outubro 16, 2008
Tudo escancarado!
Esse é o famoso gancho inescapável do qual falei. Agora eles não tem opção, ou vão atrás do Zulil ou ficam sem suas esposas e amigo. E se optarem por isso, suas almas jamais terão descanso. Ou seja, não dá pra usar aquele argumento de "ah, eu aceito a morte dela como parte natural da vida".
Isso também tem base em um fato que notei sobre os jogadores lá no início da campanha, a seguinte frase: "quando meu personagem morrer, vou fazer um druida". Ou seja, eles contavam com a morte do personagem, desejavam isso de certa forma e não consideravam a ressurreição, um recurso comum e disponível em jogos de fantasia, algo impensável. Com esse gancho das almas presas, eles não têm escolha, devem continuar em frente. Se morrerem, precisarão ressuscitar, para não deixar a missão incompleta. Caso não sigam esse raciocínio, estarão selando os destinos das pessoas que amam ao sofrimento eterno.
Nessa campanha tive o maior dos êxitos como mestre. Eu tenho o domínio total do jogo, e ao mesmo tempo não o tenho. Como assim? Simples, consegui conduzir a campanha inteira, manipulando os eventos, as decisões dos jogadores até esse momento chave de onde não há mais volta, e fiz isso sem forçar a barra. Os jogadores sempre tiveram escolha, sempre tiveram uma liberdade maior do que na maioria das campanhas que conheço por ai. Mesmo assim, todas as decisões que eles tomavam, mesmo que totalmente inesperadas para mim, sempre conduziram para esse desfecho. É o sonho de qualquer mestre, ter controle absoluto de tudo e ao mesmo tempo seus jogadores terem liberdade total.
Bem, mistérios revelados, é hora de finalmente revelar os poderes dos itens mágicos deles. Nos próximos posts colocarei tudo sobre as armas de Legolas e Lucano. Depois virão as de Nailo, Anix e Squall.
outubro 15, 2008
Capítulo 322 – Encontro com o Dragão
Os dois grupos se levantaram, tirando a poeira dos corpos e sentindo as escoriações resultantes do desabamento do teto. Retornaram ao laboratório e encontraram destruição, escombros e poeira por todos os lados. Do outro lado das grades retorcidas e quebradas, os cinco corpos permaneciam intactos. Glorin e seu grupo foram até a outra metade do cômodo e, cuidadosamente, recolheram os corpos das cinco elfas. Nailo entrou rapidamente no local e recolheu do chão a cabeça de seu amigo Sam. Os demais elfos continuavam paralisados.
_ Sei que estão sofrendo, amigos! E sei que palavras não adiantarão para consolá-los! Mas tenham fé, pois esse mal será desfeito e suas amadas terão a uma segunda chance! – disse Lars. Enquanto trazia Deedlit nos braços, o clérigo se aproximou de Squall. – Como penitência pela morte de Jack, eu recebi a missão de ajudá-los nesta hora de necessidade, a missão de trazer suas esposas de volta pela graça de Thyatis! – enquanto falava, Lars parou diante de Squall, pegou uma pequena sacola de tecido no bolso da camisa e a entregou ao feiticeiro. – E também vim para lhe devolver isto, Squall, e para agradecê-lo. Isto salvou minha vida quando eu fugia de goblinóides e uma flecha envenenada veio certeira em meu peito, em meu coração. Não fosse por isso em meu bolso, hoje eu não estaria aqui!
Squall pegou a pequena bolsa, ainda tentando se refazer do choque, abriu-a e encontrou lá dentro um pó negro misturado a pequenas lascas de igual tonalidade. Eram os pedaços do Carvão da Noite da Alegria, guardado um ano atrás, quando os heróis repousavam ao redor de uma fogueira ao som do alaúde de Sam enquanto estavam a caminho de Follen.
_ Vamos para a Vila – disse Glorin. Seelan recitou um feitiço e teleportou todos para Carvalho Quebrado. Já de volta à taverna, Glorin pediu um quarto grande a Norgar e todos rumaram para lá, com exceção de Legolas, Nailo e Lucano. O arqueiro glacial pegou seu fiel cavalo Rassufel e saiu com ele pela vila, cavalgando sem rumo, tentando voltar a si, compreender aquela situação e tudo que tinha acontecido. Da mesma maneira que Legolas, Lucano caminhava pela vila, pensativo, e parou no riacho para lavar o rosto, desejando acordar daquele terrível pesadelo. Nailo limpava a cabeça de Sam, escondido no pequeno estábulo atrás da taverna de Norgar. Quando em meio às lágrimas o guardião terminou seu laborioso trabalho, colocou a cabeça morta em sua mochila e entro na taverna, indo ao encontro dos amigos.
_ E então? Encontraram o Sam? – perguntou Lana, ao ver Nailo passando por ela.
_ Não, não o encontramos! – respondeu Nailo, desviando o olhar da elfa e subindo as escadas que conduziam ao segundo andar.
Lá em cima, no quarto indicado por Norgar, estavam Anix e Squall, bem como Glorin e seu grupo todos reunidos. As elfas estavam deitadas sobre camas macias, com as mãos juntas sobre o peito. Tinham uma expressão serena e agora era possível ver o ferimento de faca que lhes tirara a vida exatamente sobre seus corações. Nailo retirou a cabeça de Sam da mochila e a entregou a Lars, com cuidado.
_ Não se preocupem, amigos. Em breve as pessoas que amam estarão de volta, sorrindo ao lado de vocês. – disse Lars. E, batendo a mão em uma bolsa que pendia do seu cinto, continuou. – E já tenho comigo tudo o que preciso para realizar esta tarefa! – da bolsa veio o som de pedras se chocando. Diamantes.
Diante de todos Lars começou o intrincado ritual de ressurreição. Retirou um diamante de sua bolsa, enquanto murmurava preces a Thyatis e acendia velas ao redor da cabeça de Sam. Depois juntou as mãos sobre a cabeça morta, proferindo orações e clamando pelo deus da ressurreição. O valioso diamante transformou-se em um fino pó, que chovia das mãos de Lars e se precipitava sobre a cabeça como uma chuva de estrelas brilhantes. Um longo tempo se passou, todos observavam ansiosos e maravilhados, quando, de repente...
_ NÃO!!! NÃÃÃOOOO!!! De novo não! Não, Thyatis, me ajude! – gritou Lars,
_ O que aconteceu! – perguntavam todos, assustados.
_ Está acontecendo novamente! Outra vez, Glorin! Está acontecendo tudo de novo! – repetia o clérigo, inconsolável.
