pés de pedra esculpida, o que seria o início de um novo colosso que seria construído.

O grupo retornou para junto de Kataro e dos prisioneiros, carregando todo o tesouro que haviam encontrado. Descobriram com os ex-escravos que os genasis haviam contratado mercenários hobgoblins para conseguir tesouros e escravos. Cada homem recebeu de volta seus pertences que haviam sido roubados e algumas carroças foram recuperadas para transportar os libertos.

Todos partiram rumo à vila de Forte Novo. Levavam um prisioneiro, o único genasi de cobre que sobreviveu ao combate. Os escravos libertos foram deixados na aldeia e prosseguiram com suas vidas, sendo eternamente gratos aos heróis que os haviam salvado. Um dia depois, Squall e seus soldados deixaram o vilarejo e retornaram para o forte Rodick. Chegaram ao forte no 16º dia de Altossol.

Já no forte, Squall se apresentou ao coronel Wilkes e pediu para que uma reunião fosse feita na sala do general. Estavam presentes todos os que tinham acompanhado Squall na missão, bem como o general Wally Dold, Seelan, Jonathan Wilkes, Anix, Nailo e Lucano. Squall mostrou a todos o prisioneiro que estava sob a guarda de Ícaro e contou aos superiores toda a história que ele e seus amigos tinham vivido em Ortenko. Seelan e todos os outros ficaram espantados com o relato, com o inesperado reaparecimento do Destruidor de Mundos e com o despertar do Colosso.

Depois, sob influência da magia divina de Lucano para não ser capaz de mentir, o genasi foi interrogado. Por seu relato os heróis descobriram que os genasis sobreviventes, os quatro derrotados por Squall e seus soldados, tinham conseguido nadar até a costa de Tollon, agarrados a destroços da própria ilha de Ortenko, após vários dias à deriva no mar, alimentando-se precariamente. Em Tollon, embrenharam-se nas matas em busca de uma montanha rochosa adequada, onde deram início a um plano de reconstrução do império dos genasis. Construiriam um novo zigurate e um novo colosso para dominar e conquistar os outros povos. Porém, graças aos bons dados rolados por Nimb, Squall os descobriu e frustrou seus planos maléficos antes que um novo reinado de terror se iniciasse.

Por fim, o general Wally ordenou que o genasi fosse trancafiado na cadeia do forte, onde passaria um bom tempo até que fosse enviado para Vallahim para ser julgado por seus crimes e certamente condenado à forca.

Então, Squall relatou o incidente ocorrido com Lunar, temendo receber alguma punição por ter perdido um dos soldados, mesmo que ele não tivesse tido qualquer culpa no caso.

_ Ah, não! Que mancada! Esqueci de avisar sobre as transformações dele! Me desculpe, Squall! Venha, vamos até a taverna do forte, vou lhe pagar uma rodada para me redimir por esse erro. Aliás, vamos todos para lá, hoje a bebida será por minha conta! – disse o coronel Wilkes.

E assim encerrou-se esse episódio. Muitas outras aventuras viveram os heróis durante o período em que serviram em Forte Rodick, mas essas histórias não são relatadas aqui nem em prosa, nem em verso. Eventualmente Seelan usou seus conhecimentos arcanos para desvendar o funcionamento de cada um dos pertences mágicos do grupo, com exceção daqueles que, por seu poder e história, podiam ser considerados grandes artefatos. Kuran deu muitas lições sobre a natureza a Nailo e a seus amigos. Squall finalmente aprendeu o idioma aquan, tendo lições com Seelan, já que Sairf não estava mais presente para ensiná-lo como combinado. Anix avançou muito seus estudos sobre a magia com Seelan e, juntos, os dois irmãos elfos passaram um pouco do seu conhecimento e experiência aos soldados de Forte Rodick. Nailo também aprendeu o idioma do mar, além da língua das criaturas celestiais, que lhe foi ensinado por Lucano. Em troca o ranger ensinou ao clérigo o idioma da floresta. Nailo tornou-se um grande instrutor das artes da luta dentro do forte e Lucano assumiu o posto de conselheiro religioso dos soldados durante a ausência de Lars. Orion tentava ficar o máximo de tempo possível próximo aos quatro elfos, esperando pelo momento em que ele os ajudaria e por eles seria ajudado, conforme os sonhos proféticos que tivera. Ao lado de Nailo, o guerreiro também auxiliou os soldados a tornarem-se combatentes experientes. Longe do forte, no meio das Uivantes, Legolas aprendeu muitas coisas com Glorin e tornou-se um competente manipulador do frio, desenvolvendo poderes quase mágicos. Com os anões também estudou línguas, aprendendo o idioma do povo de Doherimm, a língua da floresta, a dos desprezíveis orcs e terminando seus estudos dos idiomas aquan e celestial. Em troca, ele e seus soldados trabalharam na vila de Cold Valley, trazendo a ela grandes progressos e protegendo-a dos monstros que outrora serviam de animais de estimação para Ramassim.

