novembro 07, 2008

Holy Avenger

Bem, se há alguém que lê isso aqui e que não conhece personagens como Lisandra, Tork, Petra e Tarso, que já deram as caras na história e que fica encanado quando deixo no ar que esses personagens são importantes e terão papel decisivo no mundo, mas estranham por eu nunca postar que papel importante é esse, então tá na hora de corre à banca mais próxima ou à internet e encomendar a revista Holy Avenger.

Pra quem não sabe (e se alguém aqui não souber, faça o favor de voltar para o planeta Terra) Holy Avenger é a história mais famosa do mundo de Arton, que envolve grandes personagens do cenário, como Lisandra, Tork, Niele, Petra, Tarso, Vectorius, etc, etc.
Foi publicada mensalmente durante anos (40 edições, mais vários especiais), desenhada pela brilhante Erica Awano e escrita pelo autor do cenário, o tio palada, Marcelo Cassaro.

Se você acha que Lisandra é um npc criado por mim, tá mais do que na hora de correr atrás das revistas e se informar um pouco. Garanto que será divertido.

Capítulo 327 – A jovem da selva


_ Estão feridos? Vou curá-los! Que o poder de Glórienn feche esses ferimentos! – disse Lucano lançando magias de cura em seus amigos. E, enquanto o fazia, percebeu e comprovou algo que já suspeitava. – Finalmente percebo o que acontece aqui! – disse ele, entusiasmado.

_ Do que está falando, Lucano? – perguntou Squall.

_ Lembram quando eu disse que o calor dessa ilha não era normal, como se houvesse algo mágico por aqui? Pois é, descobri do que se trata. Esta ilha está impregnada de energia positiva, uma energia muito semelhante à que eu uso para espantar e ferir os mortos-vivos – respondeu o clérigo.

_ E como você descobriu isso? – perguntou Orion.

_ Quando eu bebi aquela poção mágica, percebi que ela era muito mais forte do que deveria ser. E agora, ao curá-los, percebi que minhas magias de cura têm muito mais energia do que o normal. Vejam, bastaram uma ou duas magias para que quase todas as suas feridas se fechassem – explicou Lucano.

_ Isso é bom! Parece que estamos com um pouco de sorte afinal! – exclamou Anix.

_ Sim, sem dúvida isso vai nos ajudar muito – concordou Lucano.

_ É, mas não nos ajudará a sair desse lugar! Temos que recuperar nosso barco para continuarmos! – disse Legolas em tom sério.

Rapidamente o grupo se espalhou pelo rio à procura da embarcação que afundara. Nadavam submersos, respirando graças ao poder do colar mágico recebido do Deus do Mar. Minutos depois, Nailo e Anix conseguiram localizar a embarcação no fundo do rio, atolada na lama. Não foi difícil localizar os remos também, pois a água era calma naquele trecho e não muito escura. Porém, todos os suprimentos dados pelo capitão Engaris estavam molhados e perdidos. Somente parte das rações de viagem, que estavam protegidas dentro das mochilas dos heróis, ainda estavam em condições de uso. Precisavam se apressar, pois logo ficariam sem comida, quando então precisariam sobreviver daquilo que Galrasia estivesse disposta a lhes oferecer como alimento. Orion ergueu a canoa com grande dificuldade das profundezas do riacho e minutos depois ela estava outra vez pronta para navegar. Os heróis voltaram a embarcar, botaram os remos na água e prosseguiram a viagem.

O sol já brilhava além do meio do céu, escondido entre a densa folhagem, quando o rio tornou-se ruidoso e veloz. O grupo avançava com cada vez mais dificuldade, tentando vencer a correnteza que se tornava mais e mais forte. O barulho da água correndo se elevava até encobrir todos os outros sons e então os heróis finalmente puderam avistar uma cascata espumante que despencava dezenas de metros e terminava sobre o leito em que se encontravam. Daquele ponto não poderiam mais prosseguir com o barco, teriam que descer e seguir a pé, escalar a encosta rochosa, carregando o barco, e então retornar ao rio, ou desistir de seguir por ele. Legolas pediu a Anix que usasse sua mágica para transportar o grupo para o alto da cachoeira, mas isso não seria capaz de levar o barco para o alto. Enquanto debatiam em busca de uma solução para o obstáculo que a natureza lhes impunha, avançavam lentamente, sem notar que eram observados.