_ O que, homem? Fale? – gritou Glorin, já sabendo qual seria a resposta.
_ Não consigo trazê-lo de volta! Não posso ressuscitá-lo! A mesma coisa já aconteceu antes, com a mulher de Glorin! – respondeu Lars, encarando o anão como se pedisse ajuda. Glorin permanecia calado e apenas pousou a mão sobre o ombro do amigo, demonstrando confiança.
_ Não pode ser! – gritou Seelan. – Todd! Depressa! Vá até o forte! Traga minhas pesquisas aqui! Suas almas deixaram os corpos há pouco tempo! Deve haver algo que possamos fazer! – o mago entregou um par de pergaminhos mágicos ao goblin e o apressou. – Sabe o que fazer com isso, certo?
_ Deixe comigo! Já volto! – respondeu Todd Flathead. O goblin abriu um dos pergaminhos, lendo as palavras mágicas, traçando desenhos no chão e no ar, fazendo gestos complexos e desapareceu, teletransportando-se para Forte Rodick.
_ Vou tentar de novo, com uma das mulheres! – disse Lars, reiniciando o ritual de ressurreição
_ Glórienn! Será que elas não querem voltar à vida? – indagou Anix.
_ Não! Não é isso! Não consigo sequer contato com as almas delas! É como se suas almas não existissem! – respondeu Lars.
_ Fique calmo, Lars! Todd voltará em breve! Com minhas anotações tentaremos localizar as almas delas! Foi tudo muito recente! Creio que iremos conseguir! – disse Seelan, tentando acalmar a todos. Então, após um momento de silêncio, um portal mágico se formou diante de todos. – Ai vem ele! Todd está de volta! – completou o mago, esboçando um sorriso.
Entretanto, não era Todd quem vinha pelo portal. Era Mão Necro, um dos soldados treinados por Anix. Estava esbaforido, ferido e assustado.
_ Necro? O que está fazendo aqui? – perguntou Seelan, já prevendo algo muito ruim.
_ O forte, capitão! O forte foi atacado! – disse o soldado. Todos ficaram espantados e exigiram explicações. E as respostas de Necro os deixaram ainda mais alarmados. – Uma bruxa! Uma bruxa invadiu o forte, lançando magia por todos os lados, destruindo tudo e matando quem entrasse em seu caminho. O capitão Todd a enfrentou, lutou contra ela, conseguiu feri-la. Mas... Mas ela o matou! A bruxa matou o capitão Todd. Ela arrastou o seu corpo pelo forte, foi até o túmulo de Jack e o desenterrou. Mexeu no corpo do pobre Jack, fuçou em suas roupas até encontrar algo que ela parecia procurar. Do bolso da calça de Jack ela tirou uma pedra, uma jóia, e a guardou. Depois ela foi embora, levando o corpo do capitão junto, mas não sem antes destruir o que restava do forte. Eu consegui pegar um pergaminho no laboratório arcano e vir para cá, buscar ajuda, conforme o capitão Todd tinha me instruído. Mas agora é tarde demais, o forte já era, e o capitão está morto, muitos soldados morreram também.
_ MAAAALDIIIIITAAAAAA!!!!!! – um grito fez estremecer toda a estrutura da taverna, e foi ouvido por todos na vila. Era Glorin. – Jonathan, vamos precisar de suas habilidades de rastreador! Seelan, transporte-nos. – ordenou o anão, assumindo a liderança do grupo, após o despertar de sua fúria. Desta vez ele não era um anão melancólico, alcoólatra e suicida. Nem o capitão sorridente em que se transformara nos últimos dias. Glorin era um leão, uma besta assassina e sanguinária, e já tinha escolhido sua presa.
Seelan já preparava a magia e todos os capitães reuniam seus equipamentos. Da porta do quarto entre aberta, Norgar e outros aldeões observavam assustados.
_ Amigos, é em tristeza e dor que nossa sociedade se desfaz! – começou Glorin. – Infelizmente não poderemos ajudá-los em sua missão, pois agora também temos uma outra missão a cumprir! Mas, assim que os deuses permitirem, nos reencontraremos novamente! E quando este dia chegar, iremos sorrir ao invés de chorar! Squall, parta com todos para encontrar você sabe quem! Conte a ele tudo o que aconteceu, com detalhes minuciosos. Não deixe escapar nada, por mais inútil que possa parecer! Com sua enorme sabedoria, tenho certeza que ele poderá ajudá-los! Adeus e boa sorte a todos! – e, despedindo-se uma vez mais, Glorin atravessou o portal mágico criado por Seelan e desapareceu.
_ Boa sorte amigos! – disse Jonathan, acenando da entrada do portal. – É uma pena nos separarmos nesta hora de necessidade, mas, sigam o conselho de Glorin e tudo acabará bem. Aquele goblin era o que mantinha nosso grupo unido. E aquela bruxa irá pagar pelo que fez! Espero poder reencontrá-los novamente
_ Não se desesperem, amigos! Nunca percam a fé, jamais deixem de confiar! E um dia tudo terminará bem e poderemos nos reencontrar antes do fim! Adeus e que os deuses continuem guiando-os! – era Kuran, partindo pela abertura mágica.
_ Bem, eu não tenho muito o que dizer! Apenas desejar boa sorte a todos! Adeus! – e Seelan também se despediu e partiu, deixando um pergaminho mágico sob os cuidados de Squall.
Lars, o último a partir, terminava a conjuração de uma poderosa magia sobre os corpos das elfas e a cabeça de Sam. Quando completou sua tarefa, dirigiu-se aos heróis.
_ Vocês confiam nas pessoas daqui, amigos? – perguntou o clérigo.
_ Sim! – respondeu Anix.
_ Ótimo! – continuou Lars, dirigindo-se a Norgar e aos aldeões. – Amigos! Peço que guardem e vigiem os corpos que aqui repousam, até o nosso retorno! O poder de Thyatis preservará cada um, para que a podridão não tome conta de seus corpos. Um dia nós retornaremos para reviver essas jovens elfas e seu amigo bardo! – depois, Lars foi até o portal e, voltando-se para os cinco elfos, disse. – Adeus, amigos, e boa sorte em sua jornada! Que Thyatis os abençoe e que nós possamos nos reencontrar em breve! E, lembrem-se sempre! Não há mal que não possa ser desfeito e não há pessoa que não mereça uma segunda chance! Adeus!