Pelos seus feitos e préstimos, os heróis foram recompensados. Além do soldo ao qual tinham direito, sua competência e feitos heróicos rendeu-lhes promoções. Legolas empenhou-se, motivado a cumprir sua pena com honrarias e pela tradição militar da família, e alcançou o posto de 1º tenente, chegando quase a tornar-se capitão. Anix, Squall e Lucano alcançaram o posto de 2º tenente, ficando pouco abaixo de Legolas na hierarquia militar. Nailo, por fim, conseguiu redimir-se do rebaixamento e conquistou novamente a confiança dos oficiais e, embora sua escalada nas patentes militares tenha sido mais baixa que a de seus amigos, alcançou o posto de Aspirante-a-oficial, algo equivalente a um 3º tenente.

Os soldados treinados pelos heróis também se destacaram por seus feitos. Logan tornou-se sub-tenente e instrutor de combate do forte. Andrew tornou-se primeiro sargento. Ícaro, Kaen Blaco, Kawaguchi e Takezo assumiram o posto de 2º sargento. Lee e kataro também subiram na hierarquia, alcançando o posto de 3º sargento.

outubro 07, 2008

Capítulo 317 – Zigurate!

Dizem alguns supersticiosos de Fortuna que o número 7 é um número de sorte. Dirão outros que é um número de azar. Pois foi exatamente no 7º dia de Altossol, que Squall conheceu os dois lados do Tibar sobre essa crença. Pois foi nesse dia que ele teve a sorte de impedir que um antigo mal voltasse a se proliferar pelo mundo. Mas o dia sob o número 7 também trouxe à mente de Squall lembranças desagradáveis e uma sensação de insegurança e impotência.

Azgher já desfilava imponente sobre as cabeças dos soldados quando eles desmontaram o acampamento e embrenharam-se na floresta de árvores negras. Andrew os guiava, tentando localizar o rastro do fugitivo da noite anterior e procurando evitar as armadilhas naturais que o ambiente selvagem preparava para os incautos povos ditos civilizados. Seguiram por horas na carroça, sempre em direção ao norte, até que finalmente a natureza se rebelou e decidiu barrar o avanço dos soldados.

_ Daqui teremos que seguir a pé, sargento! – disse o elfo, mas logo interrompeu a si mesmo. – Espere, olhem ali!

Todos olharam para onde Andrew apontava e viram, numa clareira aberta a golpes de machado no meio da mata, um amontoado de carroças destruídas e saqueadas, um verdadeiro cemitério de carroças.

Squall já vira algo semelhante muito antes, mas sua mente não associou os fatos imediatamente. Foi preciso algo maior que causasse um grande choque para despertar suas lembranças.

Andrew conduziu a carroça até a clareira, por caminhos que somente seus olhos podiam ver. A carroça foi camuflada para se parecer com uma das que estavam abandonadas há tempos, os cavalos foram soltos na mata e o grupo continuou a pé, subindo uma pequena elevação que terminava num declive e numa enorme clareira. No centro da clareira, um morro rochoso se elevava cerca de trinta metros, cercado por um fosso profundo e vigiado por um batalhão de hobgoblins e um ogro. Presos além do fosso, dezenas de humanos trabalhavam em regime escravo, privados da liberdade para realizar uma tarefa inusitada. O som de martelos chocando-se contra formões ecoava pela clareira enquanto escravos carregavam enormes blocos de pedra e a pequena montanha tomava uma nova forma, a forma de uma pirâmide. E finalmente Squall entendeu o que estava acontecendo.

Squall estava em choque. Já presenciara aquela cena tempos atrás numa pequena e desconhecida ilha do Mar Negro. Um novo zigurate se elevava bem diante de seus olhos, desta vez incrustado no meio do reinado. O som do látego estalando do outro lado da pirâmide o despertou do transe em que se encontrava.