Pois havia alguém na margem leste do rio que os observava, com olhos verdes e atentos. Mas o grupo só percebeu a figura intrigante quando já estava bem próximo a ela. E nesse ponto, se fosse uma criatura hostil, seria tarde demais para evitar seu ataque. Por sorte, ou capricho dos deuses, era alguém amigável.

_ Olhem só! É uma garota! – exclamou Legolas, apontando para a margem.

_ Ela pode nos dar informações! Vou me teletransportar atrás dela e agarrá-la, antes que fuja! – sugeriu Anix.

_ Não! – disse Nailo. – Isso só vai assustá-la. Vamos tentar falar com ela antes – e voltando-se para a garota, Nailo falou no idioma da floresta. – Olá, moça! Não tenha medo! Não vamos machucá-la. Precisamos de ajuda!

A humana os observava, calada. Era jovem e muito bela. Aparentava menos de vinte primaveras, tinha olhos como esmeraldas e cabelos dourados que pendiam lisos e desgrenhado até a altura dos olhos. E tinha um belo corpo, jovem e não totalmente formado de que chegava à idade adulta, e estava totalmente desnuda. Sua intimidade era escondida apenas por um balde que carregava à frente do corpo, cheio de água do rio.

_ Acho que ele não entendeu. Como ela vai nos ajudar se não nos entende. Vou tentar falar em outra língua. – resmungou Nailo para seus amigos. Então, a jovem finalmente saiu de seu transe.

_ Quem são vocês? – perguntou ela. E falava a língua do reinado.

_ Fala nossa língua? Que bom! Precisamos de ajuda. Somos viajantes e estamos procurando uma pessoa – disse Nailo.

_ Falo sim. Tork me ensinou as palavras! Estão procurando alguém? Devem estar procurando os Thera, certo? – disse a menina.

_ Thera? O que é isso? – perguntou Anix.

_ Ora, são os habitantes da ilha. É o nome do povo que mora aqui – disse Nailo, fingindo saber o que falava. Anix acreditou.

_ Sim, isso mesmo! – falou a garota.

_ Qual o seu nome, menina? – perguntou Anix.

_ Lisandra! – respondeu ela.

_ Bem, Lisandra, muito prazer. Eu sou Anix e esses são Legolas, Nailo, Lucano, Orion, Squall, Cloud, Nailo e Relâmpago. Viemos do mar, de muito longe, à procura de uma pessoa. E, se você puder nos ajudar será ótimo, mas, antes eu gostaria de pedir outra coisa – continuou o mago.

_ O que?

_ Seu corpo está descoberto. Por que você está andando assim. Olhe para nós. Temos esses panos que nos cobrem e são chamados de roupas. Você tem algo assim?

_ Sim, tenho. Conheço roupas, Tork me manda usar sempre. Mas hoje estava muito calor, então eu tirei – Lisandra sorria inocentemente.

_ Ah, mas isso é constrangedor. Você não sente vergonha de ficar assim?

_ Constra o quê? Não sei o que é isso, mas não sinto nada não.

_ Bem, isso agora não importa. Podemos ir até ai para conversarmos melhor? – perguntou Lucano.

_ Sim! – respondeu a menina. Os heróis manobraram o bote e remaram em direção à margem. Enquanto se aproximavam, Lisandra os observava com curiosidade. Ao notar a presença do lobo de Nailo, ela falou:

_ Que bonito! Ele é seu irmão?

_ Quem? Ah, o Relâmpago? Não, é só meu amigo, mas ele é como um irmão para mim! – respondeu o ranger.

_ Eu também tenho um irmão. Vou chamar ele. Irmão! Venha! – gritou Lisandra, correndo para trás de um grande arbusto. Segundos depois estava de volta, na companhia de um enorme lobo selvagem. – Esse é o meu irmão! – disse ela, sorrindo.

O grupo desembarcou, atento ao desconfiado animal que protegia a garota. Ainda receosos, à exceção de Nailo, continuaram a conversa.

_ Você vive sozinha aqui? – perguntou Lucano.

_ Não, vivo com o Tork. E com o irmão. E tem também todos os outros bichos – respondeu Lisandra.

_ E você já tinha visto alguém do mar, como a gente, por aqui? – era Anix.

_ Não, mas o Tork me falou das terras além do mar. Mas ele não gosta muito de falar disso. Ele diz que é perigoso lá, que existem pessoas más. Vocês não são maus, são? – disse a menina.

_ Não, não somos – disse Orion. – E quem é esse tal Tork que você fala tanto?