Lars sumiu através do portal que se fechou logo a seguir. Ficaram no quarto apenas os moradores de Carvalho Quebrado, Mão Necro e os heróis. Squall pegou o pergaminho deixado por Seelan, pronto para teleportar todos. Nailo argumentou, pedindo para irem a Vectora, tentar falar com o arquimago dono da cidade voadora em busca de ajuda. Squall apenas respondeu:
_ Confie em mim, Nailo! Vamos para o lugar indicado por Glorin. Vou levar todos a um lugar melhor que Vectora! Lá encontraremos a ajuda que precisamos! – então o feiticeiro abriu o pergaminho e começou a conjuração da magia.
_ Por favor, amigos! Cuidem de nossas mulheres! – pediu Lucano aos aldeões.
_ E de nosso amigo, Sam! - continuou Nailo.
_ E de nossos cavalos! – era Legolas.
_ E cuidem da Heart para mim! E cuidem-se Também! – completou Anix. E, com um gesto de Squall, todos desapareceram de Carvalho Quebrado, levados magicamente a muitos quilômetros ao norte dali, a um lugar frio e inóspito, onde uma criatura de enorme poder os aguardava.
Estavam todos em uma caverna toda branca e fria, ocultos sob uma montanha congelada no território das Montanhas Uivantes. Squall começou a chamar por Segê, enquanto avançava túnel adentro. Sem notar, o feiticeiro pisou em uma placa de gelo solta no chão e, ao som de um discreto clique, todo o teto branco veio abaixo, sobre os heróis.
_ Era esse o lugar melhor para onde ia nos trazer? – perguntou Nailo a Squall, segundos antes de ser soterrado e perder a consciência.
Despertaram tempos depois, sem ter noção de quanto tempo tinham ficado desmaiados sob toneladas de gelo e neve. Estavam vestidos com mantos brancos, trancados dentro de uma jaula feita de gelo. Sentiam frio, muito frio, com exceção de Legolas, que se sentia à vontade naquela temperatura extremamente baixa, graças ao meses de treinamento que tivera com Glorin. Olharam ao redor e, em meio àquela brancura quase cegante, viram um elfo alto e esguio, de longos cabelos brancos como a neve, metido em um manto de peles alvo como sua cabeleira. O elfo segurava o arco de Legolas em suas mãos e diante dele havia um balcão feito de gelo preso à parede, sobre o qual estavam todas as coisas dos aventureiros.
_ Chrishe! – disse o elfo, usando uma palavra no idioma dos dragões que significava flecha. O arco brilhou de maneira diferente. O Elfo puxou a corda e uma flecha de luz se formou. Disparada, a flecha deixou o arco num raio alvo e gélido, indo se chocar contra uma parede.
_ Segê! – chamou Squall, reconhecendo a misteriosa figura. Segê se voltou, fitando-os com seu olhar frio e cruel.
_ Então já despertaram? Três perguntas eu tenho e exijo as respostas agora! – disse Segê. – Primeira, o que você veio fazer aqui? Segunda, por que os trouxe com você? E, terceira, onde conseguiram este arco? – vociferou o elfo, aproximando-se do grupo aprisionado.
_ Bem, Segê, eu sei que você me mandou não voltar mais aqui, mas nós precisamos de sua ajuda. Glorin me mandou aqui, pois só você pode nos ajudar. – gaguejou Squall.
_ Minhas três perguntas, Squall! Responda-as sem rodeio! – urrou Segê.
_ Está bem, desculpe! – recomeçou o feiticeiro. – Primeiro, vim aqui em busca de ajuda, a mando de Glorin! Segundo, trouxe meus amigos porque eles também precisam da sua ajuda, tanto quanto eu. Terceiro, encontramos este arco em uma mina abandonada, com uma drago negra chamada Escamas da Noite!
_ Escamas da Noite?! Escamas da Noite?! Então vocês tomaram este arco dela? Me digam, o que fizeram a Escamas da Noite? Responda, Squall e não tente me enganar! – rugiu Segê. Os heróis estremeceram.
_ Bem, nós a matamos! – respondeu Squall, receoso.
_ Mas essa é uma ótima notícia! Uma das melhores que recebo em séculos! Quero ouvir essa história completa! Contem-me todos os detalhes! – Segê gargalhou de forma inesperada. Com um estalar de seus dedos, uma pequena pilastra de gelo se formou sobe ele, criando um banco no qual ele se sentou para ouvir o relato.
_ Senhor! Desculpe interromper, mas estamos congelando! – falou Anix, tremendo.
_ Ah, sim! Está certo! Em minha empolgação acabei esquecendo que vocês eram tão frágeis! – Segê estalou os dedos novamente e as roupas dos heróis flutuaram magicamente até eles. Outro estalar de dedos e do chão emergiram bancos de gelo para cada um dos presentes se sentar. Com tudo preparado, os heróis começaram a falar.
A Balada da Forja da Fúria foi completamente relatada em prosa pelos elfos. Segê ouvia cada detalhe com entusiasmo, especialmente quando os relatos chegaram à parte do encontro com Escamas da Noite e a batalha que culminou com a morte da dragonesa. Segê deleitou-se ao ouvir o relato da ruína de Escamas da Noite, gargalhando como Squall jamais pensaram vê-lo.
_ Bem, essa história me agradou bastante. Saber que aquela traiçoeira da Escamas da Noite teve o fim que merecia me alegrou. Isso me deixa em dívida com vocês, já que me fizeram o favor de punir aquela fêmea desprezível! Como aquilo que foi dado não deve ser tomado de volta, tome seu arco novamente, Legolas! – e com um novo estalar de dedos, o arco flutuou até seu dono.
_ Senhor! - chamou Nailo. – Se essa história o agradou, talvez gostaria de ouvir uma outra interessante, que envolve uma criatura chamada de Destruidor de Mundos, com o qual nos deparamos tempos atrás.
_ Pois se for tão interessante quanto esta, pode começar a contar, jovem! – disse Segê.
Nailo, com a ajuda dos amigos, relatou tudo o que se passou em Ortenko, da queda de Teztal à aparição do Tarrasque e o desaparecimento do colosso de pedra. Segê novamente ouviu com entusiasmo. Ao final, Nailo perguntou:
_ Senhor! Com sua experiência e sabedoria, acredita que o Destruidor de Mundos e o Colosso ainda estão vivos?
_ É possível que ambos ainda caminhem nas profundezas do mar! – respondeu Segê.
_ E o senhor acha que conseguiria derrotar algum deles? – perguntou novamente o ranger.
_ Isso eu não sei dizer. – respondeu o anfitrião, contrariando a arrogância típica que se esperava que alguém como ele possuísse. – Agora chega de histórias! Digam-me a que vieram! Digam em que posso ajudá-los, pois estou em dívida com vocês e pretendo pagá-la! – disse Segê.