_ Soldados! Daqui para frente, tomem muito cuidado! Nada de brincadeiras, nem de subestimar os inimigos! Se minhas suspeitas estiverem corretas, enfrentaremos um grande perigo! – sussurrou Squall aos seus companheiros.

_ Precisamos libertar aqueles homens, senhor. Eles foram escravizados. – protestou Kataro.

_ Sim, e é o que faremos. Mas primeiro precisamos avisá-los de que estamos aqui, para preparar um plano de fuga. – respondeu Squall.

_ E como faremos isso? – perguntou Kataro.

_ Deixem comigo – disse Andrew. – Pedirei a algum animal que leve uma mensagem escrita a um dos escravos.

O elfo usou os dons de Allihanna para encontrar e falar com um pequeno esquilo. Tentou convencê-lo a levar um bilhete a um dos prisioneiros, mas o roedor se recusou, temendo por sua segurança diante dos monstros que vigiavam o zigurate.

_ Não se preocupem, eu mesmo me transformarei em um pássaro e levarei um bilhete aos prisioneiros! – anunciou o druida.

_ Não será necessário, Andrew! Eu mesmo me encarrego disso! Tenho aqui comigo um pergaminho mágico que roub..digo, ganhei de minha mãe, que resolverá nosso problema! – e dizendo isso, Squall retirou um pergaminho de sua mochila e conjurou sua magia.

A voz de Squall foi magicamente transportada para dentro dos ouvidos de um dos escravos e, aos sussurros, o feiticeiro se comunicou com o prisioneiro.

_ Ei você! Você que está carregando esse bloco de pedra! Ouça minha voz. Seu cativeiro está chegando ao fim. Eu estou aqui para libertá-lo! – sussurrou Squall.

_ Khalmyr? É você? – perguntou o confuso homem.

_ Não, imbecil! Sou do exército e estou com um pelotão escondido aqui nas árvores! Viemos aqui para libertar vocês!

Ao contrário de Squall, o pobre e confuso homem falava em voz alta, chamando a atenção do feitor hobgoblin que começou a espancá-lo. Em pouco tempo o restante dos hobgoblins atravessaram a pequena ponte de madeira que transpunha o fosso e foram ajudar no espancamento. Apenas o ogro permaneceu solitário próximo ao fosso, observando a confusão. Era a chance que Squall precisava.

O grupo avançou rapidamente pela ponte, atacando o ogro com lâminas e magia. O som da batalha chamou a atenção dos hobgoblins, mas não a tempo de impedirem a derrota do ogro. O primeiro monstro tombou em poucos segundos com suas forças drenadas pela magia de Squall e seu corpo retalhado e queimado pelas armas de Ass Hole e Ícaro e pela magia selvagem de Andrew.

Ass reerguia o machado após desferir o golpe fatal no ogro quando os hobgoblins conseguiram se aproximar. Gritavam de fúria, por reforços e em desespero quando Andrew comandou uma enorme esfera de chamas a rolar sobre eles. Ícaro investiu contra os inimigos brandindo seu machado e Squall disparava jatos de chamas sobre os hobgoblins.

Os monstros contra-atacaram com espadas, ferindo Ícaro e Squall. Um deles tentou em vão atingir Ass Hole e sentiu a lâmina do meio-orc partindo suas costelas pouco antes de Andrew empurrá-lo para dentro do fosso em direção à morte.

Os inimigos foram caindo um a um, seus corpos ora jorrando sangue pútrido, ora sendo incinerados, até que finalmente o último hobgoblin faleceu sob a espada de Squall quando tentava fugir covardemente. Mas antes que os heróis pudessem comemorar a vitória, os reforços convocados pelos monstros chegaram e os temores de Squall mostraram-se reais. De trás da pirâmide chegaram quatro homens, altos e fortes. Empunhavam grandes manguais de metal e seus corpos eram da cor do cobre e refletiam a luz do sol como se de fato fossem de metal. Eram quatro genasis de cobre.

Empurrando com a barriga

Voltamos novamente ao ar!