_ Ele que cuida de mim. Ele me criou e...nossa, você está machucado! – disse a garota, vendo os ferimentos no rosto de Orion. – Vou curar você! – de dizendo isso, a jovem segurou o rosto do guerreiro beijou delicadamente sua boca. Orion sentiu um calor percorrendo seu corpo e suas feridas se fecharam instantaneamente.

_ Como você fez isso? – espantou-se Anix.

_ Ela deve ser uma druida! – sussurrou Nailo no ouvido do amigo.

_ Ah, a Deusa que me ensinou. É magia! – sorriu Lisandra.

_ Deusa? Que deusa? – perguntou Squall.

_ Como que Deusa? Allihanna, oras!

_ Você já viu Allihanna? – perguntou Lucano?

_ Sim, eu sempre converso com ela. Ela me ensinou muitas coisas.

_ Pois saiba que nós também já a vimos. Eu, inclusive, a vi duas vezes. E já conversamos com outros deuses também! – falou Nailo, orgulhoso.

_ Que bom. Se são amigos da Deusa, então são boas pessoas! – concluiu Lisandra, com um sorriso.

_ Ah, chega de enrolação! Não temos tempo para perder! Você vai nos ajudar ou não? – ralhou Legolas.

_ Sim, mas o que vocês precisam? Querem encontrar os Thera? – perguntou Lisandra.

_ Bem, sim. Na verdade... – Nailo começou a explicar, mas foi interrompido.

_ Ah, pare com isso, Nailo! Deixe que eu explique! – Legolas tomou a frente e contou a Lisandra tudo que havia lhes acontecido. Falou da morte de suas amadas, da traição de Zulil, da morte do amigo Sam, das almas aprisionadas e da torre negra que tinham visto através do portal. Lisandra se emocionou com a triste história e por fim, enxugando as lágrimas, falou:

_ Venham comigo!

_ Para onde? – perguntaram os heróis.

_ Para minha casa! Vou ajudar vocês! Vou levar todos até o Tork. Ele poderá ajudá-los!

Os heróis tiraram o bote da água e o esconderam perto da margem. Pegaram suas coisas e partiram novamente, acompanhando a jovem druida Lisandra. Não sabiam quem ela era, nem o importante papel que aquela inocente jovem teria na história de Arton. Sequer desconfiavam do destino que estava reservado para a garota e seu guardião Tork. Sem saber o que o futuro reservava para si, ou para aquela menina, os heróis seguiram-na, na esperança de obter a ajuda de que tanto necessitavam.

novembro 06, 2008

Capítulo 326 – Monstruosos habitantes – os lagartos-tovão!


Após a breve pausa, o grupo pos o bote sobre o riacho e nele embarcaram. Nailo começou a empurrar a canoa rio acima lentamente, quase todo submerso. O colar do Grande Oceano surgiu em seu peito e guelras se formaram em Nailo, permitindo que ele continuasse a respirar mesmo nos trechos mais profundos do rio. Os demais iam atentos sobre o barco, de armas em punho, todas preparadas e com seus poderes mágicos acionados. Orion, inclusive, se desfez da bainha de sua espada, pois, temia, não haveria tempo para embainhar sua arma novamente. Os animais, Relâmpago e Cloud, estavam inquietos, como se aquela situação os incomodasse. Navegaram vários minutos rio acima, quando Legolas fez um sinal para que parassem e permanecessem quietos.

_ O que aconteceu, Legolas? – sussurrou Nailo. Legolas apenas apontou para frente, num gesto sutil, onde a água, outrora calma, se agitava em forma de ondas circulares. Um segundo depois, uma sombra desceu sobre a água vinda de trás das árvores. Era a cabeça de uma gigantesca criatura, tinha algo em torno de cinco metros de comprimento, e estava ligada a um pescoço alongado a aparentemente infinito. Era como uma serpente tão grande quando as árvores colossais de Galrasia.

Todos estavam perplexos diante daquela criatura e sequer respiravam. Mas, antes que pudessem tomar qualquer atitude, fosse atacar, fugir ou se esconder, o gigantesco monstro virou sua cabeça titânica na direção do barco e os viu. Legolas puxou Nailo para dentro do bote e os demais já agarravam os remos para metê-los na água e bater em retirada rio abaixo. Mas Nailo falou:

_ Esperem! Por maior e mais assustadora que essa criatura seja, talvez ela seja obra de Allihanna. E se assim for, talvez eu possa me comunicar com ela e garantir passagem segura para nós - O elfo avançou até a proa da pequena embarcação, seus lhos fitando os olhos da criatura. Então, com o coração tranqüilo ele falou. – Nós viemos em paz e queremos apenas passar. Não lhe faremos mal­ – os demais ouviam apenas estranhos grunhidos saindo da boca do ranger. Mas, por mais estranho que aqueles sons lhes parecessem, eles foram respondidos.