Os heróis começaram então o triste relato da batalha contra Zulil, de sua traição e vingança e da morte de suas esposas e amigo. Segê ouviu a história com atenção e entusiasmo e ao final, falou.
_ Pelo que vocês me relataram só posso deduzir uma coisa! Suas fêmeas e seu amigo foram mortos e tiveram suas almas aprisionadas dentro das seis jóias que vocês viram na torre! Nenhum deles poderá retornar a este mundo, ou mesmo ir para o além, enquanto suas almas não forem libertadas. Enquanto isso não acontecer, eles estarão fadados ao sofrimento eterno! Vocês devem encontrar essa tal Zulil o quanto antes, tomar-lhe as gemas e libertar as almas de dentro delas! Só assim as pessoas que vocês amam poderão reviver ou descansar! – disse o elfo.
_ E onde é que nós o encontraremos? Por acaso você conhece o lugar para onde ele foi através do portal? – perguntou Nailo.
_ Sim! E jamais poderia me esquecer de um lugar exótico como aquele. Sua presa está em Galrasia, o Mundo Perdido! – respondeu Segê.
_ E como chegamos até lá? – indagou Anix.
_ Galrasia fica no Mar Negro. É uma enorme ilha tomada por monstros gigantes que os humanos chamam de dinossauros. Há outros povos habitando a ilha, povos diferentes de vocês elfos, dos humanos, anões e outros. São chamados de sauróides. – explicou Segê. – Se vocês não conhecem o lugar, é melhor que sigam para lá de barco, com alguém que conheça o caminho.
_ Segê! Não temos mais magias de teletransporte para usar hoje! Por acaso você teria algo para nos ajudar a chegar ao litoral? – pediu Squall.
_ Está bem! Se for para vocês me deixarem em paz e partirem daqui, vou lhes dar um de meus pergaminhos! E, por todas as avalanches, pare de me chamar assim! Pare de me chamar de Segê! Isso é coisa daquele imbecil do Glorin! Anão imprestável! – ralhou Segê.
_ Obrigado, e desculpe, Segê! Mas não sei como chamá-lo! Por qual nome devo tratá-lo? – perguntou Squall.
_ Pois se você não sabe qual o meu nome, ouça com atenção! – gritou Segê. Sua sombra cresceu atrás dele, tomando conta da caverna, seus olhos brilharam sem pupilas como estrelas brancas e ofuscantes e, então, ele revelou seu nome. – Eu sou Coração de Gelo, o portador do frio absoluto! Jamais esqueça meu nome outra vez, elfo.
Todos ficaram espantados. Legolas olhou para seu arco e viu as mesmas palavras gravadas nele, no idioma dos dragões. Antes que algum deles pudesse dizer qualquer coisa, Coração de Gelo, ou, como diria Glorin, C. G., voltou a falar.
_ E já que vocês estão a caminho de Galrasia, precisarão estar preparados! Já visitei aquele lugar séculos atrás e sei que poderá ser perigoso para vocês pisarem naquela terra! Com isso pagarei minha dívida! Legolas, empreste-me seu arco! Empreste-me Sopro Gelado! – disse o elfo. Legolas entregou-lhe a arma, ainda assustado. Agora lhe ensinarei como usar todos os poderes deste arco!
E Coração de Gelo ensinou a Legolas tudo o que ele precisava saber, demonstrando um conhecimento gigantesco sobre a arma e confirmando as suspeitas de todos. A seguir, foi a vez de Nailo.
_ Você, Nailo! Pelo que pude perceber, também traz belas armas com você! Não seriam essas as famosas Rosas Gêmeas de Livara Austini?
_ Sim, são elas mesmas! – respondeu o ranger.
_ Pois eu pesquisei muito sobre essas armas! Sou um estudioso da arte da forja e da criação de armas e tenho por hábito forjar minhas próprias criações. Conheço as espadas que carrega de renome, e lhe ensinarei tudo que elas podem fazer! – E Nailo conheceu os fabulosos poderes de suas espadas e aprendeu a usá-los.
_ E você, Lucano, trás com você uma arma lendária! Dê-me essa espada! – Coração de Gelo pegou Dililiümi das mãos de Lucano e começou a admirá-la. – Estudei sobre essa espada também, sei tudo sobre ela, mas nunca imaginei poder botar minhas mãos nela algum dia! Dililiümi Tmigailïi, caçadora prateada dos elfos, ouça meu chamado! Estes que aqui estão são fiéis seguidores dos costumes da raça dos elfos! Abandone sua arrogância e sirva-os como se deve! – E, após falar com a espada, devolveu-a a Lucano. Nas mãos do clérigo, a espada emitiu um brilho e uma voz ecoou de sua lâmina.
_ Perdo-me, ó Lucano, por meu silêncio até o momento! Sei de sua necessidade e coloco-me sob suas ordens para ajudá-lo em sua missão! – falou a espada mágica.
E Coração de Gelo contou a Lucano a história de sua espada e todos os poderes que ela possuía.
_ Quanto a vocês dois, vejo que não possuem artefatos de grande poder como seus amigos, mas, como considero que minha dívida ainda não está paga, tenho algo a lhes dar! – E o forjador de armas entregou a Squall um magnífico anel prateado em formato de cabeça de dragão, que envolvia todo o seu dedo. E a Anix deu um imponente cajado com entalhes de dragões se entrelaçando e tornou a falar. – A você, Squall O Vermelho, entrego este anel, para que você se torne um vermelho por completo e assim possa cumprir sua missão. A você, Anix, entrego o Cajado do Poder Dracônico, para que utilize com parcimônia a força das criaturas mais poderosas já criadas! – E Coração de Gelo ensinou a Anix e Squall como usar os poderes dos presentes que tinham recebido.
_ Coração de Gelo! Tenho uma pergunta a lhe fazer! – disse Nailo. – Se o senhor forja armas, poderia forjar para mim uma adaga de gelo, igual ao machado que o capitão Glorin possui? Eu estaria disposto a lhe pagar qualquer quantia!
_ Ora! Meus talentos não se compram com dinheiro algum neste mundo! Mas, se deseja uma arma feita de Gelo Eterno, tome! – E o forjador presenteou Nailo com uma bela adaga.