Após 3 semanas, finalmente consegui escrever um capítulo mixuruco pra descrever a batalha contra os hobgoblins mercenários (sim, eles são, veja o spoiler no final do post).
A coisa tá se arrastando. Estou cada vez mais sem tempo e disposição para escrever (tô precisando de um bom período na cama) e quase larguei mão de vez nesses dias. Só não parei ainda porque:

1 - Quero muito terminar essa história
2 - Escrever aqui se tornou um tremendo exercício de redação pra mim
3 - Sei que não sou escritor e que essas postagens são de baixíssima qualidade, entretanto meus jogadores ficam ansiosos, esperando pra ver o que eu posto (pelo menos costumavam ficar) (duvido que haja mais alguém nesse mundo que as acompanhe), então, não gostaria de desapontá-los apesar dos pesares
4 - Etc (esqueci e estou com preguiça de pensar)

Bem, enquanto eu for conseguindo escrever e postar a coisa vai andando, nem que seja a passo de tartaruga e com qualidade decrescente. E espero não parar, ao menos não gostaria.
A boa notícia é que, apesar do cansaço, stress, etc, Mutantes & Malfeitores me deixou muito empolgado com o rpg novamente, tanto que estou começando uma campanha de Star Wars com ele (agradecimentos ao amigo Pensamento Coletivo do fórum da Jambô), mesmo que eu não tenha cabeça pra mestrar e nada dentro dela pra montar uma campanha (mesmo assim, com muita dificuldade um esboço de campanha começa a se formar na cachola), então, pode ser que o jogo de super heróis da Green Ronin/Jambô, aliado ao poder da Força, salve esse blog da extinção. Veremos. Por enquanto, ainda estamos por aqui.

spoiler: os hobgoblins foram contratados em troca de ouro...ouro de ortenko...

Capítulo 316 – Assaltantes na estrada


Raiava o primeiro dia do ano de 1398. O sol já estava alto e quente quando os portões de Forte Rodick se abriram. Uma carroça partiu rumo ao sul a fim de investigar os assaltos que ocorriam há alguns dias próximo a Forte Novo. Mas, desta vez não era Nailo que rumava para a pequena vila, era Squall.

O feiticeiro viajava disfarçado, trajado como um comerciante. Esperava atrair a atenção dos criminosos para, assim, surpreendê-los quando tentassem assaltar sua carroça. Squall era acompanhado por um pequeno grupo de soldados que ajudava a treinar em seus dias no forte. Eram eles: Kataro, um descendente do povo de Tamura, versado nas artes de combate do povo do Império de Jade e que havia nascido em uma pequena vila de Tollon chamada Shimei; Andrew, um druida elfo, aprendiz de Kuran e que seria o guia do grupo caso precisassem se aventurar por regiões selvagens; Ass Hole e Ícaro, uma dupla de meio-orcs truculentos e furiosos, que seriam a força bruta na hora do confronto com os criminosos; por fim havia Lunar, um humano franzino, assustadiço e de orelhas grandes e que não aparentava ter qualquer habilidade, de forma que era difícil imaginar o que diabos aquele homem fazia no exército.

Viajaram por cinco dias inteiros rumo ao sul quando, na manhã do sexto dia de Altossol, chegaram a uma encruzilhada. A estrada se dividia em três. O caminho leste conduzia a Rutorn, enquanto que a oeste havia a estrada que levava a Forte Novo. A estrada principal ainda continuava para o sul indefinidamente, passando pela região onde o eremita Laurelin vivia e seguindo além dela.

_ Vamos para o oeste – disse Squall. – Vamos até Forte Novo, e lá conversaremos com os moradores para saber o que está acontecendo.

Assim a carroça tomou o caminho da direita e viajou por mais um dia inteiro antes de parar para um aguardado descanso. Ao redor de uma fogueira aconchegante um acampamento foi levantado. Os cavalos foram soltos para pastarem e os soldados foram repousar. Dormiam todos ao redor da fogueira, à luz das estrelas, exceto por Kataro que preferiu montar uma barraca de lona para se abrigar da noite e por Lunar, que estranhamente se amarrou a uma árvore antes de cair num profundo sono sem dar qualquer explicação sobre suas estranhas atitudes.

A noite já era velha quando Ícaro acordou seus companheiros, alertando-os do perigo que os rondava. Flechas voaram na madrugada, alvejando os soldados que ainda despertavam de seu merecido sono. De trás das árvores e da escuridão surgiu um bando hobgoblins, armados, atacando freneticamente os que ainda se levantavam.