_ Você amigo? Não predador? – respondeu a criatura com sons semelhantes aos que Nailo emitira e que apenas ele era capaz de compreender.

_ Sim, amigos! Não somos predadores! Precisamos de ajuda! Poderia nos carregar através da floresta?Prometemos ajudar você no que precisar – respondeu Nailo.

_ Ajudar? Matar chupa-sangue? Tirar eles das costas? – perguntou a criatura.

_ Sim, nós tiraremos os chupadores de sangue das suas costas! – disse Nailo.

_ Então eu ajudar! Subir! – e dizendo isso, o monstro baixou sua cabeça até a água e por trás das árvores surgiu o restante de seu gigantesco corpo. E era o corpo de um animal quadrúpede, com patas robustas como as de um elefante, mas muito maiores. E seu corpo era recoberto de grandes escamas, como as de um réptil. E todos souberam imediatamente do que estavam diante. Era um dinossauro. E era um herbívoro, como Nailo pode deduzir através do formato e tamanho dos dentes, logo, estavam seguros perto daquele animal.

Os heróis começaram a remar a canoa em direção ao animal, quando outro de menor tamanho surgiu de trás da vegetação. Era um belo filhote, tão grande e pesado quanto um elefante adulto, de olhos ligeiros e curiosos, grandes e redondos como maçãs. Parou à beira da água, olhando para os aventureiros e grunhiu espantado.

_ Predador! – perguntou o pequeno.

_ Não! Não predador! – respondeu Nailo.

_ Predador! Predador! – insistiu o dinossauro. Nailo preparava-se para responder quando o filhote soltou um grunhido mais alto e assustador. – Predador! – gritava ele.

_ Predador! – repetiu o mais velho, e os dois monstros se atiraram na água em pânico e atravessaram o rio às pressas.

_ Nós não somos predadores! Onde está o predador? – gritou Nailo pouco antes de o bote virar com o agitar da água e ser arremessado na água junto com seus amigos. Então a resposta que pedira surgiu, na forma de um gigantesco lagarto bípede. Tinha pés largos e chatos, que terminavam em grandes garras, maiores que um homem. Cada pisada sua fazia a terra tremer e retumbar como um tambor, como um trovão. Fortes mãos dotadas de garras afiadas tentavam alcançar e agarrar a cauda dos dinossauros que fugiam. O monstro saltou na água, agitando-a ainda mais, e rugindo furiosamente. Seu focinho era longo como uma casa e suas mandíbulas eram como grandes cercas cheias de presas pontiagudas. Em sua cabeça, dois olhos ferinos lançaram um olhar de ódio e selvageria para os heróis no rio assim que a caça inicial escapou além da margem. E uma crista de pele e escamas se erguia de suas costas, sustentada por espinhos ósseos maiores que lanças e aberta como uma vela de navio. O predador era outro dinossauro, um caçador voraz e faminto, um gigantesco carnívoro que acabara de encontrar um grupo de alvos fáceis lutando para não se afogar. E sem perder tempo, a fera atacou.

O imenso lagarto de pés de trovão avançou, sua bocarra aberta e rugindo. O temor tomou conta de todos ante aquele urro bestial, mas mesmo assim Legolas foi capaz de disparar seu arco duas vezes contra o inimigo, antes de seu corpo afundar na água turva.

O monstro fechou a bocarra, esmigalhando as flechas de Legolas. Avançou sobre ele e o agarrou com seus enormes dentes rasgando o ventre do elfo. A criatura ergueu o arqueiro que se debatia desesperadamente. Nailo aproveitou a chance e nadou até a margem, levando Relâmpago consigo. Quando o logo estava em solo firme e em segurança, Nailo agarrou suas espadas gêmeas e correu de volta para o rio, onde Lucano lançava bênçãos sobre Orion, tornando-o tão grande quanto um ogro para que pudesse lutar com maior facilidade.

Agora, tendo a água apenas na altura de sua cintura, Orion ergueu sua espada de fogo e desceu sua lâmina contra o corpo da fera. Um arco rubro de sangue se formou no ar, acompanhando o deslocamento da arma que voltou a beber outras duas vezes o sangue quente do monstro.