_ Senhor, também tenho uma pergunta! Treinei muito com Glorin para me tornar um guerreiro do gelo e aprendi muito com ele. Pretendo me aprimorar cada vez mais nas habilidades que ele me ensinou e, se algum dia tiver a oportunidade, gostaria de possuir uma armadura tão poderosa quanto o próprio frio. Se, por acaso, algum dia eu encontrar o corpo de algum dragão branco, eu poderia aproveitar suas escamas para fazer sua armadura. Isso claro, se eu encontrá-lo já morto, pois eu jamais me atreveria a enfrentar um de sua espécie. – pediu Legolas.
_ Pois se você encontrar um dragão morto, não me importarei com o que você quiser fazer com sua carcaça, desde que o corpo não seja o meu ou o de minha rainha, Belugha! Aliás, saibam vocês, elfos, que as histórias contadas pelos humanos a respeito das Montanhas Uivantes são todas mentiras. Não existe demônio do gelo, fenômeno atmosférico ou qualquer outra dessas tolices. É a presença da rainha Belugha que mantém estas terras eternamente congeladas! E, se um dia, você encontrar o corpo de um dragão branco, Legolas, e tiver histórias tão interessantes para contar quanto as que me relataram hoje, traga-me o couro do dragão que eu próprio forjarei uma armadura para você!
_ Senhor! – disse Squall, ajoelhando-se diante de C. G. – Também tenho um pedido! Quero ser seu discípulo! Quero que me ensine sobre os dragões, já que em minhas veias corre o sangue de um deles!
_ Ora, essa é nova para mim! Um descendente de vermelhos pedindo a um branco para ser seu mestre! O mundo é mesmo cheio de surpresas! Pensarei em seu pedido, Squall! Agora partam todos vocês, pois tenho muito a fazer, e se um dia tiverem novas histórias para me contar, terei prazer em ouvi-las! Adeus elfos, e boa sorte a todos! Disse Coração de Gelo, despedindo-se dos heróis. Squall abriu o pergaminho mágico, evocando o feitiço de teletransporte e, antes de desaparecer, fez um último pedido a Coração de Gelo.
_ Coração de Gelo! Antes de partir, mostre-me como é sua verdadeira aparência!
E o elfo revelou sua verdadeira forma e era a de um terrível dragão branco. E num piscar de olhos, os heróis foram transportados para muito longe dali, para o único lugar que conheciam no mundo onde poderiam encontrar alguém que os guiasse até Galrasia. A cidade portuária de Malpetrim, o lugar onde anos antes a jornada dos heróis tinha se iniciado.
outubro 14, 2008
Matei mesmo...hunf!
Calma, isso foi só no jogo. Matei as namoradas dos personagens deles. Fui na página do caderno onde estavam os nomes das garotas e fiz um "xis" em cada um. Pronto! Morte no rpg é desse jeito. Não comecem com paranóia seus malucos.
Bom, esse era o gancho do qual eu falava. Agora os jogadores terão que empreender uma caçada a Zulil para se vingar. Mas, a motivação de todos será maior do que uma simples vingança. Será uma motivação justa e boa e indispensável, como vocês verão no próximo caítulo. É, as surpresas ainda não acabaram.
Resumão da história pra quem não entendeu: Zulil tinha um clone, um corpo vazio igualzinho ao seu, em Valkaria. Quando morreu em Carvalho Quebrado, sua alma se transferiu para o outro corpo e, voilá, o carcamano acordou, novinho em folha, sem perder níveis. Topou com o Sam numa das muitas tavernas de Valkaria (e como verão no futuro, isso não teve nada a ver com sorte....ou teve ^_^) e o pobre bardo, que não sabia da traição e das maldades do cara, cantou feito passarinho toda a história dos heróis. Pronto, Zulil tinha tudo o que precisava.
Teve um dia, ainda na Forja da Fúria, em que, interpretando o Sam, eu perguntei sobre o passado de cada personagem, sobre seus amores e lares. Isso foi proposital para esse momento chave na trama. Disse para os jogadores "o Sam conversa com vocês, conta sobre a vida dele e pergunta sobre a de vocês, de onde vocês vêm, quem são seus familiares, amigos, etc". A separação dele do grupo durante a fase do exército também foi proposital para esse mesmo motivo. Ou seja, já faz 3 anos que eu planejei a morte do Sam e das mulheres, com todos os detalhes sórdidos. Acho que posso ser considerado um psicopata, ao menos quando o assunto é personagens que não existem no mundo real ^_^.
Bom, a visão da apunhalada pelas costas, que eles tiveram ainda em Khundrukar, era o Sam mesmo. E o Lucano acertou na mosca naquela época (mas eu fiquei bem quietinho hehe).
Os sonhos em que a sombra arrancava os corações dos heróis significavam justamente a morte das mulheres.
A cabeça na bandeja, que a Velta previu quando falou com os personagens, finalmente apareceu. Sam outra vez.
De todas as visões proféticas, faltam alguns pequenos detalhes para serem desvendados ainda. São eles o Fala Mansa (acharam que o Zulil é o grande vilão da trama? aguardem as surpresas) o coração negro pulsando sob a montanha (Escamas da noite era um deles, mas o pior está por ser descobreto) e teve uma fortaleza a mais que apareceu nos sonhos que só será revelada beeem lá pra frente (mas ela tem a ver com goblinóides).
Bem, o jogo tá voltando a engrenar. Próximo capítulo revelara quem é a sombra por trás de Glorin, que a Velta mencionou. Título do próximo post (Spoiler): Encontro com o Dragão.
Que tipo de Dragão? Branco, oras...é uma bela cor, não?
Capítulo 321 – Desgraça anunciada
_ Onde está o Sam? – gritou Lana novamente. Os heróis hesitaram antes de responder.
_ Como assim, onde ele está? Não está com a gente. Ele deveria estar com você! Não estamos entendendo nada! – disse Anix.
_ É, explique o que aconteceu. Isso está muito confuso. – pediu Lucano.
_ Aquele rato do Sam Rael desapareceu há uns três meses! Estávamos em Valkaria, quando eu descobri que estava esperando um filho dele. Dei a notícia ao safado e ele desapareceu! – explicou a elfa.
_ Como assim desapareceu? – perguntou Nailo.
_ O pilantra se fez de contente e disse que ia a uma taverna comprar vinho para comemorarmos a notícia. Ele saiu e nunca mais retornou. Imaginei que o verme tinha fugido da responsabilidade e, como sabia que ele tinha prometido encontrá-los, pensei que ele estivesse com vocês. Fui até Follen e lá fiquei sabendo onde encontrá-los. Estava indo até o forte e parei para descansar nessa vila. E tive muita sorte nisso, pois vocês vieram direto para cá. – respondeu Lana.