Os monstros estavam em maior número, mas atacavam à maneira dos monstros, de forma caótica e ineficaz. Já os soldados, ainda que em menor número e surpreendidos, eram treinados e habilidosos na arte do combate. Com um feitiço de Squall o negrume da noite se desfez e a vantagem que ele proporcionava às criaturas que atacavam. Os heróis lutaram com ferocidade e em pouco tempo até mesmo a vantagem numérica do inimigo foi revertida. Squall disparava raios flamejantes, fritando a carne dos adversários. Andrew comandava o poder de Allihanna e a natureza se erguia contra os invasores. Kataro saltava de um lado para outro em acrobacias mortais que terminavam em golpes de seus punhos treinados, tão poderosos quando golpes de espada. E choviam lâminas sobre os hobgoblins. Lunar os atacava com golpes rápidos e precisos, já Ass Hole e Ícaro usavam a força para trucidar os inimigos com seus machados. Em poucos instantes, a horda goblinóide estava reduzida a uns poucos sobreviventes.

Um líder hobgoblin gritava ordens aos seus comandados, em seu idioma grotesco e incompreensível. Mas os monstros não respondiam aos seus apelos, pois estavam encurralados pelos soldados, de modo que o chefe ordenou uma retirada apressada.

Mas o próprio comandante das criaturas não pode fugir. Caiu fulminado pelas chamas de Squall e de seu corpo restou apenas um amontoado de carne queimada. Outro inimigo tombou com seu corpo dilacerado pelo poder da natureza, após Andrew jogar um punhado de grama dentro de sua boca e evocar o nome de Allihanna. Por fim, outro hobgoblin caiu partido em dois pelo machado de Ícaro. Ainda restou um último inimigo que se embrenhou na mata, fugindo em grande desespero.

_ Deixem-no ir embora! – ordenou o sargento Squall. – Nós seguiremos o rastro dele pela manhã!

Ass ficou aguardando na entrada da floresta, mas não desobedeceu seu superior. Apenas tentava seguir o fugitivo com seus aguçados olhos de meio-orc. Lunar, entretanto, ignorou as ordens de Squall e correu no encalço do hobgoblin. Quando já estava dentro da selva escura, bem distante dos companheiros, Lunar sentiu que poderia agir e usar seus poderes secretos. O homem contorceu seu corpo em estranhos espasmos, pelos cresceram por todos os lados e seus membros, tronco e crânio começaram a se transformar em algo não humano. Ao final do processo, Lunar havia se transformado em um enorme roedor.

Lunar era um licantropo, esse era o seu segredo. Era alguém amaldiçoado, metade homem, metade rato, um monstro temido pela grande maioria das pessoas em Arton. Mas Lunar tinha adquirido recentemente o domínio sobre sua transformação, sendo capaz de mudar de forma conforme sua vontade. Entretanto, ainda assim temia transformar-se durante a noite e por essa razão ele se amarrava ao dormir, para proteger as pessoas ao seu redor e evitar que sua maldição pudesse novamente trazer desgraça à sua vida e àqueles que o cercavam.

Em forma de rato, Lunar tentou alcançar o fugitivo, mas seus esforços foram em vão. O hobgoblin já estava distante demais para ser alcançado e já havia encontrado algum esconderijo para se proteger dos seus perseguidores. Lunar desistiu e retornou, ainda transformado em rato, para junto de seus companheiros.

_ Sargento! Tem um monstro aqui! Um rato do tamanho de um cão de caça! – gritou Ass Hole, assustado.

_ É só um rato atroz! Dê logo uma machadada nesse bicho nojento e volte pro acampamento. Ele não será páreo para você! – respondeu Squall.

Ouviu-se o som do golpe certeiro que partiu carne e osso, seguido de um grunhido e do silêncio. Após alguns instantes, Ass Hole retornou espantado.

_ Sargento! Eu matei o rato! – disse o meio-orc.

_ Ótimo vamos dormir então. Espere, falta um. Onde está o Lunar? – respondeu o feiticeiro.

_ Esse é o problema, sargento. O rato era ele!!!

Squall e seus soldados correram até o local indicado pelo bárbaro. Lá encontraram o corpo de Lunar, já novamente na forma humana, com o crânio partido em duas partes e afogado em uma poça de sangue e miolos.