A besta rugiu, sem soltar Legolas, e seu rugido era ainda mais alto e assustador. Chegava a ser sobrenatural. Anix e Squall não resistiram ao temor que aquele som provocava e se afastaram dele, assustados. Enquanto Squall subiu na margem e se refugiou atrás das árvores, Anix desceu o rio, agarrado à sua vassoura voadora e alcançou o barco a tempo de vê-lo afundando no leito turbulento.

Aproveitando a distração do inimigo, Legolas conseguiu mover os braços, ainda que com dificuldade, e puxou a corda do arco pronunciando um comando mágico. Uma violenta explosão de gelo e neve se formou dentro da bocarra fétida, congelando-a e arrancando outro urro assustador da criatura. Então, o dinossauro ergueu sua cabeça e abriu a boca, engolindo Legolas por inteiro.

Orion avançou até a criatura, golpeando-o novamente enquanto Lucano despejava proteção divina sobre o guerreiro. O sangue jorrou farto, tingindo as águas, mas não havia sinal de Legolas. A fera revidou, rasgando Orion com suas poderosas garras. Mas, graças ao poder de Lucano, o humano pouco sentiu dos golpes, já que eles se fechavam rapidamente com o auxílio da energia do clérigo.

Nailo avançou, caminhando sobre o leito do rio graças ao poder mágico de suas espadas. Mas, quando estava perto o suficiente e foi desferir o primeiro golpe, uma sombra se formou ao redor dele e ele se viu cercado de dentes. Assim como Legolas, Nailo foi agarrado e erguido vários metros acima da superfície da água enquanto seu sangue brotava em abundância através da mandíbula do inimigo.

E como antes, o dinossauro abriu sua bocarra e com um movimento veloz engoliu Nailo. Suas garras desceram rápidas sobre Orion, ferindo-o ainda mais e transformando o rio em sangue. Lucano sentiu sua visão turvar-se, já que ele também sentia a dor que o humano sentia através da magia que os mantinha ligados e que canalizava a energia vital do clérigo para fechar as feridas do guerreiro. O elfo tentou recuar para a segurança e engoliu rapidamente uma poção mágica para recobrar seu vigor.

Orion continuou avançando e atacando, quando ouviu um forte estouro acima de si e viu uma esfera de chamas cercando e incinerando o crânio do dinossauro. Era Anix, que mesmo à distância, reunia forças para vencer o pavor e auxiliar seus amigos. A cabeça do monstro tombou para frente, semi-carbonizada e Orion golpeou o pescoço do monstro com sua espada. Uma, duas, três vezes e o som do osso se partindo foi ouvido. O predador cambaleou gorgolejando e seu corpo imenso caiu na água, já sem vida.

A água se agitou numa forte onda, jogando Orion para trás. O guerreiro ergueu-se em posição de ataque e esperou até que o inimigo parasse de respirar. Mas, como o ventre do animal ainda se mexia, o humano voltou a erguer sua lâmina. E parou logo em seguida.

A barriga do dinossauro explodiu em sangue. Um grande rasgo se abriu e Legolas, banhando de sangue e suco gástrico, deslizou através dele para dentro da água. Segundos depois, Nailo abriu seu próprio caminho através da carne do dinossauro, rasgando-a com suas espadas e escapando do ventre cáustico do monstro. Com o predador abatido, Anix e Squall puderam retornar e o grupo voltou a se reunir.

novembro 05, 2008

Brincando de Jurassic Park

Galrasia é um paraíso! Adoro esse lugar, cheio de dinossauros, afinal, depois dos dragões, são meus montrinhos favoritos. E agora vou poder brincar com um monte deles à vontade. Só não vou poder enrolar muito até a chegada à torre do Ash...digo, Zulil =)
Lembro que uma vez, durante as férias, montei uma arena em casa, apenas para passar o tempo com a galera que não tinha ido viajar. Era realmente uma arena, sem roleplay, mas, apenas disso, com um background. Usei o enredo do filme Jurassic Park 3, ou seja, os personagens deveriam entrar numa Galrasia da vida e resgatar um moleque chato, e o cenário do Jurassic Park 2, aquele laboratório onde os velocirraptor ficavam pulando feito macacos nos puleiros. Foi divertido! E agora podemos fazer tudo de novo, só que "oficial", dentro da campanha.
Um fato engraçado. O Squall, no dia da arena, fez santuário em si para que os dinossauros não o atacassem. Deu certo, até ele pegar o garoto no colo para levá-lo embora. Ora, os bichos não podiam atacar o Squall (que estava usando um clérigo no dia) por causa da magia, mas nada os impedia de atacar o moleque. Conclusão: Squall deu no pé (na hora que o T-Rex apareceu no fim da sessão), carregando somente o tronco e os braços do moleque, já que a cabeça e as pernas tinham virado rango de velocirraptor ^_^