Os cinco elfos estavam confusos e assustados. Era fato que Sam tinha prometido reencontrá-los quando saíssem do forte e a ausência dele nos portões de Forte Rodick dias antes os deixara preocupados. Agora a notícia do desaparecimento misterioso do bardo os transtornava ainda mais. Lana ainda cobrava explicações, todos desejavam sair daquele lugar o mais depressa possível, livrar-se daquela situação embaraçosa e encontrar as respostas para aquele mistério. Desejavam ir logo até Follen e até Darkwood, na esperança de encontrarem o bardo em algum destes lugares. E, antes disso, desejavam retornar ao castelo de Zulil, para atear fogo àquele lugar maldito, caso ele não tivesse sido consumido pelas chamas ateadas na última visita de Legolas ao lugar. Um desespero começava a tomar conta dos cinco. Aquela situação era agourenta e o prenúncio de uma grande desgraça que estava para ocorrer. Então subitamente, os cinco heróis contorceram seus corpos simultaneamente, sentindo uma pontada aguda perfurando-lhes as costas. Olharam para trás, esperando encontrar o agressor, mas não viram nenhum inimigo apunhalando-os. Olharam uns para os outros, assustados e confusos e, então, todos os maus pressentimentos se confirmaram. O berloque de Legolas tocou, silenciando toda a taverna.
_ Amor? Liodriel? Sou eu, bem! – o arqueiro atendeu o chamado de sua esposa, ainda assustado. E então entrou em pânico.
_ Legolas!!! Socorro!!! Me ajude!!! – do outro lado, em Darkwood, Liodriel gritava, desesperada.
_ Liodriel, o que está acontecendo? Responda!!! – berrou Legolas.
_ Tem um homem louco aqui! Está ateando fogo em toda a vila, matando as pessoas! Deuses...ele vem vindo para cá! – disse a elfa em desespero.
Nesse momento todos os cinco tinham os ouvidos colados no aparelho mágico. Então, em meio aos gritos desesperados de Liodriel, veio o som de várias explosões. A comunicação foi cortada. Legolas gritava desesperado com o aparelho, na esperança de ouvir a voz de sua amada novamente, mas, em vez disso outra voz saiu do aparelho quando ele foi religado
_ Olá Legolas! – disse a voz. – Há quanto tempo, não? Tenho algo aqui que lhe é muito querido! Acho que você vai querer vê-la novamente, certo? – disse a voz.
_ Maldito! Quem é você! – gritou Anix. Legolas nada falou. Estava em choque.
_ Ora, Conheço essa voz! Anix, certo? Então você também está ai? Aposto que os outros inúteis também estão ai! Avise ao Nailo, Lucano e Squall que eu estou também com algo que eles amam. E Estou segurando nesse momento Uma bela cabeleira dourada que acho que você gostaria de rever, Anix! – disse a voz.
_ Desgraçado!!! O que vai fazer! – gritou Legolas, finalmente.
_ Bem, vou para casa! Tenho muito trabalho a fazer! E vou levar suas namoradinhas comigo para me fazerem companhia! Bem, vocês sabem onde me encontrar! Se quiserem revê-las ainda com vida, estarei esperando por vocês! – foram as últimas palavras da voz antes de desligar o aparelho. Era Zulil.
Todos estavam pasmos, confusos e desesperados. Nesse momento a união do grupo quase foi quebrada. Uma longa e exaltada discussão teve início. Os heróis não sabiam o que fazer, estavam perdidos. Alguns queriam ir para Darkwood imediatamente, outros, como Lucano, queriam ir direto para o castelo ao norte de Carvalho Quebrado, e Nailo queria que Anix os transportasse magicamente até Vectora onde, esperava ele, pediria ajuda a Vectorius antes que fosse tarde demais. Mas, sem magias preparadas suficientes para transportar todos da maneira que desejavam, o grupo teve que pensar com calma e escolher um único destino. E escolheram o certo.
_ Norgar, preciso de um lugar escuro, muito escuro. Você tem um porão aqui? – pediu Anix.
_ Sim, Anix! Venham comigo! – respondeu o taverneiro.
Os aventureiros seguiram o homem até o subterrâneo da taverna. Lá, Anix evocou um poder que até então mantivera oculto dos amigos. Um túnel negro de sombras se abriu diante deles, um caminho para o castelo de Zulil.
_ Amigos, todos dêem as mãos agora. Aquele que se separar do grupo ficará perdido para sempre no mundo das sombras. Vamos agora! Andarilho das sombras guie-nos e nos mostre o caminho! – gritou Anix, puxando seus companheiros pelo túnel.
A travessia, embora cobrisse uma longa distância, foi curta. Os heróis atravessaram o túnel sombrio e poucos instantes depois saltavam para fora do mesmo sob a sombra de um carvalho diante do castelo. O castelo continuava lá, inteiro, imóvel. No alto da torre mais alta puderam perceber algumas mudanças. As janelas, outrora abertas, agora estavam lacradas por paredes de pedra. Nailo rastreava o chão procurando por rastros do seu inimigo. Havia pegadas de dois elfos, um mais leve do que o outro, de um halfling e marcas de carroça e cavalos. Quando estavam prontos para seguirem as pegadas, um grito os impediu e lhes mostrou o caminho a ser tomado. Do alto da torre ecoou um grito de agonia que se calou num silêncio mórbido. Era a voz de Darin, esposa de Nailo.
_ Vamos! – gritou o ranger, correndo para dentro da fortaleza. Os outros o seguiram e logo após ouviram mais um grito. Desta vez era a voz de Aino, a esposa de Lucano.
Sem hesitação, o grupo correu pelos corredores e escadarias do castelo. Tudo estava iluminado pela luz de tochas bruxuleantes. Enquanto corriam Lucano despejava bênçãos e proteções em seus companheiros, preparando-os para a batalha. Rapidamente alcançaram o segundo andar, Legolas viu que o fogo que ateara ao castelo fora apagado por alguém. Finalmente chegaram ao final da construção e à escadaria que dava acesso à torre. Galgaram os degraus com a velocidade e ferocidade de leopardos e entraram no cômodo onde tinham travado a fatídica batalha contra Zulil. E, conforme o necromante esperava, caíram em sua armadilha.
A porta de entrada foi lacrada por uma parede de pedras que desceu do teto assim que o grupo a atravessou. O arco mágico de Legolas deixou de brilhar, tal qual as espadas de Nailo e Lucano. Da mesma forma que as armas, todos os outros itens dos heróis perderam seus poderes e as proteções e magias que tinham conjurado durante o trajeto dissiparam-se por completo. Estavam numa zona de anti-magia, uma área onde nenhum poder mágico era capaz de funcionar.