_ Droga! Então era por isso que ele agia daquele jeito esquisito!? Porque esse burro não me avisou? Droga! Bem, soldados, cavem um buraco e enterrem-no! E pela manhã iremos atrás daquele hobgoblin! – Squall se abaixou enquanto distribuía as ordens aos seus comandados. Pegou sua espada e, com um golpe rápido e limpo, cortou um dos braços de Lunar e o guardou. – Imbecil! Se tivesse me avisado que era um licantropo, teria poupado todo esse trabalho! – pensou Squall por fim.

Finalmente, após a batalha e um penoso trabalho para sepultar Lunar, os soldados finalmente foram repousar.

setembro 15, 2008

1º Pira RPG

Nesse final de semana novamente não mestrei para meu grupo regular (aliás, nem sei se tenho ainda um grupo regular com essa bagunça toda ^_^). Em compensação, tive um final de semana que valeu muito a pena!
Fui, junto com um punhado de amigos, ao 1º Pira RPG, evento de Pirassunga que nasceu nesse último domingo e já chegou radiante.
O evento foi realizado no Centro Cultural (mal)Dito Micuim, um antigo galpão da extinta Fepasa tombado pelo patrimônio histórico. O local contava com uma infraestrutura razoavelmente boa, talvez o maior ponto negativo seja o fato do banheiro ficar fora do recinto do evento (e relativamente longe, uns 150m), mas isso não atrapalhou em nada o andar do evento (nem mesmo a chuva conseguiu fazê-lo).
O evento começou às 10 da manhã e avançou noite adentro, terminando por volta de umas 19:30h. Tinha muita atração legal, então, se você que está lendo isso não foi, pode ir para o seu cantinho de penitência se auto-flagelar porque perdeu um evento fantástico.
Havia várias mesas de rpg (a minha inclusive ^_^) de diversos sistemas (storyteller, supers, star wars, paranoia, etc) para agradar gregos e troianos. Tinha desafio D&D que empolgou três grupos de jogadores durante cerca de 5 horas (!!!!!) até o grande confronto final entre os 3 grupos (sim, no final houve um cross over e todos descobriram que cada grupo jogava paralelamente uma parte da aventura). Teve campeonato de pokémon e magic, batalha campal, workshop de munchkin e pirates e até batalha campal. Enfim, teve coisa pra c@#$lho!
Eu, por minha vez, exerci a nobre função de mestre como sempre. Dessa vez (como sempre procuro fazer nos eventos) preparei um joguinho que pudesse ser apreciado tanto por veteranos, quanto por iniciantes e atingi a meta de forma surpreendente. Foi minha grande estréia no meu atual sistema de jogo favorito, o Mutantes & Malfeitores.
O jogo serviu para que jogadores experientes mandassem ver nos combos, para que conhecessem o jogo "novo" e para que os novatos jogassem em pé de igualdade com os veteranos. Como consegui isso? Graças a um moleque chamado Naruto.
O esquema foi o seguinte, peguei uma aventura de D&D que saiu numa D20 Saga, fiz as fichas dos antagonistas usando o M&M, baixei as fichas dos personagens do desenho Naruto (o animê do momento), algumas feitas pelo Burp, e foi só deixar os dados rolarem.
Quem era rpgista velho de guerra não teve dificuldades em jogar, mesmo quem ainda não conhecia o sistema. E quem nunca tinha visto um d20 na vida teve menos dificuldade ainda. Bastava que os novatos usassem as habilidades que conhecem do desenho e eu explicava o que tinham que fazer em regras. E detalhe, eu mesmo não sei nada de Naruto! Não que não goste, muito pelo contrário, eu gosto muito desse desenho, mas assisti só uns 10 episódios por total falta de tempo. Eu sabia as regras, os jogadores manjavam do desenho, juntamos tudo e fizemos um jogo empolgante e divertido, mesmo não tendo tempo para terminá-lo, infelizmente.
O sistema me mostrou o quão eficaz, abrangente e versátil pode ser e o jogo deu até água na boca pra montar uma campanha de Naruto....veremos.
Resumindo, foi um domingo maravilhoso. Parabéns ao pessoal de Pirassununga que organizou o evento e parabéns aos rpgistas por ganharem mais um belo evento de presente!

E já estou me preparando para o próximo encontro (Sesc São Carlos, 27/09) e aguardando ansioso pelo 2º Pira RPG (e dessa vez espero ficar acima do 4º lugar no pokémon^_^).