Capítulo 325 – O Mundo Perdido


O pequeno bote de madeira atracou na praia. Era uma larga faixa de areia amarelo escura, que se estendia por todo o litoral da ilha além do alcance dos olhos atentos dos que aportavam. Atrás do grupo, o navio do capitão Engaris se distanciava, já desaparecendo atrás do horizonte. E à frente havia a selva de Galrasia. Uma floresta de proporções gigantescas e mistérios por descobrir.

Galrasia era uma ilha, uma gigantesca ilha perdida no meio do Mar Negro. Diversos eram os marinheiros que sabiam chegar até ela e maior ainda era a quantidade de aventureiros dispostos a irem até aquela ilha. Ainda assim, Galrasia era um mundo perdido. Perdida no tempo, pela existência de criaturas que há muito não existiam mais em outras partes do mundo. Perdida para a civilização, já que era um local inóspito, extremamente selvagem e perigoso. Perdida em si mesma, pois Galrasia continha mistérios ancestrais, muitos deles cujas respostas estariam para sempre perdidas.

Anix sabia, pelos seus estudos, que Galrasia possuía diversas ruínas de alguma civilização extinta há eras. Essas ruínas atraíam aventureiros em busca de riqueza e glória, mas, muito mais do que tesouros, elas guardavam perigos titânicos. Sabia também que, além dos aventureiros, piratas procuravam as riquezas da ilha, além de buscarem refúgio das autoridades do reinado naquela imensidão verde e isolada.

Legolas, por sua vez, comentou que ouvira dizer que a ilha era habitada por povos selvagens, bárbaros extremamente hostis, conhecidos por povos-trovão. Eram criaturas estranhas, que tinham semelhanças com dragões e outros monstros. Por esse motivo, os heróis decidiram que era melhor evitar o contato com esses povos.

Por fim, Nailo alertou-os dos perigos que a própria natureza escondia naquilo que muitos chamavam de Inferno Verde.

_ Tudo nessa ilha é maior. Maior e mais perigoso. Com certeza encontraremos animais muito maiores que os que estamos acostumados a ver. Serão criaturas bestiais, verdadeiros monstros atrozes. Devemos tomar cuidado, muito cuidado. Mesmo as plantas poderão ser perigosas aqui. Ervas venenosas, e mesmo animais, terão toxinas muito mais poderosas que qualquer outra já vista por nós. Vamos descansar aqui antes de entrarmos na mata. Quando estivermos totalmente restabelecidos, seguiremos adiante.

_ Bem, não sei quanto a vocês, mas eu estou com pressa – disse Legolas.

_ Vamos fazer o seguinte então. Vamos descansar por uns dez minutos e depois partiremos – disse Anix.

Todos concordaram com o mago. Tiraram seus equipamentos do barco e empilharam tudo na areia enquanto faziam uma refeição rápida. Os elfos conversavam entre si, decidindo qual direção tomariam a seguir.

_ Só há uma direção. É para frente que devemos ir – disse Legolas. – Vamos vasculhar essa selva inteira até encontrarmos aquele maldito do Zulil.

_ Mas isso aqui é enorme. Podemos passar a vida inteira aqui sem encontrá-lo. Precisamos escolher um caminho lógico, para não perdermos tempo – disse Anix.

_ Então escolham. Eu vou me lavar enquanto vocês pensam. Mas decidam logo, pois não podemos ficar aqui por muito tempo. Essa praia é uma área alagadiça e quando a maré subir tudo aqui ficará submerso. Olhem as raízes daquelas árvores e saberão que estou com a razão – Legolas apontou para as árvores além da praia, todas de raízes retorcidas e elevando-se acima do solo lamacento. Após isso, Legolas foi para o mar. Os demais voltaram a confabular.

Sem tem o que fazer e sentindo-se ainda não desejado no grupo, Orion decidiu ocupar seu tempo e sua mente enquanto os elfos faziam planos.

_ Anix. Poderia me emprestar algum livro seu sobre magia? Quero aprender um pouco e entender como vocês conseguem usar esses poderes, apenas por curiosidade – pediu o humano.