Olharam ao redor. O laboratório em forma de círculo tinha sido completamente alterado. A câmara tinha sido dividida em duas partes, separadas por grossas grades de ferro escuro e frio. Na metade em que estavam, o alçapão do chão e as janelas tinham sido lacrados com rocha e o teto, um pouco mais baixo do que antes, tinha algo de muito estranho incrustado em sua estrutura de pedra. Exatamente no centro da metade do teto que estava sobre os heróis havia um tipo de compartimento, uma cavidade quadrada, cavada na rocha e isolada dos elfos por uma grossa parede de vidro e barras de ferro. Protegido dentro da cavidade, um imenso olho estático observava os aventureiros, rodeado por velas de desenhos e runas arcanas. Era um olho de observador, um olho de beholder, uma criatura aberrante repleta de olhos e cheia de poderes. E um dos poderes desta perigosa criatura era justamente impedir o uso de qualquer tipo de magia.
O grupo avançou em direção à grade que dividia o aposento. Legolas entrou em desespero ao ver o que havia do outro lado e tentou agarrar e arrancar as barras de ferro à força. Mas sua tentativa foi em vão, pois, além de estarem firmemente cravadas no chão e no teto, após a grade havia uma barreira invisível, um tipo de parede mágica, que impedia o avanço dos heróis. E além desta barreira mágica, estavam os corpos.
Cinco plataformas de pedra erguiam-se do chão sustentadas por pilastras também rochosas e envoltas pela escuridão da penumbra que imperava após a barreira. Cortinas negras juntavam-se à escuridão para criar uma atmosfera sombria e impedir que alguns lugares fossem acessados pela visão dos heróis. Além das plataformas havia prateleiras presas na parede do fundo, sobre as quais repousavam cinco enormes pedras preciosas que refletiam de forma fantasmagórica a luz de uma única tocha que se ocultava em algum lugar atrás das cortinas. E, para desespero dos heróis, sobre as placas de pedra havia cinco corpos, cinco mulheres elfas. Eram elas Liodriel, Darin, Enola, Aino e Deedlit. Todos ficaram paralisados por um longo instante, mirando com seus olhares os corpos de suas amadas na esperança de perceber um espasmo, por menor que fosse, indicando a presença de respiração, a presença de vida. Mas, não havia movimento. Não havia respiração. Não havia mais vida naqueles corpos que jaziam sobre a rocha fria. Estavam todos entregues à tristeza, ao desespero e ao medo, quando o som de passos, e uma risada sombria os tirou daquele estado de torpor.
_ Há há há há!!! Finalmente chegaram, meus amigos! Pena que chegaram tarde demais! Perderam um belo espetáculo! – Zulil surgiu por trás das cortinas, protegido por sua grade de ferro e sua parede mágica.
_ Desgraçado! Por que fez isso? – gritou Legolas.
_ Porque eu esmago aqueles que se colocam no meu caminho! – respondeu o necromante, sorrindo.
_ Mas elas não lhe fizeram nada, nem conheciam você! – protestou Nailo, guardando as espadas e esperando conseguir resolver aquela situação sem combate direto.
_ Mas vocês fizeram! Destruíram minhas criações, meu laboratório! Atrapalharam meus planos e ainda tentaram me matar! Por isso eu as matei! Agora minha vingança está quase completa! – Zulil rugiu. Sua voz perdia o tom calmo e suave para tornar-se um trovão carregado de ódio.
_ Maldito! Você não devia ter feito isso! Vou lhe dar uma chance de se redimir e desfazer essas maldades! Pegue-a antes que seja tarde! – Nailo Insistia.
_ Ora não me faça rir! Suas ameaças são vazias, vocês não passam de cadáveres ambulantes! – rebateu o mago.
_ Mas isso não é possível! Eu o matei, arranquei a sua cabeça! Você não podia estar vivo! Como isso é possível? – perguntou Anix.
_ Cale-se! Eu não lhes devo explicações! Entretanto, já que vocês vão morrer mesmo, vou satisfazer sua curiosidade! Eu voltei de uma maneira simples! Basta ter um pouco de dinheiro e você consegue fazer maravilhas, como, por exemplo, ter um clone seu guardado, esperando para abrigar sua alma! Pois saibam, seus vermes, que quando me derrotaram aqui, minha alma foi transportada magicamente e eu despertei imediatamente depois da batalha em meu novo corpo que estava em uma de minhas bases, em Valkaria! E desde aquele dia eu venho me preparando para este momento, preparando minha doce vingança! – respondeu Zulil. Parou por um momento, gargalhando enquanto os heróis o olhavam, atônitos, e prosseguiu. – Imagino que vocês devam estar se perguntando como eu consegui localizar suas namoradinhas! Pois antes que me perguntem, terei prazer em lhes contar! Saibam que vocês foram traídos! Foi um amigo de vocês quem me contou tudo que eu precisava saber, onde cada um de vocês morava, quem eram as pessoas mais queridas para vocês! Um velho amigo de vocês é na verdade um traidor!
_ É mentira! O único traidor aqui é você Zulil! Pare com essa loucura já! – protestou Nailo.
_ E o traidor esta aqui também! – prosseguiu o mago, sem se importar com Nailo. Olhou para sua esquerda, para um canto que os heróis não podiam ver e fez um aceno com a mão. – Venha até aqui. Venha, Sam! – e ele veio.
O som de passos se formou naquele longo e mórbido silêncio que durou somente uma fração de segundo. Uma cabeça surgiu de trás das cortinas, com um chapéu adornando-a. Imediatamente os cinco elfos reconheceram o rosto que surgia, era Sam Rael. Mas algo estava errado ali. Havia um objeto metálico brilhante abaixo do pescoço de Sam e, conforme ele foi adentrando na câmara, todos enfim entenderam o que se passava. Era apenas a cabeça de Sam Rael que estava ali, separada de seu corpo e depositada sobre uma bandeja. Uma bandeja carregada por um halfling que eles conheciam bem, Flint Stone.