_ Você quer aprender magia? Isso é estranho! Não é você um guerreiro? Pois deveria ocupar-se então em treinar com sua espada e em aumentar sua força, não em estudar magia. O que você quer com isso? – perguntou Nailo.

_ Nada, apenas entender como isso funciona. É apenas curiosidade. Além do mais, a pessoa que vamos enfrentar é um mago, e se eu conhecer o funcionamento dos poderes dele, poderei combatê-lo melhor. Afinal, vocês sabem, conhecimento é poder – respondeu Orion.

_ Espere um pouco aqui, Orion! – pediu Anix. Chamou seus companheiros para a borda da mata, longe de Orion, e começou a conversar com eles falando o idioma dos elfos. – O que vocês acham desse Orion? Confiam nele?

_ Bem, ele tem nos ajudado até agora, mas é muito estranho tudo ao redor dele. Apareceu de repente em Ab’ Dendriel e depois em Malpetrim, sabendo tudo que nos acontecia, dizendo que o colar tinha dito a ele. Não sei o que fazer – disse Lucano.

_ Realmente é estranho – falou Nailo. – Mas ele está nos ajudando desde que nos encontrou pela primeira vez. E ele disse que a deusa dele apareceu para ele e mandou que ele nos ajudasse. Lembrem-se que nós mesmo já tivemos o privilégio de falar com três deuses e foi o próprio Oceano quem nos disse que poderíamos confiar no humano. Acho então que devemos dar uma chance a ele. Sei que não estamos mais no exército e que a única coisa que o liga a nós é sua própria vontade. Não temos obrigação nenhuma com ele, mas sinto que devemos lhe dar um voto de confiança.

Legolas já retornava da água, após se lavar e se vestir, e estava pronto para partir quando se aproximou dos companheiros. Então, uma voz soou em suas mentes, uma voz élfica, grave e imponente.

_ Atentai, ó filhos de Glórienn! – disse a voz, no idioma dos elfos.

_ Quem é? Quem disse isso? – perguntou Nailo, em sua própria língua, espantado.

_ Sou Dililiümi e estou falando diretamente em vossas mentes. Podeis falar comigo da mesma forma, pois posso ouvir vossos pensamentos. Atentai para o que tenho a dizer. Deveis confiar no humano e levá-lo convosco na perigosa jornada que se inicia. Enfrentareis grandes perigos e o humano poderá ser de grande ajuda quando o perigo surgir – disse a espada.

_ Nenhuma espada vai me dizer o que fazer! Não vou receber ordens de espada alguma! – ralhou Legolas.

_ Não se tratam de ordens, Legolas! Mas sim conselhos! – respondeu a espada.

_ Não preciso de seus conselhos! – E Legolas se afastou do grupo, procurando por um caminho entre as raízes das árvores.

_ Pois que seja – disse a espada, e o arqueiro não voltou a ouvir sua voz. – Como dizia, - continuou ela - deveis confiar no humano por ora, pois é prudente. Mas deveis ter cautela. Em quase mil anos de existência poucos foram os homens de valor que vi e em quem se podia confiar. Mas afirmo que, embora raros, eles existem. Esse humano que voz acompanha tem até agora demonstrado lealdade para com vós e pode ser que ele seja um destes raros dignos de serem chamados de amigo dos elfos. Entretanto deveis ter prudência, pois essa lealdade pode um dia findar. Ele busca o poder através do conhecimento, com ele próprio disseste, mas para qual propósito busca esse poder, isso vós não sabeis. Portanto vos aconselho, confiai em Orion, mas sejais prudentes.

_ Está certo, faremos isso, então – concordaram os elfos. – Dililiümi, conhece os caminhos nesta terra? Sabe qual direção deveríamos tomar? – perguntou Nailo.

_ Não! – respondeu a arma. – Embora tenha estado neste mundo por quase um milênio, nada sei sobre este lugar além do que vós sabeis. Um guia faz-se necessário neste momento, ou ao menos alguém versado nas histórias deste lugar ainda que superficialmente, ainda que conhecedor apenas de lendas, como um bardo.

_ É, não temos ninguém assim no grupo. Teremos que nos virar sozinhos mesmo. Obrigado! – disse Lucano.

A espada finalmente silenciou e os elfos voltaram para a praia, para onde Orion os observava e aguardava. Anix lhe falou com sinceridade e de modo amistoso, mas suas palavras eram duras mesmo assim.

_ Orion, conversamos a respeito e decidimos que não é o momento para isso. Você chegou há pouco tempo no grupo e, embora tenhamos ficado no mesmo forte por vários meses, ainda não nos sentimos totalmente seguros ao seu lado. Se desejar realmente aprender magia, conquiste primeiro nossa confiança e seu lugar no grupo com seus atos, e então eu poderei lhe ensinar. Além do mais, não podemos perder mais tempo.

_ Está certo. Entendo seu ponto de vista. Meus atos nessa jornada provarão meu valor. Até lá, aguardarei – respondeu o humano.

_ Bem, não temos tempo a perder, como disse o Anix. Vamos seguir em frente! – convocou Lucano.

_ Anix! Empreste-me essa vassoura! – gritou Legolas, saindo do emaranhado de raízes do mangue à frente. – Nailo, venha comigo!

Os dois montaram na vassoura mágica e decolaram, subindo muito, acima das copas das árvores. Só o que viam à frente era um verdadeiro mar verde de enormes árvores copadas e frondosas. Parecia não haver aberturas na densa vegetação que recobria Galrasia, a não ser por um único ponto, centenas de quilômetros à frente, onde um gigantesco pico se elevava solitário e imponente. Legolas sabia pelo que via que não deveria haver muitos acidentes geográficos, tais como montes, penhascos, planaltos, e outros, de modo que seria simples encontrar o desfiladeiro correto. Entretanto, encontrar qualquer coisa, mesmo um grande penhasco, naquele lugar imenso seria uma tarefa nada fácil. Nailo também atentava para outros perigos que o terreno poderia apresentar, como pântanos, onde a jornada poderia ficar ainda mais arriscada. Após alguns minutos de observação, os dois retornaram para o solo, trazendo as boas novas.

_ Encontramos um riacho não muito distante a oeste daqui. E acho que vimos um porto ou coisa parecida a leste. Este último está muito distante, a um dia daqui, creio eu, e parece estar deserto, ao menos sem pessoas como estamos acostumados a ver - disse Legolas, devolvendo a vassoura para Anix.

_ Vamos seguir pelo riacho, então. Ficaremos a um quilômetro dele, seguindo paralelo ao curso d’água. Lá poderemos ter acesso a alimentos e a água, e pode ser que encontremos algum povoado, seja hostil ou não. E, como os monstros da ilha devem procurar o rio por causa da água, manteremos uma distância segura dele – disse Nailo.

_ Mas como conseguiremos acompanhar o rio de uma distância tão grande, Nailo? – perguntou Anix. Mas, antes que a resposta pudesse ser dada, Orion se adiantou.

_ Que tal se formos até o riacho antes de decidir o que fazer? Eu levarei o nosso bote até lá e, caso o rio seja navegável, poderemos subi-lo de barco. O que acham?

_ Bem, se a ilha é infestada de criaturas gigantescas e perigosas, com certeza a água que corre através dela também será. Mas essa é uma boa idéia! Quando chegarmos ao rio decidiremos o que será melhor fazer – concluiu Nailo.

Assim o grupo seguiu pela costa lamacenta, até encontrarem areias brancas e o veio de água que corria silencioso cortando a praia e desaguando no grande mar. Uma hora havia se passado desde que haviam chegado à Galrasia e o sol alto anunciava que a manhã se aproximava do fim. O riacho era largo em sua foz, rasgando a praia e dividindo-se em cursos menores e ligeiros que tomavam uma vasta área da praia. Sua água era clara e cristalina, e podia ser bebida sem receio, como indicou Nailo. Não era profundo, alcançando com esforço os dois metros, como comprovaram os heróis.

_ Vamos subir pela água! – anunciou Nailo. – Eu irei dentro da água, empurrando o braço com todos vocês dentro. Dessa forma nossos remos não farão barulho e não chamarão a atenção dos monstros para nós. Só espero que nenhum deles esteja à espreita dentro do rio aguardando para me devorar. E desejo que encontremos alguma tribo ribeirinha e que seja uma tribo amistosa. Mas antes, vamos descansar um pouco aqui, à sombra das árvores. Essa caminhada me deixou exausto e esse calor está me matando.

_ Sim, eu também estou cansado – disse Lucano. – e esse calor que sentimos não é normal. Há algo mais nessa ilha, além do sol e do mormaço que a torna desse jeito. É como se existisse algum tipo de aura mágica nela, algum tipo de energia que emana calor, como se nos aproximássemos de uma fogueira. O estranho é que, de algum modo, isso me é familiar.

_ Bem, mais dez minutos então, pessoal! Depois prosseguiremos! – completou Anix.