_ Foi muita sorte encontrá-lo em uma taverna de Valkaria quando eu preparava minha vingança. O tolo estava alegre por ter recebido a notícia de que ia ser pai e estava na taverna em busca de vinho para comemorar com a vagabunda prenha. Quando me viu, o imbecil ficou todo alegre e veio me contar a novidade. Foi bastante fácil fazê-lo falar de vocês e narrar suas aventuras que ele cantava todo orgulhoso. Eu fui dando corda e ele foi me contando cada vez mais coisas. Disse de onde cada um era, o que gostavam de fazer e quem amavam. Ele me entregou todos vocês, suas fraquezas e vulnerabilidades como se me servisse um banquete. Depois que eu sabia tudo o que precisava, contratei uns goblins para dar cabo do sujeito. Sabem, foi um grande espetáculo vê-lo chorar, gritar e implorar antes de morrer. Ah, e aquilo que dizem sobre s bardos é verdade! Sim, matar bardos dá muito azar! Os goblins que contratei morreram logo depois de matarem seu amiguinho aqui! Hoje eles são ótimos escravos zumbis! – Zulil continuava falando, zombando dos heróis e daqueles que eles mais amavam. O ódio tomava conta de todos.
_ Bem, agora chega de conversa! Eu tenho muita coisa a fazer e não posso ficar aqui perdendo tempo com um bando de condenados inúteis. Vamos embora! – e Zulil pegou um pergaminho mágico e pronunciando versos arcanos, fez surgir um portal diante de todos. Do outro lado da passagem era possível ver uma floresta densa que circundava um desfiladeiro. Eram árvores gigantescas e moitas com folhas do tamanho de um homem e no fundo do escuro desfiladeiro havia uma sinistra torre. Uma libélula do tamanho de um cachorro passou diante do portal antes do primeiro inimigo atravessá-lo. Flint Stone fez uma zombaria, jogou a cabeça de Sam no chão e a chutou para longe antes de entrar e desaparecer através do portal. A seguir veio Laurel, que oculto atrás das cortinas e na escuridão.
_ Laurel! Por que faz isso?Por que fica ao lado dele? Por acaso acha que ele está certo? – perguntou Nailo.
_ Sim, acho! – respondeu Laurel, sorrindo. Entrou no portal e, antes de desaparecer, virou-se e mostrou a língua, agitando-a como uma serpente e zombando dos heróis.
_ Bem, agora é minha vez! – Zulil pegou as cinco jóias que estavam nas prateleiras e uma sexta gema, até então oculta nas sombras. Acionou uma alavanca na parede. – Agora minha vingança está completa! Boa morte para vocês! – e, dizendo estas palavras, o traidor desapareceu pelo portal que se fechou logo em seguida.
Todo o castelo começou a tremer assim que Zulil acionou a alavanca. O teto começou a se mexer e desceu rapidamente sobre os cinco elfos. Do outro lado da barreira nada acontecia, mas eles não podiam atravessar por causa das grades e da muralha invisível. A porta pela qual tinham entrado, todas as janelas e o alçapão no qual Glorin caíra um ano antes eram agora paredes de rocha sólida. Não havia como escapar.
Os aventureiros seguravam o teto, tentando impedir que as várias toneladas de pedra os esmagassem. Squall e Lucano tentavam quebrar o vidro para destruir o olho do beholder e assim poderem usar magia para escapar, mas todas as tentativas eram
O arqueiro deitou-se no chão, olhando para o corpo de sua amada que jazia do outro lado da grade e calou-se. Nailo deitou sobre Relâmpago, protegendo-o com seu corpo, sacou as espadas e as apoiou no chão para tentar escorar o teto.
_ Foi bom viver com vocês, amigos! – foram as últimas palavras do ranger.
Anix e Lucano ainda tentavam segurar o enorme peso, mas sentiram que era impossível. Squall continuava golpeando o vidro, mas como ele não recebera sequer um arranhão, sentiu que a hora de sua morte tinha finalmente chegado.
Então, quando todas as esperanças estavam perdidas, os cinco aventureiros ouviram um estranho som. Era o tilintar semelhante ao de um martelo numa bigorna, vindo do outro lado da entrada da sala. Junto com as batidas, outros sons começaram a surgir. Eram como explosões, trovões e rajadas mágicas. Os sons foram ficando cada vez mais altos, cada vez mais próximos, até que eles viram uma fina camada de gelo se formar sobre a porta de entrada.
_ Capitão! É o capitão Glorin! – gritou Legolas. A parede explodiu. Gelo e fogo invadiram a sala, junto com vinhas serpenteantes que desapareceram ao entrar na área anti-magia. Glorin travava o teto com seu machado, com a ajuda de Jonathan, Seelan e Kuran. Todd invadiu a sala, rolando pelo chão e atirando adagas nas bordas do teto, retardando sua descida mortal. Uma sexta pessoa surgiu pela porta, convocando os elfos para fora da armadilha.
_ Depressa! Saiam daí! Venham! – era uma voz familiar, que não ouviam há quase um ano. Era Lars Sween.
_ Não vou deixar a Enola aqui! – gritou Anix, enquanto seus amigos se atiravam para fora da sala.
_ Se você morrer aqui, não poderá ajudá-la! – disse Lars. O elfo voltou a sim e saltou para fora da sala, junto com Todd, antes de o teto desabar de vez, destruindo o piso, o olho do beholder, as grades de metal, a muralha mágica de Zulil e parte das paredes da torre. Os heróis estavam salvos, ao menos por enquanto, graças à ajuda de Glorin e seus amigos. E Lars estava de volta. Com a ajuda dos seus poderes, Aino, Enola, Liodriel, Deedlit e Darin podiam ser trazidas de volta, podiam ser ressuscitadas.
outubro 13, 2008
Voltamos!!!
Preparei o terreno, cerquei a presa e sábado finalmente dei o bote fatal.
Não entenderam? Continuem acompanhando. Não darei spoilers antes de escrever os capítulos, mas posso adiantar o fatídico nome do próximo episódio: Desgraça anunciada.
Sacaram a gravidade e seriedade da coisa? Pois é, nos próximos capítulos vocês verão como a vida dos nossos heróis foi virada de ponta cabeça e porque eles não têm mais opção a não ser seguir em frente (sim, pq se desistirem ou morrerem, o sofrimento de algumas pessoas caras a eles será eterno).
Amanhã tem mais, um dos principais capítulos da história. E finalmente 90% das profecias, visões e sonhos proféticos serão desvendados. Não percam.....tun-dun...tun-dun...tun-dun...tun-dun...tun-dun...tun-dun...(coração negro pulsando sob a montanha)
PS: Ah, com isso cheguei ao final da saga do forte e do 4º volume do diário. Vou encadernar essa semana e já dei início ao 5º volume abrindo-o com o capítulo 320. Ao todo já são umas 1500 páginas escritas. Prometo que um dia arrumo uma grana, faço uma revisão em todo o material e manda pra uma gráfica para fazer uma publicação caseira, para distribuir para os amigos.